{"id":18085,"date":"2014-11-10T16:43:38","date_gmt":"2014-11-10T16:43:38","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=124652"},"modified":"2014-11-10T16:43:38","modified_gmt":"2014-11-10T16:43:38","slug":"criancas-de-alepo-tem-aula-em-escolas-subterraneas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/criancas-de-alepo-tem-aula-em-escolas-subterraneas-2\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as de Alepo t\u00eam aula em escolas subterr\u00e2neas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_124654\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/alepo.jpg\"><img class=\"wp-image-124654\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/alepo.jpg\" alt=\"alepo Crian\u00e7as de Alepo t\u00eam aula em escolas subterr\u00e2neas\" width=\"529\" height=\"379\" title=\"Crian\u00e7as de Alepo t\u00eam aula em escolas subterr\u00e2neas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Meninas e meninos da cidade s\u00edria de Alepo s\u00e3o obrigados a frequentar escolas subterr\u00e2neas, em outubro de 2014. Foto: Shelly Kittleson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alepo, S\u00edria, 10\/11\/2014 \u2013 O inverno ainda n\u00e3o chegou a esta cidade do noroeste da S\u00edria, quase totalmente sitiada, mas meninos e meninas j\u00e1 v\u00e3o \u00e0s aulas com casacos grossos e gorros para se proteger do frio. As salas de aula, subterr\u00e2neas, \u00famidas e frias est\u00e3o menos expostas \u00e0s bombas e aos ataques a\u00e9reos do governo do presidente Bashar al Assad. Algumas crian\u00e7as parecem atemorizadas, mas muitas sorriem e chegam a gargalhar, sentadas nos bancos de madeira das lotadas salas frias.<\/p>\n<p>No caminho para uma escola subterr\u00e2nea que a IPS visitou no final de outubro, meninas e meninos atravessam centros comerciais com suas fachadas destru\u00eddas pelos ataques a\u00e9reos e com o que resta dos cartazes publicit\u00e1rios do que j\u00e1 foram lojas de roupas, cabeleireiros ou outros neg\u00f3cios, nas quais agora se pode ver pintado em negro o nome do grupo extremista Estado Isl\u00e2mico (EI), que controlou a \u00e1rea brevemente, antes de ser expulso pelos rebeldes s\u00edrios. A organiza\u00e7\u00e3o jihadista ainda tenta ganhar terreno: a frente de luta mais pr\u00f3xima fica em Marea, a 30 quil\u00f4metros das \u00e1reas controladas pela oposi\u00e7\u00e3o a leste de Alepo.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as n\u00e3o t\u00eam op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja testemunhar a destrui\u00e7\u00e3o deixada pelo regime de Damasco, que tenta impor um cerco total \u00e0s zonas controladas pela oposi\u00e7\u00e3o, e para isso s\u00f3 precisa avan\u00e7ar uns poucos quil\u00f4metros de terreno. Apesar do medo, dois meninos, na frente da sala, balan\u00e7am abra\u00e7ados e cantam alvoro\u00e7ados. Algumas das paredes foram pintadas de azul celeste ou enfeitadas com decora\u00e7\u00f5es alegres para \u201clevantar o \u00e2nimo das crian\u00e7as\u201d, disse uma professora. Tamb\u00e9m foram pendurados alguns p\u00f4steres de quadrinhos em um dos corredores.<\/p>\n<p>As aulas come\u00e7am \u00e0s nove horas e terminam \u00e0 uma da tarde, contou \u00e0 IPS uma das instrutoras, Zakra, que cursava o quinto ano de engenharia. Para ensinar matem\u00e1tica, ingl\u00eas e ci\u00eancias, Zakra recebe US$ 50 por m\u00eas. N\u00e3o h\u00e1 homens no quadro docente e as 15 professoras usam vestimenta negra que cobre todo o corpo. Algumas mant\u00eam o rosto coberto, mas n\u00e3o todas. A IPS n\u00e3o p\u00f4de fotografar porque algumas ainda t\u00eam familiares nas zonas controladas pelo ex\u00e9rcito de Damasco.