{"id":17942,"date":"2014-09-23T15:13:58","date_gmt":"2014-09-23T15:13:58","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=121649"},"modified":"2014-09-23T15:13:58","modified_gmt":"2014-09-23T15:13:58","slug":"o-japao-registra-crescente-feminizacao-da-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/o-japao-registra-crescente-feminizacao-da-pobreza\/","title":{"rendered":"O Jap\u00e3o registra crescente feminiza\u00e7\u00e3o da pobreza"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_121651\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/japon.jpg\"><img class=\"wp-image-121651\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/japon.jpg\" alt=\"japon O Jap\u00e3o registra crescente feminiza\u00e7\u00e3o da pobreza\" width=\"529\" height=\"368\" title=\"O Jap\u00e3o registra crescente feminiza\u00e7\u00e3o da pobreza\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As mulheres agora constituem a maioria das pessoas pobres e idosas no Jap\u00e3o, a terceira maior economia do mundo e onde a popula\u00e7\u00e3o envelhece mais r\u00e1pido. Foto: S. H. isado\/CC BY-ND 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00f3quio, Jap\u00e3o, 23\/9\/2014 \u2013 \u201cTenho quatro trabalhos e mal consigo me manter\u201d, lamentou a japonesa Marlyn Maeda, de 48 anos, que v\u00ea como se desvanece seu sonho de chegar a ser idosa e continuar sendo autossuficiente no plano econ\u00f4mico. Redatora independente e solteira, Maeda ganha US$ 1.600 por m\u00eas, escrevendo artigos, trabalhando em uma central telef\u00f4nica, vendendo cosm\u00e9ticos cindo dias na semana e colaborando uma noite em um bar.<\/p>\n<p>Ela pertence a um crescente setor da popula\u00e7\u00e3o que empobrece. Com 127,3 milh\u00f5es de habitantes, o Jap\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds em que a pobreza chegou a 16% em 2013, ap\u00f3s mais de duas d\u00e9cadas de lento crescimento, que fez baixar os sal\u00e1rios e reduzir os postos de trabalho est\u00e1vel. Tamb\u00e9m reflete outra tend\u00eancia alarmante: a crescente feminiza\u00e7\u00e3o da pobreza. As mulheres constituem a maioria dos pobres e de idosos nesse pa\u00eds que \u00e9 a terceira maior economia do mundo e onde a sociedade envelhece mais rapidamente.<\/p>\n<p>Maeda contou que agora lhe pagam US$ 50 por artigo, bem abaixo do que pagavam nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990, quando ganhava, pelo menos o triplo. Os pobres no Jap\u00e3o ganham menos de US$ 10 mil por ano. O setor est\u00e1 integrado por idosos e trabalhadores de meio per\u00edodo. A renda que Maeda tanto custa a juntar pouco supera essa cifra.<\/p>\n<p>Sua hist\u00f3ria \u00e9 semelhante \u00e0 de muitas japonesas e se choca com os esfor\u00e7os do governo para empoderar as mulheres e melhorar sua participa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Um amplo pacote de reformas apresentadas no come\u00e7o deste ano pelo primeiro-ministro, Shinzo Abe, foi recebido com ceticismo por especialistas em g\u00eanero, desanimados pela quantidade de barreiras sociais e econ\u00f4micas que freiam as mulheres.<\/p>\n<p>O movimento chamado \u201cmulheronomia\u201d reclama v\u00e1rias mudan\u00e7as para melhorar a situa\u00e7\u00e3o das mulheres, h\u00e1 muito tempo discriminadas no \u00e2mbito trabalhista, e prop\u00f5em que ganhem o mesmo sal\u00e1rio que os homens, gozem de maior licen\u00e7a maternidade e consigam promo\u00e7\u00f5es. O nome do movimento deriva das reformas econ\u00f4micas de Abe, baseadas em medidas contra a infla\u00e7\u00e3o e para impulsionar o crescimento econ\u00f4mico que lhe valeram o nome de \u201cabenomia\u201d, no come\u00e7o de 2013.<\/p>\n<p>Como 60% das mulheres deixam de trabalhar quando engravidam, Abe prometeu derrubar barreiras, como aumentar para 20 mil as vagas nas creches e at\u00e9 300 mil nos programas extracurriculares at\u00e9 2020. Outro objetivo \u00e9 aumentar para 30% a presen\u00e7a feminina nos altos cargos at\u00e9 esse mesmo ano.