{"id":18043,"date":"2014-10-24T12:30:08","date_gmt":"2014-10-24T12:30:08","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=123667"},"modified":"2014-10-24T12:30:08","modified_gmt":"2014-10-24T12:30:08","slug":"yeul-e-a-palavra-da-moda-no-vocabulario-energetico-argentino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/10\/ultimas-noticias\/yeul-e-a-palavra-da-moda-no-vocabulario-energetico-argentino\/","title":{"rendered":"Yeul \u00e9 a palavra da moda no vocabul\u00e1rio energ\u00e9tico argentino"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_123669\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Yeil-chica-629x353.jpg\"><img class=\"wp-image-123669\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Yeil-chica-629x353.jpg\" alt=\"Yeil chica 629x353 Yeul \u00e9 a palavra da moda no vocabul\u00e1rio energ\u00e9tico argentino\" width=\"529\" height=\"297\" title=\"Yeul \u00e9 a palavra da moda no vocabul\u00e1rio energ\u00e9tico argentino\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">T\u00e9cnicos conversam entre duas torres de perfura\u00e7\u00e3o na jazida de Loma Campana, em Vaca Muerta, na Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neuqu\u00e9n, Argentina, 24\/10\/2014 \u2013 Na Argentina j\u00e1 o chamam de \u201cyeil\u201d, uma \u201cespanholiza\u00e7\u00e3o\u201d da palavra inglesa <em>shale<\/em> para o g\u00e1s e petr\u00f3leo de xisto. Mas o que para muitos significa o futuro do desenvolvimento e o autoabastecimento energ\u00e9tico do pa\u00eds, para outros \u00e9 uma palavra que deveria estar em desuso, quando a tend\u00eancia mundial \u00e9 avan\u00e7ar para fontes renov\u00e1veis e limpas.<\/p>\n<p>Com seu uniforme de trabalho empapado de petr\u00f3leo, o supervisor de perfura\u00e7\u00e3o da empresa estatal YPF, Claudio Rueda, se sente protagonista de uma hist\u00f3ria que come\u00e7a a ser escrita no sul da Argentina. \u201cEm nosso pa\u00eds a disponibilidade energ\u00e9tica \u00e9 estrat\u00e9gica. \u00c9 uma pe\u00e7a fundamental para o desenvolvimento e o futuro argentinos e n\u00f3s somos parte desse processo\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O primeiro cap\u00edtulo se escreve em Loma Campana, a jazida de Vaca Muerta, na prov\u00edncia patag\u00f4nia de Neuqu\u00e9n, onde, entre 2.500 e tr\u00eas mil metros de profundidade, se escondem ricas reservas de g\u00e1s e petr\u00f3leo dentro de estruturas rochosas. Segundo a YPF, com reservas de 802 trilh\u00f5es de p\u00e9s c\u00fabicos de g\u00e1s de xisto, a Argentina ocupa o segundo lugar mundial em recursos, atr\u00e1s da China, com 1,115 quatrilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Em petr\u00f3leo n\u00e3o convencional, o pa\u00eds passou a ocupar o quarto lugar mundial, com 27 bilh\u00f5es de barris. \u00c0 frente est\u00e3o R\u00fassia, com 75 bilh\u00f5es de barris, Estados Unidos e China. Estima-se que as reservas argentinas de hidrocarbonos convencionais se esgotar\u00e3o em oito ou dez anos e sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 declinante, por isso o governo considera estrat\u00e9gico o desenvolvimento de Vaca Muerta, uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica de 30 mil quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<p>\u201cPraticamente 30% da energia do pa\u00eds de diferentes formas \u00e9 importada, da\u00ed a sangria de divisas do pa\u00eds ser enorme\u201d, apontou \u00e0 IPS o especialista Rub\u00e9n Etcheverry, coautor do livro <em>Yeil, as Novas Reservas<\/em>, e secret\u00e1rio de Energia do governo de Neuqu\u00e9n. \u201cEstamos em terapia intensiva h\u00e1 cinco anos, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 balan\u00e7a comercial, ou energ\u00e9tica\u201d, afirmou em Neuqu\u00e9n, capital provincial.