{"id":17985,"date":"2014-10-07T13:50:17","date_gmt":"2014-10-07T13:50:17","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=122494"},"modified":"2014-10-07T13:50:17","modified_gmt":"2014-10-07T13:50:17","slug":"reproducao-humana-avanca-em-ritmo-preocupante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/10\/ultimas-noticias\/reproducao-humana-avanca-em-ritmo-preocupante\/","title":{"rendered":"Reprodu\u00e7\u00e3o humana avan\u00e7a em ritmo preocupante"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_122496\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/anticonceptivos.jpg\"><img class=\"wp-image-122496\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/anticonceptivos.jpg\" alt=\"anticonceptivos Reprodu\u00e7\u00e3o humana avan\u00e7a em ritmo preocupante\" width=\"529\" height=\"351\" title=\"Reprodu\u00e7\u00e3o humana avan\u00e7a em ritmo preocupante\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Anticoncepcionais a venda para o p\u00fablico em Sanaa, I\u00eamen. Foto: Rebecca Murray\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nova York, Estados Unidos, 7\/10\/2014 \u2013 Durante a maior parte da hist\u00f3ria da humanidade, os direitos reprodutivos significavam, basicamente, que homens e mulheres aceitavam como viesse a quantidade, o momento e o espa\u00e7amento dos filhos, ou mesmo n\u00e3o ter nenhum. Mas tudo mudou na segunda metade do s\u00e9culo 20 com as novas tecnologias m\u00e9dicas para evitar, adiar e assistir a reprodu\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Essas tecnologias introduziram mudan\u00e7as hist\u00f3ricas no comportamento e nos direitos reprodutivos com consequ\u00eancias atuais em raz\u00e3o dos desafios teol\u00f3gicos, \u00e9ticos e legais que apresentam e que s\u00e3o cada vez mais complexos e necess\u00e1rios de se atender.<\/p>\n<p>At\u00e9 meados o s\u00e9culo passado os direitos reprodutivos eram limitados. Os anticoncepcionais existentes eram o m\u00e9todo do ritmo (segundo o calend\u00e1rio menstrual), coito interrompido (retirada), camisinha e, para alguns casais, o diafragma. Mas a maioria n\u00e3o era m\u00e9todo confi\u00e1vel nem agrad\u00e1vel. Al\u00e9m disso, embora o aborto induzido seja praticado desde a antiguidade, trata-se de um procedimento m\u00e9dico dr\u00e1stico, perigoso e na maioria das vezes ilegal.<\/p>\n<p>Em 1960 se propagaram os anticoncepcionais orais, que mudaram radicalmente o comportamento e os direitos reprodutivos das mulheres. Al\u00e9m da p\u00edlula, outros m\u00e9todos como o dispositivo intra-uterino (DIU), injet\u00e1veis, implantes, a p\u00edlula do dia seguinte e a esteriliza\u00e7\u00e3o deram \u00e0s mulheres e aos homens o controle mais efetivo sobre a reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os anticoncepcionais modernos produziram grandes mudan\u00e7as nos casamentos e no comportamento sexual. As mulheres empoderadas com anticoncepcionais modernos podem escolher, sem medo de engravidar, manter rela\u00e7\u00f5es sexuais, o que lhes permite adiar a maternidade ou, diretamente, evit\u00e1-la. Em lugar do casamento, a conviv\u00eancia se tornou mais comum entre os casais jovens, especialmente nos pa\u00edses ricos.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos anticoncepcionais tamb\u00e9m facilitaram a r\u00e1pida diminui\u00e7\u00e3o do tamanho das fam\u00edlias. Entre 1950 e finais do s\u00e9culo, a fertilidade caiu de uma m\u00e9dia mundial de cinco filhos por mulher para quase a metade. Em todo o mundo se registrou uma redu\u00e7\u00e3o da fertilidade nesse meio s\u00e9culo, especialmente na \u00c1sia, Am\u00e9rica Latina e um pouco menos na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Com o progresso da tecnologia m\u00e9dica, as cambiantes normas sociais e os movimentos de base, o aborto induzido foi legalizado. Embora ainda haja uma forte oposi\u00e7\u00e3o, em quase todos os pa\u00edses ricos foram aprovadas leis garantindo o direito das mulheres \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez. Al\u00e9m disso, durante a Confer\u00eancia Internacional sobre Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento de 1994, 179 governos se comprometeram a evitar o aborto inseguro e, quando n\u00e3o contradiz a lei, deve ser praticado de forma segura.