{"id":17935,"date":"2014-09-22T18:21:32","date_gmt":"2014-09-22T18:21:32","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=121583"},"modified":"2014-09-22T18:21:32","modified_gmt":"2014-09-22T18:21:32","slug":"contas-amargas-esperam-pela-vencedora-das-eleicoes-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/contas-amargas-esperam-pela-vencedora-das-eleicoes-no-brasil\/","title":{"rendered":"Contas amargas esperam pela vencedora das elei\u00e7\u00f5es no Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_121585\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/DilmaMarina.jpg\"><img class=\"wp-image-121585\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/DilmaMarina.jpg\" alt=\"DilmaMarina Contas amargas esperam pela vencedora das elei\u00e7\u00f5es no Brasil\" width=\"529\" height=\"360\" title=\"Contas amargas esperam pela vencedora das elei\u00e7\u00f5es no Brasil\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Marina Silva e a presidente Dilma Rousseff, durante encontro dos empres\u00e1rios industriais do Brasil com \u00a0os candidatos a Presid\u00eancia. Foto: Ant\u00f4nio Cruz\/ABR<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 22\/9\/2014 \u2013 \u201cEntregar aos banqueiros um grande poder de decis\u00e3o sobre sua vida e a de sua fam\u00edlia\u201d, incluindo emprego, pre\u00e7os e sal\u00e1rios, \u00e9 o que faria Marina Silva, afirma a propaganda da presidente Dilma Rousseff em sua campanha pela reelei\u00e7\u00e3o. Um spot televisivo mostra uma reuni\u00e3o de homens engravatados e contentes, enquanto em outra cena uma fam\u00edlia se assusta e se deprime diante do desaparecimento da comida de seus pratos.<\/p>\n<p>Seriam executivos do Banco Central, ao qual Marina Silva ofereceu autonomia por lei em seu programa. Os banqueiros assumiriam um poder que cabe ao presidente do pa\u00eds e ao Congresso eleitos pelo povo, segundo a propaganda de 30 segundos divulgada pela rede de televis\u00e3o dos hor\u00e1rios da propaganda eleitoral destinados a Dilma.<\/p>\n<p>A maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o conta com informa\u00e7\u00e3o para avaliar a pol\u00eamica, e o objetivo claro \u00e9 semear o temor pelo desconhecido. Pode \u201ccriar na opini\u00e3o p\u00fablica estados mentais, emocionais ou passionais\u201d, reconheceu a Promotoria Geral, que pediu na justi\u00e7a a suspens\u00e3o dessa propaganda.<\/p>\n<p>\u00c0s tergiversa\u00e7\u00f5es e as cr\u00edticas agressivas entre os candidatos se somam promessas, em uma disputa eleitoral que tende a agravar as frustra\u00e7\u00f5es dos brasileiros com o progn\u00f3stico da economia para 2015. Todos os candidatos prometem baixar a infla\u00e7\u00e3o e o d\u00e9ficit fiscal, aumentando, ao mesmo tempo, o investimento em sa\u00fade e infraestrutura.<\/p>\n<p>Mas o primeiro ano do novo governo ser\u00e1 de \u201cum ajuste doloroso\u201d, afirmou S\u00e9rgio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados. H\u00e1 quase um consenso entre seus colegas do setor privado em considerar \u201cinevit\u00e1veis\u201d medidas impopulares para que o governo recupere a confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos e promova investimentos.<\/p>\n<p>Um aperto fiscal sem os truques da \u201ccontabilidade criativa\u201d que tirou credibilidade das contas p\u00fablicas nos \u00faltimos anos, altas de pre\u00e7os controlados e desvaloriza\u00e7\u00e3o do real ser\u00e3o algumas corre\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para superar a \u201cdesordem\u201d atual da economia, segundo Vale, analista opositor ao governo.<\/p>\n<p>Em sua opini\u00e3o, o candidato social-democrata A\u00e9cio Neves ser\u00e1 o melhor presidente para reordenar a economia, mas n\u00e3o tem op\u00e7\u00f5es. Ocupa o terceiro lugar nas pesquisas, lideradas por Dilma e Marina Silva, as prov\u00e1veis rivais no segundo turno, no dia 26 de outubro. O primeiro ser\u00e1 no dia 5 de outubro. Se for reeleita, Dilma \u201cnada mudar\u00e1\u201d e a economia brasileira continuar\u00e1 paralisada e em \u201cr\u00e1pida deteriora\u00e7\u00e3o\u201d, previu Vale.