{"id":17933,"date":"2014-09-19T15:57:28","date_gmt":"2014-09-19T15:57:28","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=121490"},"modified":"2014-09-19T15:57:28","modified_gmt":"2014-09-19T15:57:28","slug":"as-maes-afegas-dao-a-luz-contra-todo-prognostico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/as-maes-afegas-dao-a-luz-contra-todo-prognostico\/","title":{"rendered":"As m\u00e3es afeg\u00e3s d\u00e3o \u00e0 luz contra todo progn\u00f3stico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_121492\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/afghan_MMR-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-121492\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/afghan_MMR-629x419.jpg\" alt=\"afghan MMR 629x419 As m\u00e3es afeg\u00e3s d\u00e3o \u00e0 luz contra todo progn\u00f3stico\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"As m\u00e3es afeg\u00e3s d\u00e3o \u00e0 luz contra todo progn\u00f3stico\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O Afeganist\u00e3o \u00e9 um dos pa\u00edses mais perigosos para as mulheres gr\u00e1vidas e para as crian\u00e7as pequenas, segundo a organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos Sem Fronteiras. Foto: DVIDSHUB\/CC-BY-2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cabul, Afeganist\u00e3o, 19\/9\/2014 \u2013 Ap\u00f3s sua primeira experi\u00eancia em uma sala de maternidade, Nasrin Mohamadi prometeu a si mesma n\u00e3o pisar novamente em um hospital p\u00fablico no Afeganist\u00e3o. \u201cOs m\u00e9dicos disseram que ainda n\u00e3o havia dilata\u00e7\u00e3o completa, e que era para eu esperar no corredor\u201d, recordou essa mulher que agora \u00e9 m\u00e3e de quatro filhos.<\/p>\n<p>\u201cTive de ficar sentada no ch\u00e3o com algumas outras, j\u00e1 que n\u00e3o havia uma s\u00f3 cadeira\u201d, contou Mohamadi \u00e0 IPS sobre sua experi\u00eancia no centro de sa\u00fade Mazar-e Sharif, 425 quil\u00f4metros a noroeste de Cabul. \u201cFinalmente me levaram para o quarto, onde outras tr\u00eas mulheres esperavam com as pernas abertas enquanto as pessoas entravam e sa\u00edam. Me mantiveram assim durante uma hora, at\u00e9 que dei \u00e0 luz, sem anestesia e sem uma s\u00f3 toalha para limpar o beb\u00ea\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Com um desgosto que n\u00e3o desaparece, essa afeg\u00e3 de 32 anos lembrou que, \u201cimediatamente depois, os m\u00e9dicos me disseram para ir embora, j\u00e1 que havia mais mulheres fazendo fila no corredor\u201d. Mas o pesadelo de Mohamadi n\u00e3o acabou ao deixar o hospital. Os m\u00e9dicos disseram para n\u00e3o se lavar nos dez dias seguintes ao parto, o que causou uma infec\u00e7\u00e3o nos pontos de sutura.<\/p>\n<p>\u201cPaguei entre US$ 600 e US$ 800 para dar \u00e0 luz aos meus outros tr\u00eas filhos depois disso, mas foi dinheiro bem gasto, n\u00e3o tenho a menor d\u00favida\u201d, afirmou. \u00c9 uma quantia elevada em um pa\u00eds onde a renda di\u00e1ria m\u00e9dia n\u00e3o chega a US$ 3 e onde 75% da popula\u00e7\u00e3o vive em zonas rurais, sem acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade. No momento, os servi\u00e7os p\u00fablicos continuam sendo a \u00fanica op\u00e7\u00e3o para muitas mulheres.<\/p>\n<p>E os dados s\u00e3o reveladores sobre o compromisso do Afeganist\u00e3o com a sa\u00fade materna: 460 mortes em cada cem mil nascidos vivos, em um dos quatro pa\u00edses com as maiores taxas de mortalidade materna, com exce\u00e7\u00e3o da \u00c1frica subsaariana. O n\u00famero, em todo caso, representa importante queda diante das 1.600 mortes em cem mil nascimentos registradas em 2002. Mas, continuam sendo muitas as afeg\u00e3s que morrem durante a gravidez, o parto e o p\u00f3s-parto. Foram 4.200 mulheres em 2013, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>A falta de aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica especializada durante a gravidez ou o parto \u00e9, em parte, respons\u00e1vel por essas mortes. Poucas afeg\u00e3s buscam centros de sa\u00fade porque s\u00e3o acess\u00edveis somente em zonas urbanas. A falta de seguran\u00e7a e de estradas adequadas obriga muitas mulheres a darem \u00e0 luz em casa.<\/p>\n<p>S\u00e3o m\u00e1s not\u00edcias para os 6,5 milh\u00f5es de mulheres em idade reprodutiva nesse pa\u00eds de 31,2 milh\u00f5es de habitantes, sobretudo porque o Afeganist\u00e3o conta unicamente com 3.500 parteiras, segundo o relat\u00f3rio Estado das Parteiras no Mundo, apresentado em junho pelo Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA). Isso representa uma cobertura de 23% das necessidades das afeg\u00e3s, e a situa\u00e7\u00e3o tende a piorar.<\/p>\n<p>O UNFPA estima que os servi\u00e7os de parto no pa\u00eds \u201cter\u00e3o que responder a 1,6 milh\u00e3o de gravidezes anuais at\u00e9 2030, dos quais 73% em zonas rurais\u201d. Nem mesmo as mulheres que contam com pleno acesso \u00e0s instala\u00e7\u00f5es urbanas de alto n\u00edvel, como o Hospital e Maternidade Malalai, em Cabul, t\u00eam garantias.