{"id":17970,"date":"2014-10-02T18:17:33","date_gmt":"2014-10-02T18:17:33","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=122272"},"modified":"2014-10-02T18:17:33","modified_gmt":"2014-10-02T18:17:33","slug":"panama-um-pais-e-um-canal-com-duas-velocidades-de-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/10\/ultimas-noticias\/panama-um-pais-e-um-canal-com-duas-velocidades-de-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Panam\u00e1, um pa\u00eds e um canal com duas velocidades de desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_122274\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Panama-chica-1-629x327.jpg\"><img class=\"wp-image-122274\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Panama-chica-1-629x327.jpg\" alt=\"Panama chica 1 629x327 Panam\u00e1, um pa\u00eds e um canal com duas velocidades de desenvolvimento\" width=\"529\" height=\"275\" title=\"Panam\u00e1, um pa\u00eds e um canal com duas velocidades de desenvolvimento\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A amplia\u00e7\u00e3o do Canal do Panam\u00e1 permitir\u00e1 a passagem pela via interoce\u00e2nica de navios com capacidade para transportar at\u00e9 14 mil cont\u00eaineres de carga, em lugar do teto atual de cinco mil. Foto: Fab\u00edola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cidade do Panam\u00e1, Panam\u00e1, 2\/10\/2014 \u2013 Com a amplia\u00e7\u00e3o do canal interoce\u00e2nico, o Panam\u00e1 pretende triplicar sua participa\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio mar\u00edtimo mundial, enquanto muitos de seus habitantes esperam que a megaestrutura de engenharia reduza as desigualdades sociais em um pa\u00eds onde o desenvolvimento segue em diferentes velocidades.<\/p>\n<p>Cem anos depois da inaugura\u00e7\u00e3o do canal que uniu os oceanos Pac\u00edfico e Atl\u00e2ntico, avan\u00e7a-se em uma amplia\u00e7\u00e3o cujo cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o terceiro complexo de eclusas, maiores que as atuais, o que permitir\u00e1 a passagem de navios de 400 metros de comprimento, 52 de largura e 15 de calado. Atualmente, os 12 mil navios que transitam pelo canal podem ter no m\u00e1ximo 294 metros de comprimento, 32 de largura e 12 de calado, o que permite controlar apenas 5% do com\u00e9rcio mercante do mundo.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o, que come\u00e7ou em 2007 e dever\u00e1 estar terminada em dezembro de 2015, j\u00e1 est\u00e1 completada em 80%, afirmou \u00e0 IPS a engenheira Ilya de Marotta, encarregada das obras de amplia\u00e7\u00e3o pela estatal Autoridade do Canal do Panam\u00e1 (ACP). Com a amplia\u00e7\u00e3o, o Panam\u00e1 pretende que a via interoce\u00e2nica atraia 15% do com\u00e9rcio mercante mundial, explicou \u00e0 IPS o diretor do Instituto do Canal e de Estudos Internacionais, da Universidade do Panam\u00e1, Olmedo Garc\u00eda.<\/p>\n<p>A obra, com custo de US$ 5,2 bilh\u00f5es, permitir\u00e1 que os navios que atravessam os 79 quil\u00f4metros do canal tripliquem o n\u00famero de cont\u00eaineres que transportam atualmente. \u201cAgora o canal acrescenta ao or\u00e7amento nacional US$ 1,1 bilh\u00e3o ao ano. A renda bruta \u00e9 de US$ 2,3 bilh\u00f5es, mas o funcionamento absorve US$ 1,2 bilh\u00e3o\u201d, explicou Garc\u00eda. \u201cLogo que terminarmos esta amplia\u00e7\u00e3o, j\u00e1 teremos de pensar na constru\u00e7\u00e3o de um quarto jogo de eclusas, que custaria US$ 12 bilh\u00f5es\u201d, detalhou, acrescentando que o canal \u201c\u00e9 e ser\u00e1 a principal atividade econ\u00f4mica e comercial do pa\u00eds\u201d, de 