{"id":17965,"date":"2014-10-01T13:55:40","date_gmt":"2014-10-01T13:55:40","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=122123"},"modified":"2014-10-01T13:55:40","modified_gmt":"2014-10-01T13:55:40","slug":"vaca-muerta-a-nova-fronteira-do-desenvolvimento-argentino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/10\/ultimas-noticias\/vaca-muerta-a-nova-fronteira-do-desenvolvimento-argentino\/","title":{"rendered":"Vaca Muerta, a nova fronteira do desenvolvimento argentino"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_122125\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/chica-1-argentina-629x353.jpg\"><img class=\"wp-image-122125\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/chica-1-argentina-629x353.jpg\" alt=\"chica 1 argentina 629x353 Vaca Muerta, a nova fronteira do desenvolvimento argentino\" width=\"529\" height=\"297\" title=\"Vaca Muerta, a nova fronteira do desenvolvimento argentino\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma torre de perfura\u00e7\u00e3o no acampamento de hidrocarbonos n\u00e3o convencionais da empresa estatal YPF, na mina de Loma Campana, em Vaca Muerta, na Bacia Neuquina, no sudoeste da Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Loma Campana, Argentina, 1\/10\/2014 \u2013 O aumento da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o vertiginoso que as instala\u00e7\u00f5es da empresa YPF na mina de Loma Campana no momento s\u00e3o cont\u00eaineres interligados. A Argentina aposta em seus recursos n\u00e3o convencionais de petr\u00f3leo e g\u00e1s e a corrida para conseguir ser autossuficiente e exportar combust\u00edveis n\u00e3o espera pelas comodidades de um escrit\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cEsse acampamento onde estamos s\u00e3o os escrit\u00f3rios provis\u00f3rios. Pe\u00e7o desculpas a voc\u00eas. Mas \u00e9 o que pudemos armar rapidamente quando come\u00e7amos as opera\u00e7\u00f5es\u201d, explicou Pablo Bizzotto, gerente regional de N\u00e3o Convencional da petroleira estatal YPF, durante a visita de um grupo de correspondentes estrangeiros \u00e0 mina, na prov\u00edncia de Neuqu\u00e9n.<\/p>\n<p>Desde o ano passado, Loma Campana, a cem quil\u00f4metros da cidade de Neuqu\u00e9n, \u00e9 a base operacional da petroleira argentina, na forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica de Vaca Muerta, na Bacia Neuquina, onde s\u00e3o perfurados mensalmente de 15 a 20 po\u00e7os. Atualmente h\u00e1 mais de 300 po\u00e7os que produzem g\u00e1s e petr\u00f3leo n\u00e3o convencionais neste e em outros campos dessa parte da Patag\u00f4nia argentina. Deles, 250 s\u00e3o operados pela YPF e o restante por empresas internacionais.<\/p>\n<p>Os escrit\u00f3rios definitivos, com uma sala de controle e opera\u00e7\u00f5es \u00e0 dist\u00e2ncia, estar\u00e3o prontos em meados do ano que vem. Mas o rendimento dos po\u00e7os segue outro ritmo. Desde janeiro de 2013 at\u00e9 meados deste ano, a produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria passou de tr\u00eas mil para 12 mil barris de petr\u00f3leo, e em setembro saltou para 21 mil.<\/p>\n<p>\u201cO \u00fanico desenvolvimento maci\u00e7o e comercial fora dos Estados Unidos \u00e9 Loma Campana. Os demais s\u00e3o testes\u201d, afirmou Bizzotto, para ilustrar a magnitude do empreendimento em Vaca Muerta, que cont\u00e9m reservas de petr\u00f3leo e g\u00e1s de xisto, localizada a at\u00e9 tr\u00eas mil metros de profundidade.