{"id":17973,"date":"2014-10-03T16:04:21","date_gmt":"2014-10-03T16:04:21","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=122360"},"modified":"2014-10-03T16:04:21","modified_gmt":"2014-10-03T16:04:21","slug":"hivaids-pede-uma-revisao-das-desvantagens-sociais-em-cuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/10\/ultimas-noticias\/hivaids-pede-uma-revisao-das-desvantagens-sociais-em-cuba\/","title":{"rendered":"HIV\/aids pede uma revis\u00e3o das desvantagens sociais em Cuba"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_122362\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Cuba-chica-629x421.jpg\"><img class=\"wp-image-122362\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Cuba-chica-629x421.jpg\" alt=\"Cuba chica 629x421 HIV\/aids pede uma revis\u00e3o das desvantagens sociais em Cuba\" width=\"529\" height=\"354\" title=\"HIV\/aids pede uma revis\u00e3o das desvantagens sociais em Cuba\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Promotores de sa\u00fade realizam atividades de preven\u00e7\u00e3o contra o v\u00edrus HIV em um bairro de Havana, em Cuba. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Havana, Cuba, 3\/10\/2014 \u2013 Poucos habitantes do bairro Centro Habana, na capital de Cuba, sabem que seu vizinho e professor de arte Mario Hern\u00e1ndez vive h\u00e1 mais de 15 anos com o v\u00edrus HIV, causador da aids. \u201cOcultar meu diagn\u00f3stico tamb\u00e9m \u00e9 a \u00fanica maneira de n\u00e3o divulgar que sou gay. Quero evitar estigmas\u201d, explicou \u00e0 IPS este homem de 62 anos, de baixa estatura e com o rosto sulcado de rugas.<\/p>\n<p>Para resguardar seus segredos, Hern\u00e1ndez inventa evasivas para familiares e amigos cada vez que precisa se internar no Sanat\u00f3rio de Santiago de Las Vegas, o primeiro de seu tipo em Cuba e encravado em uma antiga propriedade no sul da capital. Disse se sentir bem acolhido nesse centro, que atende a popula\u00e7\u00e3o soropositiva de Havana, a prov\u00edncia mais afetada do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cNunca falto \u00e0s capacita\u00e7\u00f5es e interc\u00e2mbios sobre HIV que oferecem aos pacientes e com frequ\u00eancia pe\u00e7o a palavra para falar sobre nossos problemas\u201d, afirmou Hern\u00e1ndez, que estima que \u201cdos homossexuais quase n\u00e3o se fala nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Mas, quando se trata da aids, se referem mais \u00e0s pessoas que t\u00eam a doen\u00e7a do que ao v\u00edrus. Isso contribui para que se associe a enfermidade aos homossexuais.<\/p>\n<p>A aids obrigou Cuba a olhar-se no espelho e enfrentar problemas silenciados como os direitos dos n\u00e3o heterossexuais e de outros que pareciam resolvidos, como igualdade de g\u00eanero e prostitui\u00e7\u00e3o. \u201cA discrimina\u00e7\u00e3o das orienta\u00e7\u00f5es sexuais diversas deve continuar a ser enfrentada para deter as novas infec\u00e7\u00f5es\u201d, opinou \u00e0 IPS o gerente de uma livraria Jorge Luis Estrada, que h\u00e1 18 anos realiza tarefas de preven\u00e7\u00e3o em sa\u00fade em Villa Clara, 268 quil\u00f4metros a leste de Havana.<\/p>\n<p>Cuba n\u00e3o p\u00f4de reverter o sustentado crescimento dos novos diagn\u00f3sticos detectados a cada ano, embora ostente uma baixa preval\u00eancia de 0,1%. Ao final de 2013, estavam registradas 16.479 pessoas soropositivas entre os 11,2 milh\u00f5es de habitantes. Neste pa\u00eds socialista, os servi\u00e7os de sa\u00fade s\u00e3o gratuitos, inclu\u00eddos os fornecidos aos soropositivos, e igualmente o tratamento antirretroviral.<\/p>\n<p>Ativistas e especialistas insistem mais nos fatores sociais, como a homofobia, que tornam vulner\u00e1veis os homens que se relacionam sexualmente com outros homens (HSH), onde se concentra mais de 70% da epidemia. Na verdade, Cuba foi o \u00fanico dos pa\u00edses mais afetados do Caribe insular a registrar mais casos novos em 2013 do que em 2005, segundo o <em>The Grap Report<\/em>, \u00faltimo informe do Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/aids, embora sem fornecer o dado espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Ao comparar as cifras dos dois anos, o estudo divulgado em julho mostra que as novas infec\u00e7\u00f5es diminu\u00edram 44% no Haiti, 61% na Rep\u00fablica Dominicana, 42% na Jamaica e 32% em Trinidad e Tobago. Em todo o Caribe insular, vivem atualmente 250 mil portadores registrados. O Haiti possui 55% desse total, Rep\u00fablica Dominicana 18%, Jamaica 12%, Cuba 6% e Trinidad e Tobago 5%.