3,8 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Marotta pontuou que \u201ca amplia\u00e7\u00e3o era indispens\u00e1vel porque o canal estava atingindo sua capacidade m\u00e1xima de navios que podiam passar. A demanda de navios maiores \u00e9 a tend\u00eancia mundial, como os graneleiros e os de g\u00e1s natural liquefeito, clientes que n\u00e3o temos porque s\u00e3o navios maiores\u201d. A engenheira destacou que \u201ceste \u00e9 um bom neg\u00f3cio que agora podemos capturar. A ideia \u00e9 n\u00e3o perder vig\u00eancia no com\u00e9rcio mundial. Com as novas eclusas, um porta-cont\u00eainer poder\u00e1 transportar de 12 mil a 14 mil navios\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Para 2019, as proje\u00e7\u00f5es apontam que a renda com o canal aumentar\u00e1 para US$ 2,5 bilh\u00f5es, e em 2025 ser\u00e1 de US$ 6 bilh\u00f5es, afirmou Garc\u00eda. \u201cA grande vantagem \u00e9 que temos n\u00e3o s\u00f3 o Canal do Panam\u00e1, mas tamb\u00e9m o centro log\u00edstico, que juntos representam 40% do nosso produto interno bruto (PIB). Teremos a maior log\u00edstica de conectividade na Am\u00e9rica Latina, portos em cada oceano, ferrovia e a zona de livre com\u00e9rcio. Podemos criar um com\u00e9rcio multimodal com os portos de distribui\u00e7\u00e3o de mercadorias\u201d, apontou.<\/p>\n<div id=\"attachment_122275\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Panam%C3%A1-chica-2.jpg\"><img class=\"wp-image-122275\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Panam%C3%A1-chica-2.jpg\" alt=\"Panam\u00e1 chica 2 Panam\u00e1, um pa\u00eds e um canal com duas velocidades de desenvolvimento\" width=\"540\" height=\"405\" title=\"Panam\u00e1, um pa\u00eds e um canal com duas velocidades de desenvolvimento\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O abandono do centro hist\u00f3rico da cidade de Col\u00f3n, na ponta atl\u00e2ntica do Canal do Panam\u00e1 e ao lado da zona de livre com\u00e9rcio local, reflete o contraste entre a velocidade do desenvolvimento econ\u00f4mico e a do social. Foto: Fab\u00edola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Desenvolvimento social, em outro n\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p>Mas as prioridades do Panam\u00e1 dever\u00e3o se transformar para que as promissoras perspectivas econ\u00f4micas com a amplia\u00e7\u00e3o do canal reduzam a d\u00edvida social no pa\u00eds. O PIB cresce em torno de 7% ao ano, mas a desigualdade se traduz em 36,8% da popula\u00e7\u00e3o vivendo em situa\u00e7\u00e3o de pobreza e 16,6% em pobreza extrema, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), que destaca que o pa\u00eds \u00e9 o sexto mais desigual do continente.<\/p>\n<p>\u00c9 uma pobreza com marca rural. Nesse meio, 54% da popula\u00e7\u00e3o vive na pobreza e 22% na mis\u00e9ria, enquanto na \u00e1rea urbana 20% e 4%, respectivamente, est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, n\u00fameros oficiais de agosto mostram que 38,6% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa sobrevive no setor informal, aos quais se somam milhares de fam\u00edlias que carecem de \u00e1gua pot\u00e1vel e servi\u00e7os de sa\u00fade ou transporte.<\/p>\n<p>Alfredo Herazo, de 29 anos, mora na capital e todos os dias vai de \u00f4nibus at\u00e9 Col\u00f3n, para trabalhar em uma oficina de soldagem que tem com seu pai. \u201cN\u00e3o gosto dessa vida, mas n\u00e3o tenho outra oportunidade\u201d, contou \u00e0 IPS enquanto terminava uma longa jornada de trabalho e se preparava para regressar \u00e0 Cidade do Panam\u00e1.