{"id":18111,"date":"2014-11-17T13:38:09","date_gmt":"2014-11-17T13:38:09","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=125019"},"modified":"2014-11-17T13:38:09","modified_gmt":"2014-11-17T13:38:09","slug":"petroleo-de-xisto-reativa-conflito-indigena-na-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/petroleo-de-xisto-reativa-conflito-indigena-na-argentina\/","title":{"rendered":"Petr\u00f3leo de xisto reativa conflito ind\u00edgena na Argentina"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_125021\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Mapuche-chica-629x353.jpg\"><img class=\"wp-image-125021\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Mapuche-chica-629x353.jpg\" alt=\"Mapuche chica 629x353 Petr\u00f3leo de xisto reativa conflito ind\u00edgena na Argentina\" width=\"529\" height=\"297\" title=\"Petr\u00f3leo de xisto reativa conflito ind\u00edgena na Argentina\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Jorge Nahuel, porta-voz da Confedera\u00e7\u00e3o Mapuche de Neuqu\u00e9n, na Patag\u00f4nia argentina, denuncia que os ind\u00edgenas n\u00e3o foram consultados sobre a explora\u00e7\u00e3o de hidrocarbonos n\u00e3o convencionais em suas terras ancestrais. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Campo Maripe, Argentina, 17\/11\/2014 \u2013 Os hidrocarbonos n\u00e3o convencionais reativaram os conflitos ind\u00edgenas no sudoeste da Argentina. Sobre Vaca Muerta, a forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica que abriga essas reservas, vivem 22 comunidades mapuches que reclamam por n\u00e3o terem sido consultadas sobre a explora\u00e7\u00e3o de suas terras ancestrais, \u201cem cima e embaixo\u201d.<\/p>\n<p>O termo \u201csuperfici\u00e1rios\u201d que nos contratos petroleiros denominam a contraparte com a qual negociam a explora\u00e7\u00e3o territorial, n\u00e3o convence Albino Campo, \u201clogko\u201d (chefe mapuche) da comunidade de Campo Maripe. \u201cSomos donos da superf\u00edcie e do que est\u00e1 acima e abaixo tamb\u00e9m. Essa \u00e9 a \u201cmapu\u201d (terra). Abaixo n\u00e3o \u00e9 oco. Abaixo h\u00e1 outro povo\u201d, afirmou \u00e0 IPS. Tampouco est\u00e1 oco para as companhias petroleiras, embora as duas concep\u00e7\u00f5es sejam muito diferentes.<\/p>\n<p>Tr\u00eas mil metros abaixo da superf\u00edcie de Campo Maripe est\u00e1 uma das maiores reservas mundiais de g\u00e1s e petr\u00f3leo de xisto (de rocha). As terras que a comunidade utilizava para pastoreio agora s\u00e3o parte da jazida Loma Campana, operada pela empresa estatal YPF, em associa\u00e7\u00e3o com a norte-americana Chevron. \u201cAqui foram aberto 160 po\u00e7os, mais ou menos. Quando chegarem a 500 po\u00e7os n\u00e3o teremos lugar para nossos animais. Roubar\u00e3o o que era nosso\u201d, protestou o logko.<\/p>\n<p>Diante da urg\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o, a YPF come\u00e7ou h\u00e1 um ano a abrir estradas e po\u00e7os na jazida Campo Campana, na prov\u00edncia de Neuqu\u00e9n, na Patag\u00f4nia. O chefe mapuche e sua irm\u00e3 Mabel Campo mostraram \u00e0 IPS em que se transformou sua terra, onde o barulho e a poeira causados pelos caminh\u00f5es, que entram e saem continuamente da jazida, s\u00e3o intensos.<\/p>\n<p>Transportam m\u00e1quinas, tubos de perfura\u00e7\u00e3o e produtos para realizar a fratura hidr\u00e1ulica (<em>fracking<\/em>), uma questionada t\u00e9cnica que libera os hidrocarbonos em grande escala mediante a inje\u00e7\u00e3o a alta press\u00e3o de \u00e1gua, areia e aditivos qu\u00edmicos para romper grandes extens\u00f5es das rochas subterr\u00e2neas onde est\u00e3o incrustados. \u201cDizem que o <em>fracking<\/em> e tudo o que h\u00e1 acima n\u00e3o contamina, talvez passe muito tempo at\u00e9 come\u00e7armos a ver c\u00e2ncer, c\u00e2ncer de pele, pela quantidade de contamina\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m vamos morrer de sede porque n\u00e3o haver\u00e1 \u00e1gua para beber\u201d, advertiu Mabel.