{"id":18059,"date":"2014-10-31T14:07:07","date_gmt":"2014-10-31T14:07:07","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=124110"},"modified":"2014-10-31T14:07:07","modified_gmt":"2014-10-31T14:07:07","slug":"hidrocarbonos-sem-controles-ambientais-pessima-mistura-para-a-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/10\/ultimas-noticias\/hidrocarbonos-sem-controles-ambientais-pessima-mistura-para-a-africa\/","title":{"rendered":"Hidrocarbonos sem controles ambientais, p\u00e9ssima mistura para a \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_124112\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/UGAS.jpg\"><img class=\"wp-image-124112\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/UGAS.jpg\" alt=\"UGAS Hidrocarbonos sem controles ambientais, p\u00e9ssima mistura para a \u00c1frica\" width=\"529\" height=\"323\" title=\"Hidrocarbonos sem controles ambientais, p\u00e9ssima mistura para a \u00c1frica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Calcula-se que Uganda tenha reservas equivalentes a US$ 2 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo. Os especialistas ambientais temem que para muitos pa\u00edses africanos falte a capacidade para explorar os hidrocarbonos com riscos m\u00ednimos para o ambiente. Foto: Wambi Michael\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, 31\/10\/2014 \u2013 Os economistas t\u00eam a esperan\u00e7a de que as recentes descobertas de importantes reservas de g\u00e1s natural e petr\u00f3leo em v\u00e1rios pa\u00edses africanos, entre eles Qu\u00eania, Tanz\u00e2nia e Uganda, ajudem o continente a expandir e diversificar sua economia, em grande parte agr\u00edcola. Mas ecologistas e especialistas em mudan\u00e7a clim\u00e1tica que est\u00e3o a favor das energias renov\u00e1veis recomendam que se pare a prospec\u00e7\u00e3o desses hidrocarbonos, temendo que para muitos pa\u00edses africanos falte capacidade para extra\u00ed-los com risco m\u00ednimo para o ambiente.<\/p>\n<p>As preocupa\u00e7\u00f5es ambientais n\u00e3o definem as pol\u00edticas econ\u00f4micas, afirmou \u00e0 IPS Hadley Becha, diretor da organiza\u00e7\u00e3o A\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, do Qu\u00eania. Embora o mundo esteja se afastando do consumo dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, \u201ca prospec\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s continuar\u00e3o\u201d, enquanto os recursos naturais da \u00c1frica, em particular esses hidrocarbonos, est\u00e3o sob controle das transnacionais, acrescentou.<\/p>\n<p>Como muitos especialistas, Becha acredita que os governos africanos seguir\u00e3o concedendo autoriza\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o a essas empresas porque a ind\u00fastria extrativista mostra grande potencial de gera\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>Segundo a KPMG Africa, uma rede de firmas de servi\u00e7os profissionais, at\u00e9 2012 haviam sido descobertas reservas de 124 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo no continente, com potencial adicional de cem bilh\u00f5es de barris no leito do mar. Em 2010, havia 16 pa\u00edses africanos exportadores de petr\u00f3leo, mas espera-se que ao menos cinco outros \u2013 Gana, Qu\u00eania, Mo\u00e7ambique, Tanz\u00e2nia e Uganda \u2013 se somem \u00e0 lista em breve.<\/p>\n<p>Mas o ecologista queniano Wilbur Otichillo considera que, devido \u00e0 mudan\u00e7a de atitude em rela\u00e7\u00e3o aos combust\u00edveis f\u00f3sseis, sobretudo nas sociedades do Norte industrial, \u201co petr\u00f3leo rec\u00e9m-descoberto continuar\u00e1 debaixo da terra. A maioria das empresas que receberam concess\u00f5es para realizar prospec\u00e7\u00e3o na \u00c1frica oriental \u00e9 ocidental\u201d. \u00c9 prov\u00e1vel que estas deem aten\u00e7\u00e3o aos defensores da energia limpa, \u201cespecialmente porque, seguramente, ser\u00e3o indenizadas pelos investimentos que fizeram na prospec\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mas, ao contr\u00e1rio do Egito, que tem pol\u00edticas espec\u00edficas de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) para a prospec\u00e7\u00e3o dos diferentes hidrocarbonos, muitos pa\u00edses africanos, entre eles o Qu\u00eania, s\u00f3 t\u00eam uma classifica\u00e7\u00e3o de EIA, segundo Becha. O setor \u00e9 muito especializado e exige uma regulamenta\u00e7\u00e3o minuciosa e espec\u00edfica de impacto ambiental, acrescentou. Por exemplo, no Qu\u00eania a prospec\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s