{"id":18032,"date":"2014-10-22T16:34:21","date_gmt":"2014-10-22T16:34:21","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=123454"},"modified":"2014-10-22T16:34:21","modified_gmt":"2014-10-22T16:34:21","slug":"empreendedoras-cubanas-sofrem-com-vulnerabilidades-machistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/10\/ultimas-noticias\/empreendedoras-cubanas-sofrem-com-vulnerabilidades-machistas\/","title":{"rendered":"Empreendedoras cubanas sofrem com vulnerabilidades machistas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_123456\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/15357490101_931b920880_z-629x468.jpg\"><img class=\"wp-image-123456\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/15357490101_931b920880_z-629x468.jpg\" alt=\"15357490101 931b920880 z 629x468 Empreendedoras cubanas sofrem com vulnerabilidades machistas\" width=\"529\" height=\"394\" title=\"Empreendedoras cubanas sofrem com vulnerabilidades machistas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Trabalhadora da Cooperativa Vivero Alamar carrega uma planta ornamental em um sub\u00farbio de Havana. O acesso ao emprego \u00e9 um problema para as mulheres rurais cubanas. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Havana, Cuba, 22\/10\/2014 \u2013 A m\u00e1quina de costura de Leonor Pedroso vestiu, nos \u00faltimos 30 anos, meninos e meninas do povoado cubano de Florida. Mas s\u00f3 h\u00e1 alguns meses esta costureira p\u00f4de formalizar seu trabalho por contra pr\u00f3pria, que sempre combinou com as tarefas do lar e o cuidar da fam\u00edlia. \u201cMeu marido, que \u00e9 campon\u00eas, n\u00e3o permitia que eu trabalhasse fora de casa, s\u00f3 podia costurar para os vizinhos e amigos pr\u00f3ximos, sem cobrar ou cobrando barato. Segundo ele, ter um trabalho formal n\u00e3o era coisa de mulheres\u201d, contou \u00e0 IPS essa mulher de 63 anos.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 uma das benefici\u00e1rias de um projeto de coopera\u00e7\u00e3o internacional de g\u00eanero no atual processo de reforma socioecon\u00f4mica de Cuba. Dedicada principalmente ao cuidado de sua fam\u00edlia de quatro filhos, Leonor n\u00e3o contava com renda est\u00e1vel nem conhecimentos para tirar partido de suas habilidades at\u00e9 receber aulas gratuitas de gest\u00e3o comercial, plano de neg\u00f3cios, administra\u00e7\u00e3o e g\u00eanero, junto com outras empreendedoras.<\/p>\n<p>\u201cEnfrentei meu marido para fazer o que me agrada e agora estou montando em minha casa um local de trabalho em que possa vender o que fa\u00e7o e ensinar as jovens a costurar e bordar\u201d, disse, satisfeita, enquanto esperava novas m\u00e1quinas de costura para seu neg\u00f3cio. Gra\u00e7as a isso, \u00e9 s\u00f3cia recente da Cooperativa de Produ\u00e7\u00e3o Animal 25 Anivers\u00e1rio, da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O projeto, impulsionado pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental espanhola Acsur Las Segovias e pela local Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Pequenos Agricultores (Anap) e com financiamento da Uni\u00e3o Europeia, favorece com capacita\u00e7\u00e3o e insumos 24 produtoras agropecu\u00e1rias, artes\u00e3s e l\u00edderes camponesas.<\/p>\n<p>Quando o projeto concluir, no final deste ano, a experi\u00eancia \u201cIncorpora\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento socioecon\u00f4mico local das mulheres empreendedoras rurais a partir de uma adequada perspectiva de g\u00eanero\u201d ter\u00e1 estendido as op\u00e7\u00f5es de integra\u00e7\u00e3o local para mulheres tradicionalmente dedicadas \u00e0s tarefas do lar em tr\u00eas prov\u00edncias cubanas. Trata-se de Artemisa, Camag\u00fcey, onde fica o povoado de Florida, e Granma.<\/p>\n<p>\u201cAntes o homem era visto como principal provedor e propriet\u00e1rio da terra, mas elas foram sendo reconhecidas por suas contribui\u00e7\u00f5es para a economia familiar\u201d, disse \u00e0 IPS a t\u00e9cnica de projetos Lorena Rodr\u00edguez, da Acsur Las Segovias, para quem o machismo continua golpeando a incorpora\u00e7\u00e3o das mulheres rurais ao trabalho remunerado.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Neysi Fern\u00e1ndez, que, buscando um meio de ganhar a vida, saiu de sua natal Yateras, na prov\u00edncia de Guant\u00e2namo, no extremo leste do pa\u00eds, at\u00e9 Guanajay, no outro lado da ilha, na prov\u00edncia de Artemisa. Ali, um familiar lhe cedeu quatro hectares de terra onde cultiva mandioca, taioba, feij\u00f5es, milho e banana-da-terra. \u201cFui para onde estava o trabalho porque minha filha, hoje com 12 anos, n\u00e3o podia passar fome. Depois aprendi como vender a colheita e investir o dinheiro\u201d, contou \u00e0 IPS esta camponesa de 42 anos, casada h\u00e1 quatro com um oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>Pesquisas sociais valorizam o acesso das mulheres ao emprego como uma das iniquidades mais s\u00e9rias do meio rural cubano, onde elas representam 47% entre mais de 2,8 milh\u00f5es de habitantes, em um pa\u00eds com 11,2 milh\u00f5es de habitantes no total. O trabalho realizado por esposas e filhas de camponeses no cuidado de animais, hortas familiares e tarefas dom\u00e9sticas n\u00e3o \u00e9 reconhecido nem remunerado, conforme ressaltado no Terceiro Semin\u00e1rio de Avalia\u00e7\u00e3o do Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional, realizado em 2013 em acompanhamento \u00e0 Confer\u00eancia Mundial da Mulher, de Pequim.