{"id":18054,"date":"2014-10-29T12:11:17","date_gmt":"2014-10-29T12:11:17","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=123936"},"modified":"2014-10-29T12:11:17","modified_gmt":"2014-10-29T12:11:17","slug":"mina-de-cobre-enfrenta-obstaculos-em-papua-nova-guine","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/10\/ultimas-noticias\/mina-de-cobre-enfrenta-obstaculos-em-papua-nova-guine\/","title":{"rendered":"Mina de cobre enfrenta obst\u00e1culos em Papua Nova Guin\u00e9"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_123938\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/panguna.jpg\"><img class=\"wp-image-123938\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/panguna.jpg\" alt=\"panguna Mina de cobre enfrenta obst\u00e1culos em Papua Nova Guin\u00e9\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Mina de cobre enfrenta obst\u00e1culos em Papua Nova Guin\u00e9\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Comunidades ind\u00edgenas continuam vivendo junto \u00e0 mina de cobre Panguna, em Bougainville, Papua Nova Guin\u00e9, que teve que fechar em 1989. Foto: Catherine Wilson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sydney, Austr\u00e1lia, 29\/10\/2014 \u2013 A viabilidade da reabertura da controvertida mina de cobre Panguna, nas montanhas de Bougainville Central, uma regi\u00e3o aut\u00f4noma no leste de Papua Nova Guin\u00e9, \u00e9 objeto de discuss\u00e3o entre dirigentes pol\u00edticos locais e interesses mineiros estrangeiros h\u00e1 quatro anos. Mas um informe de uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental da Austr\u00e1lia alerta que falta muito para serem sanadas as feridas que a mina, \u201ca destrui\u00e7\u00e3o do ambiente associado a ela\u201d e a guerra civil (1988-1997) causaram \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio indica forte oposi\u00e7\u00e3o dos povos diretamente afetados \u00e0 reativa\u00e7\u00e3o da mina num futuro pr\u00f3ximo. \u201cCreio que o informe \u00e9 sincero ao dar \u00e0s pessoas das zonas afetadas pela mina uma oportunidade que nem sempre t\u00eam para mostrarem ao mundo seus problemas, temores e suas esperan\u00e7as\u201d, apontou \u00e0 IPS Jimmy Miringtoro, legislador de Bougainville Central, onde fica a mina.<\/p>\n<p>A empresa estatal australiana Bougainville Copper Ltd (BCL), que \u00e9 53% propriedade da transnacional Rio Tinto, administrou a mina a partir de 1969, mas teve que fech\u00e1-la em 1989, depois de um levante dos propriet\u00e1rios de terras ind\u00edgenas, indignados pela explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, perda e degrada\u00e7\u00e3o da terra, al\u00e9m da marginaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A investiga\u00e7\u00e3o <em>Vozes de Bougainville<\/em> foi realizada no final de 2013, com uma mostra de 65 pessoas e um grupo focal de 17 habitantes em dez aldeias pr\u00f3ximas \u00e0 mina.<\/p>\n<p>\u00c9 obra da organiza\u00e7\u00e3o Jubilee Australia, que investiga a responsabilidade estatal e empresarial australiana em rela\u00e7\u00e3o aos problemas de direitos humanos e ambientais, junto com um cons\u00f3rcio de investiga\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria denominado Iniciativa Internacional de Crimes de Estado e Bismarck Ramu Group, uma organiza\u00e7\u00e3o civil de Papua.<\/p>\n<p>\u201cO estudo n\u00e3o foi uma pesquisa de opini\u00e3o. Nosso objetivo principal era compreender melhor as opini\u00f5es locais sobre a minera\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento\u201d, explicou Kristian Lasslett, da Iniciativa Internacional de Crimes de Estado. A zona outorgada em concess\u00e3o \u00e0 mina cobria 13.047 hectares de terras florestais. Os povos pr\u00f3ximos t\u00eam entre quatro mil e cinco mil habitantes, segundo dados obtidos pela IPS em 2011 em entrevistas com os moradores do lugar.<\/p>\n<p>\u201cA BCL destruiu nossas vidas, se apoderou de nossas terras, levou nosso dinheiro e nunca indenizou adequadamente nossos pais, que eram os titulares leg\u00edtimos da terra apropriada. Agora querem reabrir a mina Panguna. Pessoalmente, digo n\u00e3o\u201d, afirmou um alde\u00e3o de Dapera, perto do fosso da mina, citado no informe.<\/p>\n<p>Suas declara\u00e7\u00f5es s\u00e3o compartilhadas por Lynette Ona, integrante da Associa\u00e7\u00e3o de Mulheres Ind\u00edgenas Propriet\u00e1rias de Terras de Bougainville. A maioria das pessoas da regi\u00e3o \u00e9 contra a minera\u00e7\u00e3o, afirmou Ona, que liderou uma delega\u00e7\u00e3o de mulheres que foi recebida pelo escrit\u00f3rio do primeiro-ministro de Papua Nova Guin\u00e9 para expressar sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 iniciativa, antes que a regi\u00e3o obtivesse sua autonomia.