{"id":18071,"date":"2014-11-05T14:45:17","date_gmt":"2014-11-05T14:45:17","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=124356"},"modified":"2014-11-05T14:45:17","modified_gmt":"2014-11-05T14:45:17","slug":"jornalistas-silenciados-enquanto-seus-assassinos-seguem-livres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/jornalistas-silenciados-enquanto-seus-assassinos-seguem-livres\/","title":{"rendered":"Jornalistas silenciados enquanto seus assassinos seguem livres"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_124358\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/periodismo.jpg\"><img class=\"wp-image-124358\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/periodismo.jpg\" alt=\"periodismo Jornalistas silenciados enquanto seus assassinos seguem livres\" width=\"529\" height=\"357\" title=\"Jornalistas silenciados enquanto seus assassinos seguem livres\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Cortejo f\u00fanebre do rep\u00f3rter cinematogr\u00e1fico da ag\u00eancia Reuters, Fadel Shana, no territ\u00f3rio palestino de Gaza. O jornalista foi assassinado por um tanque da For\u00e7a de Defesa de Israel em abril de 2008, porque, segundo testemunhas, filmou os blindados disparando. A investiga\u00e7\u00e3o das autoridades israelenses n\u00e3o levou a nenhuma a\u00e7\u00e3o disciplinar. Foto: Mohammed Omer\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 5\/11\/2014 \u2013 Nove em cada dez casos de jornalistas assassinados ficam impunes, segundo o \u00faltimo informe do Comit\u00ea para a Prote\u00e7\u00e3o de Jornalistas (CPJ). Sua autora, Elisabeth Witchel, afirmou \u00e0 IPS que \u201ca impunidade se converteu em uma das maiores amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a dos jornalistas. Quando um rep\u00f3rter \u00e9 assassinado e n\u00e3o h\u00e1 um processo judicial abre-se a porta para novos ataques.<\/p>\n<p>Segundo o informe, 370 jornalistas morreram assassinados entre 2004 e 2013 \u201cem repres\u00e1lia direta por seu trabalho\u201d e que 90% dos casos ficaram impunes, \u201csem deten\u00e7\u00f5es, nem processos, nem condena\u00e7\u00f5es\u201d. O CPJ tamb\u00e9m afirma que \u201cembora em alguns casos o assassino ou seu c\u00famplice tenha sido condenado, apenas em uns poucos o autor intelectual compareceu perante a justi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se trata de uma hist\u00f3ria nem de um s\u00f3 jornalista assassinado, \u00e9 toda a comunidade que se sente intimidada\u201d, ressaltou Witchel. \u201cOs jornalistas se sentem inseguros se assassinam um dos seus e n\u00e3o h\u00e1 uma justi\u00e7a oficial. Constr\u00f3i-se um clima de intimida\u00e7\u00e3o que pode levar a n\u00e3o se cobrir mais temas importantes\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Witchel ressaltou que os temas cobertos pelos profissionais assassinados com impunidade eram fundamentais para suas comunidades e iam da criminalidade e corrup\u00e7\u00e3o, passando pelos direitos humanos at\u00e9 conflitos e pol\u00edtica. O CPJ publicou o informe por ocasi\u00e3o do Dia Internacional para Acabar com a Impunidade dos Crimes Contra os Jornalistas, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), celebrado pela primeira vez no dia 3.<\/p>\n<p>O jornalista investigativo Eric Mwamba, da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC), contou \u00e0 IPS como o temor de ser detido, torturado e perder a vida afetaram seu trabalho. \u201cPelo que sei, nenhum dos respons\u00e1veis por atos de viol\u00eancia contra jornalistas na \u00c1frica foi acusado\u201d, afirmou As leis contra a difama\u00e7\u00e3o e a no\u00e7\u00e3o amb\u00edgua de desprezo tamb\u00e9m serviram para que a justi\u00e7a congolesa tratasse de amorda\u00e7ar a imprensa, acrescentou.<\/p>\n<p>O fato impactou especialmente os trabalhos de cobertura da economia, apontou Mwamba. Devido \u00e0 estreita rela\u00e7\u00e3o entre interesses privados e p\u00fablicos na RDC, os funcion\u00e1rios estatais tamb\u00e9m s\u00e3o empres\u00e1rios de empresas investigadas, ressaltou. \u201cEnquanto fui presidente do F\u00f3rum Africano de Rep\u00f3rteres Investigativos, estudei alguns casos. Lembro do de Didace Namujimbo, jornalista da R\u00e1dio Okapi, assassinado no leste da RDC. As investiga\u00e7\u00f5es judiciais, infelizmente n\u00e3o chegaram a nenhum resultado\u201d, contou.