{"id":17936,"date":"2014-09-22T18:13:11","date_gmt":"2014-09-22T18:13:11","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=121578"},"modified":"2014-09-22T18:13:11","modified_gmt":"2014-09-22T18:13:11","slug":"terramerica-acucar-cubano-ganha-protagonismo-energetico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/terramerica-acucar-cubano-ganha-protagonismo-energetico\/","title":{"rendered":"Terram\u00e9rica \u2013 A\u00e7\u00facar cubano ganha protagonismo energ\u00e9tico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_121580\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Ter704Cuba1.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-121580\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Ter704Cuba1.jpg\" alt=\"Ter704Cuba1 Terram\u00e9rica   A\u00e7\u00facar cubano ganha protagonismo energ\u00e9tico\" width=\"340\" height=\"225\" title=\"Terram\u00e9rica   A\u00e7\u00facar cubano ganha protagonismo energ\u00e9tico\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Vista da central a\u00e7ucareira 5 de Setembro, na prov\u00edncia de Cienfuegos, em Cuba. Da recupera\u00e7\u00e3o desse engenho participa uma subsidi\u00e1ria da construtora brasileira Odebrecht e nele ser\u00e1 instalada uma unidade bioel\u00e9trica que usar\u00e1 baga\u00e7o de cana. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Havana, Cuba, 22 de setembro de 2014 (Terram\u00e9rica).- A ind\u00fastria a\u00e7ucareira pretende se converter na principal fonte de energia limpa em Cuba, como parte de um programa de desenvolvimento de fontes renov\u00e1veis, com o qual se pretende reduzir a depend\u00eancia de combust\u00edveis f\u00f3sseis importados e proteger o ambiente.<\/p>\n<p>O projeto se insere nos planos de moderniza\u00e7\u00e3o dos engenhos abertos ao investimento estrangeiro pela Azcuba, o grupo empresarial estatal que, em 2011, substituiu o Minist\u00e9rio do A\u00e7\u00facar. Tradicionalmente, as centrais a\u00e7ucareiras geram a eletricidade para seu consumo, a partir de dejetos como o baga\u00e7o, res\u00edduo que sobra ap\u00f3s a tritura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Liobel P\u00e9rez, porta-voz da Azcuba, defendeu a produ\u00e7\u00e3o de energia a partir da biomassa da cana como barata e amig\u00e1vel com o ambiente. \u201cO CO2 (di\u00f3xido de carbono) produzido na gera\u00e7\u00e3o de eletricidade \u00e9 o mesmo que a cana absorve em seu processo de crescimento, portanto h\u00e1 um equil\u00edbrio ambiental\u201d, pontuou ao Terram\u00e9rica. No momento, n\u00e3o se contempla a produ\u00e7\u00e3o de etanol como derivado da cana, embora haja especialistas que considerem que esse bicombust\u00edvel poderia reduzir o consumo de gasolina no transporte e nas m\u00e1quinas agr\u00edcolas e limitar as emiss\u00f5es na atmosfera<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um dos temas que a comiss\u00e3o governamental, criada para analisar o desenvolvimento e as energias renov\u00e1veis, discute\u201d, disse Manuel D\u00edaz, diretor do Instituto Cubano de Pesquisas de Derivados de Cana-de-A\u00e7\u00facar. O funcion\u00e1rio n\u00e3o descartou essa possibilidade no futuro.