{"id":17926,"date":"2014-09-17T16:31:46","date_gmt":"2014-09-17T16:31:46","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=121244"},"modified":"2014-09-17T16:31:46","modified_gmt":"2014-09-17T16:31:46","slug":"varias-iniciativas-buscam-romper-o-silencio-sobre-a-escravidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/varias-iniciativas-buscam-romper-o-silencio-sobre-a-escravidao\/","title":{"rendered":"V\u00e1rias iniciativas buscam \u201cromper o sil\u00eancio\u201d sobre a escravid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_121247\" style=\"width: 518px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/esclavitud1.jpg\"><img class=\"wp-image-121247\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/esclavitud1.jpg\" alt=\"esclavitud1 V\u00e1rias iniciativas buscam \u201cromper o sil\u00eancio\u201d sobre a escravid\u00e3o \" width=\"508\" height=\"394\" title=\"V\u00e1rias iniciativas buscam \u201cromper o sil\u00eancio\u201d sobre a escravid\u00e3o \" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">M\u00fasico de jazz Marcus Miller (esquerda), porta-voz do Projeto Roda do Escravo, usa a m\u00fasica para educar a popula\u00e7\u00e3o sobre a escravid\u00e3o. Por A. D. McKenzie\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paris, Fran\u00e7a, 17\/9\/2014 \u2013 O filme <i>Doze Anos de Escravid\u00e3o<\/i>, que obteve tr\u00eas Oscar este ano, entre eles o de melhor filme, abriu os olhos de muita gente para essa barb\u00e1rie e gerou debates sobre esse per\u00edodo da hist\u00f3ria da humanidade. Mas \u00e9 s\u00f3 uma das muitas iniciativas para \u201cromper o sil\u00eancio\u201d sobre os 400 anos do tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de escravos.<\/p>\n<p>Uma das iniciativas que tamb\u00e9m procurar \u201clan\u00e7ar uma luz\u201d sobre as consequ\u00eancias da escravid\u00e3o \u00e9 o Projeto Rota do Escravo, que completou 20 anos este m\u00eas em Paris, promovendo uma maior educa\u00e7\u00e3o sobre o fen\u00f4meno nas escolas de todo o mundo.<\/p>\n<p>\u201cO m\u00ednimo que a comunidade internacional pode fazer \u00e9 colocar essa hist\u00f3ria nos livros de texto\u201d, disse Ali Moussa Iye, diretor da se\u00e7\u00e3o Hist\u00f3ria e Mem\u00f3ria para o Di\u00e1logo,da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), encarregado do projeto. \u201cN\u00e3o se pode negar essa hist\u00f3ria aos que a sofreram e continuam experimentando as consequ\u00eancias da escravid\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 um dos impulsores do memorial permanente para a escravid\u00e3o, em constru\u00e7\u00e3o na sede da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em Nova York, que ficar\u00e1 pronto em mar\u00e7o de 2015, em honra aos milh\u00f5es de v\u00edtimas do tr\u00e1fico humano.<\/p>\n<p>A Unesco tamb\u00e9m participa da D\u00e9cada Internacional para as Pessoas Afrodescendentes (2015-2025), que tem o objetivo de reconhecer um grupo de popula\u00e7\u00e3o distinta e \u201catender as viola\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e atuais de seus direitos\u201d. O lan\u00e7amento oficial dessa iniciativa acontecer\u00e1 em janeiro do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>\u201cO enfoque n\u00e3o aponta a culpa, mas busca a reconcilia\u00e7\u00e3o. Temos de reconhecer a hist\u00f3ria de uma forma diferente, mais pluralista, para tirar li\u00e7\u00f5es e compreender nossas sociedades\u201d, explicou Iye \u00e0 IPS. \u201cTodo tipo de gente sofreu por causa da escravid\u00e3o e todo tipo de gente se beneficiou dela, assim como agora h\u00e1 pessoas se beneficiando da escravid\u00e3o atual. O racismo \u00e9 um resultado direto dessa horrorosa heran\u00e7a e precisamos ampliar o di\u00e1logo sobre esse assunto\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo a Unesco, o Projeto Rota do Escravo colocou esses temas na agenda internacional ao contribuir para o reconhecimento da escravid\u00e3o e do tr\u00e1fico de escravos como crimes contra a humanidade, uma declara\u00e7\u00e3o feita na Confer\u00eancia Mundial Contra o Racismo, realizada na cidade sul-africana de Durban, em 2001.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Unesco coletou e preservou arquivos e tradi\u00e7\u00f5es orais, apoiou a publica\u00e7\u00e3o de livros e identificou \u201clugares para a recorda\u00e7\u00e3o, para que os itiner\u00e1rios da mem\u00f3ria\u201d possam ser desenvolvidos. Entretanto, para as pessoas afrodescendentes \u00e9 preciso fazer muito mais para criar consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Ricki Stevenson, uma empres\u00e1ria afrodescendente que dirige a companhia Black Paris Tours, concentrada na contribui\u00e7\u00e3o da di\u00e1spora africana \u00e0 capital francesa, pontuou \u00e0 IPS que deveria haver \u201cconversa\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais sobre os cont\u00ednuos efeitos da escravid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Stevenson, \u201c\u00e9 preciso quebrar o sil\u00eancio sobre como o racismo continua magoando, n\u00e3o s\u00f3 as pessoas negras, mas a todos em qualquer pa\u00eds que mate, prenda, negue a educa\u00e7\u00e3o e os direitos individuais. Estados Unidos, Fran\u00e7a e todos os pa\u00edses europeus fizeram quantidade inimagin\u00e1vel de dinheiro \u00e0 custa do sequestro cruel, desumano, e da escraviza\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de africanos\u201d.