{"id":18137,"date":"2014-11-18T14:46:01","date_gmt":"2014-11-18T14:46:01","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=125134"},"modified":"2014-11-18T14:46:01","modified_gmt":"2014-11-18T14:46:01","slug":"a-desigualdade-no-mexico-passa-pelos-salarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/a-desigualdade-no-mexico-passa-pelos-salarios\/","title":{"rendered":"A desigualdade no M\u00e9xico passa pelos sal\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_125136\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/chica-mexico-629x352.jpg\"><img class=\"wp-image-125136\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/chica-mexico-629x352.jpg\" alt=\"chica mexico 629x352 A desigualdade no M\u00e9xico passa pelos sal\u00e1rios\" width=\"529\" height=\"296\" title=\"A desigualdade no M\u00e9xico passa pelos sal\u00e1rios\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Vendedores informais na rua de Moneda, no centro hist\u00f3rico da Cidade do M\u00e9xico. A economia informal \u00e9 um reduto diante da enorme desigualdade salarial existente no pa\u00eds. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 18\/11\/2014 \u2013 Sandra G. trabalha de segunda a s\u00e1bado em um centro de cosm\u00e9ticos, no sul da Cidade do M\u00e9xico, onde aos 30 anos e com seus estudos em cosmetologia, ganha ligeiramente acima do sal\u00e1rio m\u00ednimo, que neste pa\u00eds \u00e9 de apenas US$ 5 por dia. Esta jovem casada, que pediu para n\u00e3o dar o sobrenome, faz tratamentos de beleza e vende produtos como cremes para a pele e b\u00e1lsamos, o que lhe proporciona uma renda com pequenas comiss\u00f5es pelas vendas mensais, cuja meta m\u00ednima \u00e9 de US$ 3 mil, o que representa uma press\u00e3o trabalhista \u201cbastante estressante\u201d.<\/p>\n<p>Sandra contou \u00e0 IPS que \u201ca dona me disse que, como estava come\u00e7ando o neg\u00f3cio, podia pagar o m\u00ednimo, mas se fosse boa com as vendas melhoria minha renda\u201d. A renda comum de Sandra e seu marido, um engenheiro, d\u00e1 para viver o justo, sem nenhum luxo. \u201cMeu marido passou dois meses desempregado e estivemos bem apertados. J\u00e1 conseguiu trabalho e isso nos d\u00e1 tranquilidade, embora nos preocupe que a possibilidade de prosperar esteja distante porque os sal\u00e1rios s\u00e3o muito baixos para a vida como est\u00e1\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Biografias com essa caracterizam a situa\u00e7\u00e3o do emprego e sua incid\u00eancia na desigualdade dominante no M\u00e9xico, pa\u00eds de 118 milh\u00f5es de habitantes. Mas o debate atual sobre o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo parece ignorar essas realidades. \u201cA quest\u00e3o salarial \u00e9 uma coisa de desigualdade. Pode ser um mecanismo de mitiga\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 mais trabalhadores que t\u00eam um peda\u00e7o do bolo cada vez menor. \u00c9 um problema de redistribui\u00e7\u00e3o\u201d, disse Miguel L\u00f3pez, integrante do Observat\u00f3rio de Sal\u00e1rios, da privada Universidade Ibero-Americana de Puebla, na cidade de mesmo nome.<\/p>\n<p>Em seu <em>Informe 2014<\/em>, divulgado em abril, o Observat\u00f3rio ressalta que \u201ca pauperiza\u00e7\u00e3o absoluta da classe trabalhadora se v\u00ea refletida no barateamento do sal\u00e1rio como pre\u00e7o da for\u00e7a de trabalho, na explora\u00e7\u00e3o com maior intensidade da jornada de trabalho e a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es gerais de trabalho, moradia e da vida em geral. O atual sal\u00e1rio m\u00ednimo mexicano de US$ 5 di\u00e1rios \u00e9 o mais baixo da Am\u00e9rica Latina, afirma a institui\u00e7\u00e3o, seguido de Nicar\u00e1gua, Haiti e Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o pior \u00e9 a enorme brecha salarial no pa\u00eds, evidenciado por um estudo de 2013 da firma Hay Group em companhias de grandes capitais mundiais, sobre as diferen\u00e7as entre os sal\u00e1rios do pessoal de alto escal\u00e3o e os novos trabalhadores. Segundo seus resultados, o sal\u00e1rio base de um diretor na Cidade do M\u00e9xico \u00e9 de US$ 10 mil mensais, apenas US$ 417 menos do que um executivo de empresa semelhante em Nova York. Mas o sal\u00e1rio m\u00ednimo federal norte-americano \u00e9 de US$ 7,25 por hora, contra o de US$ 5 por dia pago na capital mexicana.<\/p>\n<p>A Pesquisa Anual de Remunera\u00e7\u00f5es sobre os sal\u00e1rios de presidentes, da consultoria internacional de recursos humanos Mercer, por sua vez, estabeleceu que esse ano no M\u00e9xico o n\u00famero um de uma grande empresa ganhava 121 vezes mais do que o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo, a maior brecha na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>O Artigo 123 da Constitui\u00e7\u00e3o mexicana estipula que \u201cos sal\u00e1rios m\u00ednimos gerais dever\u00e3o ser suficientes para atender as necessidades normais de um chefe de fam\u00edlia, nos \u00e2mbitos material, social e cultural, e para dar a educa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria aos filhos\u201d.