{"id":18070,"date":"2014-11-04T14:10:30","date_gmt":"2014-11-04T14:10:30","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=124256"},"modified":"2014-11-04T14:10:30","modified_gmt":"2014-11-04T14:10:30","slug":"mocambique-enfrenta-o-duplo-problema-do-papiloma-e-do-hiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/mocambique-enfrenta-o-duplo-problema-do-papiloma-e-do-hiv\/","title":{"rendered":"Mo\u00e7ambique enfrenta o duplo problema do papiloma e do HIV"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_124258\" style=\"width: 549px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/mozambique.jpg\"><img class=\"wp-image-124258\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/mozambique.jpg\" alt=\"mozambique Mo\u00e7ambique enfrenta o duplo problema do papiloma e do HIV\" width=\"539\" height=\"425\" title=\"Mo\u00e7ambique enfrenta o duplo problema do papiloma e do HIV\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Este ano, Mo\u00e7ambique vacinou 8.500 meninas de dez anos contra o v\u00edrus do papiloma humano (HPV), causador do c\u00e2ncer de colo de \u00fatero. A imuniza\u00e7\u00e3o se estender\u00e1 gradualmente a todo o pa\u00eds. Foto: Mercedes Sayagues\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Maputo, Mo\u00e7ambique, 4\/11\/2014 \u2013 A mo\u00e7ambicana do leito 27, do setor de oncologia do Hospital Central de Maputo, n\u00e3o tem ideia da sorte que teve. Em janeiro, quando sentiu dores abdominais, o farmac\u00eautico lhe recomendou analg\u00e9sicos. Durante meses, \u201ca dor passava e voltava\u201d, contou \u00e0 IPS. Em abril fez uma consulta m\u00e9dica na cl\u00ednica de Matola, a 15 quil\u00f4metros da capital de Mo\u00e7ambique. As enfermeiras haviam conclu\u00eddo h\u00e1 pouco uma capacita\u00e7\u00e3o para detectar c\u00e2ncer de colo de \u00fatero. E encontraram nela um tumor invasivo e a enviaram ao Hospital Central de Maputo (HCM), e h\u00e1 dois meses come\u00e7ou a receber quimioterapia.<\/p>\n<p>Quando a IPS a conheceu, havia terminado h\u00e1 pouco o terceiro m\u00eas de tratamento. Os m\u00e9dicos estavam otimistas. Ela se salvou gra\u00e7as a uma inova\u00e7\u00e3o introduzida nesse pa\u00eds: exames cl\u00ednicos de rotina nos centros de sa\u00fade para detectar o c\u00e2ncer de colo de \u00fatero. \u201cAs mulheres buscam ajuda quando sentem dor, e a dor significa c\u00e2ncer em uma fase avan\u00e7ada\u201d, explicou a enfermeira Mafalda Chissano. \u201cMas se v\u00e3o ao ginecologista e fazem um teste de papanicolau demoram meses, al\u00e9m do tempo e do custo do transporte. Ent\u00e3o j\u00e1 \u00e9 muito tarde\u201d, observou.<\/p>\n<p>Mo\u00e7ambique tem a maior mortalidade e risco acumulado de c\u00e2ncer de colo de \u00fatero: sete em cada cem rec\u00e9m-nascidas podem desenvolver c\u00e2ncer e cinco morreriam em consequ\u00eancia. Al\u00e9m disso, \u00e9 o segundo pa\u00eds em incid\u00eancia dessa doen\u00e7a, depois do Malawi, segundo a coaliz\u00e3o \u00c1frica para a Sa\u00fade Materna, Infantil e de Rec\u00e9m-Nascidos.