<\/p>\n<p>O risco \u00e9 que o novo governo perca de imediato o apoio popular, ao trair suas promessas eleitorais. O ajuste poder\u00e1 reduzir o consumo, em um primeiro momento, e elevar a infla\u00e7\u00e3o, j\u00e1 alta e um fator de deteriora\u00e7\u00e3o da presidente. A desvaloriza\u00e7\u00e3o cambi\u00e1ria provavelmente ocorrer\u00e1 pela prevista eleva\u00e7\u00e3o das taxas de juros em 2015 por parte do Federal Reserve (o banco central norte-americano), que valorizar\u00e1 o d\u00f3lar.<\/p>\n<p>Isso ter\u00e1 efeitos inflacion\u00e1rios que exigir\u00e3o novas altas da taxa de juros, freando o dinamismo em uma economia j\u00e1 praticamente paralisada desde 2011. O mesmo ocorrer\u00e1 com o aumento dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis e da energia el\u00e9trica, que est\u00e1 contido mas que algum dia vai estourar. S\u00e3o \u201ctemas que n\u00e3o est\u00e3o na agenda da campanha eleitoral\u201d, porque afugentam os votos, mas se impor\u00e3o ao novo governo, pontuou Luis Eduardo Assis, ex-diretor do Banco Central e com experi\u00eancia em universidades e bancos internacionais.<\/p>\n<p>Adotar as medidas necess\u00e1rias no primeiro ano, para recuperar a economia nos anos seguintes, ser\u00e1 a melhor alternativa, porque persistir no rumo atual, com a\u00e7\u00f5es paliativas, agravar\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o no futuro imediato, levando ao \u201crisco de crise institucional\u201d, apontou Assis \u00e0 IPS. No Brasil, \u201c\u00e9 invi\u00e1vel n\u00e3o crescer\u201d, uma longa paralisia econ\u00f4mica gera \u201cpress\u00f5es sociais\u201d, com consequ\u00eancias pol\u00edticas, ressaltou.<\/p>\n<p>Tampouco se pode esperar um crescimento acelerado do produto interno bruto (PIB), destacou Assis, porque depende de reformas estruturais que alterariam o pacto social adotado pela sociedade brasileira, de generosos benef\u00edcios distribu\u00eddos pelo Estado, em contra\u00e7\u00e3o de investimentos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Sem a possibilidade de baixar a carga tribut\u00e1ria, que no Brasil alcan\u00e7a n\u00edveis de pa\u00edses ricos de elevado bem-estar social, n\u00e3o se pode \u201csimplificar o sistema\u201d, cuja complexidade representa custos que tiram competitividade das empresas brasileiras, acrescentou Assis. Para ele, seria um \u201cerro fatal\u201d permitir mais supervaloriza\u00e7\u00e3o cambi\u00e1ria, um dos fatores que afundaram a ind\u00fastria brasileira em uma \u201cprofunda recess\u00e3o\u201d h\u00e1 v\u00e1rios anos. Uma moeda valorizada \u201c\u00e9 uma grande tenta\u00e7\u00e3o\u201d, ao \u201crepresar pre\u00e7os\u201d e aumentar a renda e o PIB, alertou.<\/p>\n<p>Isso porque, em contrapartida, sobem tamb\u00e9m os custos, especialmente para a ind\u00fastria. Mas uma desvaloriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o soluciona o problema por si s\u00f3. \u00c9 apenas \u201cuma anestesia\u201d, necess\u00e1ria para uma cirurgia de melhoria na competitividade, com inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, transporte e burocracia menos custosas e regras est\u00e1veis, destacou Assis.<\/p>\n<p>Outro economista, Luiz Carlos Bresser Pereira, uma voz persistente contra a desindustrializa\u00e7\u00e3o brasileira como consequ\u00eancia da \u201cdoen\u00e7a holandesa\u201d, agora prop\u00f5e uma teoria, o \u201cnovo desenvolvimentismo\u201d, para explicar o processo que condena o pa\u00eds \u00e0 \u201cquase paralisia\u201d, desde 1991, com o PIB por habitante crescendo apenas 1,6% como m\u00e9dia anual.<\/p>\n<p>Chama-se \u201cdoen\u00e7a holandesa\u201d a s\u00edndrome provocada por um <em>boom<\/em> de divisas por exporta\u00e7\u00f5es de recursos naturais, o que valoriza a moeda e anula a competitividade dos demais produtos locais, especialmente as manufaturas, prejudicando a economia interna.