s\u00e3o regidas pela arcaica lei do petr\u00f3leo, de 1984, que foi parcialmente modificada em 2012. Essa lei \u201c\u00e9 fraca, sobretudo quanto aos pagamentos, e tamb\u00e9m mant\u00e9m sil\u00eancio sobre a gest\u00e3o do g\u00e1s\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Os especialistas alertam que os combust\u00edveis f\u00f3sseis ter\u00e3o um impacto importante nos padr\u00f5es clim\u00e1ticos. O \u00faltimo informe do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC), publicado em setembro, considera prov\u00e1vel que a temperatura suba de maneira consider\u00e1vel na \u00c1frica. Segundo Becha, \u201cdeveria haver regras espec\u00edficas\u201d para prospec\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, transporte, armazenamento e comercializa\u00e7\u00e3o dos diversos produtos, refino e processamento dos hidrocarbonos em produtos utiliz\u00e1veis, como a gasolina.<\/p>\n<p>O diretor da Funda\u00e7\u00e3o \u00c1frica Verde, John Kioli, disse \u00e0 IPS que o Qu\u00eania se comprometeu a adotar tecnologia com menos emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono, um dos gases que provocam o efeito estufa que aquece o planeta. \u201cPor exemplo, o carv\u00e3o ser\u00e1 extra\u00eddo sob a terra e n\u00e3o a c\u00e9u aberto\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Kioli, o ide\u00f3logo por tr\u00e1s da lei de Autoridade da Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica 2012 do Qu\u00eania, destacou a necessidade de abordar a quest\u00e3o da governan\u00e7a e da legisla\u00e7\u00e3o na \u00c1frica. Embora o continente tenha se comprometido a adotar medidas de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, \u201ccarece dos recursos necess\u00e1rios. A \u00c1frica n\u00e3o pode continuar se socorrendo do leste e oeste por estes recursos de forma indefinida\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O governo do Qu\u00eania calcula que o Plano Nacional de A\u00e7\u00e3o Contra a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (2013-2017) exigir\u00e1 investimento de US$ 12,76 bilh\u00f5es, equivalentes a todo o or\u00e7amento nacional para este ano. Mas Danson Mwangangi, economista e pesquisador da \u00c1frica oriental, apontou \u00e0 IPS que, para alcan\u00e7ar o crescimento e o desenvolvimento, e dessa forma reduzir a pobreza, o continente \u201cter\u00e1 que explorar os combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses industrializados s\u00e3o respons\u00e1veis por uma grande parte das emiss\u00f5es de gases-estufa e a \u00c1frica \u201ctamb\u00e9m deve ter sua parte justa\u201d dessas emiss\u00f5es, \u201cmas em um prazo determinado. N\u00e3o indefinidamente\u201d, disse Myangani. \u201cEm compara\u00e7\u00e3o com problemas mais graves, como a luta contra diversas doen\u00e7as, n\u00e3o se dar\u00e1 prioridade aos projetos de mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Embora continue a busca por petr\u00f3leo e g\u00e1s na \u00c1frica, Becha pontuou que os ganhos ser\u00e3o de curto prazo e que \u00e9 improv\u00e1vel que reativem a economia. \u201cNo petr\u00f3leo e no g\u00e1s n\u00e3o se trata s\u00f3 das autoriza\u00e7\u00f5es para explora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de quest\u00f5es de impostos\u201d, observou Myangani. Diante da aus\u00eancia de impostos sobre ganhos de capital, como no caso do Qu\u00eania e de outros pa\u00edses africanos, \u201co governo perder\u00e1 muita renda diante das empresas de prospec\u00e7\u00e3o que atuam como intermedi\u00e1rias\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses africanos dever\u00e3o criar um fundo solvente para armazenar a renda dos hidrocarbonos a fim de estabilizar a economia. \u201cO petr\u00f3leo pode inflar os pre\u00e7os de certos produtos b\u00e1sicos, da\u00ed a necessidade de controlar os aumentos repentinos da infla\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Myangani. Gana \u00e9 um dos poucos pa\u00edses africanos com um imposto sobre os ganhos de capital e um fundo solvente. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 31\/10\/2014 &ndash; Os economistas t&ecirc;m a esperan&ccedil;a de que as recentes descobertas de importantes reservas de g&aacute;s natural e petr&oacute;leo em v&aacute;rios pa&iacute;ses africanos, entre eles Qu&ecirc;nia, Tanz&acirc;nia e Uganda, ajudem o continente a expandir e diversificar sua economia, em grande parte agr&iacute;cola. 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