<\/p>\n<p>\u201cA escola abriu no ano passado, mas deixou de funcionar entre outubro de 2013 e julho de 2014 porque estava muito perigoso continuar com as atividades em meio aos bombardeios, mesmo sendo subterr\u00e2nea\u201d, afirmou Zakra. A jovem professora disse que pensa ir embora do pa\u00eds para continuar estudando na Turquia, mas ainda n\u00e3o sabe quando, principalmente por quest\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Os alunos mais velhos ficam \u00e0 deriva e t\u00eam de estudar por conta pr\u00f3pria porque a escola que a IPS visitou e outras semelhantes atendem apenas meninos e meninas de seis a 13 anos. O diretor do departamento de Educa\u00e7\u00e3o da municipalidade de Alepo, Mahmoud Al-Qudsi, informou \u00e0 IPS que funcionavam 115 escolas na \u00e1rea, mas a maioria era em apartamentos em planta baixa, s\u00f3t\u00e3os e outras instala\u00e7\u00f5es. S\u00f3 restam 20 escolas originais, das 750 existentes antes da guerra civil.<\/p>\n<p>As for\u00e7as de Damasco atacaram instala\u00e7\u00f5es educacionais e da sa\u00fade nas zonas controladas pela oposi\u00e7\u00e3o durante todo o conflito, por isso os esfor\u00e7os se concentram em manter suas localiza\u00e7\u00f5es em segredo.<\/p>\n<p>Os adolescentes que preparam seu \u201cbaccalaureat\u201d, diploma de educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, estudam em suas casas, afirmou Al-Qudsi. Depois v\u00e3o a determinados centros nas datas marcadas, em geral no final de junho e come\u00e7o de julho, para prestarem os exames. Por meio do canal de televis\u00e3o Alepo Today, que transmite a partir de Gaziantep, e de avisos de rua, s\u00e3o informados os locais e o hor\u00e1rio das provas. Turquia, L\u00edbia e Fran\u00e7a reconhecem os exames do \u201cbaccalaureat\u201d, disse. Mas \u201cas universidades francesas s\u00f3 aceitaram cinco alunos nossos no ano passado\u201d, acrescentou.<\/p>\n<div id=\"attachment_124655\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/alepo2.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-124655\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/alepo2.jpg\" alt=\"alepo2 Crian\u00e7as de Alepo t\u00eam aula em escolas subterr\u00e2neas\" width=\"300\" height=\"215\" title=\"Crian\u00e7as de Alepo t\u00eam aula em escolas subterr\u00e2neas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Dois meninos cantam abra\u00e7ados em uma escola subterr\u00e2nea da cidade s\u00edria de Alepo, em outubro de 2014. Foto: Shelly Kittleson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Os programas continuam os mesmos aprovados pelo regime de Al Assad, mas foram retiradas partes consideradas mais \u201cnacionalistas\u201d e que elogiam a fam\u00edlia governante, e nas aulas de religi\u00e3o agora se ensina que \u201c\u00e9 um dever religioso combater o regime\u201d de Damasco. \u201cTamb\u00e9m queremos mudar os programas, mas agora n\u00e3o podemos. Queremos um que seja escolhido e concebido por todos os s\u00edrios, mas agora n\u00e3o podemos, devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o\u201d, destacou Al-Qudsi. \u201cObviamente, n\u00e3o temos dinheiro para imprimir novos livros\u201d, reconheceu.<\/p>\n<p>A maioria dos sal\u00e1rios de docentes \u00e9 paga gra\u00e7as a v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es internacionais e associa\u00e7\u00f5es privadas, porque a municipalidade n\u00e3o tem fundos. Al-Qudsi pontuou que at\u00e9 os pais mais fundamentalistas n\u00e3o interferem com a educa\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos todos juntos nisto. Seus filhos tamb\u00e9m estudam em nossas escolas\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Os bombardeios cessaram totalmente por uns dias, no come\u00e7o do outono boreal, porque os rebeldes se aproximaram das f\u00e1bricas onde o regime arma bombas rudimentares de ferro-velho e explosivos. Mas os ataques recome\u00e7aram quando as for\u00e7as de Damasco avan\u00e7aram. Ao chegar ao alvo de um desses ataques a IPS viu como as for\u00e7as de defesa civil retiravam um corpo dos escombros, antes de se apressarem com suas lanternas a outras partes do pr\u00e9dio derrubado, onde tr\u00eas meninos ficaram sob os escombros. Os tr\u00eas estavam mortos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Alepo, S&iacute;ria, 10\/11\/2014 &ndash; O inverno ainda n&atilde;o chegou a esta cidade do noroeste da S&iacute;ria, quase totalmente sitiada, mas meninos e meninas j&aacute; v&atilde;o &agrave;s aulas com casacos grossos e gorros para se proteger do frio. 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