{"id":17958,"date":"2014-09-29T13:44:06","date_gmt":"2014-09-29T13:44:06","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=121914"},"modified":"2014-09-29T13:44:06","modified_gmt":"2014-09-29T13:44:06","slug":"mulheres-sem-permissao-para-trabalhar-no-paquistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/mulheres-sem-permissao-para-trabalhar-no-paquistao\/","title":{"rendered":"Mulheres sem permiss\u00e3o para trabalhar no Paquist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_121916\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/pakistan2.jpg\"><img class=\"wp-image-121916\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/pakistan2.jpg\" alt=\"pakistan2 Mulheres sem permiss\u00e3o para trabalhar no Paquist\u00e3o\" width=\"529\" height=\"360\" title=\"Mulheres sem permiss\u00e3o para trabalhar no Paquist\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As oportunidades de emprego para as mulheres na prov\u00edncia de Jyber Pajtunjwa, no Paquist\u00e3o, s\u00e3o limitadas pela domina\u00e7\u00e3o masculina que caracteriza a cultura do pa\u00eds. Foto: Ashfaq Yusufzai\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Peshawar, Paquist\u00e3o, 29\/9\/2014 \u2013 A paquistanesa Saleema Bibi, de 40 anos, h\u00e1 15 se formou em medicina, mas at\u00e9 agora nunca p\u00f4de exercer sua profiss\u00e3o, porque certas caracter\u00edsticas culturais a impedem de entrar no mercado de trabalho. Assim, um setor necessitado de mulheres, deixa de ter profissionais qualificadas. \u201cQueria trabalhar para o Estado, mas minha fam\u00edlia prefere que eu me case\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Agora, ela se dedica aos trabalhos dom\u00e9sticos, pois os \u201cr\u00edgidos parentes do marido\u201d se op\u00f5em a que as mulheres trabalhem. \u201cSei que h\u00e1 escassez de m\u00e9dicas nessa prov\u00edncia\u201d, afirmou Bibi, moradora em Peshawar, capital de Jyber Pajtunjwa. \u201cE os sal\u00e1rios e outros benef\u00edcios para os profissionais da sa\u00fade s\u00e3o lucrativos, mas os tabus sociais frustram o desejo das mulheres de conseguirem um trabalho\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Trabalho (OIT), a disparidade de g\u00eanero no \u00e2mbito trabalhista \u00e9 grave no Paquist\u00e3o. Cerca de 80% dos homens tiveram um emprego entre 2009 e 2012, enquanto menos de 20% das mulheres trabalharam nesse per\u00edodo. Na zona tribal no norte do pa\u00eds a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior, porque os costumes religiosos mant\u00eam as mulheres confinadas ao lar sem poderem se afastar o m\u00ednimo que seja dos pap\u00e9is tradicionais de esposa, m\u00e3e e respons\u00e1vel pelas tarefas dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>O que Bibi descobriu antes de completar 30 anos \u00e9 algo que a maioria das paquistanesas que sonham com uma carreira acabar\u00e3o por encontrar tamb\u00e9m: in\u00fameros obst\u00e1culos para a participa\u00e7\u00e3o equitativa das mulheres na economia.<\/p>\n<p>O setor da sa\u00fade de Jyber Pajtunjwa, onde vivem cerca de 22 milh\u00f5es de pessoas, emprega aproximadamente 40 mil mulheres, bem abaixo dos 700 mil homens contratados, segundo Abdul Basit, especialista em sa\u00fade p\u00fablica de Peshawar. \u201cA escassez de mulheres na \u00e1rea da sa\u00fade \u00e9 prejudicial para a popula\u00e7\u00e3o feminina e \u00e9 resultado do dom\u00ednio masculino e de um ambiente moldado pela cren\u00e7a de que as mulheres devem ficar em casa em lugar de se aventurar fora\u201d, destacou.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de uma m\u00e9dica para cada cinco homens nessa profiss\u00e3o, mas pouqu\u00edssimas t\u00eam um trabalho remunerado. Centenas de mulheres estudam medicina, mas em Jyber Pajtunjwa h\u00e1 apenas 600 m\u00e9dicas, bem poucas em compara\u00e7\u00e3o com os seis mil homens empregados na sa\u00fade, apontou \u00e0 IPS Noorul Iman, professor da Faculdade M\u00e9dica de Jyber, de Peshawar.