{"id":18089,"date":"2014-11-11T16:52:34","date_gmt":"2014-11-11T16:52:34","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=124766"},"modified":"2014-11-12T13:11:08","modified_gmt":"2014-11-12T13:11:08","slug":"a-morte-ou-a-morte-as-opcoes-no-norte-do-paquistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/a-morte-ou-a-morte-as-opcoes-no-norte-do-paquistao\/","title":{"rendered":"A morte ou a morte, as op\u00e7\u00f5es no norte do Paquist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_124768\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Paquistao.jpg\"><img class=\"wp-image-124768\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Paquistao.jpg\" alt=\"Paquistao A morte ou a morte, as op\u00e7\u00f5es no norte do Paquist\u00e3o\" width=\"529\" height=\"353\" title=\"A morte ou a morte, as op\u00e7\u00f5es no norte do Paquist\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Cada vez s\u00e3o erguidas mais barracas de campanha para abrigar refugiados no norte do Paquist\u00e3o. Foto: Ashfaq Yusufzai\/IPS<\/p><\/div>\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n<p>Peshawar, Paquist\u00e3o, 11\/11\/2014 \u2013 Os moradores da ag\u00eancia de Jyber Pajtunjwa, uma das sete que integram as \u00c1reas Tribais Administradas Federalmente (Fata), no norte do Paquist\u00e3o, est\u00e3o entre a espada e a parede: qualquer coisa que escolherem fazer agora pode lev\u00e1-los \u00e0 morte, afirmam. Enquanto a ofensiva militar do governo contra o Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) se expande lentamente desde a ag\u00eancia do Wazirist\u00e3o do Norte at\u00e9 Jyber Pajtunjwa, os civis devem decidir se desafiam ou n\u00e3o a proibi\u00e7\u00e3o imposta pelos fundamentalistas talib\u00e3s \u00e0s viagens.<\/p>\r\n<p>Se ficam onde est\u00e3o, correm o risco de serem v\u00edtimas do fogo do ex\u00e9rcito, que busca erradicar os extremistas da fronteira entre Paquist\u00e3o e Afeganist\u00e3o, onde operam com impunidade desde 2001. Se tentam fugir, enfrentam a ira de insurgentes que dependem da popula\u00e7\u00e3o civil para se protegerem do bombardeio militar que a\u00e7oita a regi\u00e3o.<\/p>\r\n<p>No final de outubro, membros do TTP avisaram aos moradores da \u00e1rea que explodiriam suas casas se atendessem \u00e0s ordens de evacua\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito. A ordem militar foi dada mediante panfletos lan\u00e7ados de helic\u00f3pteros e antecedeu a um ultimato de tr\u00eas dias para que os insurgentes largassem as armas se n\u00e3o quisessem enfrentar uma ofensiva de maiores dimens\u00f5es.<\/p>\r\n<p>Se sentindo encurralados, alguns moradores escolheram ignorar a amea\u00e7a do Talib\u00e3, enquanto outros se arriscam a morrer ou ficar mutilados ao escapar da atribulada regi\u00e3o e encontrar abrigo em outras \u00e1reas mais seguras. Zahir Afridi, morador em Tirah, localidade de Jyber Pajtunjwa, fugiu para o acampamento de Jallozai, 35 quil\u00f4metros a sudeste de Peshawar, centro administrativo das Fata, fingindo que sua filha de dois anos estava doente e precisava de tratamento m\u00e9dico urgente.<\/p>\r\n<p>\u201cO Talib\u00e3 nos permitiu sair com a condi\u00e7\u00e3o de voltarmos depois que minha filha, Begum, se recuperasse, mas a verdade \u00e9 que n\u00e3o podemos voltar por temermos por nossas vidas\u201d, contou Afridi \u00e0 IPS. \u201cO povo teme os talib\u00e3s porque destru\u00edram as casas de 50 moradores que abandonaram a \u00e1rea no ano passado. Estamos perdidos entre eles e o ex\u00e9rcito. S\u00f3 o que podemos fazer \u00e9 emigrar para lugares mais seguros\u201d, lamentou.