<\/p>\n<p>Os direitos reprodutivos que permitem interromper a gravidez, no entanto, geraram um excessivo aborto de fetos femininos. Especialmente na China e na \u00cdndia, onde a propor\u00e7\u00e3o de nascimentos por sexo de 117 e 111 meninos, respectivamente, para cada cem meninas est\u00e1 totalmente acima da norma de 106. Em consequ\u00eancia, o n\u00famero \u201cexcedente de var\u00f5es\u201d jovens que n\u00e3o encontram noiva chega a 35 milh\u00f5es na China e 25 milh\u00f5es na \u00cdndia.<\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o em 1970 da fecunda\u00e7\u00e3o <em>in vitro<\/em> (FIV), quando a fecunda\u00e7\u00e3o dos \u00f3vulos com espermatozoides \u00e9 feita em laborat\u00f3rio, alterou totalmente o processo evolutivo b\u00e1sico da reprodu\u00e7\u00e3o humana. A FIV proporciona aos casais sem filhos o direito e os meios para ter descend\u00eancia biol\u00f3gica. Estima-se que existem mais de cinco milh\u00f5es de beb\u00eas nascidos gra\u00e7as a esse m\u00e9todo desde o nascimento do primeiro \u201cbeb\u00ea de proveta\u201d, em 1978.<\/p>\n<p>No entanto, a FIV gerou algumas quest\u00f5es \u00e9ticas. Al\u00e9m de criar gravidez por meios \u201cartificiais\u201d, se tornou uma ind\u00fastria comercial maci\u00e7a, propensa a graves abusos e explora\u00e7\u00e3o de casais vulner\u00e1veis, em seu af\u00e3 de conseguir lucro a partir da natalidade.<\/p>\n<p>A FIV tamb\u00e9m permite a substitui\u00e7\u00e3o gestacional, que estende os direitos reprodutivos aos casais do mesmo sexo. Ao contr\u00e1rio da gesta\u00e7\u00e3o sub-rogada tradicional, na qual a substituta \u00e9 a m\u00e3e biol\u00f3gica, a substitui\u00e7\u00e3o gestacional permite que a substituta n\u00e3o tenha v\u00ednculo com o beb\u00ea, mas que o que o \u00f3vulo proceda da m\u00e3e ou doadora.<\/p>\n<p>Isso permite que casais sem filhos exer\u00e7am o direito de ter filhos biol\u00f3gicos, mas a substitui\u00e7\u00e3o gestacional apresenta problemas \u00e9ticos, como a explora\u00e7\u00e3o de mulheres pobres, e tamb\u00e9m quest\u00f5es legais complexas, especialmente quando as transa\u00e7\u00f5es atravessam fronteiras internacionais.<\/p>\n<p>Em 1997 se conseguiu clonar, ou propagar por autorreplica\u00e7\u00e3o, em lugar da reprodu\u00e7\u00e3o sexual, o primeiro mam\u00edfero, a ovelha Dolly. Seu nascimento foi um grande desenvolvimento em mat\u00e9ria de reprodu\u00e7\u00e3o. Depois de Dolly conseguiu-se clonar muitos animais: peixes, ratos, vacas, cavalos, c\u00e3es e macacos. Isso leva a pensar que em um futuro pr\u00f3ximo alguns humanos queiram gozar de seus direitos reprodutivos de serem clonados, uma vez mais gerando graves problemas teol\u00f3gicos, \u00e9ticos e legais.<\/p>\n<p>Entre as tecnologias reprodutivas trans-humanistas que j\u00e1 existem ou existir\u00e3o em um futuro pr\u00f3ximo, se destaca a ectog\u00eanese, ou o desenvolvimento do feto em um \u00fatero artificial, n\u00e3o humano. Enquanto a ectog\u00eanese pode ampliar o alcance da viabilidade fetal, liberar as mulheres da gravidez e aprofundar os direitos reprodutivos, ao mesmo tempo traz problemas graves e quest\u00f5es m\u00e9dicas, \u00e9ticas e legais inexploradas.<\/p>\n<p>As novas tecnologias de reprodu\u00e7\u00e3o acabaram criando desafios teol\u00f3gicos, \u00e9ticos e legais que n\u00e3o s\u00e3o atendidos como deveriam ser. Os avan\u00e7os m\u00e9dicos esperados em mat\u00e9ria de reprodu\u00e7\u00e3o humana tornam ainda mais imperioso que a comunidade internacional preste aten\u00e7\u00e3o aos crescentes desafios e preocupa\u00e7\u00f5es vinculados com os direitos e as tecnologias reprodutivas. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Joseph Chamie <\/strong>\u00e9 ex-diretor da Divis\u00e3o de Popula\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nova York, Estados Unidos, 7\/10\/2014 &ndash; Durante a maior parte da hist&oacute;ria da humanidade, os direitos reprodutivos significavam, basicamente, que homens e mulheres aceitavam como viesse a quantidade, o momento e o espa&ccedil;amento dos filhos, ou mesmo n&atilde;o ter nenhum. 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