<\/p>\n<p>Para essa empres\u00e1ria, \u201cessas na\u00e7\u00f5es ficaram ricas, constru\u00edram suas cidades e suas economias sobre a escraviza\u00e7\u00e3o de africanos, sobre o trabalho for\u00e7ado das pessoas negras, que foram privadas de seus direitos humanos b\u00e1sicos e tratadas pior do que os animais. Atualmente, sabemos que a riqueza de Wall Street e de muitas corpora\u00e7\u00f5es; companhias de seguros, de transportes, bancos, fam\u00edlias e at\u00e9 igrejas, continuam ligadas \u00e0 escravid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_121248\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/esclavitud2.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-121248\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/esclavitud2.jpg\" alt=\"esclavitud2 V\u00e1rias iniciativas buscam \u201cromper o sil\u00eancio\u201d sobre a escravid\u00e3o \" width=\"300\" height=\"279\" title=\"V\u00e1rias iniciativas buscam \u201cromper o sil\u00eancio\u201d sobre a escravid\u00e3o \" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ali Moussa Iye, diretor do Projeto Roda do Escravo, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco). Foto: A. D. McKenzie\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Por essa raz\u00e3o, acrescentou Stevenson, \u201ctenho d\u00favidas de que algu\u00e9m que nunca tenha vivido nos Estados Unidos seja capaz de compreender o grave desafio que significa \u2018respirar sendo negro\u2019. \u00c9 um fato cotidiano horr\u00edvel que todo homem, mulher, menina ou menino negro enfrentou ou enfrentar\u00e1 em algum momento de sua vida\u201d.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, o crescimento do nacionalismo gera uma cultura de exclus\u00e3o e racismo, segundo observadores pol\u00edticos. A ministra da Justi\u00e7a, Christiane Taubira, por exemplo, autora de uma lei de 2001 que leva seu nome e tamb\u00e9m reconhece a escravid\u00e3o como um crime contra a humanidade, foi alvo de ataques racistas nos meios sociais e em determinadas publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No contexto da cerim\u00f4nia pelo 20\u00ba anivers\u00e1rio do Projeto Rota do Escravo, Taubira descreveu sua luta contra o \u00f3dio e apontou que o desafio atual \u00e9 compreender as for\u00e7as globais que dividem as pessoas para a explora\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o podemos aceitar esse tipo de falta de humanidade\u201d, ressaltou, acrescentando que \u201cas v\u00edtimas an\u00f4nimas\u201d n\u00e3o foram apenas v\u00edtimas, mas \u201csobreviventes, criadores, artistas, guias e resistentes\u201d, apesar da imensa viol\u00eancia que sofreram.<\/p>\n<p>Algumas pessoas e municipalidades da Fran\u00e7a trabalharam para real\u00e7ar o papel ativo desse pa\u00eds no tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de escravos, mediante projetos culturais e para preservar a mem\u00f3ria. A cidade portu\u00e1ria de Nantes, que ficou muito rica com a escravid\u00e3o no s\u00e9culo 18, construiu um memorial para as v\u00edtimas em 2012.<\/p>\n<p>Os historiadores concordam que mais de 40% do tr\u00e1fico de escravos da Fran\u00e7a ocorreu por essa cidade, que funcionou como porto de transbordo de aproximadamente 450 mil africanos levados \u00e0 for\u00e7a para a Am\u00e9rica. Mas essa parte da hist\u00f3ria de Nantes se manteve oculta durante anos at\u00e9 que a iniciativa de \u201cquebrar o sil\u00eancio\u201d se acumulou no Memorial para a Aboli\u00e7\u00e3o da Escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e3-Bretanha, a cidade de Liverpool tem um Museu Internacional da Escravid\u00e3o, e Catar e Cuba tamb\u00e9m abriram museus dedicados a esse per\u00edodo hist\u00f3rico, mediante projetos com apoio da Unesco.<\/p>\n<p>O aclamado m\u00fasico de jazz norte-americano Marcus Miller, porta-voz do Projeto Rota do Escravo, tamb\u00e9m usa a m\u00fasica para educar a popula\u00e7\u00e3o sobre a escravid\u00e3o. Antes de uma destacada atua\u00e7\u00e3o em Paris com m\u00fasicos africanos, Miller ressaltou que quer se concentrar na resist\u00eancia e resili\u00eancia das pessoas escravizadas e das que lutaram para acabar com essa atrocidade que durou v\u00e1rios s\u00e9culos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Paris, Fran&ccedil;a, 17\/9\/2014 &ndash; O filme Doze Anos de Escravid&atilde;o, que obteve tr&ecirc;s Oscar este ano, entre eles o de melhor filme, abriu os olhos de muita gente para essa barb&aacute;rie e gerou debates sobre esse per&iacute;odo da hist&oacute;ria da humanidade. 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