{"id":17978,"date":"2014-10-06T18:46:38","date_gmt":"2014-10-06T18:46:38","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=122447"},"modified":"2014-10-06T18:46:38","modified_gmt":"2014-10-06T18:46:38","slug":"kissinger-propos-ataque-dos-estados-unidos-a-cuba-revela-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/10\/ultimas-noticias\/kissinger-propos-ataque-dos-estados-unidos-a-cuba-revela-livro\/","title":{"rendered":"Kissinger prop\u00f4s ataque dos Estados Unidos a Cuba, revela livro"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/libro.jpg\"><img class=\"alignleft size-full wp-image-122449\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/libro.jpg\" alt=\"libro Kissinger prop\u00f4s ataque dos Estados Unidos a Cuba, revela livro\" width=\"300\" height=\"450\" title=\"Kissinger prop\u00f4s ataque dos Estados Unidos a Cuba, revela livro\" \/><\/a>Nova York, Estados Unidos, 6\/10\/2014 \u2013 O ex-secret\u00e1rio de Estado\u00a0 norte-americano Henry Kissinger era partid\u00e1rio de atacar Cuba em 1976, segundo novo livro que revela que os dois pa\u00edses recorreram a intermedi\u00e1rios secretos para manterem contatos clandestinos durante as d\u00e9cadas posteriores \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o cubana de 1959.<\/p>\n<p>Kissinger, que dirigiu a diplomacia de seu pa\u00eds entre 1973 e 1977, ordenou planos de conting\u00eancia para \u201cdar uma surra\u201d em Cuba em 1976, por causa da interven\u00e7\u00e3o militar de Havana em Angola, em defesa do governo do Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA), segundo o livro <em>Back Channel To Cuba<\/em> (Via Clandestina para Cuba), dos autores Peter Kornbluh e William LeoGrande.<\/p>\n<p>Entre outras coisas, o livro revela que o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter (1977-1981) atuou em 1994 como intermedi\u00e1rio secreto durante a crise de imigra\u00e7\u00e3o dos balseiros cubanos para os Estados Unidos, no governo de Bill Clinton (1993-2001).<\/p>\n<p>Kornbluh, da organiza\u00e7\u00e3o independente Archivo Nacional de Seguran\u00e7a, e LeoGrande, da Universidade Americana de Washington, apresentaram o livro no dia 1\u00ba deste m\u00eas, no hotel Pierre, em Nova York. A escolha desse hotel \u201cteve uma raz\u00e3o hist\u00f3rica\u201d, explicou Kornbluh. \u201c\u00c9 o lugar onde aconteceram as primeiras conversa\u00e7\u00f5es secretas para normalizar as rela\u00e7\u00f5es com Cuba, durante reuni\u00e3o de tr\u00eas horas realizada aqui h\u00e1 quase 40 anos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O livro apresenta in\u00fameros exemplos das idas e vindas dos intermedi\u00e1rios secretos entre os dois pa\u00edses, inclusive em momentos de intensa hostilidade. Apesar da abertura do governo de Richard Nixon (1969-1974) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China em 1972, e do fim da Guerra Fria com a dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1991, as rela\u00e7\u00f5es entre Washington e Havana, que sofre um embargo comercial por parte dos Estados Unidos desde 1960, se mantiveram antag\u00f4nicas.<\/p>\n<p>A maioria dos cubanos que fugiram para os Estados Unidos ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de 1959 se op\u00f4s sistematicamente \u00e0s sucessivas tentativas de di\u00e1logo entre os dois pa\u00edses, que de alguma forma legitimaram, em sua opini\u00e3o, o governo comunista de Fidel Castro.<\/p>\n<p>Carter funcionou como intermedi\u00e1rio entre Washington e Havana durante a crise dos balseiros em 1994, quando milhares de cubanos se lan\u00e7aram ao mar em embarca\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias para alcan\u00e7ar a costa do Estado da Fl\u00f3rida. O governo dos Estados Unidos viu aquilo como uma repeti\u00e7\u00e3o com inten\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do \u00eaxodo do Porto de Mariel em 1980, que influenciou a derrota de Carter em sua tentativa de reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em carta enviada a Castro, Carter menciona sua \u201cesperan\u00e7a de encontrar um terreno comum para resolver a crise, e para preparar uma futura resolu\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7as no longo prazo\u201d. Com seu apoio, os governos de Clinton e Castro acordaram uma pol\u00edtica de \u201cp\u00e9s molhados, p\u00e9s secos\u201d, pela qual os cubanos que fugiam para os Estados Unidos obteriam a resid\u00eancia se tocassem em terra. Por meio da miss\u00e3o cubana na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Carter negociou o n\u00famero de imigrantes que poderiam permanecer legalmente em territ\u00f3rio norte-americano.<\/p>\n<p>Como presidente, o pr\u00f3prio Carter tentou normalizar as rela\u00e7\u00f5es com Cuba. Durante seu governo os dois pa\u00edses abriram sess\u00f5es de interesse em suas respectivas capitais. Mas as tens\u00f5es da Guerra Fria na segunda metade de seu mandato, al\u00e9m do crescente peso pol\u00edtico dos cubanos-norte-americanos contr\u00e1rios a toda melhoria nas rela\u00e7\u00f5es, reduziram consideravelmente sua margem de manobra.