{"id":17964,"date":"2014-10-01T14:01:31","date_gmt":"2014-10-01T14:01:31","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=122128"},"modified":"2014-10-01T14:01:31","modified_gmt":"2014-10-01T14:01:31","slug":"conflitos-privam-as-mulheres-de-servicos-medicos-na-india","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/10\/ultimas-noticias\/conflitos-privam-as-mulheres-de-servicos-medicos-na-india\/","title":{"rendered":"Conflitos privam as mulheres de servi\u00e7os m\u00e9dicos na \u00cdndia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_122130\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/india.jpg\"><img class=\"wp-image-122130\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/india.jpg\" alt=\"india Conflitos privam as mulheres de servi\u00e7os m\u00e9dicos na \u00cdndia\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Conflitos privam as mulheres de servi\u00e7os m\u00e9dicos na \u00cdndia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A crescente viol\u00eancia na \u00cdndia em raz\u00e3o de tens\u00f5es \u00e9tnicas e pela insurg\u00eancia armada prejudicam as mulheres e impedem o acesso aos cruciais servi\u00e7os de sa\u00fade reprodutiva. Foto: Stella Paul\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bastar, \u00cdndia, 1\/10\/2014 \u2013 Desde 2007, Khemwanti Pradhan se dedica a promover servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade entre as mulheres e as incentiva a dar \u00e0 luz em hospitais e n\u00e3o em suas casas. Esta mitanin, de 25 anos, est\u00e1 capacitada e credenciada como trabalhadora comunit\u00e1ria da sa\u00fade no Estado indiano de Chattisgarh.<\/p>\n<p>Por ironia do destino, Pradhan, que teve seu primeiro filho em 2012, n\u00e3o p\u00f4de chegar ao hospital porque, nesse mesmo dia, as for\u00e7as de seguran\u00e7a do governo invadiram sua aldeia, Nagarbeda, na regi\u00e3o de Bastar, em Chattisgarh, considerada um celeiro de insurgentes comunistas. No p\u00e2nico e no caos que se seguiu \u00e0 opera\u00e7\u00e3o, a aldeia ficou isolada e ela precisou se virar sozinha.<\/p>\n<p>\u201cOs homens da seguran\u00e7a buscavam rebeldes mao\u00edstas casa por casa. Detiveram muitos jovens. Meu marido e meu cunhado ficaram com medo e fugiram para a selva\u201d, contou Pradhan. Quando come\u00e7aram as contra\u00e7\u00f5es n\u00e3o havia ningu\u00e9m por perto. \u201cFervi \u00e1gua e pari sozinha\u201d, acrescentou. Gra\u00e7as \u00e0 sua capacita\u00e7\u00e3o como mitanin, que significa \u201camiga\u201d na l\u00edngua local, ela teve um parto tranquilo e seguro.<\/p>\n<p>Mas nem todas t\u00eam essa sorte. A crescente viol\u00eancia que existe na \u00cdndia pelas tens\u00f5es \u00e9tnicas e pela insurg\u00eancia armada afeta particularmente as mulheres e os cruciais servi\u00e7os de sa\u00fade reprodutiva.<\/p>\n<p>Por exemplo, em junho, Anita Reang, de 22 anos, da tribo bru, come\u00e7ou a perder muito sangue enquanto dava \u00e0 luz em sua casa. A jovem teve uma hemorragia que causou sua morte, contou sua m\u00e3e, Malati, \u00e0 IPS. N\u00e3o puderam deixar sua casa no conflitante distrito de Mamit, no Estado de Mizoram, porque estavam rodeadas por vizinhos mizo, hostis aos bru.<\/p>\n<p>Segundo a organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF), a viol\u00eancia de g\u00eanero, as doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis, especialmente o v\u00edrus HIV, a mortalidade materna e neonatal, bem como a morbidade aumentam em tempos de conflito. Essa situa\u00e7\u00e3o pode ter enormes consequ\u00eancias na \u00cdndia, onde h\u00e1 31 milh\u00f5es de mulheres em idade reprodutiva, segundo o Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA).<\/p>\n<p>A \u00cdndia est\u00e1 longe de cumprir o quinto dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM) dedicado \u00e0 melhoria da sa\u00fade materna, que inclui a meta de \u201creduzir em 75% a taxa de mortalidade materna entre 1990 e 2015\u201d. Nesse pa\u00eds, isso significa diminuir para 103 mulheres que morrem durante a gravidez, no parto e p\u00f3s-parto para cada cem mil nascidos vivos, pois a mortalidade materna se situa em 230 para cem mil nascidos vivos.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma falta de compreens\u00e3o em escala nacional do impacto dos conflitos sobre a sa\u00fade materna, apesar de os especialistas coincidirem que dificulta o acesso aos postos e outras institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. O coordenador do MSF no pa\u00eds, Simon Jones, disse \u00e0 IPS que na \u00cdndia \u201cas causas mais comuns de morte neonatal s\u00e3o prematuridade e baixo peso ao nascer, al\u00e9m das infec\u00e7\u00f5es neonatais e da asfixia ou trauma durante o parto\u201d.