{"id":18081,"date":"2014-11-10T14:23:05","date_gmt":"2014-11-10T14:23:05","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=124621"},"modified":"2014-11-10T14:23:05","modified_gmt":"2014-11-10T14:23:05","slug":"mais-desigualdade-traz-mais-polarizacao-politica-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/mais-desigualdade-traz-mais-polarizacao-politica-no-brasil\/","title":{"rendered":"Mais desigualdade traz mais polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_124622\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/chica-brasil-una-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-124622\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/chica-brasil-una-629x472.jpg\" alt=\"chica brasil una 629x472 Mais desigualdade traz mais polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil\" width=\"580\" height=\"435\" title=\"Mais desigualdade traz mais polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Obras do complexo industrial do Porto de Suape, em Pernambuco, onde operam cerca de 200 empresas de diversos setores. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 10\/11\/2014 \u2013 \u201cSe fosse hoje ficaria l\u00e1, n\u00e3o viria procurar trabalho aqui\u201d, afirmou Josefa Gomes, que h\u00e1 30 anos migrou de Serra Redonda, pequena localidade do Nordeste brasileiro, para a cidade do Rio de Janeiro, a 2.400 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Josefa disse isso ap\u00f3s comprovar as mudan\u00e7as em sua pequena cidade natal, de sete mil habitantes, durante suas visitas a familiares nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>\u201cTudo mudou. Agora as pessoas t\u00eam luz, h\u00e1 trabalho nas f\u00e1bricas de farinha e de sapatos ou em cooperativas agr\u00edcolas\u201d, disse Gomes \u00e0 IPS. Al\u00e9m disso, as estradas asfaltadas e os \u00f4nibus frequentes permitem ir em 40 minutos at\u00e9 Campina Grande, cidade pr\u00f3xima de 400 mil habitantes. \u201cAntes demorava mais de uma hora\u201d, recordou.<\/p>\n<p>A economia do Nordeste, a regi\u00e3o mais pobre do Brasil, cresce, desde a d\u00e9cada passada, num ritmo muito superior \u00e0 m\u00e9dia nacional, que \u00e9 de paralisia desde 2012, pela falta de impulso no motor tradicional brasileiro: o Sul. O Estado de S\u00e3o Paulo est\u00e1 em recess\u00e3o e em 2011 seu produto industrial significou 31,3% do total nacional, frente a 38% nos dez anos anteriores, segundo estudo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria, divulgado no dia 6 de outubro. Os 7,7 pontos percentuais se distribu\u00edram por outros Estados, inclu\u00eddos os nove do Nordeste.<\/p>\n<p>Essa tend\u00eancia se agravou desde o ano passado por uma crise industrial cujo epicentro est\u00e1 em S\u00e3o Paulo. A produ\u00e7\u00e3o industrial do Brasil caiu 2,9% nos nove primeiros meses deste ano, em compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo de 2013. A descentraliza\u00e7\u00e3o industrial une-se a outros fatores para reduzir as desigualdades econ\u00f4micas entre as regi\u00f5es brasileiras, em preju\u00edzo dos centros tradicionais da industrializa\u00e7\u00e3o deste pa\u00eds de 200 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>A dicotomia na geografia econ\u00f4mica alimentou o oposto comportamento dos eleitores nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Dilma Rousseff foi reeleita com 71,7% dos votos v\u00e1lidos do Nordeste, no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es, em 26 de outubro. Mas uma ampla maioria opositora em S\u00e3o Paulo amea\u00e7ou sua vit\u00f3ria, com 64,3% de seus eleitores votando em A\u00e9cio Neves.