<\/p>\n<p>Apenas 65.993 mulheres est\u00e3o associadas \u00e0 Anap, representando apenas 17% de seus membros, segundo dados deste ano publicados no jornal estatal <em>Granma<\/em>. Em 2013, elas foram mais de 142.300 entre mais de 1,838 milh\u00e3o de pessoas ocupadas na agricultura, pecu\u00e1ria, silvicultura e pesca, segundo o estatal Escrit\u00f3rio Nacional de Estat\u00edsticas e Informa\u00e7\u00e3o (Onei).<\/p>\n<p>A reforma que \u00e9 realizada pelo presidente Ra\u00fal Castro desde 2008, para injetar dinamismo na deprimida economia da ilha, incluiu a entrega de terras ociosas em usufruto pelos decretos-lei 259, de 2008, e 300, de 2012. Isso implicaria o despontar da produ\u00e7\u00e3o de alimentos em um pa\u00eds onde 40% das terras ar\u00e1veis est\u00e3o em m\u00e3os privadas, segundo o Anu\u00e1rio Estat\u00edstico de 2013 do Onei.<\/p>\n<p>Mas os homens seguem sendo os principais donos dos recursos agr\u00edcolas como terra, \u00e1gua, insumos, cr\u00e9ditos e tamb\u00e9m s\u00e3o maioria entre os que tomam decis\u00f5es no setor. \u00c0 falta de a\u00e7\u00f5es afirmativas do Estado para o setor feminino rural, v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e ag\u00eancias de coopera\u00e7\u00e3o internacional insistem em favorecer um desenvolvimento local com perspectiva de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Com apoio da organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Oxfam, no final deste ano estar\u00e3o funcionando em dez munic\u00edpios do leste cubano mais de 15 empreendimentos coletivos de mulheres, entre eles uma floricultura, um sal\u00e3o de beleza, uma lavanderia, uma queijaria, v\u00e1rias mini-ind\u00fastrias e alguns centros de gest\u00e3o de micro-organismos para a agricultura ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Com fundos da Uni\u00e3o Europeia, a Ag\u00eancia Basca de Coopera\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento e da embaixada do Jap\u00e3o em Cuba, esses pequenos neg\u00f3cios contar\u00e3o com equipamentos e meios de transporte. Al\u00e9m disso, suas gestoras receberam capacita\u00e7\u00e3o por meio de pain\u00e9is de autoestima, lideran\u00e7a e crescimento pessoal.<\/p>\n<p>Segundo a soci\u00f3loga Yohanka Vald\u00e9s, o valor desses projetos est\u00e1 em fortalecer a capacidade das mulheres a partir de uma l\u00f3gica favor\u00e1vel ao seu empoderamento e em reconhecimento de seus direitos. \u201cSe existe uma oportunidade, os homens est\u00e3o em melhores condi\u00e7\u00f5es de aproveit\u00e1-la porque n\u00e3o precisam cuidar da fam\u00edlia\u201d, pontuou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Por estas e outras raz\u00f5es, a economista Dayma Echevarr\u00eda garante que a metade feminina chegou em desvantagem \u00e0 diversifica\u00e7\u00e3o de atividades do setor estatal. A seu ver, em Cuba persistem estere\u00f3tipos de g\u00eanero que mant\u00eam as mulheres no papel reprodutivo, como cuidadoras e administradoras do lar. Em um dos cap\u00edtulos do livro <em>Olhares para a Economia Cubana<\/em> (Editora Caminos, 2013), Echevarr\u00eda avalia a falta de servi\u00e7os de apoio ao cuidado como uma das causas da vulnerabilidade das mulheres rurais diante do emprego.<\/p>\n<p>Os recentes processos de entrega de terra n\u00e3o se traduziram, segundo a especialista, em oportunidades para impulsionar a igualdade de g\u00eanero porque n\u00e3o favoreceram a ativa participa\u00e7\u00e3o feminina na mudan\u00e7a. Por outro lado, s\u00e3o poucas as cubanas com recursos para desenvolverem neg\u00f3cios pr\u00f3prios dentro do contexto regulat\u00f3rio estabelecido. \u201cAinda se espera que sejam colocadas em pr\u00e1tica normas que permitam uma inser\u00e7\u00e3o mais equitativa para todos e todas nas novas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e que integrem em sua vis\u00e3o o olhar de g\u00eanero\u201d, ressaltou Echevarr\u00eda.<\/p>\n<p>Cuba ocupa o 15\u00ba lugar no \u00cdndice Global de Brechas de G\u00eanero, de 2013, mas no quesito participa\u00e7\u00e3o e oportunidade econ\u00f4mica cai para o 66\u00ba posto entre as 153 na\u00e7\u00f5es estudadas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Havana, Cuba, 22\/10\/2014 &ndash; A m&aacute;quina de costura de Leonor Pedroso vestiu, nos &uacute;ltimos 30 anos, meninos e meninas do povoado cubano de Florida. 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