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio das jazidas convencionais, onde os hidrocarbonos s\u00e3o extra\u00eddos do dep\u00f3sito onde ficaram presos por milh\u00f5es de anos., no xisto s\u00e3o arrancados da rocha \u201cm\u00e3e\u201d que os gerou. Segundo a YPF, que tem sob sua responsabilidade 12 mil quil\u00f4metros quadrados dos 30 mil de Vaca Muerta, seu potencial recuper\u00e1vel \u00e9 de 802 trilh\u00f5es de p\u00e9s c\u00fabicos de g\u00e1s e de 27 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo.<\/p>\n<div id=\"attachment_122126\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/argentina-chica-2.jpg\"><img class=\"wp-image-122126\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/argentina-chica-2.jpg\" alt=\"argentina chica 2 Vaca Muerta, a nova fronteira do desenvolvimento argentino\" width=\"540\" height=\"304\" title=\"Vaca Muerta, a nova fronteira do desenvolvimento argentino\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Trabalhador caminha perto dos tubos de extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s de xisto no campo da YPS em Loma Campana, na prov\u00edncia argentina de Neuqu\u00e9n. Ao fundo os cont\u00eaineres que servem de escrit\u00f3rios provis\u00f3rios. Foto: Fabiana Frayssinet<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com esse potencial o pa\u00eds passou a possuir 30 vezes mais recursos de g\u00e1s n\u00e3o convencional e nove vezes mais de petr\u00f3leo n\u00e3o convencional do que os tradicionais. Em reservas recuper\u00e1veis de xisto, a Argentina tem a segunda do mundo em g\u00e1s, atr\u00e1s da China, e a quarta em petr\u00f3leo, depois de R\u00fassia, Estados Unidos e China, segundo dados da YPF.<\/p>\n<p>Recursos em quantidade e qualidade, explicou Bizzotto, medidos por vari\u00e1veis de mat\u00e9ria org\u00e2nica, espessura e press\u00e3o do reservat\u00f3rio, que os equiparam em rendimento aos melhores po\u00e7os de Eagle Ford, no Estado norte-americano do Texas. Para Rub\u00e9n Etcheverry, ex-presidente da empresa p\u00fablica de g\u00e1s e petr\u00f3leo de Neuqu\u00e9n, abre-se \u201cuma nova possibilidade de desenvolvimento e autoabastecimento daqui a cinco ou dez anos\u201d.<\/p>\n<p>Um dado animador para um pa\u00eds como a Argentina, cujas reservas e produ\u00e7\u00e3o haviam diminu\u00eddo, at\u00e9 o ponto de necessitar importar combust\u00edveis por mais de US$ 15 bilh\u00f5es. \u201cA possibilidade de converter esses recursos em reservas significaria para a Argentina ter g\u00e1s e petr\u00f3leo por mais de cem anos, destacou \u00e0 IPS o especialista, que tamb\u00e9m foi secret\u00e1rio de Energia de Neuqu\u00e9n.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 que os recursos se convertam em reservas. Entre 2013 e 2014, a YPF investiu em Vaca Muerta cerca de US$ 2 bilh\u00f5es. Mas, por seus recursos e pelas dificuldades de financiamento externo do pa\u00eds, \u201cfaltam novos atores\u201d para enfrentar um volume de investimentos que Etcheverry estima em US$ 100 bilh\u00f5es, nos pr\u00f3ximos cinco ou seis anos.<\/p>\n<p>Atualmente a YPF \u2013 reestatizada em 2012, quando foi expropriada da espanhola Repsol, que a controlava desde 1999 \u2013 busca s\u00f3cios estrangeiros, uma estrat\u00e9gia que setores pol\u00edticos e sociais consideram um retrocesso em soberania.<\/p>\n<p>Em Loma Campana, a YPF opera uma \u00e1rea com a transnacional norte-americana Chevron e desenvolve outra jazida de g\u00e1s de xisto com a tamb\u00e9m norte-americana Dow Chemical. Al\u00e9m disso, est\u00e3o incursionando companhias como Petronas (Mal\u00e1sia), Total (Fran\u00e7a), ExxonMobil (Estados Unidos), Shell (Gr\u00e3-Bretanha e Holanda) e Wintershall (Alemanha), enquanto existem negocia\u00e7\u00f5es com empresas de outros pa\u00edses, entre eles China e R\u00fassia.