{"id":18168,"date":"2014-11-28T13:36:51","date_gmt":"2014-11-28T13:36:51","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=125640"},"modified":"2014-11-28T13:36:51","modified_gmt":"2014-11-28T13:36:51","slug":"a-agroecologia-e-a-solucao-para-a-fome-e-a-mudanca-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/11\/ultimas-noticias\/a-agroecologia-e-a-solucao-para-a-fome-e-a-mudanca-climatica\/","title":{"rendered":"A agroecologia \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para a fome e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_125642\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/EL-SALVADOR-05_o_1000_Adolfo-629x418.jpg\"><img class=\"wp-image-125642\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/EL-SALVADOR-05_o_1000_Adolfo-629x418.jpg\" alt=\"EL SALVADOR 05 o 1000 Adolfo 629x418 A agroecologia \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para a fome e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"A agroecologia \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para a fome e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O salvadorenho Adolfo \u00e9 um exemplo dos benef\u00edcios da agroecologia camponesa. Foto: Jason Taylor\/Amigos da Terra Internacional<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lima, Peru, 28\/11\/2014 \u2013 Cientistas especializados em mudan\u00e7a clim\u00e1tica divulgaram no dia 2 sua mais recente advert\u00eancia de que a crise clim\u00e1tica est\u00e1 piorando rapidamente em v\u00e1rios aspectos. Preveem que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica afetar\u00e1 a produtividade agr\u00edcola, cuja consequ\u00eancia afetar\u00e1 a seguran\u00e7a e a soberania alimentar de muitos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Nossos governos adotar\u00e3o as medidas urgentes e necess\u00e1rias para abordar essas crises? Ter\u00e3o uma oportunidade na pr\u00f3xima rodada de negocia\u00e7\u00f5es da 20\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 20) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, que acontecer\u00e1 em Lima, no Peru, entre 1\u00ba e 12 de dezembro.<\/p>\n<p>Camponeses como o salvadorenho Adolfo s\u00e3o os principais produtores de alimentos hoje em dia. Precisamos deles, e n\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial, para alimentar o planeta no contexto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e da degrada\u00e7\u00e3o generalizada dos recursos naturais. Em nosso planeta, 805 milh\u00f5es de pessoas sofrem fome cr\u00f4nica e o sobrepeso e a obesidade afetam mais de dois bilh\u00f5es de pessoas; 65% da popula\u00e7\u00e3o mundial vive em pa\u00edses onde o sobrepeso e a obesidade matam mais pessoas do que a desnutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os que sofrem fome s\u00e3o principalmente as pessoas pobres das zonas rurais nos pa\u00edses em desenvolvimento, fundamentalmente produtores de pequena escala da \u00c1frica e \u00c1sia. Quase uma em cada nove pessoas vai dormir com fome todas as noites.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o caso de Adolfo e sua fam\u00edlia, apesar de viverem em uma regi\u00e3o que foi devastada pelos efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e das inunda\u00e7\u00f5es, o Vale Lempa, em El Salvador. Ele sabe por experi\u00eancia pr\u00f3pria que a diversidade agr\u00edcola e a conserva\u00e7\u00e3o em m\u00e3os camponesas das sementes tradicionais s\u00e3o fundamentais para o sustento dos produtores de pequena escala.<\/p>\n<p>A enorme maioria dos governos de todo o mundo ignorou os produtores de pequena escala durante d\u00e9cadas, afundando milh\u00f5es deles na pobreza. Entretanto, esses camponeses e camponesas continuam sendo os que produzem a maior parte dos alimentos do mundo, utilizando variedades tradicionais de sementes e sem recorrer a insumos industriais.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica, os camponeses cultivam praticamente todos os alimentos consumidos localmente. Na Am\u00e9rica Latina, 60% da produ\u00e7\u00e3o, inclu\u00edda a carne, \u00e9 produzida em pequenas propriedades familiares. Na \u00c1sia, centro mundial da produ\u00e7\u00e3o de arroz, praticamente todo o arroz \u00e9 cultivado em \u00e1reas inferiores a dois hectares.<\/p>\n<p>Mesmo assim o agroneg\u00f3cio e alguns governos promovem fortemente a agricultura industrial (baseada em monoculturas, sementes h\u00edbridas e pesticidas e fertilizantes qu\u00edmicos) como a melhor forma de alimentar o planeta. Al\u00e9m disso, a agricultura industrial \u00e9 uma das maiores contribuintes para a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, devido ao seu alto consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis, pesticidas e fertilizantes e por seus impactos sobre solos, \u00e1guas e biodiversidade.<\/p>\n<p>E existe suficiente evid\u00eancia de que essa ind\u00fastria est\u00e1 destruindo os recursos dos quais dependemos para produzir nossos alimentos. Por\u00e9m, os promotores da agricultura industrial fazem caso omisso de seus impactos ambientais. Conhecendo o grande desafio que representa a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, j\u00e1 que poderia reduzir consideravelmente a produtividade agr\u00edcola, especialmente nos pa\u00edses em desenvolvimento, outros s\u00e3o os caminhos que se deveria fomentar.<\/p>\n<p>Por outro lado, os defensores da agricultura industrial a justificam dizendo que, devido \u00e0 crescente popula\u00e7\u00e3o mundial, ser\u00e1 necess\u00e1rio produzir mais alimentos e para isso \u00e9 preciso aumentar o rendimento. Mas sabemos que produzir mais alimentos e aumentar o rendimento n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos desafios. De fato, j\u00e1 produzimos alimentos suficientes para alimentar nossa popula\u00e7\u00e3o atual e futura.