<\/p>\n<p>\u201cNos propusemos incentivar a participa\u00e7\u00e3o feminina no \u00e2mbito do trabalho e elev\u00e1-la dos atuais 68% para 73% at\u00e9 2020\u201d, escreveu Abe no <em>The Wall Street Journal <\/em>em setembro do ano passado. \u201cAs japonesas ganham, em m\u00e9dia, 30,2% menos do que os homens (diferen\u00e7a maior do que nos Estados Unidos, que \u00e9 de 20,1%, e nas Filipinas, de 0,2%). Temos que reduzir a desigualdade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para especialistas como Hiroko Inokuma, que pesquisa os desafios que as m\u00e3es trabalhadoras enfrentam, o plano \u00e9 monumental, especialmente pela \u201ccrescente inseguran\u00e7a trabalhista, que j\u00e1 se traduz em n\u00fameros de pobreza desanimadores para as mulheres\u201d. Uma em cada tr\u00eas mulheres com idades entre 20 e 64 anos que vivem sozinhas \u00e9 pobre, segundo o Instituto Nacional de Pesquisa sobre Seguridade Social e Popula\u00e7\u00e3o, com sede em T\u00f3quio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, 11% das mulheres casadas s\u00e3o pobres e principalmente idosas que ficaram vi\u00favas. E quase 50% das divorciadas est\u00e3o lutando contra a pobreza. Tamb\u00e9m est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o 31,6% das trabalhadoras consultadas, acima dos 25,1% dos homens. O Minist\u00e9rio de Bem-Estar e Sa\u00fade declarou que o Jap\u00e3o registra n\u00edveis de pobreza sem precedentes. Em 2010, a assist\u00eancia estatal teve o maior n\u00famero de beneficiados das \u00faltimas d\u00e9cadas, com 2,09 milh\u00f5es de pessoas, ou 16% da popula\u00e7\u00e3o, nessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com esse panorama, Akiko Suzuki, da n\u00e3o governamental Rede Inclusiva, que ajuda as pessoas sem teto, opinou \u00e0 IPS que a reforma de Abe \u00e9 totalmente ilus\u00f3ria. \u201cAp\u00f3s v\u00e1rios anos trabalhando com popula\u00e7\u00f5es de baixos recursos, relaciono o aumento de mulheres pobres com o crescente n\u00famero de contratos de meio per\u00edodo ou de curto prazo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Na sa\u00fade, a enfermagem tem a maior quantidade de empregados de meio per\u00edodo, 90,5% dos quais s\u00e3o mulheres. Inclusive, a Rede apontou que elas representam 20% das tr\u00eas mil pessoas ao m\u00eas, em m\u00e9dia, que buscam ajuda econ\u00f4mica, bem mais do que os menos de 10% da popula\u00e7\u00e3o que o faziam h\u00e1 tr\u00eas anos. O Jap\u00e3o tem 20 milh\u00f5es de trabalhadores tempor\u00e1rios, cerca de 40% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa. E as mulheres representam 63% dos que ganham menos de 38% de um sal\u00e1rio de tempo integral.<\/p>\n<p>Aya Abe, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisa sobre Seguridade Social e Popula\u00e7\u00e3o, disse \u00e0 IPS que a pobreza feminina \u00e9 um problema permanente na sociedade japonesa, pelo papel secund\u00e1rio que tradicionalmente t\u00eam as mulheres. \u201cDurante d\u00e9cadas foram em frente, apesar de ganharem menos, porque tinham maridos que ganhavam bem ou viviam com seus pais. E tamb\u00e9m levavam uma vida austera. Mas essa \u00faltima tend\u00eancia \u00e0 pobreza pode estar relacionada com o fato de menos delas se casarem ou n\u00e3o conseguirem melhores sal\u00e1rios, trabalharem meio per\u00edodo ou terem contratos tempor\u00e1rios\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>Uma das propostas mais controvertidas da reforma do primeiro-ministro \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o de um beneficio que t\u00eam os homens cujas mulheres ganhavam menos de US$ 10 mil por ano. Os partid\u00e1rios da medida afirmam que isso incentivar\u00e1 as mulheres a procurarem emprego de tempo integral, enquanto seus cr\u00edticos dizem que pode aumentar a vulnerabilidade, privando-as de uma rede de prote\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Enquanto o debate prossegue, centenas de milhares de japonesas se arranjam como podem nestes tempos dif\u00edceis e sem perspectiva de melhoria. Segundo especialistas como Suzuki, \u201co envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e a instabilidade trabalhista fazem com que a feminiza\u00e7\u00e3o da pobreza tenha chegado para ficar. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; T&oacute;quio, Jap&atilde;o, 23\/9\/2014 &ndash; &ldquo;Tenho quatro trabalhos e mal consigo me manter&rdquo;, lamentou a japonesa Marlyn Maeda, de 48 anos, que v&ecirc; como se desvanece seu sonho de chegar a ser idosa e continuar sendo autossuficiente no plano econ&ocirc;mico. 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