<\/p>\n<p>O governo tem programas de sa\u00fade materna e infantil em n\u00edvel nacional, como os chamados Janani Suraksha Yojana e Janani Shishu Suraksha Karykram, que oferecem aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica sem custo, al\u00e9m de medicamentos, suplementos nutricionais e incentivos econ\u00f4micos para as mulheres parirem nos hospitais estatais.<\/p>\n<p>Mas, segundo Waliullah Ahmed Laskar, defensor da Alta Corte de Guwahati, no Estado de Assam, as mulheres que querem participar do programa do governo devem se deslocar at\u00e9 um centro de sa\u00fade, uma tarefa \u00e1rdua para as que moram em zonas de conflito. No centro e leste da \u00cdndia isso representa cerca de 22 milh\u00f5es de mulheres. Al\u00e9m disso, nas zonas em conflito desconfiam dos trabalhadores da sa\u00fade, explicou o defensor. \u201cAs mulheres t\u00eam medo deles, por acreditarem que s\u00e3o contra elas e que poder\u00e3o trat\u00e1-las mal\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para Jomila Bibi, mu\u00e7ulmana de 31 anos do distrito de Kokrajhar, em Assam, os temores tinham fundamentos. Sua beb\u00ea rec\u00e9m-nascida morreu no final de outubro, quando os m\u00e9dicos pertencentes a um grupo \u00e9tnico rival se negaram a atend\u00ea-la. Bibi fugia dos enfrentamentos entre mu\u00e7ulmanos e bengalis e membros da tribo bodo, em Assam, que deixaram quase meio milh\u00e3o de refugiados na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Daniel Mate, jovem ativista da localidade de Tengnoupal, na atribulada fronteira com a Birm\u00e2nia, relatou v\u00e1rios casos de mulheres que se negavam a buscar ajuda profissional, apesar de terem v\u00e1rias complica\u00e7\u00f5es p\u00f3s-parto, devido \u00e0 comprometedora situa\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a. \u201cQuando existe mais de um grupo armado (como acontece em Tengnoupal e seus arredores, no Estado de Manipur) \u00e9 dif\u00edcil saber quem \u00e9 amigo e quem \u00e9 inimigo\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cVi mulheres recorrendo a rem\u00e9dios caseiros como cataplasma para curar septicemia s\u00f3 por n\u00e3o quererem ir nem com um combatente do ex\u00e9rcito nem com um rebelde\u201d, explicou Mate, que trabalha para conseguir suprimentos m\u00e9dicos para as aldeias mais afastadas, onde perambulam numerosos homens armados.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o, segundo Jones, \u00e9 melhorar a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade materna com servi\u00e7os que incluam profissionais capazes de praticar cesarianas e transfus\u00f5es de sangue. Igualmente importante \u00e9 a sensibiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da sa\u00fade e do pessoal da seguran\u00e7a, que podem convencer as mulheres a buscar ajuda m\u00e9dica, mesmo em tempos dif\u00edceis e contexto complicado.<\/p>\n<p>Outros especialistas sugerem servi\u00e7os m\u00f3veis de sa\u00fade com parteiras capacitadas para atender as mulheres em \u00e1reas remotas e sens\u00edveis. Para o m\u00e9dico Kaushalendra Kukku, que trabalha em um hospital estatal em Bastar, \u201cquando estoura a viol\u00eancia, todos os sistemas colapsam. A melhor forma de minimizar o risco de mortalidade materna nesses contextos \u00e9 levar o atendimento \u00e0s mulheres, e n\u00e3o esperar que elas o busquem\u201d.<\/p>\n<p>Pradhan, que continua atuando como trabalhadora de sa\u00fade comunit\u00e1ria concorda. \u201cTive um parto seguro porque estava capacitada. Se outras mulheres tivessem a mesma forma\u00e7\u00e3o, isso tamb\u00e9m poderia ajud\u00e1-las\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* Este artigo foi publicado originariamente na edi\u00e7\u00e3o especial do TerraViva: <\/em>ICPD@: Acompanhamento e Potencial para Depois de 2015<em>, publicado com apoio do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA). O conte\u00fado \u00e9 autoria independente dos jornalistas da IPS.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Bastar, &Iacute;ndia, 1\/10\/2014 &ndash; Desde 2007, Khemwanti Pradhan se dedica a promover servi&ccedil;os p&uacute;blicos de sa&uacute;de entre as mulheres e as incentiva a dar &agrave; luz em hospitais e n&atilde;o em suas casas. Esta mitanin, de 25 anos, est&aacute; capacitada e credenciada como trabalhadora comunit&aacute;ria da sa&uacute;de no Estado indiano de Chattisgarh. 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