{"id":18162,"date":"2014-11-27T14:48:03","date_gmt":"2014-11-27T14:48:03","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=125550"},"modified":"2014-11-27T14:48:03","modified_gmt":"2014-11-27T14:48:03","slug":"o-xisto-deixa-a-opep-sem-o-doce-dos-precos-altos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/o-xisto-deixa-a-opep-sem-o-doce-dos-precos-altos\/","title":{"rendered":"O xisto deixa a Opep sem o doce dos pre\u00e7os altos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_125552\" style=\"width: 453px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/mapa.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-125552\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/mapa.jpg\" alt=\"mapa O xisto deixa a Opep sem o doce dos pre\u00e7os altos\" width=\"443\" height=\"472\" title=\"O xisto deixa a Opep sem o doce dos pre\u00e7os altos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ranking de reservas recuper\u00e1veis de petr\u00f3leo e g\u00e1s de xisto, que revolucionou o mapa mundial dos combust\u00edveis f\u00f3sseis. Foto: ProfesionalMovil<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caracas, Venezuela, 27\/11\/2014 \u2013 A febre dos hidrocarbonos de xisto e o xadrez pol\u00edtico em que est\u00e3o imersas pot\u00eancias produtoras e consumidoras de petr\u00f3leo colocam a Organiza\u00e7\u00e3o de Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo (Opep) em um dos mais duros momentos de seus 54 anos de hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A Opep \u201cse deliciou durante v\u00e1rios anos com pre\u00e7os altos, de aproximadamente US$ 100 o barril (de 159 litros). Se os tivessem mantido em cerca de US$ 70, o petr\u00f3leo de xisto (de rocha) n\u00e3o teria entrado para competir com tanto vigor\u201d, opinou \u00e0 IPS o especialista Elie Habali\u00e1n, ex-representante da Venezuela junto \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O grupo de 12 membros (Angola, Ar\u00e1bia Saudita, Arg\u00e9lia, Catar, Equador, Emirados \u00c1rabes Unidos, Ir\u00e3, Iraque, Kuwait, L\u00edbia, Nig\u00e9ria e Venezuela) enfrenta uma queda na produ\u00e7\u00e3o, que implicaria sacrificar mercados, durante a reuni\u00e3o ministerial que acontece hoje em Viena, a de n\u00famero 166 desde que a Opep foi fundada, em 14 de setembro de 1960.<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os do petr\u00f3leo, que subiram desde 2003 at\u00e9 mais de US$ 140 o barril em 2008, desmoronaram com a crise financeira global que explodiu nesse ano, mas nesta d\u00e9cada se recuperaram e se mantiveram em torno dos US$ 100 por unidade.<\/p>\n<p>No entanto, nos Estados Unidos come\u00e7ou a prosperar a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s n\u00e3o convencionais, contidos nos xistos (rochas sedimentares localizadas em grande profundidade, conhecidas como lutitas), que eram inalcan\u00e7\u00e1veis pela tecnologia e pelos capitais dispon\u00edveis ao longo do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>Habali\u00e1n recordou que, desde a crise e do embargo petroleiro \u00e1rabe de 1973, \u201co Ocidente e o Jap\u00e3o estabeleceram uma estrat\u00e9gia para conseguir uma situa\u00e7\u00e3o de mercado est\u00e1vel e sob seu controle e n\u00e3o dos pa\u00edses exportadores\u201d. Nela n\u00e3o faltaram os sobressaltos, como o de que h\u00e1 40 anos n\u00e3o se previa que a China, junto com a \u00cdndia e outras pot\u00eancias emergentes, resultassem em economias de grande crescimento com um voraz consumo de hidrocarbonos, o que levantou os produtores de petr\u00f3leo e g\u00e1s.<\/p>\n<p>Mas, \u201ccom pre\u00e7os altos, enquanto os exportadores financiavam campanhas geopol\u00edticas, como os conflitos no Oriente M\u00e9dio ou a influ\u00eancia da Venezuela na Am\u00e9rica Latina, sob a presid\u00eancia de Hugo Ch\u00e1vez (1999-2013), as grandes corpora\u00e7\u00f5es se dedicaram a investir em tecnologia e novas faixas de neg\u00f3cio\u201d, explicou Habali\u00e1n.<\/p>\n<p>O crescimento da explora\u00e7\u00e3o dos hidrocarbonos de xisto \u201cs\u00f3 fez adiantar resultados dessa estrat\u00e9gia permanente do Ocidente. Esse petr\u00f3leo chegou para ficar, seu pre\u00e7o baixar\u00e1 na medida em que progredir a tecnologia e desse modo diminui e coloca um teto \u00e0 oferta da Opep\u201d, acrescentou o especialista.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/World_Oil_Production12.jpg\"><img class=\"aligncenter wp-image-125553\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/World_Oil_Production12.jpg\" alt=\"World Oil Production12 O xisto deixa a Opep sem o doce dos pre\u00e7os altos\" width=\"540\" height=\"332\" title=\"O xisto deixa a Opep sem o doce dos pre\u00e7os altos\" \/><\/a><\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o dos xistos acontece mediante fratura hidr\u00e1ulica (<em>fracking<\/em>), procedimento caro que exige pre\u00e7os altos do petr\u00f3leo para ser rent\u00e1vel, e que \u00e9 ambientalmente question\u00e1vel, porque acarreta grande consumo de \u00e1gua e movimentos do subsolo com consequ\u00eancias ainda a serem determinadas.