{"id":17944,"date":"2014-09-23T15:05:44","date_gmt":"2014-09-23T15:05:44","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=121641"},"modified":"2014-09-23T15:05:44","modified_gmt":"2014-09-23T15:05:44","slug":"estados-unidos-podem-enviar-tropas-terrestres-para-combater-o-estado-islamico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/estados-unidos-podem-enviar-tropas-terrestres-para-combater-o-estado-islamico\/","title":{"rendered":"Estados Unidos podem enviar tropas terrestres para combater o Estado Isl\u00e2mico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_121643\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/dempsey.jpg\"><img class=\"wp-image-121643\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/dempsey.jpg\" alt=\"dempsey Estados Unidos podem enviar tropas terrestres para combater o Estado Isl\u00e2mico\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Estados Unidos podem enviar tropas terrestres para combater o Estado Isl\u00e2mico\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O general Martin Dempsey, chefe do Estado Maior Conjunto. Foto: Departamento de Defesa dos Estados Unidos\/dom\u00ednio p\u00fablico<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 23\/9\/2014 \u2013 Os Estados Unidos podem enviar tropas terrestres para combater o grupo extremista Estado Isl\u00e2mico (EI), se a estrat\u00e9gia anunciada pelo presidente Barack Obama contra a organiza\u00e7\u00e3o sunita n\u00e3o alcan\u00e7ar resultados contundentes, afirmou o chefe do Estado Maior Conjunto deste pa\u00eds, general Martin Dempsey.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o do general, em depoimento dado este m\u00eas perante um importante comit\u00ea do Congresso norte-americano, sugeriu pela primeira vez que Washington poderia ampliar substancialmente as opera\u00e7\u00f5es militares no Iraque, que atualmente consistem em ataques a\u00e9reos e assessoria \u00e0s for\u00e7as iraquianas e curdas longe da frente de batalha.<\/p>\n<p>\u201cSe chegarmos ao ponto no qual creio que nossos assessores devam acompanhar as tropas iraquianas em ataques contra objetivos espec\u00edficos, vou recomendar isso ao presidente\u201d Obama, afirmou Dempsey aos membros do Comit\u00ea de Servi\u00e7os Armados do Senado norte-americano. Atualmente, \u201csua pol\u00edtica declarada \u00e9 que n\u00e3o teremos for\u00e7as de terra norte-americanas em combate direto. Mas o presidente tamb\u00e9m me disse que voltaria a examinar caso a caso\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o de Dempsey aconteceu depois do debate legislativo sobre um pedido do Poder Executivo de US$ 500 milh\u00f5es para treinar e equipar os rebeldes s\u00edrios comprometidos com a luta contra o EI e o governo de Bashar al Assad. Seguramente, sua posi\u00e7\u00e3o refor\u00e7ar\u00e1 as d\u00favidas sobre o plano de Obama, especialmente porque o presidente havia prometido, no dia 10, que as for\u00e7as norte-americanas \u201cn\u00e3o ter\u00e3o uma miss\u00e3o de combate\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o nos arrastar\u00e3o a outra guerra terrestre no Iraque\u201d, disse Obama em discurso pela televis\u00e3o naquele dia, quando tamb\u00e9m se comprometeu a reunir uma coaliz\u00e3o internacional que inclui a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan) e os principais Estados \u00e1rabes governados por sunitas, para lutar contra o Estado Isl\u00e2mico no Iraque e na S\u00edria.<\/p>\n<p>Embora o secret\u00e1rio de Estado, John Kerry, tenha conseguido apoios p\u00fablicos para a estrat\u00e9gia de Washington para \u201cdegradar e em \u00faltima inst\u00e2ncia destruir\u201d o EI \u2013 em particular em uma reuni\u00e3o dos Estados \u00e1rabes na cidade saudita de Yeda, no dia 11, e de um grupo maior de pa\u00edses em Paris tr\u00eas dias depois \u2013, as d\u00favidas sobre a for\u00e7a e a efic\u00e1cia dessa coaliz\u00e3o parecem ter aumentando.<\/p>\n<p>Embora Ar\u00e1bia Saudita, Emirados \u00c1rabes Unidos e Fran\u00e7a pare\u00e7am dispostos a proporcionar algum tipo de apoio a\u00e9reo contra o Estado Isl\u00e2mico, v\u00e1rios aliados, como a Gr\u00e3-Bretanha, continuam sem confirmar sua ajuda \u00e0s opera\u00e7\u00f5es militares. J\u00e1 a Turquia, cujo ex\u00e9rcito \u00e9 o maior e mais forte da regi\u00e3o e cuja porosa fronteira com as zonas sob controle do EI no leste da S\u00edria foram aproveitadas pelo grupo extremista, \u00e9 uma das principais desilus\u00f5es de Washington.<\/p>\n<p>Apesar das reiteradas solicita\u00e7\u00f5es, Ancara n\u00e3o permite que avi\u00f5es militares norte-americanos utilizem sua base a\u00e9rea de Incirlik, localizada estrategicamente, a n\u00e3o ser para miss\u00f5es humanit\u00e1rias no Iraque, insistindo que toda participa\u00e7\u00e3o direta na campanha contra o Estado Isl\u00e2mico colocaria em risco a vida de dezenas de diplomatas turcos capturados pelo grupo, no consulado da Turquia da cidade s\u00edria de Alepo.