<\/p>\n<p>A cada ano, 5.600 mulheres s\u00e3o diagnosticadas com c\u00e2ncer de colo de \u00fatero, das quais quatro mil morrem, resultando em 11 por dia. N\u00e3o h\u00e1 radioterapia paliativa e \u00e9 uma morte dolorosa. Esses n\u00fameros correspondem aos falecimentos registrados. Mas s\u00f3 metade dos mo\u00e7ambicanos tem acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade, por isso estima-se que morrem muitas sem diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>O problema se agrava pela alta preval\u00eancia do v\u00edrus HIV, causador da aids, em um pa\u00eds onde um em cada dez habitantes \u00e9 portador. As mulheres soropositivas t\u00eam maior risco de desenvolver c\u00e2ncer de colo de \u00fatero e a uma velocidade letal. \u201cQuanto mais fraco \u00e9 o sistema imunol\u00f3gico, mais r\u00e1pido avan\u00e7a o c\u00e2ncer de colo de \u00fatero\u201d, segundo o m\u00e9dico Amir Modan, do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA) em Maputo.<\/p>\n<p>Chissano, que trabalha com a organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF) em Alto Ma\u00e9, uma cl\u00ednica estatal de Maputo, onde a preval\u00eancia do HIV \u00e9 de 20%, afirmou que uma em cada tr\u00eas mulheres soropositivas tem les\u00f5es pr\u00e9-cancerosas ou c\u00e2ncer de colo uterino. O c\u00e2ncer de colo de \u00fatero \u00e9 o mais frequente entre mo\u00e7ambicanas com idades de 15 a 44 anos, acrescentou Modan.<\/p>\n<p>As autoridades sanit\u00e1rias enfrentam o problema com campanha de informa\u00e7\u00e3o e instaura\u00e7\u00e3o de exames cl\u00ednicos de rotina nos servi\u00e7os de planejamento familiar. J\u00e1 foram capacitadas cerca de mil enfermeiras, detalhou a doutora Aventina Cardoso, assessora da organiza\u00e7\u00e3o Jhpiego. \u201cMas a demanda e as necessidades superam nossos recursos\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Os dados da Jhpiego indicam que 10% das mulheres que fizeram exames cl\u00ednicos tinham les\u00f5es pr\u00e9-cancerosas e 5% desenvolveram a enfermidade. Uma das causas do c\u00e2ncer de colo de \u00fatero \u00e9 o v\u00edrus do papiloma humano (HPV), de transmiss\u00e3o sexual. \u00c9 comum e muita gente \u00e9 portadora, mas muitas vezes permanece latente. Dos 40 tipos existentes, alguns s\u00e3o resolvidos de forma espont\u00e2nea, alguns causam verrugas genitais e outros c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Os fatores de risco do c\u00e2ncer de colo de \u00fatero incluem HIV, inicia\u00e7\u00e3o sexual precoce, doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis, m\u00faltiplos parceiros sexuais, uso prolongado de anticoncepcionais, tabagismo e antecedentes familiares de c\u00e2ncer. As infec\u00e7\u00f5es pelo HPV duplicam o risco de contamina\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus da aids, e este, por sua vez, acelera o avan\u00e7o do c\u00e2ncer de colo de \u00fatero. Outro fator de risco \u00e9 o n\u00e3o uso de preservativos. Menos de um quarto das pessoas usa camisinha nas rela\u00e7\u00f5es sexuais de risco, pontuou Modan, o que aumenta a exposi\u00e7\u00e3o ao HPV e HIV.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa demogr\u00e1fica de 2011, uma em cada tr\u00eas mulheres teve a primeira rela\u00e7\u00e3o sexual antes dos 15 anos. A paciente do leito 27, que agora tem 52 anos, se casou aos 15 e teve sete filhos. As mulheres que chegam ao setor oncol\u00f3gico do HCM \u201ct\u00eam muito medo\u201d, disse Layne Heller, volunt\u00e1ria crist\u00e3 do hospital. \u201cEm seus povoados natais existe a cren\u00e7a de que v\u00eam para morrer e t\u00eam pavor\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Um estudo, realizado por Cardoso na prov\u00edncia de Zambezia, em 2010, mostra que metade das mulheres entrevistadas associavam o c\u00e2ncer de colo de \u00fatero com promiscuidade e 42% com bruxaria. Havia algo de certo quanto a morrerem, mas, gra\u00e7as \u00e0 campanha lan\u00e7ada em 2013, a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a mudar.