{"id":18095,"date":"2014-11-12T12:15:37","date_gmt":"2014-11-12T12:15:37","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=124830"},"modified":"2014-11-12T12:15:37","modified_gmt":"2014-11-12T12:15:37","slug":"populacoes-refens-da-mudanca-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/populacoes-refens-da-mudanca-climatica\/","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00f5es ref\u00e9ns da mudan\u00e7a clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_124832\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/FOTO-ACNUR.jpg\"><img class=\"wp-image-124832\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/FOTO-ACNUR.jpg\" alt=\"FOTO ACNUR Popula\u00e7\u00f5es ref\u00e9ns da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Popula\u00e7\u00f5es ref\u00e9ns da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Sobreviventes de um ciclone na Birm\u00e2nia nas ru\u00ednas de sua casa destru\u00edda. Foto: Acnur\/Taw Naw Htoo<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Londres, Gr\u00e3-Bretanha, 12\/11\/2014 \u2013 Inunda\u00e7\u00f5es generalizadas, prolongadas ondas de calor e uma eleva\u00e7\u00e3o lenta mas implac\u00e1vel dos mares s\u00e3o algumas das calamidades que, segundo muitos cientistas, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica acarretar\u00e1, deixando sem sa\u00edda os j\u00e1 mais vulner\u00e1veis. Quando se desencadeia um desastre natural, \u00e0s vezes as popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam outra op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja abandonar as \u00e1reas afetadas. Mas, para algumas pessoas, nem essa alternativa existe.<\/p>\n<p>Enquanto muitos podem se converter em refugiados na busca por um lugar mais seguro onde viver, tanto permanente quanto temporariamente, outros podem se tornar \u201cref\u00e9ns clim\u00e1ticos\u201d, incapazes de escapar. Em todo o mundo pessoas \u201cpodem estar presas em circunst\u00e2ncias das quais querem ou necessitam sair mas n\u00e3o podem\u201d, observou o professor Richard Black, da Escola de Estudos Orientais e Africanos na Universidade de Londres.<\/p>\n<p>Para Black, \u201co mais prov\u00e1vel \u00e9 que isto se deva \u00e0 falta de meios econ\u00f4micos para faz\u00ea-lo, ou porque n\u00e3o h\u00e1 nenhuma rede social para que sigam ou nenhum trabalho para realizarem, ou porque h\u00e1 algum tipo de barreira pol\u00edtica \u00e0 circula\u00e7\u00e3o, como exigir um visto que \u00e9 imposs\u00edvel de obter, e em alguns pa\u00edses \u00e9 imposs\u00edvel conseguir visto de sa\u00edda\u201d.<\/p>\n<p>Para os mais vulner\u00e1veis, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica pode significar um duplo perigo: primeiro, por piorar as condi\u00e7\u00f5es ambientais que amea\u00e7am seu sustento, e, segundo, porque reduz os bens financeiros, sociais e inclusive f\u00edsicos que s\u00e3o necess\u00e1rios para escapar. Um projeto dirigido por Black sobre migra\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7a ambiental mundial foi um dos primeiros a chamar a aten\u00e7\u00e3o para a no\u00e7\u00e3o de \u201cpopula\u00e7\u00f5es presas\u201d.<\/p>\n<p>No informe <em>Migra\u00e7\u00e3o e Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica Global: Desafios e Oportunidades Futuras<\/em>, publicado em 2011 pela organiza\u00e7\u00e3o Foresight, para o departamento para Ci\u00eancias do governo brit\u00e2nico, os autores alertam que \u201cnas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas milh\u00f5es de pessoas ser\u00e3o incapazes de mudar de lugares onde s\u00e3o extremamente vulner\u00e1veis \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>Um exemplo citado nesse documento \u00e9 o dos habitantes dos pequenos Estados insulares que vivem em \u00e1reas propensas \u00e0s inunda\u00e7\u00f5es ou pr\u00f3ximo de costas expostas. \u00c9 poss\u00edvel que essas popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o possuam os meios para abordar os riscos e tampouco os recursos para emigrar das ilhas.