<\/p>\n<p>A YPF argumenta ter negociado com o governo da prov\u00edncia a abertura do campo, porque \u00e9 quem possui o t\u00edtulo de propriedade das terras. Por\u00e9m, \u201cn\u00f3s tentamos ter a melhor rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel com qualquer superfici\u00e1rio ou pseudossuperfici\u00e1rio ou ocupante nas \u00e1reas onde trabalhamos, \u201csejam mapuches ou n\u00e3o\u201d, declarou \u00e0 IPS o gerente de rela\u00e7\u00f5es institucionais da YPF-Neuqu\u00e9n, Federico Cal\u00edfano.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias de Campo Maripe ainda n\u00e3o obtiveram esse t\u00edtulo, mas uma vit\u00f3ria importante. Ap\u00f3s manifesta\u00e7\u00f5es que inclu\u00edram se acorrentar \u00e0s torres petroleiras, conseguiram em outubro que o governo provincial os reconhe\u00e7a legalmente como comunidade.<\/p>\n<p>\u201cO direito ind\u00edgena legisla que a personalidade jur\u00eddica n\u00e3o \u00e9 constitutiva \u2013 isto \u00e9, n\u00e3o cria a comunidade, porque a mesma existe independente da aceita\u00e7\u00e3o o n\u00e3o do Estado \u2013, mas \u00e9 uma ferramenta das institui\u00e7\u00f5es do Estado (desde \u00f3rg\u00e3os de governo at\u00e9 tribunais), explicou Micaela Gomiz, do Observat\u00f3rio de Direitos Humanos de Povos Ind\u00edgenas da Patag\u00f4nia (ODHIP).<\/p>\n<p>\u201cCom a inscri\u00e7\u00e3o de personalidade jur\u00eddica, se deixa para tr\u00e1s a postura oficial de negar a identidade ind\u00edgena mapuche, e agora ter\u00e1 que ser realizado o processo de consulta para qualquer a\u00e7\u00e3o que afete o territ\u00f3rio\u201d, explicou o ODHIP em um comunicado. Segundo a entidade, em 2013 havia cerca de 347 mapuches acusados por crime de \u201cusurpa\u00e7\u00e3o\u201d, contando os 80 processos judiciais abertos em Neuqu\u00e9n e outros 60 na vizinha prov\u00edncia de R\u00edo Negro.<\/p>\n<p>No caso de Vaca Muerta, Jorge Nahuel, porta-voz da Confedera\u00e7\u00e3o Mapuche de Neuqu\u00e9n, pontuou \u00e0 IPS que os ind\u00edgenas n\u00e3o foram ouvidos como determina o Conv\u00eanio 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do trabalho, ratificado pela Argentina h\u00e1 25 anos. \u201cO que o Estado deveria fazer antes de conceder espa\u00e7o \u00e9 acordar com a comunidade se esta est\u00e1 disposta a aceitar semelhante mudan\u00e7a em sua vida\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, segundo Nahuel, \u201ca empresa deveria aplicar o direito que, por exemplo, temos reconhecido constitucionalmente de participar da gest\u00e3o dos recursos naturais. Esses direitos est\u00e3o totalmente violados pela chegada da ind\u00fastria petroleira\u201d. O dirigente mapuche acrescentou que viola\u00e7\u00f5es semelhantes ocorrem nas ind\u00fastrias da soja e da minera\u00e7\u00e3o. \u201cOs ind\u00edgenas s\u00e3o considerados um elemento a mais da natureza e como tal s\u00e3o arrasados\u201d, denunciou.<\/p>\n<p>Nesse pa\u00eds de 42 milh\u00f5es de habitantes, aproximadamente um milh\u00e3o se autorreconheceram como ind\u00edgenas no \u00faltimo censo, de 2010. A maioria pertence aos povos mapuche e colla e vive em Neuqu\u00e9n e em outras duas prov\u00edncias.<\/p>\n<p>Nahuel recordou que, de quase 70 comunidades ind\u00edgenas de Neuqu\u00e9n, somente 10% t\u00eam t\u00edtulos. \u201cA l\u00f3gica do Estado \u00e9 que, na medida em que haja debilidade quanto \u00e0 posse da terra, h\u00e1 mais seguran\u00e7a jur\u00eddica para a empresa. \u00c9 uma l\u00f3gica perversa porque definitivamente eles acreditam que, se ficarmos por d\u00e9cadas sem t\u00edtulos de propriedade, ser\u00e1 mais f\u00e1cil para a empresa invadir um territ\u00f3rio\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mas alguns colocam em d\u00favida os verdadeiros