<\/p>\n<p>Essa \u201cdivis\u00e3o\u201d eleitoral do Brasil, polarizada nessa ocasi\u00e3o, costuma ser atribu\u00edda aos programas sociais, especialmente o Bolsa Fam\u00edlia, que tiraram da pobreza cerca de 36 milh\u00f5es de brasileiros durante os governos do Partido dos Trabalhadores (PT), presididos por Luiz In\u00e1cio Lula da Silva entre 2003 e 2010, e por Dilma desde 2011.<\/p>\n<div id=\"attachment_124623\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/chica-brasil-dos.jpg\"><img class=\"wp-image-124623\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/chica-brasil-dos.jpg\" alt=\"chica brasil dos Mais desigualdade traz mais polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil\" width=\"580\" height=\"435\" title=\"Mais desigualdade traz mais polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Assentamento rural no Estado de Pernambuco, com cisternas para recolher, armazenar e tornar pot\u00e1vel a \u00e1gua da chuva, que fazem parte das pequenas obras comunit\u00e1rias que proliferam na regi\u00e3o. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Nordeste desfruta de um din\u00e2mico processo econ\u00f4mico que vai reduzindo sua desigualdade com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s regi\u00f5es mais desenvolvidas, o Sul e o Sudeste. O progresso alcan\u00e7ado e a expectativa de novos avan\u00e7os consolidaram a ades\u00e3o \u00e0 presidente Dilma. O Bolsa Fam\u00edlia proporciona ao Nordeste cerca de US$ 440 milh\u00f5es mensais, pagos a 6,5 milh\u00f5es de fam\u00edlias, quase a metade de todo o pa\u00eds. Mas isso \u00e9 s\u00f3 um sexto do que recebem os 8,8 milh\u00f5es de aposentados e pensionistas da regi\u00e3o, detalhou \u00e0 IPS o economista C\u00edcero P\u00e9ricles de Carvalho.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, das cinco regi\u00f5es brasileiras, o Nordeste foi a que gerou mais empregos formais nos \u00faltimos anos. Atualmente h\u00e1 cerca de nove milh\u00f5es de trabalhadores com contrato de trabalho, o dobro dos que existiam no come\u00e7o deste s\u00e9culo, acrescentou Carvalho. \u201cS\u00f3 o setor da constru\u00e7\u00e3o aumentou seus empregados formais de 195 mil em 2003 para 650 mil hoje em dia\u201d, ressaltou o economista.<\/p>\n<p>A maior formalidade significa melhores sal\u00e1rios, com aumentos adicionais devidos \u00e0 pol\u00edtica de eleva\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo adotada por Lula e Dilma, al\u00e9m do acesso a cr\u00e9dito banc\u00e1rio. Tudo isso multiplica a capacidade de consumo. \u201cEsse conjunto de renda adicional, mais as bolsas, as aposentadorias, duplicadas entre 2003 e 2014, e os novos empregos, geraram uma demanda infernal, porque seus benefici\u00e1rios n\u00e3o economizam, destinam tudo ao consumo\u201d, pontuou Carvalho, professor da Universidade Federal de Alagoas, pequeno Estado nordestino.<\/p>\n<p>O consumo promoveu uma expans\u00e3o do com\u00e9rcio, que alimentou a instala\u00e7\u00e3o de redes de supermercados e de novas ind\u00fastrias para atender a nova demanda, como f\u00e1bricas de materiais de constru\u00e7\u00e3o, de vestu\u00e1rio ou de alimentos. Outra contribui\u00e7\u00e3o veio do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), implantado em 2007 para impulsionar diversas infraestruturas, de pequenas obras comunit\u00e1rias a outras gigantescas, como a transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco, com 700 quil\u00f4metros de canais e t\u00faneis para levar \u00e1gua a 12 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>\u201cEssa din\u00e2mica inesperada gera desenvolvimento econ\u00f4mico e tamb\u00e9m inclus\u00e3o social, com ganhos sociais que n\u00e3o se limitam \u00e0 renda\u201d, como a dissemina\u00e7\u00e3o da eletricidade pelo programa Luz para Todos, ou a amplia\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, apontou Carvalho. Contudo, o n\u00edvel de vida do Nordeste ainda est\u00e1 muito longe da m\u00e9dia nacional e a diferen\u00e7a diminui lentamente, inclusive porque o crescimento de sua economia se concentra na zona costeira, ressaltou.