<\/p>\n<p>O presidente do Governo Aut\u00f4nomo de Bougainville, John Morris, recha\u00e7ou publicamente o informe e suas conclus\u00f5es, alegando que existe apoio majorit\u00e1rio \u00e0 mina, se forem evitadas as consequ\u00eancias negativas. Morris tem o apoio de associa\u00e7\u00f5es de propriet\u00e1rios de terras que integram, junto com a BCL e o governo de Papua Nova Guin\u00e9, o Comit\u00ea de Coordena\u00e7\u00e3o Conjunta de Negocia\u00e7\u00f5es de Panguna.<\/p>\n<p>A mina de cobre abriu quando este pa\u00eds, que ocupa metade da ilha de Nova Guin\u00e9, estava sob administra\u00e7\u00e3o australiana e gerava cerca de US$ 2 bilh\u00f5es de renda, dos quais 94% eram destinados aos acionistas e ao governo administrador e 1,4% aos propriet\u00e1rios de terra locais. A hostilidade e a oposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o local \u00e0 mina, manifestada desde a fase de prospec\u00e7\u00e3o, se exacerbou quando a devasta\u00e7\u00e3o ambiental, a contamina\u00e7\u00e3o do ar e os res\u00edduos da mina, que contaminaram terras agr\u00edcolas e o rio Jaba que corre pr\u00f3ximo, afetaram sua sa\u00fade, bem como a seguran\u00e7a alimentar e a \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cPlantamos taro (um tub\u00e9rculo), mas j\u00e1 n\u00e3o crescia como antes, e as \u00e1rvores de fruta-p\u00e3o n\u00e3o deram frutos. Em Panguna os produtos qu\u00edmicos continuam ali, no rio. Ningu\u00e9m bebe a \u00e1gua e n\u00e3o h\u00e1 peixes\u201d, contou Ona. Quando a BCL se negou a pagar aos propriet\u00e1rios de terras uma indeniza\u00e7\u00e3o de US$ 3,9 bilh\u00f5es, em 1989, come\u00e7ou uma guerra civil que durou dez anos entre as for\u00e7as revolucion\u00e1rias de Bougainville e as for\u00e7as armadas de Papua Nova Guin\u00e9, com a posterior destrui\u00e7\u00e3o generalizada da ilha e um n\u00famero de mortos que pode ter chegado a 20 mil.<\/p>\n<p>As iniciativas de paz, com apoio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e de doadores internacionais, est\u00e3o em curso desde o tratado de paz de 2001, mas os moradores com trauma p\u00f3s-conflito continuam em grande parte sem receber tratamento, e o desarmamento e a reconcilia\u00e7\u00e3o continuam inconclusos. Uma maioria dos entrevistados pelo estudo se preocupa com os problemas relacionados com a mina e o conflito, que n\u00e3o foram abordados, e a falta de justi\u00e7a no processo de paz.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m foi levado perante um tribunal. O tema foi ignorado, apesar de sua gravidade\u201d, destacou uma mulher da aldeia de Darenai. A reabertura da mina \u00e9 imprescind\u00edvel para gerar suficiente renda p\u00fablica para \u201cavan\u00e7ar para a autonomia e nossa op\u00e7\u00e3o pela independ\u00eancia\u201d, disse Morris em um discurso na C\u00e2mara de Representantes de Bougainville, em agosto. Um referendo sobre a independ\u00eancia de Bougainville est\u00e1 previsto para acontecer nos pr\u00f3ximos seis anos.<\/p>\n<p>A BCL calcula que Panguna cont\u00e9m mais de tr\u00eas milh\u00f5es de toneladas em reservas de cobre e que poderia produzir 400 mil on\u00e7as de ouro por ano. Sua reabertura exigir\u00e1 investimento de US$ 5 bilh\u00f5es, com renda potencial estimada em mais de US$ 50 bilh\u00f5es. Desde 2010, o governo de Bougainville fez consultas aos propriet\u00e1rios de terras e f\u00f3runs em toda a ilha para avaliar a opini\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, alegando que estes aprovaram a minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Treze dos 65 participantes do estudo da Jubilee disseram que apoiariam a ind\u00fastria extrativa somente se primeiro forem cumpridas certas condi\u00e7\u00f5es: independ\u00eancia de Bougainville, a fim de minimizar a interfer\u00eancia estrangeira, indeniza\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de outras vias de desenvolvimento econ\u00f4mico, como a agricultura. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Sydney, Austr&aacute;lia, 29\/10\/2014 &ndash; A viabilidade da reabertura da controvertida mina de cobre Panguna, nas montanhas de Bougainville Central, uma regi&atilde;o aut&ocirc;noma no leste de Papua Nova Guin&eacute;, &eacute; objeto de discuss&atilde;o entre dirigentes pol&iacute;ticos locais e interesses mineiros estrangeiros h&aacute; quatro anos. 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