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m alerta que esse tipo de situa\u00e7\u00e3o pode agravar-se at\u00e9 gerar deslocamentos de risco e emerg\u00eancias humanit\u00e1rias. De fato, o passado oferece alguns exemplos sobre grupos humanos que se tornaram im\u00f3veis devido a eventos meteorol\u00f3gicos extremos ou mesmo de crise de gesta\u00e7\u00e3o lenta. Um desses casos, apontou Black, foi a seca nos anos 1980 que a\u00e7oitou a regi\u00e3o africana do Sahel. Na \u00e9poca, houve menos homens adultos que emigraram e que de outro modo o teriam feito.<\/p>\n<p>\u201cEm condi\u00e7\u00f5es de seca eles tinham menor capacidade de faz\u00ea-lo, porque isso implicava recorrer aos seus bens, e no Sahel \u00e9 comum os bens serem animais, e a seca os mata, o que significa que a pessoa n\u00e3o pode converter animais em dinheiro, e ent\u00e3o n\u00e3o pode pagar o contrabandista ou enfrentar o custo de uma viagem que o tire dessa \u00e1rea\u201d, acrescenta o informe.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Black pontuou que em muitos casos \u00e9 especialmente dif\u00edcil distinguir entre pessoas que ficam porque podem e querem faz\u00ea-lo e pessoas que realmente n\u00e3o podem partir. Al\u00e9m disso, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica tamb\u00e9m far\u00e1 as pessoas emigrarem para \u00e1reas onde correr\u00e3o inclusive mais riscos do que aqueles que deixaram para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>No delta do rio Mekong, sul do Vietn\u00e3, pesquisadores preveem que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica vai provocar mais inunda\u00e7\u00f5es, perda de terras e aumento da salinidade do solo. Os moradores dessa regi\u00e3o, j\u00e1 pobre, talvez n\u00e3o tenham nenhuma possibilidade de enfrentar esses perigos, e tampouco possam ir para outros lugares.<\/p>\n<p>\u201cNo geral, ser\u00e3o a renda e os bens que determinar\u00e3o se as pessoas ficar\u00e3o onde est\u00e3o ou se ter\u00e3o de se reassentar\u201d, destacou Christopher Smith, da Universidade de Sussex, que atualmente dirige um projeto da Comunidade Europeia para avaliar o risco das popula\u00e7\u00f5es presas no delta do Mekong.<\/p>\n<p>Na Guatemala, os pesquisadores Andrea Milan e Sergio Ruano conclu\u00edram que comunidades isoladas nas montanhas tamb\u00e9m correm o risco de ficar em situa\u00e7\u00e3o ruim pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Segundo seu estudo <em>Variabilidade de Chuvas, Inseguran\u00e7a Alimentar e Migra\u00e7\u00f5es em Cabric\u00e1n, Guatemala<\/em>, publicado no come\u00e7o deste ano na revista <em>Climate and Development<\/em>, as precipita\u00e7\u00f5es irregulares podem estar amea\u00e7ando seriamente a seguran\u00e7a alimentar e as fontes de renda de comunidades dessa municipalidade, que dependem da agricultura de subsist\u00eancia e tempo seco.<\/p>\n<p>Entretanto, os riscos associados \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o est\u00e3o relegados aos pa\u00edses em desenvolvimento. O furac\u00e3o Katrina, que em 2005 a\u00e7oitou o sudeste dos Estados Unidos, ofereceu um claro exemplo disso quando o est\u00e1dio de Nova Orleans, conhecido como Superdomo, teve de abrigar mais de 20 mil pessoas durante v\u00e1rios dias.<\/p>\n<p>\u201cIsso teve a ver com o fato de existir um plano de evacua\u00e7\u00e3o com a ideia de que todo mundo escaparia em autom\u00f3vel, mas essencialmente havia setores da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tinham carro e n\u00e3o partiriam dessa forma, e tamb\u00e9m algumas pessoas que n\u00e3o acreditaram nas mensagens sobre a evacua\u00e7\u00e3o\u201d, destacou Black.