{"id":18148,"date":"2014-11-25T17:04:05","date_gmt":"2014-11-25T17:04:05","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=125395"},"modified":"2014-11-25T17:04:05","modified_gmt":"2014-11-25T17:04:05","slug":"o-tempo-se-esgota-para-o-desarmamento-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/o-tempo-se-esgota-para-o-desarmamento-nuclear\/","title":{"rendered":"O tempo se esgota para o desarmamento nuclear"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_125397\" style=\"width: 230px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/premio-chica2.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-125397\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/premio-chica2.jpg\" alt=\"premio chica2 O tempo se esgota para o desarmamento nuclear\" width=\"220\" height=\"287\" title=\"O tempo se esgota para o desarmamento nuclear\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Jayantha Dhanapala. Foto: CC BY-SA 23.0<\/p><\/div>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 25\/11\/2014 \u2013 Um mundo livre de armas nucleares pode e deve se concretizar enquanto eu estiver vivo. Isso pode parecer uma declara\u00e7\u00e3o audaz e bastante otimista depois de ter dedicado minha vida a trabalhar pela paz e pelo desarmamento.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, consideremos as atuais amea\u00e7as globais, 25 anos depois da queda do Muro de Berlim, que simbolizou o fim da Guerra Fria, e com vistas ao 70\u00ba anivers\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), o f\u00f3rum criado para harmonizar as a\u00e7\u00f5es dos 193 Estados membros com mandato pela Carta para manter a paz e a seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Temos o quinto Informe de Avalia\u00e7\u00e3o do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC), que expressa a mensagem amb\u00edgua de que o fen\u00f4meno \u00e9 consequ\u00eancia das atividades humanas e que se n\u00e3o for controlado derivar\u00e1 em uma cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p>Temos o problema da desigualdade de renda em todo o mundo. Os 1,2 bilh\u00e3o de pessoas mais pobres s\u00e3o respons\u00e1veis por 1% do consumo, enquanto o milh\u00e3o mais rico responde por 72%. Isso aumenta a frustra\u00e7\u00e3o e a tens\u00e3o, em especial entre os jovens, que constituem 26% da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Temos extremismo religioso, racismo e viol\u00eancia bestial do Ex\u00e9rcito Isl\u00e2mico, do Boko Haram e outros grupos an\u00e1rquicos, que desafiam nossas normas sociais civilizadas e os valores compartilhados.<\/p>\n<p>Temos o terrorismo de Estado de Israel, que trava uma guerra desigual contra os palestinos, enquanto ocupam seu territ\u00f3rio privando-os de terem um Estado e violando o direito internacional.<\/p>\n<p>Temos mais de 50 milh\u00f5es de deslocados em raz\u00e3o de guerras e viol\u00eancia, 33,3 milh\u00f5es em seus pr\u00f3prios pa\u00edses e cerca de 16,7 milh\u00f5es de refugiados, o maior n\u00famero desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).<\/p>\n<p>Temos o problema de fome, enfermidades, pobreza e viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos que continuam desfigurando a condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>As armas nucleares poder\u00e3o dissuadir essas amea\u00e7as? Ou, dizendo de outra forma, servir\u00e3o para resolver esses problemas? N\u00e3o \u00e9 mais prov\u00e1vel que, em um mundo de abastados e despossu\u00eddos, se d\u00ea uma crescente prolifera\u00e7\u00e3o, que inclui atores terroristas n\u00e3o estatais?<\/p>\n<p>A evid\u00eancia cient\u00edfica mostra que at\u00e9 uma guerra nuclear limitada, se \u00e9 que algo assim \u00e9 poss\u00edvel, derivar\u00e1 em uma irrevers\u00edvel mudan\u00e7a clim\u00e1tica e na destrui\u00e7\u00e3o sem precedentes de vidas humanas e da ecologia que a sustenta.<\/p>\n<p>N\u00f3s, o povo, temos a \u201cresponsabilidade de proteger\u201d o mundo das armas nucleares at\u00f4micas, proibindo-as mediante uma Conven\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares verific\u00e1vel e anulando todas as outras autoproclamadas aplica\u00e7\u00f5es de \u201cresponsabilidade para proteger\u201d.<\/p>\n<p>Apesar dessas provas esmagadoras, o mundo ainda tem 16.300 ogivas nucleares em m\u00e3os de nove pa\u00edses, mas Estados Unidos e R\u00fassia possuem 93% do total, e quatro mil destas est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o operacional. A possibilidade de uso por vontade pol\u00edtica, ciberataque ou por acidente por parte de um Estado ou de um ator n\u00e3o estatal \u00e9 mais real do que n\u00f3s, em nosso casulo de complac\u00eancia, decidimos reconhecer.