{"id":18079,"date":"2014-11-07T13:51:18","date_gmt":"2014-11-07T13:51:18","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=124520"},"modified":"2014-11-07T13:51:18","modified_gmt":"2014-11-07T13:51:18","slug":"falhas-em-sistema-de-alerta-semeiam-tragedia-no-sri-lanka","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/falhas-em-sistema-de-alerta-semeiam-tragedia-no-sri-lanka\/","title":{"rendered":"Falhas em sistema de alerta semeiam trag\u00e9dia no Sri Lanka"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_124522\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/srilanka-chica.jpg\"><img class=\"wp-image-124522\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/srilanka-chica.jpg\" alt=\"srilanka chica Falhas em sistema de alerta semeiam trag\u00e9dia no Sri Lanka\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Falhas em sistema de alerta semeiam trag\u00e9dia no Sri Lanka\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Alde\u00f5es buscam sobreviventes nos escombros, pouco depois do deslizamento de terras ocorrido em 29 de outubro no Sri Lanka. Foto: Colaborador\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Colombo, Sri Lanka, 7\/11\/2014 \u2013 Quando falham os sistemas de alerta, a morte bate imediatamente \u00e0 porta de v\u00edtimas insuspeitas dos desastres naturais. Milh\u00f5es de cingaleses experimentaram essa realidade reiteradamente na \u00faltima d\u00e9cada, mas os respons\u00e1veis por prevenir mortes por essas causas continuam cometendo os mesmos erros.<\/p>\n<p>A mais recente dessas trag\u00e9dias, em consequ\u00eancia da ignor\u00e2ncia e indiferen\u00e7a diante do perigo iminente, aconteceu na manh\u00e3 do dia 29 de outubro, em Meeriyabedda, uma fazenda produtora de ch\u00e1 na montanhosa regi\u00e3o de Koslanda, 220 quil\u00f4metros a leste de Colombo. Depois de persistentes chuvas, dois quil\u00f4metros de ladeiras montanhosas desmoronaram no come\u00e7o da manh\u00e3, enterrando sob cerca de nove metros de lama 66 pequenas moradias de trabalhadores da \u00e1rea.<\/p>\n<p>Um informe inicial sobre a trag\u00e9dia, elaborado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), calcula que nessas casas havia cerca de 300 pessoas. Alguns haviam sa\u00eddo para trabalhar e a maioria das crian\u00e7as estava na escola quando ocorreu o desastre. Quatro dias depois, haviam sido encontrados quatro corpos e 34 pessoas estavam na lista de desaparecidos, n\u00fameros que levaram a uma revis\u00e3o da estimativa inicial, que falava em cem. Cerca de 1.800 pessoas ficaram sem teto e \u00e9 poss\u00edvel que a maioria delas jamais volte \u00e0s suas casas.<\/p>\n<p>Mas a terra n\u00e3o desceu ladeira abaixo sem uma advert\u00eancia. H\u00e1 quase uma d\u00e9cada, houve v\u00e1rios alertas de que essas casas eram uma armadilha mortal. Em 2005, a Organiza\u00e7\u00e3o Nacional de Investiga\u00e7\u00e3o sobre a Constru\u00e7\u00e3o (NBRO) fez um levantamento da \u00e1rea e emitiu seu primeiro alerta.<\/p>\n<p>\u201cConclu\u00edmos que a terra sobre a qual est\u00e3o constru\u00eddas as casas n\u00e3o \u00e9 est\u00e1vel e \u00e9 propensa a deslizamentos, e recomendamos reassent\u00e1-las\u201d, disse \u00e0 IPS o ge\u00f3logo N. K. R. Seneviratne, respons\u00e1vel da NBRO no distrito de Badulla e que liderou o estudo. De fato, alguns funcion\u00e1rios que trabalharam no local do deslizamento disseram que as 66 casas que ficaram completamente soterradas tinham sido claramente identificadas como sendo as que corriam maior perigo.<\/p>\n<p>Seis anos mais tarde, foi realizado outro levantamento, que apresentou as mesmas recomenda\u00e7\u00f5es. E foram pequenos deslizamentos que alertaram para a realiza\u00e7\u00e3o desses estudos. Nos dois casos, detalhou Seneviratne, foram transmitidas recomenda\u00e7\u00f5es aos alde\u00f5es, bem como a funcion\u00e1rios p\u00fablicos que n\u00e3o tomaram nenhuma medida para favorecer o reassentamento da popula\u00e7\u00e3o em perigo.