<\/p>\n<p>\u201cEmbora n\u00e3o seja a solu\u00e7\u00e3o definitiva de longo prazo para o combust\u00edvel automotivo, o etanol \u00e9 um fator importante, contribui para reduzir o consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis e, se n\u00e3o entra em contradi\u00e7\u00e3o com o uso da terra para alimentos, pode ser, a meu ver, uma alternativa que cada pa\u00eds deve avaliar segundo suas particularidades\u201d, destacou D\u00edaz ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>Atualmente a ind\u00fastria a\u00e7ucareira fornece 3,5% da gera\u00e7\u00e3o de eletricidade do pa\u00eds. O plano para elevar a efici\u00eancia energ\u00e9tica contempla que, at\u00e9 2030, cerca de 20 engenhos gerar\u00e3o um excedente de 755 megawatts (MW) para alimentar a rede do Sistema Eletro-Energ\u00e9tico Nacional, isso elevaria para 14% a participa\u00e7\u00e3o da biomassa de cana na matriz energ\u00e9tica prevista para 2030, que projeta em 24% a participa\u00e7\u00e3o das fontes renov\u00e1veis, com aportes tamb\u00e9m da energia e\u00f3lica (6%), solar (3%) e hidr\u00e1ulica (1%).<\/p>\n<p>Agora, as energias renov\u00e1veis s\u00f3 representam 4,6% da gera\u00e7\u00e3o e o restante \u00e9 fornecido pelos combust\u00edveis f\u00f3sseis. A paulatina instala\u00e7\u00e3o nos engenhos de modernas usinas bioel\u00e9tricas, necess\u00e1rias para conseguir esse objetivo, exige investimento estimado em US$ 1,29 bilh\u00e3o, que a Azcuba espera obter de empr\u00e9stimos governamentais ou investimentos estrangeiros.<\/p>\n<p>\u201cOnde n\u00e3o aparece cr\u00e9dito, aparece o investimento estrangeiro\u201d, apontou Jorge Lodos, diretor de neg\u00f3cios da Zerus SA, subsidi\u00e1ria da Azcuba. Ele acrescentou ao Terram\u00e9rica que as duas primeiras empresas a se associarem com Cuba no setor inclu\u00edram em seus planos as usinas bioel\u00e9tricas para aumentar a efici\u00eancia energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>A primeira das unidades alimentadas com biomassa de cana come\u00e7ar\u00e1 a produzir em 2016, disse Lodos. Est\u00e1 prevista a constru\u00e7\u00e3o em \u00e1reas vizinhas ao central Ciro Redondo, na prov\u00edncia de Ciego de \u00c1vila, a 423 quil\u00f4metros de Havana, pela Biopower, empresa mista formada em 2012 pela Zerus e a brit\u00e2nica Havana Energy Ltd.<\/p>\n<div id=\"attachment_121581\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Ter704Cuba2.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-121581\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Ter704Cuba2.jpg\" alt=\"Ter704Cuba2 Terram\u00e9rica   A\u00e7\u00facar cubano ganha protagonismo energ\u00e9tico\" width=\"340\" height=\"227\" title=\"Terram\u00e9rica   A\u00e7\u00facar cubano ganha protagonismo energ\u00e9tico\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um trabalhador opera a moenda de cana-de-a\u00e7\u00facar durante a safra na central a\u00e7ucareira Jes\u00fas Rab\u00ed, na prov\u00edncia cubana de Matanzas. A biomassa do engenho contribuir\u00e1 para incrementar as fontes limpas na gera\u00e7\u00e3o de electricidade no pa\u00eds. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Durante a safra, de dezembro a maio, essa unidade empregaria como insumo o baga\u00e7o da cana processada pelo engenho vizinho, e no resto do ano utilizaria o res\u00edduo de cana armazenado e o marabu (<em>Dichrostachys cinerea<\/em>), um arbusto lenhoso que invade como praga vastas \u00e1reas agr\u00edcolas da ilha. O investimento previsto no projeto varia de US$ 45 milh\u00f5es a US$ 55 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Companhia de Obras e Infraestrutura (COI), subsidi\u00e1ria da brasileira Odebrecht, acordou com a Empresa A\u00e7ucareira Cienfuegos, tamb\u00e9m filial da Azcuba, a administra\u00e7\u00e3o conjunta por 13 anos da central 5 de Setembro, na prov\u00edncia de Cienfuegos, a 256 quil\u00f4metros da capital. Neste caso, o compromisso \u00e9 recuperar a capacidade produtiva do engenho de 90 mil toneladas de a\u00e7\u00facar por safra e inclusive aument\u00e1-la.