<\/p>\n<p>Antes de Carter, Kissinger tentou se aproximar de Havana com o envio dos representantes Frank Mankiewicz e Lawrence Eagleburger a uma reuni\u00e3o no aeroporto nova-iorquino de La Guardia, em janeiro de 1975, para \u201cexplorar as possibilidades de uma rela\u00e7\u00e3o mais normal entre os dois pa\u00edses e determinar se existe uma determina\u00e7\u00e3o igual nos dois lados para resolver as diferen\u00e7as que existem entre n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>Isso permitiu a reuni\u00e3o no hotel Pierre seis meses depois, com as presen\u00e7as de Eagleburger e do secret\u00e1rio-adjunto para Assuntos Interamericanos, William D. Rogers.\u00a0 Mas as gest\u00f5es se frustraram depois da interven\u00e7\u00e3o de Cuba em Angola, quando v\u00e1rias fac\u00e7\u00f5es com apoio estrangeiro disputavam o poder ap\u00f3s a independ\u00eancia de Portugal, em novembro de 1975.<\/p>\n<p>O livro afirma que Kissinger se enfureceu com a interven\u00e7\u00e3o cubana, que foi decisiva para a vit\u00f3ria do MPLA frente a grupos rivais que tinham apoio de \u00c1frica do Sul, Zaire, Estados Unidos e China, al\u00e9m de mercen\u00e1rios sul-africanos.<\/p>\n<p>Durante uma conversa na Casa Branca com o ex-presidente Gerald Ford (1974-1977) Kissinger afirmou que a interven\u00e7\u00e3o de Havana gerou a possibilidade de uma \u201cguerra racial\u201d, acrescentando: \u201ccreio que precisaremos sufocar Castro. Provavelmente n\u00e3o poderemos faz\u00ea-lo antes das elei\u00e7\u00f5es\u201d, presidenciais de novembro de 1976 nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de Kissinger e Ford era que Cuba repetisse a a\u00e7\u00e3o militar \u201cao estilo angolano\u201d em outros pa\u00edses da \u00c1frica, numa \u00e9poca de intensa rivalidade entre Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica no continente, em uma vers\u00e3o africana da \u201cteoria do domin\u00f3\u201d que Washington utilizou para justificar sua desastrosa interven\u00e7\u00e3o na Indochina, a partir do final da d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n<p>\u201cSe entrarem na Nam\u00edbia ou na Rod\u00e9sia estarei a favor de lhes dar uma surra\u201d, disse Kissinger em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as cubanas, segundo as transcri\u00e7\u00f5es publicada no livro. \u201cIsso criaria furor, mas creio que ter\u00edamos que exigir que saiam da \u00c1frica\u201d, continuou.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a vit\u00f3ria em Angola, Kissinger acreditava que Cuba poderia desempenhar um papel semelhante na \u00c1frica do Sudoeste (atual Nam\u00edbia), Rod\u00e9sia (Zimb\u00e1bue) e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a pr\u00f3pria \u00c1frica do Sul. \u201cPenso que seria mais f\u00e1cil pressionar Cuba, como o s\u00f3cio mais pr\u00f3ximo e mais fraco em uma rela\u00e7\u00e3o entrela\u00e7ada, do que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica\u201d, que apoiava tanto Havana quanto o MPLA.<\/p>\n<p>As discrep\u00e2ncias entre as rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas de Cuba e Estados Unidos sempre se caracterizaram por suas rela\u00e7\u00f5es bilaterais, assegurou LeoGrande \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>No final da administra\u00e7\u00e3o de John F. Kennedy (1961-1963) \u201chouve iniciativas secretas para embalar um di\u00e1logo com Cuba e a esperan\u00e7a de que, por tr\u00e1s da crise dos m\u00edsseis, de outubro de 1961, os cubanos estavam t\u00e3o aborrecidos com os sovi\u00e9ticos, pela promessa de que nunca instalariam armas nucleares na ilha, que seriam atra\u00eddos de novo para a \u00f3rbita dos Estados Unidos\u201d, afirmou LeoGrande.<\/p>\n<p>\u201cA iniciativa de retomar as rela\u00e7\u00f5es se apresentou por meio do representante de Cuba na ONU\u201d, segundo LeoGrande. \u201cAo mesmo tempo, houve alguns dos discursos do presidente Kennedy sobre Cuba ao estilo mais duro da Guerra Fria. S\u00f3 o presidente e um punhado de pessoas sabiam sobre a iniciativa secreta, por isso esta n\u00e3o se reflete no di\u00e1logo p\u00fablico\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Jim Lobe <\/strong>contribuiu com este artigo a partir de Washington.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nova York, Estados Unidos, 6\/10\/2014 &ndash; O ex-secret&aacute;rio de Estado&nbsp; norte-americano Henry Kissinger era partid&aacute;rio de atacar Cuba em 1976, segundo novo livro que revela que os dois pa&iacute;ses recorreram a intermedi&aacute;rios secretos para manterem contatos clandestinos durante as d&eacute;cadas posteriores &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o cubana de 1959. 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