{"id":18154,"date":"2014-11-26T13:24:10","date_gmt":"2014-11-26T13:24:10","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=125455"},"modified":"2014-11-26T13:24:10","modified_gmt":"2014-11-26T13:24:10","slug":"paraplegicos-do-paquistao-aprendem-a-se-valorizar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/paraplegicos-do-paquistao-aprendem-a-se-valorizar\/","title":{"rendered":"Parapl\u00e9gicos do Paquist\u00e3o aprendem a se valorizar"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_125457\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/pakistan.jpg\"><img class=\"wp-image-125457\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/pakistan.jpg\" alt=\"pakistan Parapl\u00e9gicos do Paquist\u00e3o aprendem a se valorizar\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Parapl\u00e9gicos do Paquist\u00e3o aprendem a se valorizar\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mais de duas mil mulheres deficientes f\u00edsicas recebem tratamento no Centro para Parapl\u00e9gicos de Peshawar, norte do Paquist\u00e3o, onde aprendem of\u00edcios para ganhar a vida ao receberem alta. Foto: Ashfaq Yusufzai\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Peshawar, Paquist\u00e3o, 26\/11\/2014 \u2013 Quando, no dia 22 de agosto, uma bala perdida, disparada por um integrante do movimento extremista Talib\u00e3, se alojou em sua coluna, a paquistanesa Shakira Bibi, de 22 anos, perdeu toda esperan\u00e7a de algum dia ter uma vida normal. Sua fam\u00edlia mudou-se apressadamente para o Complexo M\u00e9dico de Hayatabad, em Peshawar, capital da prov\u00edncia de Jyber Pajtunjwa, mas os m\u00e9dicos lhe disseram que ficaria prostrada para toda vida.<\/p>\n<p>Bibi sofreu uma forte depress\u00e3o, convencida de que sua fam\u00edlia a rejeitaria por sua defici\u00eancia. Inclusive pensou que n\u00e3o poderia cuidar de sua filha, especialmente porque seu marido pegou tuberculose em 2012 e ela se convertera no \u00fanico meio de sustento da fam\u00edlia. Mas seus temores eram infundados. Atualmente Bibi, que mora na atribulada Ag\u00eancia do Wazirist\u00e3o do Norte, nas \u00c1reas Tribais Administradas Federalmente (Fata), fronteiri\u00e7as com o Afeganist\u00e3o, \u00e9 uma costureira e bordadeira de sucesso e cuida perfeitamente de sua pequena fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Tudo isso gra\u00e7as ao Centro para Parapl\u00e9gicos de Peshawar (PPC), o \u00fanico de seu tipo no Paquist\u00e3o, onde Bibi realiza tratamento intensivo de fisioterapia. Ela j\u00e1 d\u00e1 sinais de recupera\u00e7\u00e3o, mas isso n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica coisa que a faz feliz. \u201cSua verdadeira alegria \u00e9 o of\u00edcio que aprendeu no Centro\u201d, contou \u00e0 IPS sua m\u00e3e, Zar Lajta. \u201cSeu futuro j\u00e1 n\u00e3o nos preocupa\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo o diretor-executivo do PPC, Syed Muhammad Ilyas, a maioria das pessoas que sofre uma les\u00e3o na coluna vertebral perde a mobilidade para sempre. \u201cAo contr\u00e1rio de outros ossos, a coluna n\u00e3o s\u00f3 mant\u00e9m nosso corpo como protege o tecido nervoso chamado medula espinhal, que conecta o corpo ao c\u00e9rebro\u201d, explicou \u00e0 IPS. Se essa conex\u00e3o for cortada, uma pessoa pode ficar literalmente prisioneira de seu pr\u00f3prio corpo, perder o controle de esf\u00edncteres, bem como o uso das pernas. O aspecto f\u00edsico desse tipo de les\u00e3o \u00e9 suficiente para afundar o paciente em um profundo desespero.<\/p>\n<p>\u201cEmbora n\u00e3o acreditem, 80% de nossos pacientes s\u00e3o arrimo de suas fam\u00edlias\u201d, ressaltou Ilyas. \u201cMais de 90% s\u00e3o pobres\u201d ou vivem com menos de US$ 2 por dia, acrescentou. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante encontrar emprego para esses pacientes quanto submet\u00ea-los a um tratamento de fisioterapia que lhes permita recuperar o controle de seus membros.