{"id":18141,"date":"2014-11-18T14:35:51","date_gmt":"2014-11-18T14:35:51","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=125126"},"modified":"2014-11-18T14:35:51","modified_gmt":"2014-11-18T14:35:51","slug":"revista-impulsiona-as-mulheres-sirias-para-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/revista-impulsiona-as-mulheres-sirias-para-o-futuro\/","title":{"rendered":"Revista impulsiona as mulheres s\u00edrias para o futuro"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_125128\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/sirias-chica.jpg\"><img class=\"wp-image-125128\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/sirias-chica.jpg\" alt=\"sirias chica Revista impulsiona as mulheres s\u00edrias para o futuro\" width=\"529\" height=\"348\" title=\"Revista impulsiona as mulheres s\u00edrias para o futuro\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Duas meninas veem passar uma mulher coberta com v\u00e9u em Aleppo, em agosto de 2014. A revista s\u00edria Saiedet Souria quer dar \u00e0s mulheres a informa\u00e7\u00e3o que precisam para terem uma vis\u00e3o mais ampla do mundo e uma voz na revolu\u00e7\u00e3o que em boa parte deixou de lado seus pontos de vista. Foto: Shelly Kittleson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Gaziantep, Turquia, 18\/11\/2014 \u2013 Para a maioria das mulheres s\u00edrias a guerra \u00e9 um desastre. Para outras, por\u00e9m, tamb\u00e9m \u00e9 uma experi\u00eancia libertadora. Yasmine Merei, editora-executiva da revista s\u00edria <em>Saiedet Souria<\/em>, dirigida ao p\u00fablico feminino, est\u00e1 entre aquelas para as quais o rev\u00e9s que sofreram os pap\u00e9is familiares tradicionais e deixar de lado a cultura do medo trouxeram efeitos positivos.<\/p>\n<p>Muitas mulheres s\u00edrias foram obrigadas a se converterem em chefes de fam\u00edlia, pois seus maridos est\u00e3o desaparecidos, presos, feridos ou mortos, assinalou Merei \u00e0 IPS. Mas, ainda que valerem-se por si mesmas possa ser aterrador, tamb\u00e9m pode libert\u00e1-las das correntes tradicionais que lhes impuseram.<\/p>\n<p>\u201cSe teu marido n\u00e3o \u00e9 quem paga tudo e tem esse papel espec\u00edfico na sociedade, ele j\u00e1 n\u00e3o tem direito de lhe dizer o que tem de fazer\u201d, acrescentou Mohammad Mallak, editor-chefe da revista, cujo nome significa \u201cmulheres s\u00edrias\u201d, fundada por ele no come\u00e7o deste ano. Mallak tamb\u00e9m dirige a revista <em>Dawda <\/em>(\u201cru\u00eddo\u201d), no mesmo escrit\u00f3rio, na cidade turca de Gaziantep.<\/p>\n<p>Poucas mulheres que aparecem nas fotografias da revista t\u00eam suas cabe\u00e7as cobertas. A pr\u00f3pria Merei deixou de usar o len\u00e7o que cobria a sua no come\u00e7o do ano, ap\u00f3s us\u00e1-lo \u201cpor cerca de 20 anos\u201d, devido \u00e0 sua cria\u00e7\u00e3o dentro de uma fam\u00edlia sunita pobre e conservadora. Merei contou que come\u00e7ou a participar dos protestos de 2011 por serem injustas as leis s\u00edrias, especialmente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres. Entre elas citou as que deixam impunes as mortes de honra.<\/p>\n<p>Como muitas mulheres s\u00edrias, Merei, que fez mestrado em lingu\u00edstica, se converteu na respons\u00e1vel por manter sua fam\u00edlia, enviando dinheiro \u00e0 sua m\u00e3e e aos irm\u00e3os, ambos presos por protestarem e libertados somente depois de pagaram elevados subornos. Seu velho pai morreu pouco depois de tamb\u00e9m ter sido preso, e a fam\u00edlia foi obrigada a abandonar sua casa.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, contar hist\u00f3rias de mulheres n\u00e3o significa simplesmente v\u00edtimas femininas contarem os horrores e as pen\u00farias de suas vidas. Embora n\u00e3o recuse hist\u00f3rias de mulheres que sofreram muito, Merei quer, principalmente, dar ao p\u00fablico feminino a informa\u00e7\u00e3o que ela precisa para ter uma vis\u00e3o mais ampla do mundo e uma voz em uma revolu\u00e7\u00e3o que, em boa parte, n\u00e3o ouviu seus pontos de vista.