<\/p>\n<p>Segundo Etcheverry, \u201cpassamos de exportar combust\u00edveis por quase US$ 5 bilh\u00f5es, h\u00e1 dez anos, a import\u00e1-los por US$ 15 bilh\u00f5es, ou seja, houve uma mudan\u00e7a na balan\u00e7a de US$ 20 bilh\u00f5es anuais, que \u00e9 enorme para qualquer economia do tamanho da nossa\u201d. A importa\u00e7\u00e3o inclui energia el\u00e9trica, combust\u00edveis, g\u00e1s liquefeito, g\u00e1s natural, entre outros.<\/p>\n<p>Diego P\u00e9rez Santiesteban, presidente da C\u00e2mara de Importadores da Argentina, afirmou que a aquisi\u00e7\u00e3o de energia representava no come\u00e7o deste ano 15% das compras no exterior, enquanto um ano antes essa compra significava 5%. Desde 2009, as importa\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas acumuladas est\u00e3o acima das reservas monet\u00e1rias internacionais do Banco Central argentino, de US$ 28,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para Etcheverry, Vaca Muerta \u00e9 a chave para reverter a tend\u00eancia, porque as reservas nas profundidades dessa forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica seriam suficientes para nos abastecer e inclusive para exportar\u201d. Segundo o especialista, na Argentina pode acontecer o mesmo que ocorreu com os Estados Unidos, que gra\u00e7as ao seu dep\u00f3sito de <em>shale<\/em> \u201cpossivelmente em menos de dez anos seja o principal produtor de g\u00e1s e petr\u00f3leo\u201d.<\/p>\n<p>A extra\u00e7\u00e3o do xisto requer o uso da tecnologia da fratura hidr\u00e1ulica (<em>fracking<\/em>, em ingl\u00eas), que consiste na inje\u00e7\u00e3o a alta press\u00e3o de \u00e1gua, areia e aditivos qu\u00edmicos, para extrair os hidrocarbonos das rochas em grandes profundidades, onde se alojam, mediante sua ruptura horizontal ao longo de quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>No mundo se multiplicam as den\u00fancias sobre os efeitos contaminantes desta hidrofratura nos aqu\u00edferos e outros impactos ambientais em grandes \u00e1reas ao redor das jazidas. Tamb\u00e9m na Argentina muitos criticam a matriz energ\u00e9tica pela qual o pa\u00eds optou. \u201cEste \u00e9 um olhar ambiental que vai al\u00e9m de Vaca Muerta. A op\u00e7\u00e3o que pretendem impor \u00e0 Argentina, como solu\u00e7\u00e3o para a crise energ\u00e9tica carece de perspectivas futuras\u201d, afirmou a ecologista Silvia Leanza, da Funda\u00e7\u00e3o Ecosur.<\/p>\n<p>Segundo Leanza, \u201cestamos baseando toda nossa expans\u00e3o econ\u00f4mica em um bem que \u201cpor quantos anos poder\u00e1 produzir?\u201d. Quase 90% da matriz energ\u00e9tica argentina se comp\u00f5em de combust\u00edveis f\u00f3sseis. O resto se divide majoritariamente em fontes nucleares e hidrel\u00e9tricas, e apenas 1% \u00e9 renov\u00e1vel.<\/p>\n<p>O Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC) considera que a queima de combust\u00edvel f\u00f3ssil para gerar energia \u00e9 a principal causa do desequil\u00edbrio clim\u00e1tico. \u201cEssa conjuntura, junto com a maior disponibilidade das fontes renov\u00e1veis, est\u00e1 indicando o fim da era das energias sujas\u201d, afirmou em um informe Mauro Fern\u00e1ndez, coordenador na Argentina da campanha de energia da organiza\u00e7\u00e3o ambientalista Greenpeace.