<\/p>\n<p>\u201cEspero que com a queda do regime do presidente Blaise Compaor\u00e9, em Burkina Faso, no come\u00e7o de outubro, as novas autoridades ajudem a revelar a verdade sobre o assassinato de Norbert Zongo, outro jornalista assassinado em 1988 nesse pa\u00eds\u201d, disse Mwamba, que teve que escapar da RDC por causa de suas investiga\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas. Tamb\u00e9m viveu e trabalhou em diferentes pa\u00edses e regi\u00f5es, desde a \u00c1frica ocidental at\u00e9 a Austr\u00e1lia. \u201cN\u00e3o creio que haja algo pior do que ser obrigado a abandonar seu pa\u00eds por medo de perder a vida\u201d, lamentou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Em um debate organizado na ONU no dia 3, o painel discutiu o papel deste f\u00f3rum mundial, dos governos nacionais, da justi\u00e7a e do p\u00fablico na luta contra a impunidade pelos crimes contra os profissionais da imprensa. A correspondente do canal de not\u00edcias Al-Arabiya, Nadia Bilbassy-Charters, que h\u00e1 pouco tempo informou sobre viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos perto da fronteira com a S\u00edria, se referiu aos enormes riscos que os jornalistas enfrentam no Oriente M\u00e9dio. Na verdade, dois em cada tr\u00eas rep\u00f3rteres assassinados nos \u00faltimos anos trabalhavam nessa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA S\u00edria \u00e9 um cemit\u00e9rio para a imprensa e os jornalistas\u201d, ressaltou Bilbassy-Charters, acrescentando que a maioria dos jornalistas assassinados nesse pa\u00eds s\u00e3o profissionais locais que trabalham por conta pr\u00f3pria e sem ningu\u00e9m que os proteja. \u201cAssumem um risco enorme s\u00f3 para dizer ao mundo o que est\u00e1 acontecendo. E mesmo com esse risco n\u00e3o sei se o mundo est\u00e1 respondendo, especialmente na S\u00edria. \u00c9 um fracasso moral do s\u00e9culo 21 o que acontece na S\u00edria\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>O diretor-geral adjunto da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), o et\u00edope Getachew Engida, declarou ao painel que a ag\u00eancia e organiza\u00e7\u00f5es defensoras dos meios de comunica\u00e7\u00e3o em todo o mundo defendem a incorpora\u00e7\u00e3o da liberdade de imprensa na agenda de desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cNo momento, a liberdade de express\u00e3o, a seguran\u00e7a dos jornalistas e o fim da impunidade n\u00e3o constam como tal da agenda proposta para p\u00f3s-2015\u201d, destacou Engida. A Unesco defende que deve-se \u201cgarantir que seja reconhecida a import\u00e2ncia da liberdade de express\u00e3o para o desenvolvimento sustent\u00e1vel e para melhorar a seguran\u00e7a dos que tornam isso poss\u00edvel\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cCada jornalista assassinado \u00e9 um dia sem not\u00edcias, um dia em que se atenta contra a liberdade de express\u00e3o, direitos humanos s\u00e3o violados, o direito e a democracia s\u00e3o debilitados. O clima de terror causado pela impunidade lan\u00e7a uma sombra sobre o desenvolvimento sustent\u00e1vel em todas as sociedades\u201d, destacou Engida.<\/p>\n<p>Joel Simon, diretor do CPJ e participante do painel, destacou que, \u201cno tocante \u00e0 viol\u00eancia real cometida contra jornalistas e o grau de impunidade, a tend\u00eancia avan\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o errada. De fato, os dois \u00faltimos anos foram os que deixaram mais mortes e os mais perigosos j\u00e1 documentados\u201d por esta organiza\u00e7\u00e3o, enfatizou. Nesse per\u00edodo foram registrados os n\u00fameros mais altos de jornalistas assassinados e detidos. \u201cO que me preocupa \u00e9 que os governos, o sistema da ONU e o p\u00fablico confundem consci\u00eancia, que \u00e9 bom, com progressos\u201d, alertou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 5\/11\/2014 &ndash; Nove em cada dez casos de jornalistas assassinados ficam impunes, segundo o &uacute;ltimo informe do Comit&ecirc; para a Prote&ccedil;&atilde;o de Jornalistas (CPJ). Sua autora, Elisabeth Witchel, afirmou &agrave; IPS que &ldquo;a impunidade se converteu em uma das maiores amea&ccedil;as &agrave; seguran&ccedil;a dos jornalistas. 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