<\/p>\n<p>Assim, nas p\u00e1ginas da revista impressa e em sua p\u00e1gina no Facebook convivem um relato de primeira m\u00e3o de uma mulher que foi torturada nas pris\u00f5es do regime s\u00edrio, junto com uma cr\u00edtica de <em>A Mulher Eunuco<\/em>, de Germaine Greer, e uma entrevista com uma oficial de pol\u00edcia que trabalha nas \u00e1reas controladas pela oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 artigos sobre como a depend\u00eancia econ\u00f4mica for\u00e7ada afeta negativamente tanto as mulheres quanto as economias nacionais em geral, e outros que analisam os potenciais problemas sanit\u00e1rios que surgem nos acampamentos de refugiados, como a tuberculose. Tamb\u00e9m h\u00e1 uma coluna publicada regularmente por uma advogada que est\u00e1 em \u00e1reas do regime e que antes passou 13 anos na pris\u00e3o por motivos pol\u00edticos, bem como dois artigos traduzidos da imprensa internacional.<\/p>\n<p>A revista chega a ter cerca de 50 p\u00e1ginas por exemplar, e em cada edi\u00e7\u00e3o Souria publica artigos da Conven\u00e7\u00e3o sobre a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o Contra a Mulher (Cedaw), adotada em1979 pela Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), e na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o a publicar\u00e1 na \u00edntegra, afirmou Merei.<\/p>\n<p>A revista tem tiragem entre 4.500 e cinco mil exemplares por edi\u00e7\u00e3o (aproximadamente 3.500 s\u00e3o distribu\u00eddos dentro da S\u00edria por interm\u00e9dio de uma de suas quatro sucursais). A isso se soma uma p\u00e1gina no Facebook com cerca de 40 mil seguidoras, onde os artigos s\u00e3o publicados regularmente.<\/p>\n<p>Para um pa\u00eds onde Facebook e YouTube estiveram proibidos entre 2007 e come\u00e7o de fevereiro de 2011, e onde a internet e a eletricidade escasseiam, trata-se de um n\u00famero significativo. A S\u00edria figura na lista de inimigos da internet desde que a organiza\u00e7\u00e3o Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras a criou em 2006.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de suas sucursais em Daraa, Damasco, Suweida e Qamishli, a revista vai abrir outra em Aleppo, ressaltou Merei, explicando que \u201cas dez mulheres que trabalham para n\u00f3s dentro da revista recebem um sal\u00e1rio regular de US$ 200 e s\u00e3o respons\u00e1veis por distribuir as c\u00f3pias, al\u00e9m de convocar outras mulheres para reuni\u00f5es e iniciativas semelhantes\u201d. Os exemplares s\u00e3o entregues em mercados e conselhos locais, e em pelo menos um desses lugares as mulheres t\u00eam um sistema para fazer recircular as limitadas c\u00f3pias t\u00e3o logo as l\u00eaem, explicou Merei.<\/p>\n<p>A Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras realizou dois pain\u00e9is para a revista, em abril e setembro deste ano, e ofereceu doa\u00e7\u00e3o de equipamentos, mas \u201cn\u00f3s temos equipamento b\u00e1sico: impressoras, computadores\u201d comprados a partir de um investimento inicial de Mallak, informou a editora. Mas \u201co que realmente precis\u00e1vamos era papel e tinta para fazer a revista chegar ao maior n\u00famero poss\u00edvel de mulheres. Ent\u00e3o, a Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras abriu uma exce\u00e7\u00e3o e nos ofereceu isso\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Merei, o objetivo \u201c\u00e9 ajudar as mulheres s\u00edrias a recuperarem a confian\u00e7a em si mesmas\u201d. Essa confian\u00e7a se viu debilitada pela guerra e pelo uso da \u201creligi\u00e3o\u201d para controlar as mulheres em \u00e1reas isl\u00e2micas, que, quando ela as visitou pela \u00faltima vez, no come\u00e7o deste ano, \u201ceram como se o pa\u00eds tivesse voltado \u00e0 Idade da Pedra\u201d, recordou. \u201cSou mu\u00e7ulmana sunita, mas o Isl\u00e3 ali n\u00e3o se parece com nenhum que eu conhe\u00e7o\u201d, observou.<\/p>\n<p>\u201cUm dos principais problemas \u00e9 que os intelectuais da S\u00edria est\u00e3o na pris\u00e3o, no exterior ou mortos\u201d, apontou \u00e0 IPS um s\u00edrio que viveu a maior parte de sua vida fora do pa\u00eds e h\u00e1 pouco decidiu regressar para trabalhar para que tenha aulas universit\u00e1rias em Aleppo, cidade dominada pela oposi\u00e7\u00e3o. \u201cPraticamente n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que estruture nada, ningu\u00e9m que plante ideias\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>E, segundo Merei, \u00e9 isto que a revista e suas atividades correlacionadas buscam abordar. \u201cTentamos dar \u00e0s s\u00edrias o conhecimento que necessitar\u00e3o no futuro\u201d, resumiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Gaziantep, Turquia, 18\/11\/2014 &ndash; Para a maioria das mulheres s&iacute;rias a guerra &eacute; um desastre. Para outras, por&eacute;m, tamb&eacute;m &eacute; uma experi&ecirc;ncia libertadora. 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