<\/p>\n<p>Col\u00f3n fica na ponta do Mar do Caribe, na entrada do canal, e est\u00e1 rodeada pelo que foi a Zona do Canal do Panam\u00e1 enquanto esteve sob dom\u00ednio dos Estados Unidos. A passagem mar\u00edtima s\u00f3 foi para controle soberano pleno do Panam\u00e1 no come\u00e7o de 2000, como remate dos tratados Torrijos-Carter, assinados pelos dois pa\u00edses em 1977.<\/p>\n<p>A cidade tem um porto e a Zona Livre de Col\u00f3n (ZLC), a segunda do mundo do seu tipo, ap\u00f3s a de Hong Kong, com 2.500 neg\u00f3cios que importam e reexportam, em uma triangula\u00e7\u00e3o cujo volume de neg\u00f3cios \u00e9 de aproximadamente US$ 30 bilh\u00f5es anuais em seus 450 hectares, embora em 2013 tenha havido uma queda, por diferen\u00e7as com Col\u00f4mbia e Venezuela, seus maiores clientes.<\/p>\n<p>Col\u00f3n, com 50 mil habitantes e 79 quil\u00f4metros ao norte da capital, recebe a cada ano 250 mil comerciantes. \u201cComo qualquer panamenho, gostaria de trabalhar no canal ou na zona livre por causa do sal\u00e1rio. O canal \u00e9 nosso orgulho. Se tivesse a oportunidade, seria um soldador\u201d, contou Herazo. Para o jovem, \u201co problema do canal, do ponto de vista do cidad\u00e3o comum, \u00e9 que os ganhos que proporciona n\u00e3o s\u00e3o vistos. Os recursos n\u00e3o s\u00e3o distribu\u00eddos \u00e0s pessoas\u201d.<\/p>\n<p>O abandono de seus edif\u00edcios hist\u00f3ricos imprime uma decad\u00eancia \u00e0 cidade que contrasta com a ZLC, como um espelho da diferen\u00e7a entre o entusiasmo no canal e nos centros financeiro e comercial e a desesperan\u00e7a dos exclu\u00eddos da pujan\u00e7a.<\/p>\n<p>H\u00e1 sete anos, Cesar Santos, de 32 anos, vive em Col\u00f3n e ganha a vida como vendedor de frutas e legumes no Mercado Municipal, no centro urbano. A cada dia, bem cedo, monta sua barraca em frente ao Parque Municipal. \u201cIsso d\u00e1 apenas para viver como pobre. A vida em Col\u00f3n n\u00e3o \u00e9 boa\u201d, disse \u00e0 IPS. Ele enumera as car\u00eancias da cidade, destacando a falta de saneamento e drenagem da \u00e1gua. \u201cQuando chove, tudo inunda, n\u00e3o se pode andar pelas ruas, a cidade fica paralisada. Cai um aguaceiro e tudo fica inundado\u201d, contou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da falta de infraestrutura urbana, o que mais desagrada este pequeno comerciante \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o da maioria da popula\u00e7\u00e3o da cidade. \u201cAs pessoas aqui vivem em muita mis\u00e9ria. Moram em casas condenadas. Sem contar os assaltos, que s\u00e3o muitos, esta \u00e9 uma cidade esquecida pelos governos, menos mal que esteja na zona livre, do contr\u00e1rio haveria mais mis\u00e9ria\u201d, lamentou, enquanto tr\u00eas clientes concordavam.<\/p>\n<p>\u201cOs enclaves financeiros t\u00eam que transferir parte de suas riquezas. H\u00e1 uma grande fratura social. O canal n\u00e3o pode ser apenas uma via para o com\u00e9rcio, a comunica\u00e7\u00e3o e a paz no mundo. Os panamenhos necessitam que sejam saldadas as d\u00edvidas sociais e que se transfira riqueza para este povo\u201d, enfatizou Garc\u00eda. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cidade do Panam&aacute;, Panam&aacute;, 2\/10\/2014 &ndash; Com a amplia&ccedil;&atilde;o do canal interoce&acirc;nico, o Panam&aacute; pretende triplicar sua participa&ccedil;&atilde;o no com&eacute;rcio mar&iacute;timo mundial, enquanto muitos de seus habitantes esperam que a megaestrutura de engenharia reduza as desigualdades sociais em um pa&iacute;s onde o desenvolvimento segue em diferentes velocidades. 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