{"id":18009,"date":"2014-10-15T14:10:53","date_gmt":"2014-10-15T14:10:53","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=123027"},"modified":"2014-10-15T14:10:53","modified_gmt":"2014-10-15T14:10:53","slug":"os-oceanos-pedem-ajuda-aos-gritos-por-causa-do-lixo-plastico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/10\/ultimas-noticias\/os-oceanos-pedem-ajuda-aos-gritos-por-causa-do-lixo-plastico\/","title":{"rendered":"Os oceanos pedem ajuda aos gritos por causa do lixo pl\u00e1stico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_123029\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/oceanos1.jpg\"><img class=\"wp-image-123029\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/oceanos1.jpg\" alt=\"oceanos1 Os oceanos pedem ajuda aos gritos por causa do lixo pl\u00e1stico\" width=\"529\" height=\"350\" title=\"Os oceanos pedem ajuda aos gritos por causa do lixo pl\u00e1stico\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Pescadores arrastam sua captura em uma praia do distrito de Trincomalee, no Sri Lanka. Numerosos especialistas concordam que uma grande por\u00e7\u00e3o do lixo marinho \u00e9 subproduto da ind\u00fastria pesqueira mundial. Foto: Kanya D\u2019Almeida\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Atenas, Gr\u00e9cia, 15\/10\/2014 \u2013 Um albatroz de pata negra alimentando seus filhotes com bolinhas de pl\u00e1stico, um beb\u00ea foca no Polo Norte com um saco enrolado no pesco\u00e7o ou um barco de pesca perdido em alto mar porque um aparelho de pesca se enroscou na h\u00e9lice, s\u00e3o exemplos que multiplicados por mil d\u00e3o ideia do estado dos oceanos. Estima-se que cerca de 13 mil dejetos pl\u00e1sticos flutuam para cada quil\u00f4metros quadrado de oceano e que 6,4 milh\u00f5es de toneladas de lixo desembocam neles a cada ano.<\/p>\n<p>Pesquisadores e cientistas preveem um futuro nefasto para estas vastas extens\u00f5es de \u00e1gua que s\u00e3o vitais para a exist\u00eancia de nosso planeta. Um c\u00e1lculo conservador do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) diz que o preju\u00edzo econ\u00f4mico do pl\u00e1stico nos ecossistemas marinhos chega a US$ 13 bilh\u00f5es por ano, segundo um comunicado divulgado no dia 1\u00ba deste m\u00eas.<\/p>\n<p>A sa\u00fade dos mares e dos ecossistemas oce\u00e2nicos concentra a aten\u00e7\u00e3o da 12\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 12) do Conv\u00eanio sobre a Diversidade Biol\u00f3gica, que acontece na cidade sul-coreana de Pyeongchang at\u00e9 o dia 17. Entre as 20 Metas de Aichi para a Diversidade Biol\u00f3gica, acordadas na cidade japonesa de Nagoya em 2011, a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha \u00e9 um dos objetivos fundamentais. A meta 11 assinala a import\u00e2ncia de identificar \u201c\u00e1reas protegidas\u201d para preservar os ecossistemas marinhos, especialmente dos efeitos danosos das atividades humanas.<\/p>\n<p>Na 16\u00aa reuni\u00e3o global dos Planos de A\u00e7\u00e3o e Conv\u00eanios sobre Mares Regionais, do Pnuma, que aconteceu em Atenas entre 20 de setembro e 1\u00ba deste m\u00eas, houve um consenso quase un\u00e2nime sobre os dejetos representarem um \u201ctremendo desafio\u201d para o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nessa oportunidade, cientistas e autoridades do mundo se reuniram para desenhar um novo mapa do caminho capaz de deter a r\u00e1pida degrada\u00e7\u00e3o de oceanos e mares e criar pol\u00edticas para um uso sustent\u00e1vel, bem como integr\u00e1-los na agenda de desenvolvimento posterior a 2015. O tema est\u00e1 entre as maiores prioridades desde a C\u00fapula da Terra, como \u00e9 chamada a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, realizada no Brasil em 2012 e conhecida como Rio+20.