<\/p>\n<p>Segundo dados oficiais, no M\u00e9xico a popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa soma 52 milh\u00f5es de pessoas, dos quais mais de 29 milh\u00f5es se desenvolvem na informalidade. O desemprego aberto est\u00e1 em 4,8% e o subemprego (trabalho eventual ou por horas) em 7%. Pesquisa do Centro de An\u00e1lise Multidisciplinar (CAM), da Universidade Aut\u00f4noma do M\u00e9xico (p\u00fablica), indica que os trabalhadores do pa\u00eds que ganham de um a tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos totalizam 4,4 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O estudo <em>F\u00e1brica de Pobres<\/em>, divulgado em maio, afirma que os que recebem entre tr\u00eas e mais de cinco m\u00ednimos s\u00e3o pouco mais de dois milh\u00f5es de trabalhadores. O documento afirma que os mexicanos que embolsam at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos cresceram quase 3% de 2007 a 2013, enquanto o n\u00famero dos que ganham de tr\u00eas a cinco m\u00ednimos caiu 23%, sintoma de um empobrecimento da classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>A renda mensal de Ernesto C. beira os US$ 5 mil, mais b\u00f4nus por produtividade, em um dos maiores bancos privados do M\u00e9xico. \u201cO dinheiro \u00e9 bom, est\u00e1 no n\u00edvel de outros bancos no pa\u00eds e \u00e9 parecido com o de colegas dos Estados Unidos com os quais me relaciono\u201d, afirma esse executivo de 34 anos, que vive com sua noiva em um bairro elegante do oeste da capital.<\/p>\n<p>Ernesto, que dirige uma picape \u00faltimo modelo e gasta quase US$ 300 em uma noitada, explica que conseguiu financiamento para estudar no exterior. \u201cQuando voltei, ao contr\u00e1rio do que pensava, demorei para encontrar uma oferta de emprego atraente, mas finalmente consegui uma boa coloca\u00e7\u00e3o e crescer rapidamente dentro da empresa\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Em 25 de setembro, o esquerdista Miguel Mancera, chefe de Governo do Distrito Federal, onde fica Cidade do M\u00e9xico, apresentou a proposta de elevar para US$ 6 o sal\u00e1rio m\u00ednimo para os funcion\u00e1rios da capital a partir de junho de 2015, em uma medida que busca impulsionar sua extens\u00e3o \u00e0 esfera privada.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico <em>Pol\u00edtica de Recupera\u00e7\u00e3o do Sal\u00e1rio M\u00ednimo no M\u00e9xico e no Distrito Federal. Proposta Para um Acordo<\/em>, elaborado por um grupo de especialistas e com base na oferta de Mancera, diz que o valor real do sal\u00e1rio caiu 71% em n\u00edvel nacional. Essa queda, segundo o documento, serve de for\u00e7a de gravidade para o resto de pagamentos, \u201cde modo que os sal\u00e1rios m\u00ednimos afetam o conjunto da estrutura da renda\u201d.<\/p>\n<p>Para Alicia Puyana, pesquisadora da Faculdade Latino-Americana de Ci\u00eancias Sociais no M\u00e9xico, privilegia-se o combate \u00e0 pobreza acima da desigualdade. \u201cN\u00e3o se quer abordar a fundo as causas da pobreza que se originam em uma m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o da renda. S\u00e3o efeitos da concentra\u00e7\u00e3o da riqueza e de todas as formas de capital. Busca-se atacar os efeitos finais, dos quais o sal\u00e1rio \u00e9 um deles\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>A pobreza afeta 53 milh\u00f5es de mexicanos, segundo o Conselho Nacional de Avalia\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica de Desenvolvimento Social. Em contraste, o n\u00famero de milion\u00e1rios e suas riquezas cresceram entre 2013 e este ano, segundo o informe <em>Riqueza e Bilion\u00e1rios 2014<\/em>, elaborado pela consultoria de Cingapura Wealth-X e pelo banco su\u00ed\u00e7o UBS.<\/p>\n<p>Os mexicanos abastados passaram de 22 para 27 e suas riquezas juntas aumentaram de US$ 137 bilh\u00f5es para US$ 169 bilh\u00f5es. \u201c\u00c9 preciso um pacto social, tem que haver uma aut\u00eantica pol\u00edtica salarial. Que melhor pol\u00edtica social do que a que vai diretamente \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o da renda?\u201d, argumentou L\u00f3pez.<\/p>\n<p>Para o CAM, o sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio para atender as necessidades alimentares b\u00e1sicas seria de aproximadamente US$ 14, enquanto o governo do Distrito Federal o situa em US$ 13. \u201cAumentar o sal\u00e1rio m\u00ednimo 15% ou 20% \u00e9 apenas uma migalha. N\u00e3o compensa o descalabro registrado. Pode-se remediar com uma pol\u00edtica fiscal progressiva, para capturar uma parte das grandes rendas\u201d, opinou Puyana. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 18\/11\/2014 &ndash; Sandra G. trabalha de segunda a s&aacute;bado em um centro de cosm&eacute;ticos, no sul da Cidade do M&eacute;xico, onde aos 30 anos e com seus estudos em cosmetologia, ganha ligeiramente acima do sal&aacute;rio m&iacute;nimo, que neste pa&iacute;s &eacute; de apenas US$ 5 por dia. 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