{"id":18101,"date":"2014-11-14T13:52:32","date_gmt":"2014-11-14T13:52:32","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=124946"},"modified":"2014-11-14T13:52:32","modified_gmt":"2014-11-14T13:52:32","slug":"caca-ilegal-assedia-a-africa-austral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/caca-ilegal-assedia-a-africa-austral\/","title":{"rendered":"Ca\u00e7a ilegal assedia a \u00c1frica austral"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_124948\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/sadc-chica.jpg\"><img class=\"wp-image-124948\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/sadc-chica.jpg\" alt=\"sadc chica Ca\u00e7a ilegal assedia a \u00c1frica austral\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Ca\u00e7a ilegal assedia a \u00c1frica austral\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Rinocerontes brancos da \u00c1frica do Sul, recuperados de sua quase extin\u00e7\u00e3o gra\u00e7as a intensos esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o. Foto: Kanya D\u2019Almeida\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lilongwe, Malawi, 14\/11\/2014 \u2013 \u201cRecebemos um pagamento insuficiente, n\u00e3o temos armas e na maioria dos casos os ca\u00e7adores ilegais s\u00e3o em maior n\u00famero do que n\u00f3s\u201d, contou Stain Phiri, guarda florestal na Reserva da Natureza do P\u00e2ntano de Vwaza, que em seus 986 quil\u00f4metros quadrados possui a mais abundante e variada biodiversidade de Malawi. Tamb\u00e9m \u00e9 um dos maiores parques nacionais e dos mais assediados pelos ca\u00e7adores ilegais.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que os temores de Phiri resumam o motivo pelo qual nos \u00faltimos anos aumentou na \u00c1frica austral a captura ilegal de elefantes e rinocerontes, por suas presas e chifres, que depois s\u00e3o traficados. \u201cN\u00e3o podemos combater os grupos de ca\u00e7adores ilegais fortemente armados e prontos para matar qualquer um que se intrometer em seu caminho\u201d, afirmou Phiri \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Este guarda florestal recebe por m\u00eas o equivalente a US$ 20, que n\u00e3o bastam para manter sua fam\u00edlia de seis pessoas. \u201cMeus colegas e eu arriscamos nossas vidas diariamente para proteger a natureza e parece que nosso trabalho n\u00e3o \u00e9 apreciado, porque, mesmo quando prendemos ca\u00e7adores ilegais, logo a pol\u00edcia os libera\u201d, contou Phiri.<\/p>\n<p>A Lei da Natureza de Malawi, segundo Phiri, tamb\u00e9m precisa de s\u00e9rias emendas que deem poder e protejam os guardas florestais, al\u00e9m de impor puni\u00e7\u00f5es mais severas. Tudo isso, claro, se o governo levar a s\u00e9rio a luta diante dos crimes contra a biodiversidade.<\/p>\n<p>O relato de Phir tem eco em toda a \u00c1frica austral, e permite analisar os desafios que a regi\u00e3o enfrenta para manter parques transfronteiri\u00e7os e lidar com os crimes contra a natureza. A rede Traffic, que vigia o com\u00e9rcio de biodiversidade no mundo, afirma que, em primeira inst\u00e2ncia, \u00e9 preciso que no terreno haja guardas florestais bem equipados e com recursos suficientes para proteger os animais e impedir os saques.<\/p>\n<p>A maioria dos pa\u00edses da \u00c1frica austral se tornou cada vez mais alvo desses ladr\u00f5es, porque \u00e9 a regi\u00e3o que tem a maior quantidade de rinocerontes e elefantes do mundo, explicou \u00e0 IPS o coordenador de comunica\u00e7\u00f5es globais da Traffic, Richard Thomas. Na \u00c1frica austral h\u00e1 \u201ccerca de 95% de todos os rinocerontes brancos do mundo, e 40% de todos os rinocerontes negros\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo a Traffic, 25 mil elefantes africanos foram abatidos em 2011, enquanto 22 mil foram mortos em 2012 e pouco mais de 20 mil em 2013. Isso, segundo a organiza\u00e7\u00e3o, com base na popula\u00e7\u00e3o estimada entre 420 mil e 650 mil exemplares. No ano passado, Z\u00e2mbia perdeu 135 elefantes por culpa dos ca\u00e7adores ilegais. Em 2012, foram 124 e um ano antes 96, afirmou a ministra de Turismo e Artes do pa\u00eds, Sylvia Masebo.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante em Mo\u00e7ambique, onde a imprensa reproduziu declara\u00e7\u00f5es do ministro do Turismo, Carvalho Muaria, dizendo que a popula\u00e7\u00e3o de elefantes caiu pela metade desde o come\u00e7o da d\u00e9cada de 1970. Atualmente restam apenas cerca de 20 mil. A Reserva de Niassa, de 42 mil quil\u00f4metros quadrados, que abriga cerca de dois ter\u00e7os dos elefantes de Mo\u00e7ambique, possui atualmente cerca de 12 mil exemplares. Ca\u00e7adores ilegais mataram 500 no ano passado, e arrasaram os rinocerontes mo\u00e7ambicanos, detalhou o ministro.