<\/p>\n<p>O n\u00famero14 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), que s\u00e3o discutidos para substituir os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio a partir do final de 2015, foca em reduzir de forma significativa a contamina\u00e7\u00e3o marinha at\u00e9 2025. \u201cN\u00e3o tivemos nenhuma dificuldade para promover a expl\u00edcita inclus\u00e3o dessa meta nos ODS propostos\u201d, destacou Jacqueline Alder, diretora de Ecossistemas Marinhos e de \u00c1gua Doce da Divis\u00e3o de Implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Ambiental do Pnuma. \u201cAfinal, os oceanos s\u00e3o um problema de todos e todos geramos lixo\u201d, pontuou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cOs dejetos org\u00e2nicos s\u00e3o o principal elemento dos desperd\u00edcios que chegam aos mares, e representam entre 40% e 80% do lixo municipal nos pa\u00edses em desenvolvimento e 20% a 25% nos pa\u00edses ricos\u201d, detalhou Tatjana Hema, oficial de programa para controle de componentes e avalia\u00e7\u00e3o de contamina\u00e7\u00e3o do Plano Mediterr\u00e2neo de A\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os micropl\u00e1sticos est\u00e3o entre os contaminantes mais prejudiciais que inundam os mares. A subst\u00e2ncia danosa se forma quando os pl\u00e1sticos se fragmentam e se desintegram em part\u00edculas com n\u00e3o mais do que cinco mil\u00edmetros de di\u00e2metro, chegando at\u00e9 a um mil\u00edmetro.<\/p>\n<p>\u201cDescobriu-se que os micro e nanopl\u00e1sticos passaram \u00e0s microparedes das algas\u201d, explicou Vincent Sweeney, coordenador do Programa Global de A\u00e7\u00e3o para a Prote\u00e7\u00e3o do Ambiente Marinho por meio de Atividades Terrestres (GPA). \u201cMas ainda n\u00e3o se sabe como afetar\u00e1 a cadeia alimentar de animais marinhos, nem a sa\u00fade humana quando ingeridas por interm\u00e9dio dos peixes\u201d, afirmou \u00e0 IPS. \u201cA exist\u00eancia do problema do micropl\u00e1stico at\u00e9 agora \u00e9 especulativo. Ainda n\u00e3o temos no\u00e7\u00e3o de quanto isto afeta os oceanos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Os ODS relacionados com os oceanos devem se ajustar a quatro crit\u00e9rios: serem vi\u00e1veis, fact\u00edveis, mensur\u00e1veis, alcan\u00e7\u00e1veis. Ao contr\u00e1rio, por exemplo, da redu\u00e7\u00e3o da acidifica\u00e7\u00e3o do oceano (cuja \u00fanica causa \u00e9 o di\u00f3xido de carbono) que facilmente cumpre os quatro crit\u00e9rios, o problema do lixo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples, em parte porque \u201co que aparece na praia n\u00e3o necessariamente \u00e9 um sinal do que ocorre no oceano\u201d, destacou Sweeney.<\/p>\n<p>\u201cO lixo que chega aos mares se desloca por longas dist\u00e2ncias, se tornam internacionais. \u00c9 dif\u00edcil encontrar seu dono\u201d, explicou Sweeney. Os dejetos se acumulam em torvelinhos em meio ao oceano, um fen\u00f4meno de circula\u00e7\u00e3o da \u00e1gua que costuma atrair os materiais que flutuam. \u201cO risco de n\u00e3o conhecer a magnitude exata desses dejetos \u00e9 que nos leva a pensar que \u00e9 muito grande para manejar\u201d, destacou o coordenador do GPA. Mas, mediante a sensibiliza\u00e7\u00e3o, se gera um \u201cimpulso\u201d e agora se torna priorit\u00e1rio em diferentes n\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cEliminar a contamina\u00e7\u00e3o dos oceanos \u00e9 uma pretens\u00e3o que n\u00e3o veremos em