{"id":18008,"date":"2014-10-15T14:16:06","date_gmt":"2014-10-15T14:16:06","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=123031"},"modified":"2014-10-15T14:16:06","modified_gmt":"2014-10-15T14:16:06","slug":"anelo-de-povoado-esquecido-a-capital-argentina-do-xisto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/10\/ultimas-noticias\/anelo-de-povoado-esquecido-a-capital-argentina-do-xisto\/","title":{"rendered":"A\u00f1elo, de povoado esquecido a capital argentina do xisto"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_123033\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/chica-a%C3%B1elo-629x353.jpg\"><img class=\"wp-image-123033\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/chica-a%C3%B1elo-629x353.jpg\" alt=\"chica a\u00f1elo 629x353 A\u00f1elo, de povoado esquecido a capital argentina do xisto\" width=\"529\" height=\"297\" title=\"A\u00f1elo, de povoado esquecido a capital argentina do xisto\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Vista da rua principal de A\u00f1elo, povoado perdido da Patag\u00f4nia argentina, que se transformar\u00e1 na capital dos hidrocarbonos n\u00e3o convencionais no pa\u00eds. Em mais 15 anos poder\u00e1 ter 25 mil habitantes, dez vezes a popula\u00e7\u00e3o de dois anos atr\u00e1s. Foto: Fabiana Frayssinet<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A\u00f1elo, Argentina, 15\/10\/2014 \u2013 Tem quase um s\u00e9culo, mas a explos\u00e3o petroleira obriga a recome\u00e7ar do zero. A onda de imigrantes atra\u00eddos pela febre dos hidrocarbonos n\u00e3o convencionais causou o colapso deste pequeno povoado do sul da Argentina, enquanto o plano para convert\u00ea-lo em uma \u201ccidade sustent\u00e1vel do futuro\u201d n\u00e3o sai do papel.<\/p>\n<p>O lema de A\u00f1elo, pequeno munic\u00edpio da Patag\u00f4nia argentina, na prov\u00edncia de Neuqu\u00e9n, \u00e9 otimista e premonit\u00f3rio: \u201cO futuro encontrou seu lugar\u201d. Mas agora o contradiz a maioria de suas ruas de terra, com cont\u00ednuas nuvens de p\u00f3 pelo intenso tr\u00e1fego de caminh\u00f5es e carros de luxo de executivos do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u201cMuitos olhos do mundo est\u00e3o postos em A\u00f1elo, mas infelizmente n\u00e3o temos uma boa vitrine para vender\u201d, pontuou \u00e0 IPS o diretor do centro de sa\u00fade do lugar, Rub\u00e9n Bautista. \u201cVivemos sobre ouro negro, tiram riquezas de nosso solo, mas n\u00e3o deixam quase nada para nossa popula\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou o m\u00e9dico que, com outros tr\u00eas colegas, atende uma popula\u00e7\u00e3o que passou de 2.500 para cinco mil habitantes, em cerca de dois anos.<\/p>\n<p>A\u00f1elo, que era um povoado desolado, cercado por frutas, cabras e vinhedos do rio Neuqu\u00e9n, agora \u00e9 a localidade mais pr\u00f3xima da jazida Loma Campana, explorada pela YPF, empresa de petr\u00f3leo estatal argentina, e a norte-americana Chevron. Apenas oito quil\u00f4metros o separam da jazida, parte da maior promessa argentina de desenvolvimento: Vaca Muerta, uma reserva geol\u00f3gica de 30 mil quil\u00f4metros quadrados, rica em petr\u00f3leo e g\u00e1s de xisto, que converteu este pa\u00eds no segundo do mundo, depois dos Estados Unidos, na produ\u00e7\u00e3o de hidrocarbonos n\u00e3o convencionais.<\/p>\n<p>Mas o ouro ainda n\u00e3o brilha em A\u00f1elo (\u201cparagem esquecida\u201d, em mapuche), cem quil\u00f4metros ao norte de Neuqu\u00e9n, a capital da prov\u00edncia. No centro de sa\u00fade, que envia os casos mais graves para hospitais da capital, h\u00e1 apenas duas ambul\u00e2ncias, enquanto 117 empresas de todo o mundo est\u00e3o se instalando no munic\u00edpio e sua vizinhan\u00e7a.