<\/p>\n<p>\u201cE aquelas pessoas que ficaram presas no olho da tormenta tiveram, ent\u00e3o, mais probabilidades de serem retiradas logo e, portanto, de acabar em um dos estacionamentos de reboques, alojamentos tempor\u00e1rios instalados pela Ag\u00eancia Federal para o Manejo de Emerg\u00eancias\u201d, acrescentou Black.<\/p>\n<p>Os cientistas s\u00e3o cautelosos na hora de vincular o Katrina ou qualquer outro evento meteorol\u00f3gico extremo isolado com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Por\u00e9m, estudos mostram que um mundo mais quente pode n\u00e3o necessariamente significar mais furac\u00f5es, mas que essas tempestades ser\u00e3o mais ferozes do que o habitual nessas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Black afirmou ter mantido conversa\u00e7\u00f5es com \u201co escrit\u00f3rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados, a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es e v\u00e1rias outras entidades sobre estes assuntos e que h\u00e1 um grau de interesse nessa ideia de as pessoas poderem ficar presas\u201d.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio <em>Popula\u00e7\u00f5es \u2018Presas\u2019 em \u00c9pocas de Crise<\/em>, publicado em mar\u00e7o deste ano por Black junto com Michael Collyer, da Universidade de Sussex, afirma: \u201cJ\u00e1 que dispomos de uma informa\u00e7\u00e3o limitada sobre as popula\u00e7\u00f5es presas, o objetivo da pol\u00edtica deveria ser evitar situa\u00e7\u00f5es nas quais as pessoas sejam incapazes de partir quando quiserem, n\u00e3o promover pol\u00edticas que as animem a faz\u00ea-lo quando talvez n\u00e3o queiram, e dar-lhes informa\u00e7\u00e3o atualizada que lhes permita tomar uma decis\u00e3o bem fundamentada\u201d.<\/p>\n<p>Entre os f\u00f3runs intergovernamentais, a Uni\u00e3o Europeia est\u00e1 tomando a iniciativa. Um documento de trabalho de seu \u00f3rg\u00e3o executivo, a Comiss\u00e3o Europeia, sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica, degrada\u00e7\u00e3o ambiental e migra\u00e7\u00f5es, e que acompanha a estrat\u00e9gia estabelecida em abril de 2013 pelo bloco em mat\u00e9ria de adapta\u00e7\u00e3o, diz que, apesar dos questionamentos sobre sua efetividade, o reassentamento pode ser necess\u00e1rio \u201cem certos cen\u00e1rios\u201d, por exemplo, os das popula\u00e7\u00f5es presas.<\/p>\n<p>A resposta da comunidade internacional \u00e0s pessoas que devem se mudar em raz\u00e3o desse tipo de situa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o s\u00e3o devidas apenas aos efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u2013 tamb\u00e9m pode ser por motivo de terremotos, erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas ou crises induzidas por seres humanos, como os conflitos armados \u2013 costuma se basear em lhes dar um <em>status<\/em>, de \u201cdeslocados\u201d, \u201csolicitantes de asilo\u201d ou \u201crefugiados\u201d.<\/p>\n<p>Mas essa n\u00e3o \u00e9 a resposta adequada, enfatizou Black, porque para essas pessoas \u201co problema n\u00e3o \u00e9 a falta de um <em>status <\/em>legal, mas a falta de op\u00e7\u00f5es\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Londres, Gr&atilde;-Bretanha, 12\/11\/2014 &ndash; Inunda&ccedil;&otilde;es generalizadas, prolongadas ondas de calor e uma eleva&ccedil;&atilde;o lenta mas implac&aacute;vel dos mares s&atilde;o algumas das calamidades que, segundo muitos cientistas, a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica acarretar&aacute;, deixando sem sa&iacute;da os j&aacute; mais vulner&aacute;veis. 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