<\/p>\r\n<p>Especialistas afirmam que os civis funcionam como uma esp\u00e9cie de escudo humano para os insurgentes, pois, se n\u00e3o aceitam esse papel, ficam expostos aos seus ataques. Jadim Hussain, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Bacha Kan para a Educa\u00e7\u00e3o, que promove a paz, a democracia e os direitos humanos, observou \u00e0 IPS que manter os civis presos em uma zona de guerra \u00e9 \u201cuma estrat\u00e9gia consolidada e de sucesso empregada pelos insurgentes\u201d para escapar da for\u00e7a arrasadora das campanhas militares.<\/p>\r\n<p>Hussain, uma autoridade sobre temas vinculados ao terrorismo no Paquist\u00e3o, ficou surpreso com a proibi\u00e7\u00e3o imposta pelo Talib\u00e3 \u00e0s migra\u00e7\u00f5es nas localidades de Jamrud e Bara. Para ele, os rebeldes se servem de \u201cv\u00e1rias t\u00e1ticas\u201d a fim de manterem sua posi\u00e7\u00e3o de poder, entre elas \u201crealizar sequestros em troca de pagamento de resgate, al\u00e9m de extors\u00f5es e assassinatos\u201d.<\/p>\r\n<p>O uso de escudos humanos tampouco \u00e9 uma novidade. O analista pol\u00edtico Shams Rehman, do Government College em Peshawar, explicou \u00e0 IPS que os insurgentes utilizaram com \u00eaxito civis como escudos humanos no distrito de Swat, em Jyber Pajtunjwa, prov\u00edncia que esteve sob seu controle entre 2007 e 2009. \u201cEmbora o ex\u00e9rcito tenha iniciado suas opera\u00e7\u00f5es em Swat em 2009, n\u00e3o conseguiu os resultados desejados porque o Talib\u00e3 usava os moradores\u201d da \u00e1rea para se protegerem de uma ofensiva total, afirmou.<\/p>\r\n<p>Somente no come\u00e7o de 2010 o governo decidiu emitir um alerta de evacua\u00e7\u00e3o maci\u00e7a \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, para que se abrigassem em acampamentos do vizinho distrito de Mardan, antes de lan\u00e7ar uma importante opera\u00e7\u00e3o militar. Desta forma, \u201co governo isolou os insurgentes e os derrotou\u201d, detalhou Rehman.<\/p>\r\n<p>Trata-se do mesmo modelo que est\u00e1 seguindo o governo do Wazirist\u00e3o do Norte, onde nos \u00faltimos dez anos membros do TTP e da rede extremista Al Qaeda estabeleceram uma firme base de opera\u00e7\u00f5es a partir da qual planejam e executam suas atividades. Durante muitos anos, o governo n\u00e3o p\u00f4de fazer nada com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a dessa \u201csede\u201d n\u00e3o oficial, devido \u00e0 grande popula\u00e7\u00e3o civil que vive entre os insurgentes.<\/p>\r\n<p>Mushtaq Kan, do partido Jamaat-e-Islami, apontou que agora, com quase 18,9% de terras despojadas de todo habitante no Wazirist\u00e3o do Norte, o governo est\u00e1 fazendo o que n\u00e3o p\u00f4de fazer na \u00faltima d\u00e9cada: inundar a \u00e1rea com pot\u00eancia de fogo, em uma tentativa de expulsar por completo todos os insurgentes. A campanha, que come\u00e7ou em 15 de junho, at\u00e9 agora for\u00e7ou o deslocamento de mais de 500 mil pessoas, que vivem em acampamentos na vizinha prov\u00edncia de Jyber Pajtunjwa.