<\/p>\n<p>Nilofar Sultani, ginecologista no Malalai e m\u00e3e de quatro filhos, contou \u00e0 IPS que n\u00e3o est\u00e1 de modo algum satisfeita com sua experi\u00eancia. \u201cDei \u00e0 luz por cesariana aos meus quatro filhos nesse hospital, mas os m\u00e9dicos que me atenderam n\u00e3o estavam qualificados\u201d, disse, sem rodeios. \u201cA maioria deles s\u00f3 havia completado tr\u00eas anos de medicina. Em uma escala de um a dez, s\u00f3 posso dar quatro a esse hospital\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o de Sultani nasce de sua experi\u00eancia pessoal, tanto de m\u00e3e como de profissional, mas \u00e9 corroborada por diversos informes e estudos sobre o sistema de sa\u00fade do pa\u00eds. O informe de atividade de 2013, da organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF), considera o Afeganist\u00e3o como \u201cum dos lugares mais perigosos para uma mulher gr\u00e1vida ou uma crian\u00e7a pequena\u201d, devido \u00e0 falta de pessoal m\u00e9dico feminino especializado.<\/p>\n<p>\u201cAs cl\u00ednicas privadas s\u00e3o inacess\u00edveis para a maioria dos afeg\u00e3os e muitos hospitais p\u00fablicos est\u00e3o saturados e carecem de pessoal suficiente\u201d, informa o MSF, que tem quatro hospitais no pa\u00eds. \u201cMuitas cl\u00ednicas rurais s\u00e3o disfuncionais. O pessoal de sa\u00fade qualificado fugiu das \u00e1reas inseguras, e o fornecimento de rem\u00e9dios e equipamento m\u00e9dico \u00e9 irregular ou inexistente\u201d, acrescenta o informe.<\/p>\n<p>Trata-se de uma an\u00e1lise sombria para um pa\u00eds que ter\u00e1 de adequar seu sistema de sa\u00fade para atender \u201cpelo menos 117,8 milh\u00f5es de visitas pr\u00e9-natal, 20,3 milh\u00f5es de nascimentos e 81,3 milh\u00f5es de visitas p\u00f3s-natal entre 2012 e 2030\u201d, segundo o UNFPA. Em um pa\u00eds onde apenas 22% das mulheres em idade reprodutiva usam anticoncepcionais, as fam\u00edlias numerosas continuam sendo a norma. As afeg\u00e3s t\u00eam, em m\u00e9dia, seis filhos, uma din\u00e2mica impulsionada por uma obsess\u00e3o cultural de ter pelo menos um filho homem, que ser\u00e1 respons\u00e1vel por cuidar dos pais na velhice. As filhas viver\u00e3o com a fam\u00edlia de seus maridos.<\/p>\n<p>As m\u00e3es afeg\u00e3s mal t\u00eam tempo de se recuperar entre uma gravidez e outra, o que causa problemas de sa\u00fade para a m\u00e3e e tamb\u00e9m para seu beb\u00ea pela falta de leite. Quase 60% das crian\u00e7as menores de seis anos s\u00e3o alimentadas exclusivamente com leite materno, segundo pesquisa realizada em 2013 pelo Minist\u00e9rio de Sa\u00fade P\u00fablica do Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo nesse contexto, houve avan\u00e7os animadores na \u00faltima d\u00e9cada. A mesma pesquisa detectou que o atraso do crescimento entre as crian\u00e7as havia diminu\u00eddo em quase 20%, de 60,5% em 2004 para 40,9% em 2013. A ginecologista Sultani afirmou \u00e0 IPS que, apesar da persist\u00eancia de circunst\u00e2ncias adversas, a assist\u00eancia m\u00e9dica no Afeganist\u00e3o melhorou \u201csignificativamente\u201d na \u00faltima d\u00e9cada. \u201cH\u00e1 mais centros de sa\u00fade e muito melhor equipados. Al\u00e9m disso, o n\u00famero de m\u00e9dicos qualificados tamb\u00e9m aumentou\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Mas a mudan\u00e7a mais importante, ressaltou Sultani, foi o da atitude das mulheres em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. \u201cAntes, pouqu\u00edssimas mulheres se aproximavam dos hospitais, mas hoje em dia a maioria delas vem por iniciativa pr\u00f3pria. Est\u00e3o perdendo lentamente o medo dos m\u00e9dicos\u201d, observou. E Sultani n\u00e3o esquece outro fator determinante: agora, os centros de sa\u00fade s\u00e3o um dos poucos lugares onde essas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cabul, Afeganist&atilde;o, 19\/9\/2014 &ndash; Ap&oacute;s sua primeira experi&ecirc;ncia em uma sala de maternidade, Nasrin Mohamadi prometeu a si mesma n&atilde;o pisar novamente em um hospital p&uacute;blico no Afeganist&atilde;o. &ldquo;Os m&eacute;dicos disseram que ainda n&atilde;o havia dilata&ccedil;&atilde;o completa, e que era para eu esperar no corredor&rdquo;, recordou essa mulher que agora &eacute; m&atilde;e de quatro [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/as-maes-afegas-dao-a-luz-contra-todo-prognostico\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":514,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[989,3178],"class_list":["post-17933","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17933","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/514"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17933"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17933\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17933"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17933"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17933"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}