<\/p>\n<p>Seneviratne afirmou que bem antes do mais recente deslizamento de terra, que ocorreu \u00e0s 7h10 da manh\u00e3, seu escrit\u00f3rio enviara um alerta \u00e0 Secretaria de Divis\u00e3o de Haldummulla, a autoridade p\u00fablica local. Embora tamb\u00e9m tenha sido informado a alguns alde\u00f5es sobre os riscos, a maioria deles decidiu ficar. \u201cHouve advert\u00eancias, mas todo esse processo de dissemina\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica fez com que chegasse apenas ao n\u00edvel da Secretaria de Divis\u00e3o\u201d, explicou a IPS Indu Abeyratne, gerente dos sistemas de alerta da Sociedade da Cruz Vermelha do Sri Lanka, que atualmente coordena os esfor\u00e7os de al\u00edvio no local.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios alde\u00f5es ignoraram os sinais. Em 2009, o Centro para o Manejo de Desastres, principal ag\u00eancia governamental encarregada dos alertas e da ajuda em caso de cat\u00e1strofe, junto com a NBRO e a Cruz Vermelha, fizeram um importante programa de conscientiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria na \u00e1rea de Koslanda.<\/p>\n<p>Os moradores foram aconselhados a formar grupos comunit\u00e1rios que atuassem como vigilantes, analisando sinais de perigo iminente e preparando planos de evacua\u00e7\u00e3o. Foram distribu\u00eddos megafones para os alde\u00f5es usarem para reunir multid\u00f5es em caso de emerg\u00eancia e a planta\u00e7\u00e3o de ch\u00e1 de Meeriyabedda recebeu um pluvi\u00f4metro simples para poderem observar os n\u00edveis das precipita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A NBRO tem seu pr\u00f3prio monitor de chuvas em uma escola pr\u00f3xima. Segundo a entidade, pelo menos 125 mil\u00edmetros de chuvas ca\u00edram da noite para a manh\u00e3 do dia 29 de outubro. Se houvesse aten\u00e7\u00e3o ao pluvi\u00f4metro da aldeia, se saberia que o solo estava molhando muito e ficando perigoso. Mas ningu\u00e9m viu as bandeiras vermelhas, e quando a terra cedeu com um barulho forte muitos estavam desprevenidos.<\/p>\n<p>\u201cA trag\u00e9dia real \u00e9 que houve muito tempo para sair dali. Os alertas diziam que assim o fizessem e indicavam os locais para onde poderiam ir\u201d, pontuou Abeyratne. Por que tantos ficaram quietos diante de semelhante perigo? Isso \u00e9 o que muitos que participam dos esfor\u00e7os de al\u00edvio tentam responder agora. Desde o desastre foram identificadas v\u00e1rias falhas no mecanismo de alerta.<\/p>\n<p>A principal culpada parece ser a falta de uma autoridade superior que se encarregasse dos alertas locais, da divulga\u00e7\u00e3o, das evacua\u00e7\u00f5es, o que resultou na aus\u00eancia de um plano de retirada treinado, apesar do perigo muito real de deslizamentos de terras na \u00e1rea. Shanthi Jayasekera, titular da Secretaria de Divis\u00e3o de Haldumulla, declarou aos jornalistas que, embora tenham sido emitidos alertas, n\u00e3o havia instru\u00e7\u00f5es claras sobre as evacua\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em outras partes do Sri Lanka, especialmente ao longo da costa devastada pelo tsunami de 26 de dezembro de 2004, havia planos ensaiados e provados de evacua\u00e7\u00e3o e alerta. H\u00e1 unidades do Centro para o Manejo de Desastres em cada um dos 25 distritos do pa\u00eds, dispersas sem suas nove prov\u00edncias, encarregadas de coordenar localmente esses esfor\u00e7os, enquanto a pol\u00edcia e as for\u00e7as armadas emitem os alertas e coordenam as evacua\u00e7\u00f5es em massa.<\/p>\n<p>A \u00faltima dessas evacua\u00e7\u00f5es aconteceu em abril de 2012, quando mais de um milh\u00e3o de pessoas abandonaram suas casas ao longo da costa ap\u00f3s um alerta de tsunami. O Centro realiza simula\u00e7\u00f5es de evacua\u00e7\u00e3o a cada tr\u00eas meses, mas nenhum parece ter coberto a \u00e1rea de Meeriyabedda. Menos de dez dias antes do deslizamento, em 23 de outubro, o Centro fez exerc\u00edcios de retirada em seis distritos, incluindo Badulla, mas lamentavelmente Meeriyabedda n\u00e3o esteve entre eles.