<\/p>\n<p>O processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o que o Brasil vive tamb\u00e9m afeta o Nordeste, por\u00e9m mais suavemente do que em S\u00e3o Paulo e com melhores perspectivas futuras, afirmou \u00e0 IPS outro economista local, Jo\u00e3o Policarpo Lima, da Universidade Federal de Pernambuco. H\u00e1 grandes projetos que v\u00e3o acelerar a expans\u00e3o industrial quando come\u00e7arem a produzir, explicou. Entre eles uma refinaria, uma unidade petroqu\u00edmica e a maior montadora de autom\u00f3veis do mundo, da Fiat, que \u00e9 constru\u00edda em Pernambuco, o Estado de maior crescimento nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Grandes empresas se instalaram em dois complexos portu\u00e1rio-industriais: Suape, no Estado de Pernambuco, e Pec\u00e9m, no vizinho Estado do Cear\u00e1. Suape j\u00e1 atraiu mais de cem empresas, inclu\u00eddos um grande estaleiro e o maior moinho de trigo da Am\u00e9rica Latina, al\u00e9m de uma refinaria e uma petroqu\u00edmica.<\/p>\n<p>Enquanto isso, em S\u00e3o Paulo a maci\u00e7a vota\u00e7\u00e3o opositora e a agressiva rejei\u00e7\u00e3o ao PT relaciona Lula e Dilma com as perdas econ\u00f4micas. Em protestos antes e depois das elei\u00e7\u00f5es na capital paulista, os manifestantes gritaram palavras de ordem de crescente \u00f3dio aos nordestinos, porque teriam \u201cvendido\u201d seu voto em troca do Bolsa Fam\u00edlia, cuja m\u00e9dia mensal \u00e9 de US$ 70.<\/p>\n<p>A regress\u00e3o industrial se nota especialmente no setor da cana-de-a\u00e7\u00facar, produtor de a\u00e7\u00facar e etanol, que representa 80% da economia agr\u00edcola de S\u00e3o Paulo, segundo o empres\u00e1rio Maurilio Biagi Filho, de Ribeir\u00e3o Preto, cidade conhecida como capital da cana-de-a\u00e7\u00facar. O setor vive \u201cuma crise grave que gerou desesperan\u00e7a e levar\u00e1 muitos anos para ser superada, se forem adotadas medidas para sua recupera\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Empres\u00e1rios e analistas atribuem a crise ao controle de pre\u00e7os da gasolina institu\u00eddo pela presidente Dilma para conter a infla\u00e7\u00e3o. O etanol, com custos em alta, n\u00e3o pode competir com os pre\u00e7os subsidiados do combust\u00edvel f\u00f3ssil. Tudo se agravou com a queda de pre\u00e7os do a\u00e7\u00facar desde 2010 e com a seca deste ano, que imp\u00f4s o racionamento de \u00e1gua em mais de 130 cidades paulistas.<\/p>\n<p>Dezenas de usinas de cana-de-a\u00e7\u00facar quebraram ou suspenderam sua produ\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos, muitas outras aceitaram acordos extrajudiciais para evitar a insolv\u00eancia ou foram adquiridas por empresas estrangeiras. Estima-se que foram perdidos 300 mil empregos. Segundo Biagi, a grande magnitude da crise e a percep\u00e7\u00e3o de que \u00e9 em grande parte culpa do governo \u201cinfluenciaram o eleitorado, especialmente o do interior\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 10\/11\/2014 &ndash; &ldquo;Se fosse hoje ficaria l&aacute;, n&atilde;o viria procurar trabalho aqui&rdquo;, afirmou Josefa Gomes, que h&aacute; 30 anos migrou de Serra Redonda, pequena localidade do Nordeste brasileiro, para a cidade do Rio de Janeiro, a 2.400 quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia. 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