<\/p>\r\n<p>A viagem para as \u201ccidades\u201d feitas de barracas de campanha, que tiveram um crescimento descontrolado e que os refugiados levantaram em localidades como Bannu, n\u00e3o foi f\u00e1cil. Alguns morreram pelo caminho, que transitaram perigosamente durante horas em meio a um calor extremo que chegava a 45 graus.<\/p>\r\n<p>Muitos foram separados de suas fam\u00edlias durante o trajeto. Os que conseguiram chegar s\u00e3os e salvos a Bannu poderiam se considerar afortunados, n\u00e3o fosse o fato de imediatamente ficar evidente que as condi\u00e7\u00f5es de vida nos acampamentos eram atrozes. Ali imperavam falta de alimentos, a quase total aus\u00eancia de saneamento e de fontes de \u00e1gua pot\u00e1vel, bem como a limitada quantidade de pessoal e suprimentos m\u00e9dicos. Atualmente, os que vivem na ag\u00eancia de Jyber Pajtunjwa enfrentam pen\u00farias semelhantes.<\/p>\r\n<p>Mohammad Shad, que chegou a Peshawar com sua fam\u00edlia de 12 membros, contou \u00e0 IPS que caminharam durante cinco horas at\u00e9 encontrarem um ve\u00edculo que os levasse de maneira segura a essa cidade. \u201cA situa\u00e7\u00e3o era extremamente ruim. Todos n\u00f3s nos sent\u00edamos amea\u00e7ados\u201d, disse esse diarista de 55 anos, do acampamento de Jallozai, onde agora reside.<\/p>\r\n<p>Segundo Shad, muitos de seus amigos e vizinhos s\u00e3o \u201cref\u00e9ns\u201d do Talib\u00e3, e as amea\u00e7as dos insurgentes n\u00e3o s\u00e3o palavras vazias. Para demonstrar sua disposi\u00e7\u00e3o, no dia 14 de agosto, o TTP incendiou 20 casas na ag\u00eancia de Jyber Pajtunjwa, que pertenciam a ex-talib\u00e3s que entregaram suas armas ao ex\u00e9rcito. Apesar destas t\u00e1ticas terroristas, os moradores da regi\u00e3o continuam fugindo em massa (cerca de 95 mil o fizeram desde Jyber Pajtunjwa), dispostos a correr o risco de uma repres\u00e1lia em troca de uma oportunidade de viver fora do controle dos insurgentes.<\/p>\r\n<p>\u201cA vida sob o Talib\u00e3 n\u00e3o foi f\u00e1cil\u201d, pontuou Shahabuddin Kan, morador do Wazirist\u00e3o do Sul que h\u00e1 dois meses emigrou para Peshawar junto com sua fam\u00edlia, ap\u00f3s ter sido v\u00edtima de viol\u00eancia, amea\u00e7as e intimida\u00e7\u00e3o por parte dos talib\u00e3s. Considera-se afortunado por ter escapado. \u201cOs que podem se dar o luxo de alugar casas fora de suas \u00e1reas nativas o fazem, enquanto os pobres est\u00e3o destinados a ficar e enfrentar uma vida de incerteza perp\u00e9tua\u201d, ressaltou.<\/p>\r\n<p>No total, mais de um milh\u00e3o de pessoas foram for\u00e7adas a abandonar suas casas no norte do Paquist\u00e3o, obrigadas a fugir de uma prov\u00edncia para outra em busca de uma vida normal. O porta-voz militar, Assim Bajwa, declarou \u00e0 IPS que uma \u201ca\u00e7\u00e3o decisiva\u201d por parte do governo permitiu \u00e0 sua for\u00e7a limpar algumas \u00e1reas de rebeldes, para que a popula\u00e7\u00e3o pudesse viver em paz no lugar. \u201cO povo deveria cooperar com o ex\u00e9rcito para que os insurgentes sejam derrotados para sempre\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Peshawar, Paquist&atilde;o, 11\/11\/2014 &ndash; Os moradores da ag&ecirc;ncia de Jyber Pajtunjwa, uma das sete que integram as &Aacute;reas Tribais Administradas Federalmente (Fata), no norte do Paquist&atilde;o, est&atilde;o entre a espada e a parede: qualquer coisa que escolherem fazer agora pode lev&aacute;-los &agrave; morte, afirmam. 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