<\/p>\n<p>Para os cr\u00edticos da estrat\u00e9gia de Washington \u00e9 preocupante que Kerry possa ter limitado a possibilidade de coopera\u00e7\u00e3o com outro lado potencialmente importante contra o EI, o Ir\u00e3, que foi expressamente exclu\u00eddo da coaliz\u00e3o internacional devido ao seu apoio a Assad e sua suposta condi\u00e7\u00e3o de \u201cEstado patrocinador do terrorismo\u201d.<\/p>\n<p>No dia 15, Kerry afirmou que Washington continua disposto \u00e0 \u201ccomunica\u00e7\u00e3o\u201d com Teer\u00e3, que proporcionou armas e assessores \u00e0s for\u00e7as curdas e iraquianas, com rela\u00e7\u00e3o aos seus esfor\u00e7os contra o Estado Isl\u00e2mico. Mas o l\u00edder supremo do Ir\u00e3, aiatol\u00e1 Ali Khamenei, que este m\u00eas teria autorizado uma coopera\u00e7\u00e3o limitada contra o EI, brincou com essa ideia e insistiu que foi Teer\u00e3 que rejeitou Washington.<\/p>\n<p>Segundo especialistas norte-americanos, a exclus\u00e3o do Ir\u00e3 da coaliz\u00e3o contra o EI se deu principalmente porque Ar\u00e1bia Saudita e Emirados \u00c1rabes Unidos amea\u00e7aram n\u00e3o participar da mesma se inclu\u00edsse Teer\u00e3. Isso reflete n\u00e3o s\u00f3 o conflito em curso entre sunitas e xiitas na regi\u00e3o, especialmente na guerra civil da S\u00edria, mas tamb\u00e9m a dificuldade de Washington em convencer governos com interesses muito diferentes entre si a se unirem em torno de uma causa comum.<\/p>\n<p>\u201cExcluir o Ir\u00e3 do esfor\u00e7o coletivo para conter e eventualmente destruir o EI, especialmente depois do que aconteceu em Amerli\u201d, uma cidade iraquiana onde o ass\u00e9dio do Estado Isl\u00e2mico foi vencido pela combina\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia a\u00e9rea junto com os combatentes e as tropas iraquianas com o apoio do Ir\u00e3, \u201cdesafia a l\u00f3gica e a sensatez e n\u00e3o se pode explicar\u201d, afirmou Farideh Farhi, uma especialista em Ir\u00e3 da Universidade do Hava\u00ed.<\/p>\n<p>\u201cIsso sugere a muitos que o temor em legitimar o papel do Ir\u00e3 na seguran\u00e7a regional continue sendo uma for\u00e7a impulsora da pol\u00edtica externa norte-americana\u201d, afirmou Farhi \u00e0 IPS por correio eletr\u00f4nico. De fato, \u00e9 poss\u00edvel que o \u00eaxito da estrat\u00e9gia de Obama dependa menos do poderio militar dos Estados Unidos do que de sua capacidade para reconciliar os atores regionais, como o Ir\u00e3.<\/p>\n<p>\u201cPara ter alguma esperan\u00e7a de \u00eaxito \u00e9 preciso substituir a estrat\u00e9gia do \u2018fa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u2019 dos Estados Unidos pelo esfor\u00e7o em facilitar a coopera\u00e7\u00e3o entre as grandes pot\u00eancias mu\u00e7ulmanas da regi\u00e3o\u201d, afirmou Chas Freeman, que foi embaixador de Washington na Ar\u00e1bia Saudita durante a primeira Guerra do Golfo (1990-1991). \u201cEnquanto Ar\u00e1bia Saudita e Ir\u00e3 n\u00e3o trabalharem juntos, toda coaliz\u00e3o para combater os fan\u00e1ticos isl\u00e2micos ser\u00e1 um esfor\u00e7o incompleto, no melhor dos casos, e sem ra\u00edzes na regi\u00e3o, no pior\u201d, pontuou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades diplom\u00e1ticas que Obama enfrenta, as d\u00favidas nos Estados Unidos t\u00eam a ver com sua estrat\u00e9gia militar, em particular com sua depend\u00eancia do poderio a\u00e9reo e da aus\u00eancia de for\u00e7as terrestres que possam ocupar o territ\u00f3rio, especialmente em \u00e1reas sunitas do Iraque e da S\u00edria.<\/p>\n<p>Os funcion\u00e1rios norte-americanos acreditam que as for\u00e7as peshmergas curdas e o ex\u00e9rcito iraquiano, com combatentes xiitas apoiados pelo Ir\u00e3 e o respaldo a\u00e9reo dos Estados Unidos e de seus aliados, s\u00e3o capazes de expulsar o EI das zonas recentemente conquistadas no Iraque, mas levar\u00e1 muito mais tempo tir\u00e1-lo de lugares que governa h\u00e1 meses, como as cidades de Faluja e Ramadi.<\/p>\n<p>Obama anunciou no dia 10 deste m\u00eas o envio de mais 500 militares ao Iraque, elevando o n\u00famero de soldados dos Estados Unidos para 1.600, em sua maioria instrutores e assessores dos peshmergas e do ex\u00e9rcito iraquiano. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 23\/9\/2014 &ndash; Os Estados Unidos podem enviar tropas terrestres para combater o grupo extremista Estado Isl&acirc;mico (EI), se a estrat&eacute;gia anunciada pelo presidente Barack Obama contra a organiza&ccedil;&atilde;o sunita n&atilde;o alcan&ccedil;ar resultados contundentes, afirmou o chefe do Estado Maior Conjunto deste pa&iacute;s, general Martin Dempsey. 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