<\/p>\n<p>A depend\u00eancia do pa\u00eds dos combust\u00edveis f\u00f3sseis coloca suas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono por pessoa entre as mais altas da regi\u00e3o. Em 2009, era de 4,4 toneladas, segundo dados do Banco Mundial. Nesse contexto, Fern\u00e1ndez considera que os hidrocarbonos n\u00e3o convencionais n\u00e3o s\u00e3o apenas um risco em raz\u00e3o do <em>fracking<\/em>, mas \u201cuma m\u00e1 op\u00e7\u00e3o desde uma perspectiva clim\u00e1tica energ\u00e9tica\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAs jazidas n\u00e3o convencionais aparecem como novas fronteiras para se continuar fazendo mais do mesmo, alimentar o motor da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, destacou Fern\u00e1ndez. A Argentina se comprometeu a ter em 2016 pelo menos 8% da sua energia procedente de fontes renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cA aposta no <em>fracking<\/em> implica o aprofundamento da matriz energ\u00e9tica atual, baseada nos combust\u00edveis f\u00f3sseis e, em consequ\u00eancia, um forte retrocesso em termos de cen\u00e1rios alternativos ou de transi\u00e7\u00e3o para energias limpas e renov\u00e1veis\u201d, afirmou a soci\u00f3loga Maristella Svampa, pesquisadora independente do Conselho Nacional de Pesquisas Cient\u00edficas e T\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>\u201cCertamente, na \u00faltima d\u00e9cada, o <em>fracking<\/em> transformou a realidade energ\u00e9tica dos Estados Unidos, proporcionando menor depend\u00eancia das importa\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m converteu o pa\u00eds num territ\u00f3rio onde se pode comprovar seus verdadeiros impactos: contamina\u00e7\u00e3o de aqu\u00edferos, danos na sa\u00fade de pessoas e animais, terremotos, maiores emiss\u00f5es de g\u00e1s metano, entre outros\u201d, pontuou Svampa.<\/p>\n<p>Carolina Garc\u00eda, da Multissetorial Contra a Fratura Hidr\u00e1ulica, considera que, por seus ricos recursos naturais, a Argentina tem alternativas, antes de explorar \u201cat\u00e9 a \u00faltima gota\u201d de seus combust\u00edveis f\u00f3sseis. \u201cTerminaremos de extrair tudo na bacia de Neuqu\u00e9n, e o que nos restar\u00e1 depois?\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Etcheverry mencionou a possibilidade de explorar energia solar no norte, e\u00f3lica na Patag\u00f4nia e na zona atl\u00e2ntica, geot\u00e9rmica na Cordilheira dos Andes, e maremotriz ao longo do litoral. Mas considera que no momento seus custos s\u00e3o \u201cmuito superiores\u201d aos dos hidrocarbonos, por raz\u00f5es tecnol\u00f3gicas, de transporte e intensidade energ\u00e9tica. Para esse especialista, petr\u00f3leo e g\u00e1s continuam sendo necess\u00e1rios como fonte de energia e de mat\u00e9ria-prima para produtos cotidianos. Por isso, afirmou, a transi\u00e7\u00e3o da \u201cera hidrocarbon\u00edfera n\u00e3o \u00e9 simples\u201d.<\/p>\n<p>Antes \u00e9 preciso melhorar a economia e a efici\u00eancia energ\u00e9tica, para depois fazer um \u201ctraslado intraf\u00f3ssil\u201d, acrescentou Etcheverry. \u201cEm uma primeira etapa se trata de sair daqueles combust\u00edveis f\u00f3sseis mais contaminantes, como carv\u00e3o e petr\u00f3leo, e ir para outros igualmente f\u00f3sseis mas menos contaminantes, como o g\u00e1s natural. E a partir disso incentivar tudo o que tiver a ver com energias limpas ou renov\u00e1veis\u201d, explicou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Neuqu&eacute;n, Argentina, 24\/10\/2014 &ndash; Na Argentina j&aacute; o chamam de &ldquo;yeil&rdquo;, uma &ldquo;espanholiza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da palavra inglesa shale para o g&aacute;s e petr&oacute;leo de xisto. 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