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 a falta de alimentos, mas sua distribui\u00e7\u00e3o desigual. O acesso aos alimentos est\u00e1 definido pela riqueza e pelo lucro, em lugar da necessidade. Promove-se o livre com\u00e9rcio acima do direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Em consequ\u00eancia, metade dos gr\u00e3os do mundo \u00e9 usada para alimentar animais criados em estabelecimentos industriais e uma propor\u00e7\u00e3o importante de cultivos alimentares b\u00e1sicos se converte em agrocombust\u00edveis para carros. Assim, as pessoas famintas ficam sem alimentos para d\u00e1-los aos consumidores ricos.<\/p>\n<p>Para erradicar a fome \u00e9 imprescind\u00edvel aumentar a renda dos setores empobrecidos e contribuir para que os produtores de alimentos em pequena escala possam manter seu modo de vida, para se alimentarem e alimentarem o mundo de forma sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a sa\u00edda estrutural para a fome e a pobreza ser\u00e1 encontrada com a constru\u00e7\u00e3o da soberania alimentar dos povos. Isto \u00e9, \u201co direito dos povos a alimentos nutritivos e culturalmente adequados, produzidos de forma sustent\u00e1vel e ecol\u00f3gica, e seu direito a decidir seu pr\u00f3prio sistema alimentar e produtivo\u201d, resume a Declara\u00e7\u00e3o de Ny\u00e9l\u00e9ni com a qual foi encerrado o F\u00f3rum Mundial pela Soberania Alimentar, realizado em Mali em 2007.<\/p>\n<p>Para isso \u00e9 imprescind\u00edvel: que o controle dos sistemas e pol\u00edticas agroalimentares recaia sobre os que produzem, distribuem e consomem alimentos, em lugar dos mercados e das corpora\u00e7\u00f5es; priorizar as economias e os mercados locais e nacionais; fomentar a sustentabilidade ambiental, social e econ\u00f4mica da produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo, e garantir o direito dos produtores de alimentos \u00e0 gest\u00e3o da terra, das \u00e1guas, das sementes e da biodiversidade em geral.<\/p>\n<p>\u201cA soberania alimentar sup\u00f5e novas rela\u00e7\u00f5es sociais, livres de opress\u00e3o e desigualdades entre homens e mulheres, povos, grupos raciais, classes sociais e gera\u00e7\u00f5es\u201d, destaca tamb\u00e9m a Declara\u00e7\u00e3o de Ny\u00e9l\u00e9ni. A soberania alimentar inclui o direito \u00e0 seguran\u00e7a alimentar. Mas um pa\u00eds que se centra apenas em conseguir a seguran\u00e7a alimentar n\u00e3o distingue de onde prov\u00eam os alimentos nem as condi\u00e7\u00f5es nas quais se produz e distribui.<\/p>\n<p>Os objetivos nacionais de seguran\u00e7a alimentar frequentemente s\u00e3o conseguidos mediante a produ\u00e7\u00e3o de alimentos em condi\u00e7\u00f5es de destrui\u00e7\u00e3o do ambiente e de explora\u00e7\u00e3o social que destroem os produtores locais, enquanto beneficiam as empresas do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, v\u00e1rios organismos das Na\u00e7\u00f5es Unidas reconheceram que a agroecologia \u00e9 a forma mais eficaz para combater as crises alimentar, ambiental e de pobreza. Uma an\u00e1lise da agroecologia, realizado em 2011, deixou evidente que tem o potencial de duplicar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos em dez anos.<\/p>\n<p>Para enfrentar esse desafio, surgiu o movimento pela \u201csoberania alimentar\u201d, que conta com apoio de mais de 300 milh\u00f5es de homens e mulheres, produtores de alimentos em pequena escala, consumidores e ativistas pela justi\u00e7a ambiental e pelos direitos humanos, entre outros.<\/p>\n<p>O poder das empresas de sementes e pesticidas como a Monsanto e a Syngenta, de supermercados gigantes como o Wal-Mart, e de empresas produtoras de gr\u00e3os como a Cargill cresceu tanto que exercem muito influ\u00eancia nas pol\u00edticas agroalimentares nacionais e globais. Isso assegura que o agroneg\u00f3cio receba milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares em subven\u00e7\u00f5es e apoio normativo.<\/p>\n<p>Acabar com a fome no mundo est\u00e1 ao nosso alcance, mas \u00e9 preciso uma transforma\u00e7\u00e3o fundamental do sistema agroalimentar mundial: uma mudan\u00e7a radical da agricultura industrial para a agroecologia e a soberania alimentar.<\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida, teria repercuss\u00f5es muito positivas na crise clim\u00e1tica: menos agricultura industrial e mais produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica equivalem a menos emiss\u00f5es de carbono, algo fundamental para nos proteger da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Adolfo e milh\u00f5es de produtores como ele est\u00e3o na linha de frente dessa transforma\u00e7\u00e3o e os l\u00edderes mundiais devem lhes dar muito mais apoio \u2013 em n\u00edvel de Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013, bem como nos planos nacional e local, se pretendem seriamente solucionar a crise alimentar e clim\u00e1tica. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Kirtana Chandrasekaran <\/strong>e <strong>Martin Drago <\/strong>coordenam o programa de Soberania Alimentar da Amigos da Terra Internacional.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Lima, Peru, 28\/11\/2014 &ndash; Cientistas especializados em mudan&ccedil;a clim&aacute;tica divulgaram no dia 2 sua mais recente advert&ecirc;ncia de que a crise clim&aacute;tica est&aacute; piorando rapidamente em v&aacute;rios aspectos. Preveem que a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica afetar&aacute; a produtividade agr&iacute;cola, cuja consequ&ecirc;ncia afetar&aacute; a seguran&ccedil;a e a soberania alimentar de muitos pa&iacute;ses. 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