<\/p>\n<p>Segundo a Pesquisa Econ\u00f4mica do Paquist\u00e3o 2012-2013, as mulheres tradicionalmente trabalham no setor informal, como empregada dom\u00e9stica e realizando outras tarefas mal pagas, como cozinhar ou limpar, pelas quais as fam\u00edlias de maior renda lhes pagam migalhas.<\/p>\n<p>As pesquisas mostram que apenas 19% das trabalhadoras t\u00eam cargos p\u00fablicos. Al\u00e9m disso, cerca de 200 mil mulheres nessa prov\u00edncia buscaram emprego no per\u00edodo 2010-2011. Os postos de trabalho mais populares eram nos setores da sa\u00fade, banc\u00e1rio, da justi\u00e7a e outros, como engenharia e, em especial, educa\u00e7\u00e3o. Os tr\u00eas meses de licen\u00e7a paga na educa\u00e7\u00e3o e os 40 dias de licen\u00e7a maternidade s\u00e3o incentivos para trabalhar. Mas, mesmo nesse setor a disparidade \u00e9 importante. Na prov\u00edncia, h\u00e1 119.274 professores e apenas 41.102 professoras.<\/p>\n<p>O setor industrial n\u00e3o est\u00e1 melhor. Muhammad Mustaq, importante empres\u00e1rio dessa prov\u00edncia, pontuou que h\u00e1 apenas 3% de mulheres entre os empregados nos 200 complexos industriais de Jyber Pajtunjwa. \u00c9 muito desanimador porque, nas universidades, mesmo nas do norte do pa\u00eds, h\u00e1 quase a mesma quantidade de mulheres e homens.<\/p>\n<p>Mustaq tamb\u00e9m acredita que o ass\u00e9dio sexual no \u00e2mbito profissional conspira com outras causas para que as mulheres fiquem fora do mercado. Cerca de 11% das trabalhadoras apresentam den\u00fancias por esse motivo, segundo estudo feito em 2006 pela Organiza\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento das Mulheres, com sede em Peshawar.<\/p>\n<p>No Paquist\u00e3o, onde 55% dos 182 milh\u00f5es de habitantes ganham menos de US$ 2 por dia e 43% entre US$ 2 e US$ 6, muitas mulheres est\u00e3o desesperadas para trabalhar e aceitam empregos na ind\u00fastria t\u00eaxtil, na de processamento de alimentos e no setor fabril, que demanda suas habilidades para o bordado. A situa\u00e7\u00e3o piora pela taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o feminina, de 33%, muito baixa considerando que 70% das meninas se matriculam na escola prim\u00e1ria. Este n\u00famero cai para 33% no ensino secund\u00e1rio.<\/p>\n<p>Muhammad Darwaish, do Departamento de Interc\u00e2mbio de Emprego de Jyber Pajtunjwa, apontou que s\u00f3 as mulheres chefes de fam\u00edlia, por invalidez ou morte do marido, est\u00e3o habilitadas a procurar trabalho.<\/p>\n<p>O ministro de Informa\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia, Shah Farman, declarou \u00e0 IPS que \u201cpreparamos uma lei sobre os princ\u00edpios de igualdade de oportunidades para homens e mulheres e seu direito de ganhar a vida sem medo da discrimina\u00e7\u00e3o\u201d. O governo implantou algumas iniciativas para empoderar as mulheres, como a cria\u00e7\u00e3o de um centro de crise para elas, o Plano Nacional de A\u00e7\u00e3o, os programas de reforma de g\u00eanero e o Programa de Apoio \u00e0 Renda Benazir (Bisp).<\/p>\n<p>Entretanto, as mulheres continuam ganhando menos do que os homens e s\u00f3 t\u00eam 60 cadeiras na Assembleia Nacional, bem abaixo das 241 ocupadas por homens. At\u00e9 que as mulheres possam participar em igualdade de condi\u00e7\u00f5es da economia nacional, os especialistas afirmam que o Paquist\u00e3o n\u00e3o atingir\u00e1 o terceiro dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM), que promove a igualdade de g\u00eanero e o empoderamento das mulheres. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Peshawar, Paquist&atilde;o, 29\/9\/2014 &ndash; A paquistanesa Saleema Bibi, de 40 anos, h&aacute; 15 se formou em medicina, mas at&eacute; agora nunca p&ocirc;de exercer sua profiss&atilde;o, porque certas caracter&iacute;sticas culturais a impedem de entrar no mercado de trabalho. 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