<\/p>\n<p>At\u00e9 1990, o Brasil impunha um imposto de 31% sobre exporta\u00e7\u00f5es de produtos b\u00e1sicos, dessa forma neutralizando a supervaloriza\u00e7\u00e3o cambi\u00e1ria. Isso favoreceu a competitividade das ind\u00fastrias, que alcan\u00e7aram 65% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras em 1985, contra apenas 6% em 1965. Essa participa\u00e7\u00e3o se limitou a 38% em 2013, quando o setor industrial registrou d\u00e9ficit comercial de US$ 105,015 bilh\u00f5es, com as importa\u00e7\u00f5es chegando a US$ 198,105 bilh\u00f5es, segundo dados oficiais.<\/p>\n<p>Sem o imposto de exporta\u00e7\u00e3o, que Bresser Pereira prop\u00f5e restaurar, ocorre uma \u201csupervaloriza\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica e c\u00edclica\u201d das moedas de pa\u00edses em desenvolvimento que exportam mat\u00e9rias-primas, explorando recursos naturais abundantes e baratos, como petr\u00f3leo ou ferro.<\/p>\n<p>A supervaloriza\u00e7\u00e3o cambi\u00e1ria \u00e9 c\u00edclica porque \u201cgera crescente d\u00e9ficit nas contas externas e aumento do endividamento externo em divisa estrangeira\u201d, at\u00e9 que chega a crise financeira, uma grande desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda nacional e mais infla\u00e7\u00e3o. O Brasil sofreu uma dessas crises em 1998, mas se deveu mais a outra causa da s\u00edndrome holandesa. Trata-se do que Bresser Pereira chama de \u201cpopulismo cambi\u00e1rio\u201d: o uso da supervaloriza\u00e7\u00e3o para conter a infla\u00e7\u00e3o, estimulando importa\u00e7\u00f5es, e a pol\u00edtica de crescer com investimentos estrangeiros.<\/p>\n<p>S\u00e3o \u201cpol\u00edticas equivocadas\u201d que se repetiram nos governos de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (2003-2007) e de sua sucessora. \u201cHoje temos uma taxa de c\u00e2mbio muito valorizada, mas sem amea\u00e7a de crise financeira no curto prazo\u201d, pontuou Bresser Pereira. \u201cN\u00e3o acontecer\u00e1 no prazo de um ano, mesmo sem nenhum ajuste\u201d, acrescentou este professor da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, que anunciou que vai votar em Dilma Rousseff. Sua seguran\u00e7a se deve \u00e0s elevadas reservas internacionais do Brasil, que no dia 17 deste m\u00eas somavam US$ 377,319 bilh\u00f5es, segundo o Banco Central.<\/p>\n<p>A campanha deu um giro em agosto, quando Marina Silva, ex-ministra de Lula e candidata presidencial em 2010, assumiu a candidatura pelo Partido Socialista Brasileiro, ap\u00f3s a morte em acidente a\u00e9reo de seu candidato, Eduardo Campos, que ocupava um relegado terceiro lugar nas pesquisas. Agora, estas colocam a presidente sete pontos \u00e0 frente de Marina Silva. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 22\/9\/2014 &ndash; &ldquo;Entregar aos banqueiros um grande poder de decis&atilde;o sobre sua vida e a de sua fam&iacute;lia&rdquo;, incluindo emprego, pre&ccedil;os e sal&aacute;rios, &eacute; o que faria Marina Silva, afirma a propaganda da presidente Dilma Rousseff em sua campanha pela reelei&ccedil;&atilde;o. Um spot televisivo mostra uma reuni&atilde;o de homens engravatados [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/contas-amargas-esperam-pela-vencedora-das-eleicoes-no-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,1],"tags":[2495,2444,989,3178,3181,3179],"class_list":["post-17935","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-ultimas-noticias","tag-dilma-rousseff","tag-eleicoes-2014","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips","tag-marina-silva","tag-mario-osava"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17935","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17935"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17935\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17935"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}