<\/p>\n<p>Segundo a Traffic, entre 2007 e 2013 a ca\u00e7a ilegal de rinocerontes aumentou 7.700% no continente. Calcula-se que hoje em dia existam apenas cinco mil rinocerontes negros e 20 mil brancos. No m\u00eas passado, a \u00c1frica do Sul informou que perdeu, este ano, 558 rinocerontes para os ca\u00e7adores ilegais.<\/p>\n<p>Mas nem todas as esperan\u00e7as est\u00e3o perdidas. A \u00c1frica austral responde \u00e0s amea\u00e7as contra sua biodiversidade mediante a colabora\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses que compartilham fronteiras e \u00e1reas naturais protegidas. Um exemplo \u00e9 o acordo assinado este ano entre Mo\u00e7ambique e \u00c1frica do Sul, no sentido de frear a ca\u00e7a ilegal de rinocerontes, especialmente no Parque Nacional Kruger, que compartilha uma fronteira com Mo\u00e7ambique. Os dois pa\u00edses acordaram compartilhar informa\u00e7\u00e3o e juntar esfor\u00e7os para desenvolver t\u00e9cnicas contra esse flagelo.<\/p>\n<p>Mo\u00e7ambique, considerado uma das principais rotas de tr\u00e2nsito para os chifres de rinocerontes traficados para a \u00c1sia, aprovou este ano uma nova lei que imp\u00f4s severas san\u00e7\u00f5es, de at\u00e9 12 anos de pris\u00e3o, a quem for considerado culpado de ca\u00e7ar rinocerontes ilegalmente. \u201cAs leis anteriores penalizavam a ca\u00e7a ilegal, mas pensamos que esta desestimular\u00e1 os mo\u00e7ambicanos que participam \u201cdessa atividade criminosa\u201d, afirmou Muaria \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>De acordo com a imprensa, a \u00c1frica do Sul tamb\u00e9m avalia legalizar o com\u00e9rcio de chifres de rinoceronte, em uma tentativa de limitar a demanda ilegal. A ideia \u00e9 permitir a venda de chifres de rinoceronte que tenham morrido de causas naturais.<\/p>\n<p>H\u00e1 dez anos, a Comunidade de Desenvolvimento da \u00c1frica Austral (SADC) criou a dire\u00e7\u00e3o de Alimenta\u00e7\u00e3o, Agricultura e Recursos Naturais. Desde ent\u00e3o foram desenvolvidos e aprovados protocolos, estrat\u00e9gias e programas regionais, entre eles o Programa Transfronteiri\u00e7o de Uso e Prote\u00e7\u00e3o dos Recursos Naturais. Dentro desse programa, est\u00e1 o Programa Regional de \u00c1rea de Conserva\u00e7\u00e3o Transfronteiri\u00e7a, do qual at\u00e9 agora se beneficiaram Malawi e Z\u00e2mbia.<\/p>\n<p>O ministro de Turismo e Natureza de Malawi, Kondwani Nakhumwa, apontou \u00e0 IPS que o projeto da \u00c1rea de Conserva\u00e7\u00e3o Transfronteiri\u00e7a do Parque Nacional Nyika ajudou a reduzir a ca\u00e7a ilegal na maior reserva do pa\u00eds. O programa compartilhado por Malawi e Z\u00e2mbia inclui o componente Nyika-Luangwa do Norte, em Z\u00e2mbia, que fica em um altiplano de pradaria que se eleva cerca de dois mil metros sobre a savana arborizada e os mangues de Vwaza.<\/p>\n<p>Durante o ver\u00e3o, uma variedade de flores silvestres e orqu\u00eddeas floresce no altiplano, o que o converte em uma das paisagens mais atraentes da \u00c1frica e o distingue da maioria de outros parques nacionais. \u201cPor meio do projeto, em Vwaza foram confiscadas dez armas, retiradas 322 armadilhas de arame e presos 32 ca\u00e7adores ilegais\u201d, destacou Nakhumwa \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Humphrey Nzima, coordenador internacional do programa Malawi-Z\u00e2mbia, apontou que desde o lan\u00e7amento do projeto foi registrado um aumento geral nas popula\u00e7\u00f5es de animais. Estudos realizados no P\u00e2ntano de Vwaza e no Parque Nacional Nyika revelaram aumentos significativos no n\u00famero de elefantes, hipop\u00f3tamos, b\u00fafalos, zebras e javalis, entre outros, ressaltou.<\/p>\n<p>A escalada da crise da ca\u00e7a ilegal e dos conflitos que acontecem em muitos parques nacionais de toda a \u00c1frica ser\u00e3o um dos temas de debate no Congresso Mundial de Parques 2014, organizado pela Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (UICN) e que terminar\u00e1 no dia 19 deste m\u00eas, em Sydney, na Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>\u201cEm Sydney abordaremos esses assuntos em busca de maneiras melhores e mais justas de conservar a excepcional riqueza natural e cultural desses lugares\u201d, disse Ali Bongo Ondimba, presidente do Gab\u00e3o e patrocinador do congresso da UICN. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Lilongwe, Malawi, 14\/11\/2014 &ndash; &ldquo;Recebemos um pagamento insuficiente, n&atilde;o temos armas e na maioria dos casos os ca&ccedil;adores ilegais s&atilde;o em maior n&uacute;mero do que n&oacute;s&rdquo;, contou Stain Phiri, guarda florestal na Reserva da Natureza do P&acirc;ntano de Vwaza, que em seus 986 quil&ocirc;metros quadrados possui a mais abundante e variada biodiversidade de Malawi. 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