{"id":18181,"date":"2014-12-01T16:20:06","date_gmt":"2014-12-01T16:20:06","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=125836"},"modified":"2014-12-01T16:20:06","modified_gmt":"2014-12-01T16:20:06","slug":"tribo-indiana-ensina-a-converter-tragedia-em-oportunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/12\/ultimas-noticias\/tribo-indiana-ensina-a-converter-tragedia-em-oportunidade\/","title":{"rendered":"Tribo indiana ensina a converter trag\u00e9dia em oportunidade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_125838\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/IRULAS-CHICA.jpg\"><img class=\"wp-image-125838\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/IRULAS-CHICA.jpg\" alt=\"IRULAS CHICA Tribo indiana ensina a converter trag\u00e9dia em oportunidade\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Tribo indiana ensina a converter trag\u00e9dia em oportunidade\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Casal irula pesca em \u00e1guas da Floresta de Mangues de Pichavaram, em Tamil Nadu, na \u00cdndia. Foto: Malini Shankar\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pichavaram, \u00cdndia, 1\/12\/2014 \u2013 Quando o tsunami asi\u00e1tico arrasou v\u00e1rios pa\u00edses da costa do Oceano \u00cdndico, no dia 26 de dezembro de 2004, semeou destrui\u00e7\u00e3o por todo lado e deixou 230 mil mortos. Milh\u00f5es ficaram sem trabalho e seguran\u00e7a alimentar. Mas em uma pequena tribo do sul da \u00cdndia inculcou esperan\u00e7as, que persistem uma d\u00e9cada depois.<\/p>\n<p>O povo irula conta com cerca de 25 mil integrantes, que habitam as montanhas Nilgiri nos Estados indianos de Tamil Nadu e Kerala, e que tradicionalmente ganhavam a vida limpando terras agr\u00edcolas, retirando ratos e cobras. Essa tarefa, realizada em regime diarista, frequentemente lhes permitia complementar suas magras rendas.<\/p>\n<p>Agora, perto do d\u00e9cimo anivers\u00e1rio do tsunami, os irulas de Tamil Nadu s\u00e3o um exemplo vivente de como o manejo sustent\u00e1vel dos desastres pode aliviar a pobreza e, simultaneamente, preservar um modo de vida ancestral. Antes de 2004, essa tribo trabalhava em condi\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o extrema, ganhando n\u00e3o mais do que US$ 50 por m\u00eas. Seus membros estavam mal alimentados e habitavam moradias inadequadas com saneamento prec\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mas, quando as ondas gigantes cederam e as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e os trabalhadores humanit\u00e1rios chegaram em manadas \u00e0 costa sul da \u00cdndia para reconstruir a paisagem, os irulas receberam mais do que a ajuda de emerg\u00eancia: foram inclu\u00eddos na Lista de Tribos\u00a0 Reconhecidas do governo. Isso aconteceu, em boa parte, gra\u00e7as aos esfor\u00e7os de um funcion\u00e1rio governamental chamado G. S. Bedi, oriundo do distrito costeiro de Cuddalore, em Tamil Nadu, uma das \u00e1reas a\u00e7oitadas pelo tsunami.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o nessa lista converteu os irulas em benefici\u00e1rios legais de programas de desenvolvimento patrocinados pelo Estado, como a Lei de Direitos Florestais e outras iniciativas de pesca sustent\u00e1vel, dessa forma garantindo seu acesso a melhor moradia e gerando maior seguran\u00e7a alimentar e de sustento. E, o mais importante, segundo membros da comunidade, \u00e9 que o per\u00edodo posterior ao tsunami inculcou novos brios aos irulas, que participam de programas de manejo sustent\u00e1vel para conservar seu ambiente e ao mesmo tempo aumentar sua renda.<\/p>\n<p>Sob a \u00f3rbita da Funda\u00e7\u00e3o M S Swaminathan para a Pesquisa (MSSRF) os irulas s\u00e3o parte de um importante programa que j\u00e1 multiplicou por sete seus ganhos mensais, chegando a cerca de US$ 350, na Floresta de Mangues de Pichavaram, em Tamil Nadu.