<\/p>\n<p>Os progn\u00f3sticos conservadores antecipam que em 15 anos A\u00f1elo ter\u00e1 25 mil habitantes, entre trabalhadores diretos e indiretos e suas fam\u00edlias, que v\u00e3o chegando \u00e0 nova meca do autoabastecimento energ\u00e9tico argentino. \u201c\u00c9 gente que vem para A\u00f1elo pensando que pode ter um futuro melhor, pensando no que o n\u00e3o convencional pode representar em sua vida\u201d, detalhou \u00e0 IPS o gerente de Comunica\u00e7\u00e3o da YPF Neuqu\u00e9n, Federico Cal\u00edfano.<\/p>\n<p>S\u00f3 a YPF tem 720 funcion\u00e1rios na \u00e1rea. Chegam de localidades pr\u00f3ximas e de outras prov\u00edncias, mas tamb\u00e9m do exterior, levados ao lugar por empresas internacionais dos setores de constru\u00e7\u00e3o, qu\u00edmico, hotelaria, transporte e servi\u00e7os. O \u00fanico hotel est\u00e1 lotado e surgem acampamentos em qualquer plan\u00edcie, com cont\u00eaineres transformados em hospedagens confort\u00e1veis para alojar temporariamente os trabalhadores. Os pre\u00e7os dos alugu\u00e9is de pequenos apartamentos est\u00e1 cinco vezes maior do que os dos bairros mais caros de Buenos Aires.<\/p>\n<p>\u201cEstamos come\u00e7ando uma cidade do zero\u201d, disse \u00e0 IPS o prefeito de A\u00f1elo, Dar\u00edo D\u00edaz, recordando que, antes \u201cda explosiva chegada dos n\u00e3o convencionais\u201d, o povoado foi \u201cum lugar estrat\u00e9gico de passagem\u201d. Desde a d\u00e9cada de 1980, a YPF explora na regi\u00e3o jazidas convencionais de petr\u00f3leo, mas quando acabarem as obras v\u00e3o embora\u201d, apontou. \u201cIsso \u00e9 muito mais intensivo, nos pr\u00f3ximos 30 anos haver\u00e1 muito trabalho\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cA infraestrutura \u00e9 para cerca de 2.500 habitantes, fica pequena \u00e0 luz das novas demandas por servi\u00e7os prim\u00e1rios, como \u00e1gua, luz, eletricidade, estradas, controle da emiss\u00e3o de p\u00f3\u201d, opinou \u00e0 IPS o secret\u00e1rio de Ambiente da prov\u00edncia, Ricardo Esquivel.<\/p>\n<p>O martelar no lugar \u00e9 constante. Dois oper\u00e1rios, que diariamente percorrem ida e volta 120 quil\u00f4metros desde Cipolletti, na vizinha prov\u00edncia de Rio Negro, constroem uma cal\u00e7ada. \u201c\u00c9 espetacular. Aqui h\u00e1 muito trabalho para todos. Falta gente. O problema \u00e9 o alojamento\u201d, contou \u00e0 IPS o pedreiro Esteban Aries.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o YPF fez um estudo da Pegada Urbana, que deu lugar ao Plano de Desenvolvimento Local de A\u00f1elo. A iniciativa tem apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento e seu programa Cidades Sustent\u00e1veis. Executado com os governos local e provincial, contempla diversos cen\u00e1rios de crescimento, para \u201capontar os riscos e as vulnerabilidades\u201d do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Dele consta, entre outros aspectos, \u201cqual superf\u00edcie deve ter a cidade, como come\u00e7ar a urbaniza\u00e7\u00e3o, que diagrama e servi\u00e7os necessita, o que falta a A\u00f1elo em dois, tr\u00eas, cinco anos\u201d, pontuou Cal\u00edfano. Segundo a YPF, as obras j\u00e1 come\u00e7aram. Entre outras, a amplia\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, moradia para m\u00e9dicos e um centro de capacita\u00e7\u00e3o de of\u00edcios, vinculados \u00e0s necessidades petroleiras. J\u00e1 h\u00e1 dois caminh\u00f5es-trailer para atendimento prim\u00e1rio de sa\u00fade, que segundo o m\u00e9dico Bautista n\u00e3o s\u00e3o suficientes.