<\/p>\n<p>\u201cO estigma, a discrimina\u00e7\u00e3o, a pobreza, a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e a homofobia s\u00e3o a base das causas dessa epidemia\u201d, pontuou \u00e0 IPS o ativista Omar Parada, fundador do Projeto HSH-Cuba, uma rede nacional de promotores volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>Quando o HIV chegou, Cuba teve que falar dos gays, bissexuais e transexuais, pesquisar suas caracter\u00edsticas e situa\u00e7\u00e3o social. Para o trabalho de preven\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ao n\u00edvel municipal, se iniciou o mapeamento dos lugares de encontro dos HSH para ter sexo espont\u00e2neo ou comercial. Na \u00e9poca ainda era muito recente a situa\u00e7\u00e3o de homofobia institucional que marcou os anos 1960 e 1970 em Cuba.<\/p>\n<p>Rapazes que se negavam a prestar o servi\u00e7o militar ativo por diversos motivos e os homossexuais eram levados para as Unidades Militares de Ajuda \u00e0 Produ\u00e7\u00e3o, campos de trabalho conhecidos pela sigla Umap, que existiram entre 1965 e 1968. Inclusive a legisla\u00e7\u00e3o local condenou \u201ca ostenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica da homossexualidade\u201d at\u00e9 a d\u00e9cada de 1990. A ilha permaneceu longo tempo atrasada em mat\u00e9ria de promo\u00e7\u00e3o dos direitos das pessoas LGBTI (l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexuais), que ganhou impulso a partir de 1969.<\/p>\n<p>A resposta \u00e0 aids serviu tamb\u00e9m de ponte para o surgimento de associa\u00e7\u00f5es LGBTI, como o Projeto HSH-Cuba, em 2000, e o Trans Cuba, um ano depois, embora sua miss\u00e3o fosse reunir promotores volunt\u00e1rios para se integrarem \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e ao controle da epidemia. As duas redes est\u00e3o vinculadas, respectivamente, aos estatais Centro Nacional de Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as Sexualmente Transmiss\u00edveis e o HIV\/aids e Centro Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Sexual (Cenesex).<\/p>\n<p>Segundo especialistas, essas iniciativas abriram caminho para que, em 2007, tomasse impulso a campanha nacional contra a homofobia organizada pelo Cenesex ao longo do ano, com um auge no dia 17 de maio, Dia Internacional Contra a Homofobia e a Transfobia. Observadores qualificam de \u201cincipiente\u201d o ativismo LGBTI local, cujo \u00eaxito mais significativo \u00e9 o C\u00f3digo do Trabalho, vigente desde este ano, que \u00e9, na pr\u00e1tica, a primeira lei antidiscriminat\u00f3ria, ao proibir explicitamente a segrega\u00e7\u00e3o por orienta\u00e7\u00e3o sexual no \u00e2mbito trabalhista.<\/p>\n<p>Entretanto, o parlamento n\u00e3o aprovou a proposta da deputada e diretora do Cenesex, Mariela Castro, de proteger explicitamente o direito ao emprego das pessoas soropositivas e transg\u00eanero. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade P\u00fablica alertou que, em 2013, foram contados oito novos diagn\u00f3sticos de mulheres transexuais com HIV, um n\u00famero consider\u00e1vel pelo tamanho desse segmento.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica Luc\u00eda San Mart\u00edn recordou o quanto eram vulner\u00e1veis, no come\u00e7o da epidemia, as trabalhadoras sexuais ou as mulheres sem estudo nem emprego. \u201cA mulher com HIV\/aids se superou gra\u00e7as aos programas de apoio\u201d. Para esta m\u00e9dica, que trabalha na cl\u00ednica da capital especializada em HIV\/aids, o aumento de mulheres com o v\u00edrus, que representam 19% do coletivo afetado, aponta que \u00e9 necess\u00e1rio um trabalho maior no empoderamento feminino na vida privada, e n\u00e3o somente no espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cSempre foram fatores de risco fam\u00edlias disfuncionais, pobreza, alcoolismo, drogas e prostitui\u00e7\u00e3o, embora em Cuba tenham sido diagnosticadas desde 1986 pessoas de todas as camadas sociais, sobretudo nos \u00faltimos cinco anos\u201d, disse Estrada. Legalmente, o com\u00e9rcio sexual \u00e9 proibido em Cuba, assim como a produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de pornografia. A prostitui\u00e7\u00e3o em si mesma n\u00e3o \u00e9 um crime, mas o C\u00f3digo Penal pune o proxenetismo e o tr\u00e1fico de pessoas com penas que v\u00e3o do confisco de bens a at\u00e9 20 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Na clandestinidade, e com mais for\u00e7a no come\u00e7o da pertinaz crise econ\u00f4mica que o pa\u00eds vive desde 1991, o com\u00e9rcio sexual resistiu aos intensos controles policiais e aos programas educativos. At\u00e9 inclui novos pap\u00e9is, como as jineteras (prostitutas para turistas estrangeiros) e os pingueros (homens que oferecem servi\u00e7os a outros homens). Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Havana, Cuba, 3\/10\/2014 &ndash; Poucos habitantes do bairro Centro Habana, na capital de Cuba, sabem que seu vizinho e professor de arte Mario Hern&aacute;ndez vive h&aacute; mais de 15 anos com o v&iacute;rus HIV, causador da aids. &ldquo;Ocultar meu diagn&oacute;stico tamb&eacute;m &eacute; a &uacute;nica maneira de n&atilde;o divulgar que sou gay. 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