<\/p>\n<p>Segundo o deputado provincial Ra\u00fal Dobrus\u00edn, da opositora Uni\u00e3o Popular de Neuqu\u00e9n, as petroleiras estariam \u00e0 espera da aprova\u00e7\u00e3o no Senado de uma pol\u00eamica nova Lei de Hidrocarbonos. Essa lei lhes daria concess\u00f5es por 35 anos, reduziria as taxas para suas importa\u00e7\u00f5es e autorizaria enviar 20% do lucro para o exterior, ou, no caso de n\u00e3o faz\u00ea-lo, pagariam localmente em valores internacionais e sem reten\u00e7\u00f5es, resumiu o deputado.<\/p>\n<p>O desenvolvimento dos hidrocarbonos n\u00e3o convencionais depender\u00e1 tamb\u00e9m de questionamentos ambientais. Pela baixa permeabilidade da rocha geradora, \u00e9 necess\u00e1rio apelar para a tecnologia da fratura hidr\u00e1ulica, conhecida pelo termo ingl\u00eas <em>fracking<\/em>, que a YPF prefere chamar de \u201cestimula\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica\u201d. Os ambientalistas afirmam que podem contaminar os aqu\u00edferos e emitir mais gases nocivos do que na explora\u00e7\u00e3o de hidrocarbonos convencionais.<\/p>\n<p>\u201cA contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 inquestion\u00e1vel. Po\u00e7os s\u00e3o abandonados, n\u00e3o remediados. Aqui em Plottier, a \u00e1gua tem metais pesados, n\u00e3o \u00e9 pot\u00e1vel na maioria dos lugares, e atribu\u00edmos isso a explora\u00e7\u00f5es convencionais que contaminam as camadas\u201d, afirmou \u00e0 IPS o comerciante Dar\u00edo Torchio, na localidade de 32 mil habitantes e a 15 quil\u00f4metros de Neuqu\u00e9n. \u201cO petr\u00f3leo \u00e9 uma pesad\u00edssima heran\u00e7a para nossos descendentes, que arru\u00edna tudo, enquanto a riqueza \u00e9 levada pelas companhias\u201d, afirmou o comerciante, integrante da Assembleia Permanente do Comahue pela \u00c1gua.<\/p>\n<p>Silvia Leanza, da ambientalista Funda\u00e7\u00e3o Ecosur, disse que a Argentina aposta em um modelo de desenvolvimento baseado no \u201cneo-extrativismo\u201d. S\u00e3o planos, opinou \u00e0 IPS, \u201cdesenhados nos pa\u00edses centrais\u201d dentro de um \u201cpacote de desenvolvimento econ\u00f4mico e de globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal, na qual estamos inseridos como provedores de mat\u00e9rias-primas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAposta-se na explora\u00e7\u00e3o de um recurso n\u00e3o renov\u00e1vel, como s\u00e3o os combust\u00edveis f\u00f3sseis, o que tamb\u00e9m tem um impacto econ\u00f4mico, porque esse dinheiro poderia ser destinado a outros tipos de energia limpa que tamb\u00e9m poderiam ser desenvolvidos na Patag\u00f4nia\u201d, reafirmou \u00e0 IPS a ativista Carolina Garc\u00eda, da plataforma Multissetorial Contra o Fracking. \u201cH\u00e1 um sinal de alarme. O prazo \u00e9 muito curto. T\u00ednhamos reservas para os pr\u00f3ximos oito ou dez anos\u201d, rebateu Etcheverry<\/p>\n<p>O governo da presidente Cristina Fern\u00e1ndez n\u00e3o tem d\u00favidas sobre esse modelo de desenvolvimento. \u201cQuando a produ\u00e7\u00e3o de Vaca Muerta, em g\u00e1s e petr\u00f3leo n\u00e3o convencional, atingir mil po\u00e7os explorados, o produto bruto geogr\u00e1fico tender\u00e1 a crescer entre 75% e 100% na prov\u00edncia de Neuqu\u00e9n. Isso ter\u00e1 impacto de 3% a 4% no produto interno bruto do pa\u00eds\u201d, declarou o chefe de Gabinete, Jorge Capitanich. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Loma Campana, Argentina, 1\/10\/2014 &ndash; O aumento da produ&ccedil;&atilde;o &eacute; t&atilde;o vertiginoso que as instala&ccedil;&otilde;es da empresa YPF na mina de Loma Campana no momento s&atilde;o cont&ecirc;ineres interligados. 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