{"id":17923,"date":"2014-09-16T18:06:17","date_gmt":"2014-09-16T18:06:17","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=121142"},"modified":"2014-09-16T18:06:17","modified_gmt":"2014-09-16T18:06:17","slug":"panama-constroi-modelo-de-seguranca-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/panama-constroi-modelo-de-seguranca-alimentar\/","title":{"rendered":"Panam\u00e1 constr\u00f3i modelo de seguran\u00e7a alimentar"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_121144\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Panama.jpg\"><img class=\"wp-image-121144\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Panama.jpg\" alt=\"Panama Panam\u00e1 constr\u00f3i modelo de seguran\u00e7a alimentar\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Panam\u00e1 constr\u00f3i modelo de seguran\u00e7a alimentar\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Vicente Castrell\u00f3n mostra seu cultivo de arroz biofortificado. Esste campon\u00eas de 69 anos d\u00e1 assessoria aos demais produtores do distrito de Ol\u00e1, no Panam\u00e1, que participam do programa Agro Nutre. Foto: Fab\u00edola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cidade do Panam\u00e1, Panam\u00e1, 16\/9\/2014 \u2013 O Panam\u00e1 \u00e9 o primeiro pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina a converter o combate contra a chamada fome oculta em uma estrat\u00e9gia nacional, com um plano destinado a eliminar o d\u00e9ficit de micronutrientes na popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel, mediante a biofortifica\u00e7\u00e3o dos alimentos.<\/p>\n<p>O projeto come\u00e7ou a andar em 2006 e se consolidou em agosto de 2013, quando o governo lan\u00e7ou o programa Agro Nutre Panam\u00e1, que coordena a melhoria da qualidade alimentar dos setores mais pobres do pa\u00eds, concentrados na \u00e1rea rural e na popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, incorporando ferro, vitamina A e zinco \u00e0s sementes.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que a biofortifica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma barata de enfrentar esse problema, com alimentos que as fam\u00edlias consomem diariamente\u201d, explicou \u00e0 IPS o coordenador do Agro Nutre, Ismael Camargo. O Panam\u00e1 apresenta bols\u00f5es de pobreza onde existem altos n\u00edveis de defici\u00eancia de micronutrientes, acrescentou.<\/p>\n<p>Em 2006, come\u00e7ou a pesquisa da biofortifica\u00e7\u00e3o do milho, dois anos depois foi a vez do feij\u00e3o, e, em 2009, a do arroz e da batata doce, em um plano que tem apoio do Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o. Do Agro Nutre participam o Instituto de Pesquisa Agropecu\u00e1ria do Panam\u00e1 e institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, al\u00e9m de contar com o respaldo da Organiza\u00e7\u00e3o para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a p\u00fablica Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa).<\/p>\n<p>Na fase atual, apenas quatro mil os 48 mil produtores de agricultura familiar ou de subsist\u00eancia do Panam\u00e1 plantam sementes biofortificadas. O refor\u00e7o dos micronutrientes nos alimentos da dieta b\u00e1sica panamenha se converteu em pol\u00edtica de Estado em 2009. Atualmente, est\u00e3o liberadas (produzidas experimentalmente e aprovadas) cinco variedades de sementes de milho, quatro de arroz e duas de feij\u00e3o, todas melhoradas convencionalmente e com alta qualidade prot\u00e9ica.<\/p>\n<p>O projeto \u201ccome\u00e7ou nas \u00e1reas rurais porque \u00e9 onde existe pobreza extrema e os agricultores produzem para sua subsist\u00eancia\u201d, pontuou \u00e0 IPS a engenheira de alimentos Omaris Vergara, da Universidade do Panam\u00e1. Ela acrescentou que nesta fase \u201cn\u00e3o se pretende a comercializa\u00e7\u00e3o desses alimentos, mas sim melhorar a qualidade nutricional para as fam\u00edlias agricultoras\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a engenheira, a maior dificuldade para o avan\u00e7o do Agro Nutre \u00e9 a car\u00eancia de infraestrutura de pesquisa. \u201cO enfoque do projeto est\u00e1 voltado para popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis. A academia j\u00e1 pensa estudos de impacto, mas ainda n\u00e3o come\u00e7aram a ser feitos por serem muito caros\u201d, afirmou, destacando a car\u00eancia de estrutura de pesquisa \u00e9 o ponto fraco do projeto.<\/p>\n<p>Dados do Agro Nutre indicam que, dos 3,5 milh\u00f5es de habitantes desse pa\u00eds centro-americano, um milh\u00e3o vive na \u00e1rea rural, a metade em condi\u00e7\u00e3o de pobreza e 22% em pobreza cr\u00edtica. Mas a maior mis\u00e9ria no Panam\u00e1 se concentra nos 300 mil ind\u00edgenas que sobrevivem em cinco comarcas. Destes, 90% est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de pobreza.