<\/p>\n<p>A maioria das fam\u00edlias viaja entre cem e 140 quil\u00f4metros para chegar ao PPC, um esfor\u00e7o sempre compensado. Al\u00e9m do tratamento e da capacita\u00e7\u00e3o, o Centro oferece atendimento psicol\u00f3gico em grupo e individual como forma de ajudar o paciente a recuperar sua dignidade e autoestima.<\/p>\n<p>Esse foi o caso de Muhammad Shahid, de 40 anos, que sofreu uma les\u00e3o na coluna no distrito de Swat, prov\u00edncia de Jyber Pajtunjwa, em 2008. \u201cAp\u00f3s passar por cirurgia em um hospital estatal, me mandaram para o CPP, onde aprendi a bordar. Agora trabalho em casa e ganho cerca de US$ 300 por m\u00eas, com os quais posso educar meus dois filhos e minha filha\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O PPC foi criado em 1979 pelo Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha, para oferecer tratamento gratuito \u00e0s pessoas feridas durante a interven\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica no Afeganist\u00e3o, entre 1979 e 1989. Depois, o governo passou a administrar o Centro e abriu v\u00e1rias cl\u00ednicas nas \u00e1reas tribais. O centro \u00e9 uma ben\u00e7\u00e3o para milhares de pessoas feridas em enfrentamentos armados entre insurgentes e as for\u00e7as do governo, as quais desde 2001 lutam para controlar a regi\u00e3o montanhosa do Paquist\u00e3o na fronteira com o Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>O diretor-geral dos servi\u00e7os de sa\u00fade de Jyber Pajtunjwa, Wahid Burki, detalhou \u00e0 IPS que mais de 40 mil pessoas, entre elas cinco mil funcion\u00e1rios de seguran\u00e7a e 3.500 civis, perderam a vida desde 2005. Outras dez mil ficaram feridas. Al\u00e9m disso, aproximadamente 90% das pessoas atendidas no PPC foram feridas em conflitos.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos pacientes tem entre 20 e 30 anos, isto \u00e9, integram o setor mais produtivo da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa. Eles chegam ao Centro temendo o pior\u201d, pontuou Burki. Mas todos saem se sentindo integrantes produtivos da sociedade, capacitados para ganhar a vida, apesar de estarem em uma cadeira de rodas. \u201cCerca de tr\u00eas mil pacientes est\u00e3o progredindo. Deles, cerca de duas mil s\u00e3o mulheres\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds onde a renda m\u00e9dia anual \u00e9 de US$ 1.250, segundo dados oficiais, o custo do tratamento de les\u00f5es de medula supera amplamente as possibilidades da maioria das fam\u00edlias. Em lugares como Estados Unidos ou Europa a reabilita\u00e7\u00e3o de um paciente com esse tipo de problema pode chegar a US$ 1 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao oferecer servi\u00e7os gratuitos e desenvolver equipe e tecnologia de baixo custo, o PPC fecha uma enorme brecha em sa\u00fade em um pa\u00eds muito desigual. Ziaur Rehman, administrador do Centro, apontou \u00e0 IPS que h\u00e1 planos para o PPC se converter em um \u201ccentro de excel\u00eancia\u201d para pacientes com les\u00f5es de medula espinhal de todas as partes do mundo nos pr\u00f3ximos cinco anos.<\/p>\n<p>Espera-se criar um efeito multiplicador, com os que recebem tratamento no PPC compartilhando o que aprenderam com suas respectivas comunidades. Um exemplo desse desejo \u00e9 Sahin Begum, de 24 anos, que agora dirige sua pr\u00f3pria oficina de bordado no distrito de Hangu, em Jyber Pajtunjwa. Imobilizada por uma les\u00e3o de coluna em 2011, recebeu um tratamento rigoroso, ao mesmo tempo em que aprendia computa\u00e7\u00e3o e pintura de telas. \u201cAgora ensino as t\u00e9cnicas a outras mulheres do meu bairro e meus filhos frequentam uma boa escola\u201d, contou com satisfa\u00e7\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Peshawar, Paquist&atilde;o, 26\/11\/2014 &ndash; Quando, no dia 22 de agosto, uma bala perdida, disparada por um integrante do movimento extremista Talib&atilde;, se alojou em sua coluna, a paquistanesa Shakira Bibi, de 22 anos, perdeu toda esperan&ccedil;a de algum dia ter uma vida normal. 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