<\/p>\n<p>Com a expans\u00e3o econ\u00f4mica aumentou o tr\u00e1fego pesado. O governo planeja duas estradas na chamada \u201crota do petr\u00f3leo\u201d, para desvi\u00e1-lo at\u00e9 Vaca Muerta. \u201cO que nos prejudica s\u00e3o os acidentes que aumentam a cada dia\u201d, ressaltou Bautista. De dez acidentes de tr\u00e2nsito e trabalhistas por m\u00eas, h\u00e1 dois anos, passou-se para os 17 atualmente.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se pode esquecer que a atividade importante tem um ano\u201d, apontou Pablo Bizzotto, gerente regional de N\u00e3o Convencional da YPF em Loma Campana, onde perfuram cerca de 20 po\u00e7os por m\u00eas, que aumentaram a produ\u00e7\u00e3o de tr\u00eas mil para 21 mil barris (159 litros) di\u00e1rios de petr\u00f3leo. \u201cH\u00e1 coisas que obviamente durante o caminho vamos trabalhando em conjunto com as autoridades. Tudo \u00e9 muito recente\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O engenheiro agr\u00f4nomo, Eduardo Tomada, deixou tudo em Buenos Aires e investiu suas economias para abrir um restaurante em A\u00f1elo, agora repleto de trabalhadores. Sua cozinheira, Norma Olate, natural do lugar, est\u00e1 contente porque ganha mais, mas lembra com saudades quando seu povoado era quase \u201cum monte de areia\u201d.<\/p>\n<p>O desenvolvimento trouxe trabalho, \u201cmas tamb\u00e9m coisas ruins. Assaltam \u00e0 m\u00e3o armada e isso n\u00e3o se via aqui antes\u201d, contou \u00e0 IPS esta mulher de 60 anos. Olate, com filhas jovens e solteiras, tamb\u00e9m se preocupa com a \u201cinvas\u00e3o de homens. \u00c9 muito homem (ri), n\u00e3o me interessam, mas \u00e0s garotas. Os rapazes chegam, as enganam, muitas engravidam, isso tamb\u00e9m \u00e9 ruim para o povoado\u201d.<\/p>\n<p>O deputado provincial Ra\u00fal Dobrus\u00edn, da opositora Unidade Popular, denuncia o aumento da prostitui\u00e7\u00e3o, o tr\u00e1fico e o consumo de drogas, alcoolismo e corrup\u00e7\u00e3o. \u201cDizemos que a \u00fanica coisa que se atualizou em A\u00f1elo foram o cassino e a prostitui\u00e7\u00e3o\u201d, ironizou. O deputado reclamou da falta de \u201cplanejamento\u201d e \u201ccontrole\u201d do Estado sobre esses e outros problemas, como o do surgimento de bolsas paralelas de trabalho de alguns sindicatos, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e os \u201cpre\u00e7os petroleiros\u201d inating\u00edveis para muitos.<\/p>\n<p>Seja como for, para D\u00edaz o balan\u00e7o \u00e9 positivo. \u201cTemos que aproveitar esta oportunidade para que A\u00f1elo se desenvolva como cidade e melhore a qualidade de vida de nossa gente. O que me preocupa \u00e9 que n\u00e3o cheguemos a tempo com os investimentos necess\u00e1rios\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A prov\u00edncia prepara um plano de \u201cdesenvolvimento estrat\u00e9gico\u201d em A\u00f1elo, junto com \u201cmicrocidades petroleiras\u201d pr\u00f3ximas, que inclui a constru\u00e7\u00e3o de um parque industrial, escolas, hospitais, estradas moradias e seguran\u00e7a. \u201cN\u00e3o vamos armar um acampamento petroleiro em A\u00f1elo, mas uma cidade\u201d, resumiu o prefeito. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A&ntilde;elo, Argentina, 15\/10\/2014 &ndash; Tem quase um s&eacute;culo, mas a explos&atilde;o petroleira obriga a recome&ccedil;ar do zero. A onda de imigrantes atra&iacute;dos pela febre dos hidrocarbonos n&atilde;o convencionais causou o colapso deste pequeno povoado do sul da Argentina, enquanto o plano para convert&ecirc;-lo em uma &ldquo;cidade sustent&aacute;vel do futuro&rdquo; n&atilde;o sai do papel. 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