vida, mesmo se pararmos de jogar lixo no mar, o que ainda n\u00e3o conseguimos. O custo \u00e9 impens\u00e1vel. A maioria do lixo est\u00e1 fora de nosso alcance. Al\u00e9m disso, limpar a superf\u00edcie dos dejetos flutuantes levar\u00e1 muito tempo\u201d, acrescentou. \u201cEmbora haja diferentes causas para a contamina\u00e7\u00e3o marinha em cada pa\u00eds, o denominador comum \u00e9 que consumimos mais e geramos mais lixo, e a maioria \u00e9 pl\u00e1stico\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a falta de informa\u00e7\u00e3o e de alto custo para limpar a contamina\u00e7\u00e3o, os meios de execu\u00e7\u00e3o ou de financiamento das metas dos ODS relacionados com o oceano representam um desafio adicional para as regi\u00f5es. Na Gr\u00e9cia, se tomou consci\u00eancia da crise quando Evangelos Papathanassiou, diretor de pesquisa do Centro Hel\u00eanico de Pesquisa Marinha em Attiki, a 15 quil\u00f4metros de Atenas, relatou \u00e0 imprensa ter encontrado uma m\u00e1quina de costurar a quatro mil p\u00e9s (1.219 metros) de profundidade no Mar Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>\u201cA contamina\u00e7\u00e3o marinha derivada da aquicultura, do turismo e do transporte \u00e9 mais urgente no Mar Negro e no Mar Mediterr\u00e2neo, mas n\u00e3o recebem a aten\u00e7\u00e3o que merece\u201d, destacou Sweeney. Para que a nova era de desenvolvimento tenha sucesso, os seres terrestres devem prestar urgente aten\u00e7\u00e3o ao mar e ao oceano, que pede ajuda aos gritos.<\/p>\n<p><strong>Um desafio adicional<\/strong><\/p>\n<p>Em pa\u00edses da \u00c1sia Pac\u00edfico como China, Jap\u00e3o, R\u00fassia e Coreia do Sul foram criadas pr\u00e1ticas replic\u00e1veis, segundo Alexander Tkalin, coordenador do Plano de A\u00e7\u00e3o do Pac\u00edfico Nordeste do Pnuma. \u201cCoreia do Sul e Jap\u00e3o s\u00e3o grandes doadores e ambos adotaram leis espec\u00edficas relacionadas com os desperd\u00edcios que chegam aos mares\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cO Jap\u00e3o mudou a legisla\u00e7\u00e3o para incentivar a limpeza de dejetos marinhos, ajustando a lei sob a qual, normalmente, paga-se multa por contaminar, mas agora o governo paga \u00e0s municipalidades para que limpem as praias depois de um tuf\u00e3o, quando ra\u00edzes e restos do solo marinho est\u00e3o espalhados na praia\u201d, acrescentou Tkalin. Na Holanda e nos Estados Unidos tamb\u00e9m h\u00e1 programas s\u00f3lidos sobre lixo marinho, como no Haiti, segundo Sweeney. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Atenas, Gr&eacute;cia, 15\/10\/2014 &ndash; Um albatroz de pata negra alimentando seus filhotes com bolinhas de pl&aacute;stico, um beb&ecirc; foca no Polo Norte com um saco enrolado no pesco&ccedil;o ou um barco de pesca perdido em alto mar porque um aparelho de pesca se enroscou na h&eacute;lice, s&atilde;o exemplos que multiplicados por mil d&atilde;o ideia [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/10\/ultimas-noticias\/os-oceanos-pedem-ajuda-aos-gritos-por-causa-do-lixo-plastico\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":127,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,1],"tags":[989,3178,1307,2538,2336],"class_list":["post-18009","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-ultimas-noticias","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips","tag-lixo","tag-oceanos","tag-plastico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/127"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18009"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18009\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}