interesses dos mapuches. Luis\u00a0 Sapag, deputado do Movimento Popular Neuquino, promoveu a pol\u00eamica quando no ano passado assegurou que \u201calguns deles fazem bons neg\u00f3cios\u201d e que \u201ca YPF n\u00e3o foi se instalar nas terras dos mapuches, mas que alguns mapuches foram colocar suas casas onde estava a YPF para gerar toda essa movimenta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 que se desenvolveu Loma Campana, nunca houve reclama\u00e7\u00e3o de uma comunidade mapuche\u201d, afirmou o gerente de N\u00e3o Convencionais da YPF Neuqu\u00e9n, Pablo Bizzotto, durante uma visita da IPS e de outros ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o internacionais a Loma Campana.<\/p>\n<p>Nahuel comparou essa l\u00f3gica com a \u201cutilizada pelo Estado quando invadiu o territ\u00f3rio mapuche, dizendo que era um deserto, n\u00f3s chegamos e depois que chegamos apareceu um povo reclamando direitos\u201d. E ironizou afirmando que \u201caqui utilizam a mesma l\u00f3gica, primeiro arrasam um territ\u00f3rio e depois dizem: mas reclamam do que? N\u00f3s n\u00e3o os t\u00ednhamos contabilizado\u201d.<\/p>\n<p>Para Nahuel, a explora\u00e7\u00e3o de hidrocarbnonos n\u00e3o convencionais, da qual a Argentina passou a ser um de seus grandes atores, traz uma \u201camea\u00e7a muito mais forte\u201d do que a tradicional, que, segundo garantiu, j\u00e1 \u201cdeixou uma contamina\u00e7\u00e3o profunda no solo e no organismo de todas as fam\u00edlias mapuches da \u00e1rea\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma ind\u00fastria que gera um forte impacto ambiental e social e, o que \u00e9 pior para n\u00f3s, cultural, porque quebra a vida comunit\u00e1ria, porque rompe tudo o que \u00e9 rela\u00e7\u00e3o coletiva que temos em rela\u00e7\u00e3o a um territ\u00f3rio e porque come\u00e7amos a ser superfici\u00e1rios para a ind\u00fastria\u201d, ressaltou Nahuel. E acrescentou que, na medida em que avan\u00e7arem as perfura\u00e7\u00f5es, aumentar\u00e3o os conflitos.<\/p>\n<p>Nesse sentido, opinou que a nova Lei de Hidrocarbonos, em vig\u00eancia desde 31 de outubro, agravar\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o porque \u201cfoi feita a servi\u00e7o dos grupos econ\u00f4micos, j\u00e1 que \u00e0s empresas foi assegurada a explora\u00e7\u00e3o durante 50 anos. Quando a YPF partir, n\u00e3o deixar\u00e1 nenhum futuro para os mapuches. Aqui o que nos deixam \u00e9 contamina\u00e7\u00e3o e morte, nada mais\u201d, lamentou o logko Campo. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>Assista ao v\u00eddeo &#8220;Torres petroleiras invadem a terra argentina dos mapuches&#8221;, pelo <a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2014\/11\/petroleo-de-esquisto-reactiva-conflicto-indigena-en-argentina\/\" >link original<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Campo Maripe, Argentina, 17\/11\/2014 &ndash; Os hidrocarbonos n&atilde;o convencionais reativaram os conflitos ind&iacute;genas no sudoeste da Argentina. Sobre Vaca Muerta, a forma&ccedil;&atilde;o geol&oacute;gica que abriga essas reservas, vivem 22 comunidades mapuches que reclamam por n&atilde;o terem sido consultadas sobre a explora&ccedil;&atilde;o de suas terras ancestrais, &ldquo;em cima e embaixo&rdquo;. O termo &ldquo;superfici&aacute;rios&rdquo; que [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/petroleo-de-xisto-reativa-conflito-indigena-na-argentina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[989,3178],"class_list":["post-18111","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18111","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18111"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18111\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18112,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18111\/revisions\/18112"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}