<\/p>\n<p>Lodos detalhou que o investimento desse projeto supera os US$ 100 milh\u00f5es e inclui tamb\u00e9m uma usina bioel\u00e9trica. Esses dois engenhos e o Jes\u00fas Rab\u00ed, na prov\u00edncia de Matanzas, a 98 quil\u00f4metros de Havana, gerar\u00e3o os primeiros 140 MW de eletricidade no m\u00e9dio prazo. A Havana Energy e a COI abriram a porta para entrada do capital estrangeiro na agroind\u00fastria a\u00e7ucareira cubana, apoiadas pelo fato de que j\u00e1 t\u00eam investimentos em outros setores da centralizada economia cubana.<\/p>\n<p>\u201cO investimento estrangeiro exige confian\u00e7a m\u00fatua\u201d, opinou Lodos. O governo de Ra\u00fal Castro estima que precisa de US$ 2 bilh\u00f5es a US$ 2,5 bilh\u00f5es anuais de capitais estrangeiros para crescer e se desenvolver. Dos 56 engenhos cubanos, seis deles inativos, a Azcuba colocou 20 na carteira de investimentos estrangeiros. A prioridade inicial s\u00e3o os oito constru\u00eddos depois de 1959.<\/p>\n<p>Entre as ofertas para o desenvolvimento de derivados tampouco figura o etanol, embora muitos especialistas considerem que tem boas chances de comercializa\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o est\u00e1 previsto no programa. N\u00e3o \u00e9 dada nenhuma das condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para introduzir investimento estrangeiro. N\u00e3o h\u00e1 magnitude de capital, n\u00e3o \u00e9 aporte de tecnologia, n\u00e3o seria para a exporta\u00e7\u00e3o, nem substitui importa\u00e7\u00f5es. Hoje n\u00e3o est\u00e1 na carteira de neg\u00f3cios. Amanh\u00e3 poderemos p\u00f4r\u201d, enfatizou Lodos.<\/p>\n<p>Cuba produz \u00e1lcool em 11 destilarias, tamb\u00e9m em fase de moderniza\u00e7\u00e3o, para usos farmac\u00eauticos e em sua ind\u00fastria de rum e outras bebidas. A outrora poderosa ind\u00fastria a\u00e7ucareira, que teve colheitas de oito milh\u00f5es de toneladas, tocou o fundo em sua safra 2009-2010, com apenas 1,1 milh\u00e3o de tonelada produzida, a pior em 105 anos. Hoje o setor representa cerca de 5% da entrada de divisas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Espera-se que o programa de moderniza\u00e7\u00e3o das m\u00e1quinas fabris, dos equipamentos de transporte e outros recursos para melhorar os rendimentos impulsione a produ\u00e7\u00e3o, junto com o aumento da semeadura de cana. No ano passado, foram plantados 400 mil hectares e a safra 2013-2014 chegou a pouco mais de 1,6 milh\u00e3o de toneladas. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><em>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/em><\/p>\n<p><strong>Artigos\u00a0 relacionados da IPS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2012\/09\/fragilidad-de-sistema-electrico-cubano-demanda-energia-renovable\/\" >Fragilidade do sistema el\u00e9trico cubano demanda energia renov\u00e1vel, em espanhol<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2012\/02\/energia-cuba-camino-al-desarrollo-limpio\/\" >Rumo ao desenvolvimento limpo em Cuba, em espanhol<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2012\/02\/energia-cuba-camino-al-desarrollo-limpio\/\" >Abund\u00e2ncia energ\u00e9tica cubana poderia vir do mar\u00a0<\/a><\/p>\n<p><strong>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o dos Programas das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havana, Cuba, 22 de setembro de 2014 (Terram&eacute;rica).- A ind&uacute;stria a&ccedil;ucareira pretende se converter na principal fonte de energia limpa em Cuba, como parte de um programa de desenvolvimento de fontes renov&aacute;veis, com o qual se pretende reduzir a depend&ecirc;ncia de combust&iacute;veis f&oacute;sseis importados e proteger o ambiente. 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