<\/p>\n<p>Isidra Gonz\u00e1lez, de 54 anos, n\u00e3o tinha ouvido falar da melhoria com micronutrientes dos alimentos, at\u00e9 que h\u00e1 cinco anos come\u00e7ou a plantar, junto com seu filho mais velho, sementes biofortificadas, em seu pequeno terreno na comunidade de Hijos de Dios, no distrito de Ol\u00e1, na prov\u00edncia central de Cocl\u00e9. Agora, as 70 fam\u00edlias dessa aldeia de casas espa\u00e7osas em sua \u00fanica rua produzem feij\u00e3o com sementes fortificadas em pequenas parcelas nas ladeiras de exuber\u00e2ncia tropical e arroz em terras inund\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cCreio que essas sementes s\u00e3o melhores e produzem mais. Pode-se usar metade da \u00e1gua que crescem\u201d, contou \u00e0 IPS Isidra, que est\u00e1 no projeto desde sua fase experimental. \u201cAs pessoas gostam, porque tem mais sabor e rende bastante. Meus filhos comem nosso arroz e feij\u00e3o com gosto, disso estou certa\u201d, acrescentou, entre risos.<\/p>\n<p>O produtor Vicente Castrell\u00f3n, de 69 anos, al\u00e9m de cultivar as sementes melhoradas foi treinado como capacitador comunit\u00e1rio para os produtores do distrito. \u201cEstamos produzindo tr\u00eas colheitas ao ano, e eu apoio tecnicamente em tudo que os demais produtores precisam. Agora \u00e9 para o autoconsumo, mas alguns conseguem mais do que precisam para alimentar a fam\u00edlia e j\u00e1 obt\u00eam dinheiro com a venda do que sobra\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cA vida aqui \u00e9 muito cara para produtores como n\u00f3s\u201d, acrescentou Castrell\u00f3n, em Hijos de Dios, distante 250 quil\u00f4metros da Cidade do Panam\u00e1, de onde se leva mais de tr\u00eas horas de autom\u00f3vel para chegar. N\u00e3o foi f\u00e1cil as fam\u00edlias de Ol\u00e1 mudarem para as sementes biofortificadas, \u201cdemorou quase um ano para que entrassem no Agro Nutre\u201d, recordou. Mas agora h\u00e1 entusiasmo, \u201cporque, para cada dez libras (454 gramas) plantadas, colhe-se de cem a 200 libras de gr\u00e3os\u201d, ressaltou, mostrando orgulhoso sua planta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o do quarto cultivo, a batata doce, \u00e9 estrat\u00e9gica, explicou o pesquisador Arnulfo Guti\u00e9rrez. Esse tub\u00e9rculo quase desaparecido da dieta panamenha \u00e9 o quinto cultivo do mundo, \u00e0 frente do milho ou da mandioca, e a FAO promove seu maior consumo global. Por isso sua incorpora\u00e7\u00e3o tem por objetivo promover seu consumo e, em 2015, seriam liberadas duas ou tr\u00eas variedades de suas sementes melhoradas.<\/p>\n<p>Luis Alberto Pinto, consultor da FAO, integra o comit\u00ea gestor do Agro Nutre e \u00e9 coordenador t\u00e9cnico nacional nas duas primeiras comarcas ind\u00edgenas onde se planta a semente melhorada, Gn\u00e4be Bugle e Guna Yala. \u201cTrabalhamos em quatro comunidades-piloto.<\/p>\n<p>Em Gn\u00e4be Bugle estamos no Cerro Mosquito e Chichica com 129 agricultores e em Guna Yala com 50 agricultores, em ilhas na faixa do Caribe\u201d, detalhou \u00e0 IPS. \u201cTrabalhamos segundo seus costumes e suas culturas, na incorpora\u00e7\u00e3o desses produtos\u201d de maneira sustent\u00e1vel no tempo. \u201cNossa esperan\u00e7a \u00e9 expandir o projeto a todas as comarcas ind\u00edgenas\u201d, apontou Pinto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ci\u00eancia e produ\u00e7\u00e3o, o projeto exige o lobby constante com membros do parlamento e de minist\u00e9rios para que se mantenha o compromisso com a biofortifica\u00e7\u00e3o como plano do Estado.<\/p>\n<p>Eyra Mojica, representante do PMA no Panam\u00e1 contou \u00e0 IPS que j\u00e1 \u00e9 habitual seu caminhar pelos corredores do parlamento e escrit\u00f3rios de funcion\u00e1rios de alto n\u00edvel nos minist\u00e9rios. \u201cTrabalhamos com deputados, diretores, ministros e novas autoridades. O tema da seguran\u00e7a alimentar \u00e9 muito complexo. O PMA se converteu no principal apoio para dar informa\u00e7\u00f5es \u00e0s autoridades em termos nutricionais. H\u00e1 muito desconhecimento\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para o ano que vem, o PMA espera introduzir a mandioca e a abobrinha como novos cultivos biofortificados. \u201cQueremos ter uma cesta de sete alimentos biofortificados. A ideia \u00e9 avan\u00e7ar com a incorpora\u00e7\u00e3o de pequenos grupos, como o das mulheres camponesas. Tamb\u00e9m estudamos trabalhar nas escolas com o programa de merenda escolar, a partir de 2015\u201d, destacou Mojica.<\/p>\n<p>A biofortifica\u00e7\u00e3o dos alimentos b\u00e1sicos, com nutrientes para reduzir a fome oculta, foi desenvolvida pelo HarvestPlus, um programa coordenado pelo Centro Internacional de Agricultura Tropical e o Instituto Internacional de Pesquisas sobre Pol\u00edticas Alimentares. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cidade do Panam&aacute;, Panam&aacute;, 16\/9\/2014 &ndash; O Panam&aacute; &eacute; o primeiro pa&iacute;s da Am&eacute;rica Latina a converter o combate contra a chamada fome oculta em uma estrat&eacute;gia nacional, com um plano destinado a eliminar o d&eacute;ficit de micronutrientes na popula&ccedil;&atilde;o mais vulner&aacute;vel, mediante a biofortifica&ccedil;&atilde;o dos alimentos. 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