{"id":18176,"date":"2014-12-01T16:15:35","date_gmt":"2014-12-01T16:15:35","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=125774"},"modified":"2014-12-01T16:15:35","modified_gmt":"2014-12-01T16:15:35","slug":"mulheres-enfrentam-desafios-ambientais-com-engenho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/12\/ultimas-noticias\/mulheres-enfrentam-desafios-ambientais-com-engenho\/","title":{"rendered":"Mulheres enfrentam desafios ambientais com engenho"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_125776\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/india.jpg\"><img class=\"wp-image-125776\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/india.jpg\" alt=\"india Mulheres enfrentam desafios ambientais com engenho\" width=\"540\" height=\"360\" title=\"Mulheres enfrentam desafios ambientais com engenho\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Na aldeia de Dakshin Shibpur, localizada no delta de Sundarbans, no Estado indiano de Bengala Ocidental, as mulheres mais pobres e vulner\u00e1veis se juntaram e criaram um banco de sementes para ajud\u00e1-las a sobreviver nos meses mais dif\u00edceis do ano. Foto: Manipadma Jena\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sundarbans, \u00cdndia, 1\/12\/2014 \u2013 Novembro \u00e9 um m\u00eas dif\u00edcil para as fam\u00edlias sem terra do delta de Sundarbans, maior floresta de mangues do mundo, localizado no Estado de Bengala Ocidental, na \u00cdndia. H\u00e1 pouco trabalho agr\u00edcola e ainda falta um m\u00eas para a colheita do arroz, o que eleva os pre\u00e7os ao seu m\u00e1ximo anual. Como se n\u00e3o bastasse, as d\u00edvidas com os credores se acumulam a ponto de n\u00e3o ser poss\u00edvel sald\u00e1-las.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 tranquilidade para Namita Bera, que tem de conseguir 120 quilos de arroz por m\u00eas para alimentar sua fam\u00edlia de oito pessoas. Mas a situa\u00e7\u00e3o melhorou desde que ela se uniu a outras 12 mulheres da aldeia de Dakshin Shibpur, na divis\u00e3o administrativa de Patharpratima, em Bengala Ocidental, para combater a fome. Sem recursos e assoladas pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e flutua\u00e7\u00f5es dos pre\u00e7os dos alimentos, fizeram o mais l\u00f3gico: criaram um banco de gr\u00e3os gra\u00e7as \u00e0s suas pequenas economias e batizaram seu grupo de ajuda m\u00fatua: Mamatamoyi Mahila Dal.<\/p>\n<p>O sistema \u00e9 simples: cada vez que uma de suas integrantes pode, ela compra 50 quilos de arroz barato para depositar no banco, explicou Chandrani Das, do Centro de Servi\u00e7os e Comunica\u00e7\u00e3o de Pesquisa para o Desenvolvimento, com sede em Kolkata, que supervisiona este tipo de banco. \u201cPelo menos assim \u00e9 poss\u00edvel suportar um ter\u00e7o dos 75 dias que dura o per\u00edodo de escassez\u201d, afirmou \u00e0 IPS Shyamali Bera, uma mulher de 35 anos com tr\u00eas filhos, cujo marido \u00e9 carregador de batata em um armaz\u00e9m de Kolkata, capital estadual.<\/p>\n<p>Para as fam\u00edlias pobres, o banco permite tenham pequenas economias a partir de sua magra renda. \u201cAntes, o \u00fanico dinheiro que t\u00ednhamos eram cerca de 10 a 25 r\u00fapias\u201d (US$ 0,16 a US$ 0,40), contou Bera. \u201cAgora temos cerca 100 r\u00fapias (US$ 1,6) e podemos comprar l\u00e1pis e caderno para nossos filhos irem \u00e0 escola\u201d, acrescentou. A iniciativa consegue eliminar os empr\u00e9stimos. Os juros de 5% mensais cobrados, que costumam se converter em 60% ao ano, n\u00e3o pode competir com os 2% estabelecidos pelo grupo de mulheres.<\/p>\n<p>Mas existem outros desafios pela frente.<\/p>\n<p>Designada patrim\u00f4nio mundial por seu ecossistema \u00fanico e sua rica biodiversidade, a floresta de Sundarbans \u00e9 um lugar extremamente vulner\u00e1vel ao aumento do n\u00edvel do mar e \u00e0s tempestades intensas. Metade da \u00e1rea de aproximadamente 9.630 quil\u00f4metros \u00e9 atravessada por uma intrincada rede de cursos de \u00e1gua interligados, que deixam as \u00e1reas vulner\u00e1veis a inunda\u00e7\u00f5es nos per\u00edodos de fortes chuvas. Cerca de 52 das 102 ilhas que formam o delta s\u00e3o habitadas e concentram aproximadamente 4,5 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>A perda da floresta de mangue pelo desmatamento deixou os moradores expostos aos caprichos do mar e dos rios, protegidos por apenas 3.500 quil\u00f4metros de uma barreira de terra. Com base em dados do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica, o \u00faltimo Informe de Desenvolvimento Humano do governo desse Estado alerta que a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar nos \u00faltimos 70 anos j\u00e1 engoliu cerca de 220 quil\u00f4metros quadrados da floresta de Sundarbans.