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo de xisto j\u00e1 \u00e9 um grande ator no mercado energ\u00e9tico global com produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de 3,5 milh\u00f5es de barris, principalmente nos Estados Unidos, que assim poder\u00e1 se converter, nos \u00faltimos anos desta d\u00e9cada, no primeiro produtor mundial, com mais de nove milh\u00f5es de barris di\u00e1rios, acima de R\u00fassia e Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>A Ar\u00e1bia Saudita \u00e9 h\u00e1 d\u00e9cadas o maior produtor e de fato o l\u00edder da Opep, pois sua extra\u00e7\u00e3o de quase dez milh\u00f5es de barris di\u00e1rios agrega uma capacidade de produ\u00e7\u00e3o fechada de quase dois milh\u00f5es de unidades, o que lhe permitiu aumentar ou diminuir a oferta nos ciclos de escassez ou abund\u00e2ncia de petr\u00f3leo no mercado.<\/p>\n<p>O mercado, de aproximadamente 91 milh\u00f5es de barris, que s\u00e3o consumidos diariamente e dos quais a Opep fornece um ter\u00e7o, d\u00e1 sinais de estar superabastecido com a oferta aumentada pelo petr\u00f3leo de xisto, pela fr\u00e1gil economia da Europa e com a desacelera\u00e7\u00e3o de economias emergentes, desde a China at\u00e9 o Brasil.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo est\u00e1 cerca de 30% mais barato do que h\u00e1 um ano. O tipo Brent do Mar do Norte, refer\u00eancia europeia, est\u00e1 cotado a US$ 80 o barril, contra os US$ 110 do fechamento de 2013. O West Texas, marcador norte-americano, \u00e9 comercializado a US$ 75, e o petr\u00f3leo venezuelano a menos de US$ 70, mas chegou a ser vendido a mais de US$ 100.<\/p>\n<p>A Ar\u00e1bia Saudita \u201cparece decidida a responder agressivamente em defesa de sua cota de mercado, inclusive se isso significar pre\u00e7os menores por alguns anos\u201d, afirmou \u00e0 IPS o especialista Kenneth Ram\u00edrez, docente de geopol\u00edtica e petr\u00f3leo na Universidade Central da Venezuela.<\/p>\n<p>Dessa forma, os sauditas confrontariam o Ir\u00e3, seu rival no mundo isl\u00e2mico (e que, com Venezuela, R\u00fassia ou Nig\u00e9ria, precisam com urg\u00eancia da maior renda poss\u00edvel no curto prazo) e desestimulariam, com petr\u00f3leo convencional barato, o desenvolvimento do grande rival no horizonte, o xisto.<\/p>\n<p>Adicionalmente, segundo enfoques com os de Habali\u00e1n e Ram\u00edrez, os pre\u00e7os baixos e um mercado com mais petr\u00f3leo dispon\u00edvel \u201ccastigariam\u201d na\u00e7\u00f5es como a S\u00edria e seu grande suporte, a R\u00fassia, confrontada com o Ocidente pelo conflito que tem seu eixo na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>No imediato, a Opep pode optar pela tese saudita, de manter o <em>status quo<\/em> e deixar que os pre\u00e7os do petr\u00f3leo caiam para US$ 70, ou menos, o barril, apostando que isso possa enfraquecer o desenvolvimento do xisto e que haja uma recupera\u00e7\u00e3o das economias de Europa, China e outras na\u00e7\u00f5es emergentes.<\/p>\n<p>A Venezuela tratou de promover outra op\u00e7\u00e3o, com intensa viagem de seu chanceler, Rafael Ram\u00edrez, por capitais petroleiras, da Cidade do M\u00e9xico a Moscou, passando por Teer\u00e3, mas sem tocar Riad: a de reduzir a produ\u00e7\u00e3o para elevar os pre\u00e7os, confiando em que a capacidade para extrair petr\u00f3leo de xisto diminua em poucos anos.<\/p>\n<p>Um componente que colabora para esse fim, disse Habali\u00e1n, \u00e9 a press\u00e3o dos movimentos ambientalistas, sobretudo nos Estados Unidos e no Canad\u00e1, que recha\u00e7am a explora\u00e7\u00e3o comercial do xisto devido ao seu impacto nas fontes de \u00e1gua e \u00e0 inje\u00e7\u00e3o de qu\u00edmicos contaminantes que a hidrofratura requer, al\u00e9m das altera\u00e7\u00f5es do subsolo.<\/p>\n<p>Uma terceira sa\u00edda, segundo Ram\u00edrez, seria ratificar o teto grupal de produ\u00e7\u00e3o da Opep, de 30 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios, o que retiraria do mercado uma pequena por\u00e7\u00e3o com a qual atualmente se excedem os s\u00f3cios. \u201cEmbora impacte pouco os pre\u00e7os, isso enviaria um sinal de que a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 contra a parede\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, no m\u00e9dio e longo prazo, segundo Habali\u00e1n, diante de uma Opep ferida por suas urg\u00eancias pol\u00edticas e or\u00e7ament\u00e1rias, se continua apontando uma nova arquitetura energ\u00e9tica coerente com a favor\u00e1vel estabilidade do mercado buscada pelo Ocidente. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Caracas, Venezuela, 27\/11\/2014 &ndash; A febre dos hidrocarbonos de xisto e o xadrez pol&iacute;tico em que est&atilde;o imersas pot&ecirc;ncias produtoras e consumidoras de petr&oacute;leo colocam a Organiza&ccedil;&atilde;o de Pa&iacute;ses Exportadores de Petr&oacute;leo (Opep) em um dos mais duros momentos de seus 54 anos de hist&oacute;ria. 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