<\/p>\n<p>A iniciativa, lan\u00e7ada pela ex-primeira-dama, Maria da Luz Guebuza, saturou a m\u00eddia e todos os acontecimentos culturais, do dia das m\u00e3es aos desfiles de moda. \u00c9 fundamental refor\u00e7ar o conceito de preven\u00e7\u00e3o em sa\u00fade, assinalou Cardoso. \u201cN\u00e3o faz parte de nossa cultura\u201d, reconheceu. \u201cS\u00f3 vamos ao hospital quando estamos doentes. Isso muda lentamente, na medida em que as pessoas se d\u00e3o conta da import\u00e2ncia de prevenir\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><strong>A preven\u00e7\u00e3o salva vidas<\/strong><\/p>\n<p>Este ano, em tr\u00eas distritos no sul, centro e norte de Mo\u00e7ambique, foram vacinadas 8.500 meninas de dez anos contra o HPV em um projeto-piloto. A vacina \u00e9 administrada antes do in\u00edcio da atividade sexual, quando podem ficar expostas ao v\u00edrus. A terceira dose ser\u00e1 aplicada este m\u00eas, informou \u00e0 IPS a m\u00e9dica Khatia Munguambe, do Centro de Pesquisa em Sa\u00fade de Manhi\u00e7a.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 ampliar o n\u00famero de meninas imunizadas. Em 2015, ser\u00e3o vacinadas todas as nascidas em 2005, em Manhi\u00e7a e Vila de Manhi\u00e7a, no sul, e em Mocimboa da Praia, no norte.<\/p>\n<p>A Jhpiego capacita enfermeiras e m\u00e9dicos para realizarem os exames cl\u00ednicos com uma t\u00e9cnica inovadora, a inspe\u00e7\u00e3o visual com \u00e1cido ac\u00e9tico. Antes se detectava o c\u00e2ncer de colo de \u00fatero com um exame de papanicolau ou citologia do colo uterino, que exigia pessoal especializado e caras an\u00e1lises de laborat\u00f3rio, que demoravam semanas por falta de t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p>Com a nova t\u00e9cnica, as enfermeiras passam acido ac\u00e9tico ou vinagre branco no colo do \u00fatero e os tecidos lesionados ficam brancos. Elas est\u00e3o treinadas para retir\u00e1-lo mediante criocirurgia e pedir uma bi\u00f3psia e enviar a paciente ao m\u00e9dico. \u00c9 f\u00e1cil, r\u00e1pido e barato. A detec\u00e7\u00e3o e o tratamento acontecem na mesma visita. Em contextos rurais e pobres, isso faz a diferen\u00e7a. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><strong>Dados b\u00e1sicos sobre o c\u00e2ncer de colo de \u00fatero em Mo\u00e7ambique<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>7,3 milh\u00f5es de mulheres maiores de 15 anos podem contrair o HPV.<\/li>\n<li>820 mil mulheres portadoras de HIV t\u00eam um alto risco de contrair a enfermidade.<\/li>\n<li>5,6 mil mulheres recebem anualmente um diagn\u00f3stico positivo para c\u00e2ncer de colo de \u00fatero.<\/li>\n<li>4 mil mulheres morrem por ano devido a essa doen\u00e7a.<\/li>\n<li>Uma em cada tr\u00eas mulheres \u00e9 portadora do HPV.<\/li>\n<\/ul>\n<p><em>Fontes: Onusida, OMS, CISM, Jhpiego.<\/em><\/p>\n<p>Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Maputo, Mo&ccedil;ambique, 4\/11\/2014 &ndash; A mo&ccedil;ambicana do leito 27, do setor de oncologia do Hospital Central de Maputo, n&atilde;o tem ideia da sorte que teve. Em janeiro, quando sentiu dores abdominais, o farmac&ecirc;utico lhe recomendou analg&eacute;sicos. 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