<\/p>\n<p>\u201cAqui n\u00e3o houve nenhum plano desse tipo, ningu\u00e9m sabia para onde ir e como ir\u201d e, al\u00e9m disso, nenhuma autoridade assumiu a situa\u00e7\u00e3o, disse \u00e0 IPS o porta-voz do Centro, Sarath Lal Kumara. \u201cDever\u00edamos ter um plano de divulga\u00e7\u00e3o de alerta liderado por uma ag\u00eancia do governo, bem como um mapa de evacua\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou. Tais sistemas existem em outras partes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo Abeyratne, grupos de volunt\u00e1rios treinados pela Cruz Vermelha trabalham junto com o Centro e com entidades p\u00fablicas locais, bem como com a pol\u00edcia e as for\u00e7as armadas, durante as emerg\u00eancias. \u201c\u00c9 um sistema complexo, mas provado em tempo real (no Sri Lanka), e funciona\u201d, ressaltou. De fato, os volunt\u00e1rios da Cruz Vermelha estiveram entre os primeiros a chegarem \u00e0 \u00e1rea afetada pelo deslizamento de terra.<\/p>\n<p>Talvez uma das maiores lacunas no plano de manejo de desastres para a \u00e1rea tenha sido a de n\u00e3o considerar as condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas dos habitantes dos lugares propensos a deslizamentos. Kumara apontou \u00e0 IPS que a maioria dos moradores e das v\u00edtimas era de trabalhadores pobres que ganhavam magros sal\u00e1rios nas planta\u00e7\u00f5es de ch\u00e1 da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Seneviratne acrescentou que os trabalhadores do lugar eram de origem indiana, descendentes dos que h\u00e1 200 anos chegaram com os colonos brit\u00e2nicos para trabalhar nesses estabelecimentos. As moradias destru\u00eddas n\u00e3o eram realmente casas, mas uma dezena de blocos de um ambiente conhecido como \u201ccasas em linha\u201d. A maioria dos residentes desses locais vive dessa maneira h\u00e1 v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, e ganham a vida colhendo ch\u00e1, extraindo l\u00e1tex ou descascando canela. Dependem totalmente dos plantios.<\/p>\n<p>A empresa regional de planta\u00e7\u00f5es Maskeliya Plantations Limited \u00e9 dona da \u00e1rea em que aconteceu o deslizamento. Tr\u00eas dias depois da cat\u00e1strofe, as for\u00e7as armadas tiveram de intervir para impedir que os alde\u00f5es atacassem os funcion\u00e1rios da empresa.<\/p>\n<p>De todo modo, o Sri Lanka melhorou na sua prepara\u00e7\u00e3o contra desastres em uma d\u00e9cada, quando o tsunami deixou 35 mil mortos ou desaparecidos. Desde ent\u00e3o, segue em uma acentuada curva de aprendizagem sobre como enfrentar os desafios de frequentes eventos meteorol\u00f3gicos extremos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o que exige cuidadosa avalia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o solu\u00e7\u00f5es provis\u00f3rias\u201d, destacou Seneviratne. Abeyratne acrescentou que \u201ccada desastre \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o sobre o que se pode fazer melhor, sobre como salvar vidas\u201d. E se algu\u00e9m precisa de uma recorda\u00e7\u00e3o atroz sobre o quanto essas li\u00e7\u00f5es podem ser importantes, basta lan\u00e7ar o olhar para a ladeira de Meeriyabedda, ou melhor, para o que resta dela. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Colombo, Sri Lanka, 7\/11\/2014 &ndash; Quando falham os sistemas de alerta, a morte bate imediatamente &agrave; porta de v&iacute;timas insuspeitas dos desastres naturais. Milh&otilde;es de cingaleses experimentaram essa realidade reiteradamente na &uacute;ltima d&eacute;cada, mas os respons&aacute;veis por prevenir mortes por essas causas continuam cometendo os mesmos erros. A mais recente dessas trag&eacute;dias, em consequ&ecirc;ncia [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/falhas-em-sistema-de-alerta-semeiam-tragedia-no-sri-lanka\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1454,989,3178,2586,1380],"class_list":["post-18079","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-desastres-naturais","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips","tag-sistemas-de-alerta","tag-sri-lanka"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18079","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18079"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18079\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18079"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18079"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18079"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}