<\/p>\n<p>Em tempos de minguantes recursos para o desenvolvimento, destina-se a bagatela de US$ 1,7 trilh\u00e3o a armas, em geral, e \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o das at\u00f4micas, em particular. S\u00f3 nos Estados Unidos, e em flagrante contradi\u00e7\u00e3o com as promessas do presidente Barack Obama, a moderniza\u00e7\u00e3o das armas nucleares custar\u00e1 US$ 355 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos dez anos.<\/p>\n<p>Um general de vis\u00e3o de futuro e duas vezes presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower (1953-1961), alertou h\u00e1 50 anos sobre a influ\u00eancia insidiosa do \u201ccomplexo industrial militar\u201d em seu pa\u00eds. Essa influ\u00eancia, refor\u00e7ada por um desejo insaci\u00e1vel de lucro, se propagou por todo o mundo, avivando as chamas das guerras, mesmo com a ONU e outros defensores da paz tentando encontrar solu\u00e7\u00f5es pac\u00edficas de acordo com sua Carta.<\/p>\n<p>Estou orgulhoso de que a Confer\u00eancias de Pugwash sobre Ci\u00eancia e Assuntos Mundiais, que tenho o privil\u00e9gio de encabe\u00e7ar atualmente, esteja h\u00e1 mais de cinco d\u00e9cadas perseguindo a erradica\u00e7\u00e3o das armas nucleares com base no Manifesto de Londres, de 1955, assinado por Albert Einstein e Lord Bertrand Russell.<\/p>\n<p>Joseph Rotblat, um dos pais-fundadores da Confer\u00eancias de Pugwash, que abandonou o Projeto Manhattan como objetante de consci\u00eancia, dividiu o pr\u00eamio Nobel da Paz com a Pugwash em 1995.<\/p>\n<p>A Pugwash n\u00e3o \u00e9 outra coisa que n\u00e3o um dos movimentos de cidad\u00e3os que desde 1945 reclamam a aboli\u00e7\u00e3o das armas nucleares. Foi a press\u00e3o da sociedade civil que por fim possibilitou o Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o Completa dos Testes Nucleares e outros significativos \u00eaxitos rumo \u00e0 proscri\u00e7\u00e3o total desse armamento. O mundo j\u00e1 conseguiu a proibi\u00e7\u00e3o de outras duas categorias de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa, as biol\u00f3gicas e as qu\u00edmicas.<\/p>\n<p>Duas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, Ican e Pax, rastrearam minuciosamente o dinheiro por tr\u00e1s das armas nucleares e revelaram, em seu informe <i>Don\u2019t Bank on the Bomb<\/i> (N\u00e3o Financiem as Bombas), que, desde janeiro de 2011, 411 diferentes bancos, companhias de seguros e fundos de pens\u00e3o investiram US$ 402 bilh\u00f5es em 28 pa\u00edses na ind\u00fastria de armas nucleares. As na\u00e7\u00f5es com armas at\u00f4micas gastam no total mais de US$ 100 bilh\u00f5es por ano em suas for\u00e7as nucleares.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o que fa\u00e7am suas pr\u00f3prias contribui\u00e7\u00f5es ao desarmamento nuclear unindo-se \u00e0 campanha de desinvestimento. A d\u00e9bil ret\u00f3rica de Obama em seu c\u00e9lebre discurso de Praga, em abril de 2009, sobre um mundo livre de armas nucleares, tem pouco do que se orgulhar se a sociedade civil n\u00e3o atuar.<\/p>\n<p>Vi o mundo superar muitos obst\u00e1culos, o colonialismo, o movimento dos direitos civis nos Estados Unidos, o fim do odioso apartheid na \u00c1frica do Sul, e, por fim, a Guerra Fria.<\/p>\n<p>O desarmamento nuclear tamb\u00e9m \u00e9 um objetivo alcan\u00e7\u00e1vel e n\u00e3o uma miragem, como querem nos fazer crer os Estados nucleares. O \u00eaxito de um acordo final pelo programa nuclear do Ir\u00e3 e a pr\u00f3xima Confer\u00eancia de Revis\u00e3o do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares em 2015 s\u00e3o oportunidades para evitarmos a prolifera\u00e7\u00e3o erradicando essas armas.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso felicitar a Inter Press Service (IPS) por seu 50\u00ba anivers\u00e1rio. Ao servir a causa do mundo em desenvolvimento, a ag\u00eancia mant\u00e9m os importantes princ\u00edpios de igualdade e justi\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es internacionais defendendo o fim do interc\u00e2mbio desigual em todas as suas formas.<\/p>\n<p>Estou profundamente agradecido pelo pr\u00eamio, que honra as organiza\u00e7\u00f5es com as quais trabalhei em uma longa luta para livrar o mundo das armas mais desumanas e destrutivas j\u00e1 inventadas. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><i>* Este artigo \u00e9 parte do discurso pronunciado por Jayantha Dhanapala, no dia 17 deste m\u00eas, quando recebeu o Pr\u00eamio ao \u00caxito Internacional pelo Desarmamento Nuclear da ag\u00eancia de not\u00edcias Inter Press Service (IPS).<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 25\/11\/2014 &ndash; Um mundo livre de armas nucleares pode e deve se concretizar enquanto eu estiver vivo. Isso pode parecer uma declara&ccedil;&atilde;o audaz e bastante otimista depois de ter dedicado minha vida a trabalhar pela paz e pelo desarmamento. 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