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) na \u00cdndia alertou que os exames de dados de 120 anos mostram que houve aumento de 26% na frequ\u00eancia dos ciclones de alta intensidade. Quase 90% das pessoas vivem em cho\u00e7as de barro e palha. O arroz \u00e9 o principal cultivo, plantado na temporada das mon\u00e7\u00f5es, de meados de junho a meados de setembro.<\/p>\n<p>A floresta e a pesca oferecem outras fontes de renda, mas, com uma densidade populacional de 1.100 pessoas por quil\u00f4metro quadrado, bem acima da m\u00e9dia nacional de 382, a pobreza na \u00e1rea tamb\u00e9m \u00e9 o dobro. Quando h\u00e1 mar\u00e9 baixa, o rio Gobadia chega a apenas cem metros da barreira de terra na aldeia de Ramganga, onde as integrantes do grupo de autoajuda Nibedita se reuniram para conversar com a IPS.<\/p>\n<p>V\u00e1rias entrevistadas disseram \u00e0 IPS que quatro tempestades severas, entre maio e dezembro, \u00e9 a norma atual. As chuvas duram uma semana, em lugar de dois dias como antes. Quando os ventos de cem quil\u00f4metros por hora coincidem com as duas mar\u00e9s altas do dia, as tempestades vencem a barreira, causando invas\u00e3o da \u00e1gua salgada, destruindo casas e terras baixas cultivadas e deixando a \u00e1rea inundada por cerca de quatro meses.<\/p>\n<p>A autoridade da aldeia prometeu construir um muro de pedra na margem do rio e tamb\u00e9m colocar pedras na barreira de terra, que fica muito escorregadia, dificultando caminhar pr\u00f3ximo a ela, explicaram v\u00e1rias mulheres \u00e0 IPS. Mas isso n\u00e3o se concretizou, e ent\u00e3o as mulheres assumiram o assunto e usaram o dinheiro de suas economias, arrendaram terras e plantaram 960 \u00e1rvores em pouco mais de 3.700 quil\u00f4metros quadrados, com a esperan\u00e7a de deter a eros\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEscolheram 16 variedades de plantas que lhes dar\u00e3o lenha, forragem para suas cabras e \u00e1rvores cujas flores e frutos s\u00e3o comest\u00edveis\u201d, detalhou Animesh Beral, da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Indraprastha Srijan Welfare Society, que assessora esse grupo feminino. Nada \u00e9 desperdi\u00e7ado. Tudo o que a floresta produz chega \u00e0s m\u00e3os habilidosas das integrantes dessa comunidade.<\/p>\n<p>Na aldeia de Indraprastha, as mulheres cultivam produtos org\u00e2nicos em suas diminutas terras de 6.500 metros quadrados, adaptando-se aos desafios que representam o solo, a \u00e1gua e o clima e plantando v\u00e1rias verduras de \u00e9poca, desde folhas verdes e vagem at\u00e9 tub\u00e9rculos e bananas.<\/p>\n<p>As diminutas hortas lhes garantem alimentos e seguran\u00e7a econ\u00f4mica gra\u00e7as \u00e0 venda de sementes org\u00e2nicas. Tamb\u00e9m usam os dejetos do gado e das aves como biofertilizantes, que junto com a \u00e1gua reciclada s\u00e3o medidas que lhes permitem obter alimentos da terra cada vez que esta parece lhes voltar as costas. \u201cAs organiza\u00e7\u00f5es felicitam as mulheres de Sundarbans por seu engenho e criatividade para enfrentar as dificuldades de seu entorno, mas outros criticam o governo de Bengala Ocidental por n\u00e3o cuidar de sua popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cQuando a pr\u00f3pria exist\u00eancia est\u00e1 em jogo, as comunidades insulares naturalmente adaptam-se \u00e0 sua maneira, mas o governo deve fazer muito mais, opinou \u00e0 IPS Tushar Kanjilal, de 79 anos, pioneiro no desenvolvimento de Sundarbans, em sua resid\u00eancia de Kolkata. \u201c\u00c9 urgente formular um plano integral para o desenvolvimento de Sundarbans baseado em dados confi\u00e1veis e designar um \u00f3rg\u00e3o encarregado do trabalho de desenvolvimento\u201d, acrescentou Kanjila, diretor da n\u00e3o governamental Sociedade Tagore para o Desenvolvimento Rural. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Sundarbans, &Iacute;ndia, 1\/12\/2014 &ndash; Novembro &eacute; um m&ecirc;s dif&iacute;cil para as fam&iacute;lias sem terra do delta de Sundarbans, maior floresta de mangues do mundo, localizado no Estado de Bengala Ocidental, na &Iacute;ndia. 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