<\/p>\n<p>Cerca de 180 fam\u00edlias da tribo se beneficiam diretamente de programas de capacita\u00e7\u00e3o e subs\u00eddios concedidos \u00e0s suas cooperativas, tamb\u00e9m conhecidas como grupos de autoajuda. Dessa forma, os irulas melhoram suas habilidades de pesca, aquicultura sustent\u00e1vel e engorda de caranguejos, afastando-se cada vez mais de uma vida de servid\u00e3o e se convertendo em grandes propriet\u00e1rios de terras.<\/p>\n<p>Talvez o mais importante seja que est\u00e3o incorporando a prote\u00e7\u00e3o e a conserva\u00e7\u00e3o de mangues \u00e0s suas vidas cotidianas, medida que consideram necess\u00e1ria para a sobreviv\u00eancia de toda a comunidade em longo prazo. De fato, foi a Floresta de Mangues de Pichavaram, que fica pr\u00f3ximo da localidade de Chidambaram, em Tamil Nadu, que evitou as mortes em massa entre membros da tribo durante o tsunami, protegendo cerca de 4.500 irulas do impacto direto das ondas.<\/p>\n<p>Localizado entre o estu\u00e1rio de Vellar, no norte, e o de Coleroon, no sul, esse mangue ocupa cerca de 1.100 hectares, e seu complexo sistema de ra\u00edzes e ecossistema intermares oferece uma forte barreira contra a invas\u00e3o da \u00e1gua do mar, das ondas e inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo estat\u00edsticas fornecidas pelo bi\u00f3logo marinho Sivakumar, da MSSRF em Chennai, os poucos desafortunados que morreram no tsunami foram aqueles que ficaram presos fora do abra\u00e7o protetor do ecossistema: sete pessoas das aldeias de Kannagi Nagar e Pillumedu, e outras 64 perdidas na ilha conhecida como MGR Thittu, ambas na faixa de areia onde n\u00e3o havia mangues.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia fez com que muitos membros da tribo abrissem os olhos para o inestim\u00e1vel valor dos mangues e para sua pr\u00f3pria vulnerabilidade diante dos caprichos do mar, disparando um esfor\u00e7o de conserva\u00e7\u00e3o no contexto da Lei de Direitos Florestais da \u00cdndia.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 sermos inclu\u00eddos na Lista de Tribos Reconhecidas, n\u00e3o conhec\u00edamos nossos direitos e n\u00e3o \u00edamos bem como ca\u00e7adores-coletores e nem como diaristas agr\u00edcolas\u201d, disse Pichakanna, um irula de 55 anos que com alegria trocou seu emprego na agricultura por atividades pesqueiras e aqu\u00edcolas que lhe permitem participar dos esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o de mangues em Tamil Nadu. Agora seu sal\u00e1rio vem da cria\u00e7\u00e3o de camar\u00f5es nos biodiversos mangues, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<ol>\n<li>S. Swaminathan, presidente da MSSRF, acredita que, \u201cconservando as florestas de mangues, protegemos o ecossistema costeiro mais produtivo, que garante o sustento e a seguran\u00e7a ecol\u00f3gica. Os bioescudos s\u00e3o uma parte indispens\u00e1vel da Resili\u00eancia ao Risco de Desastres\u201d, destacou. Essa uni\u00e3o entre cria\u00e7\u00e3o de emprego e manejo de desastre foi um golpe de sorte sem precedentes para o povo irula.<\/li>\n<\/ol>\n<p>As florestas de mangue est\u00e3o desaparecendo rapidamente. Segundo um estudo do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), s\u00e3o destru\u00eddas a um ritmo entre tr\u00eas e cinco vezes maior do que a perda m\u00e9dia de florestas. At\u00e9 2050, a \u00c1sia poder\u00e1 ter perdido 35% dos mangues que tinha em 2000. As emiss\u00f5es contaminantes derivadas dessas perdas constituir\u00e3o aproximadamente um quinto das emiss\u00f5es mundiais de carbono relacionadas com o desmatamento, acrescenta o informe.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0s ricas \u00e1guas onde h\u00e1 mangues, agora os irulas colhem, por exemplo, ostras de p\u00e9rolas naturais, de alto valor prot\u00e9ico, para seu pr\u00f3prio consumo.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m aprendemos a ca\u00e7ar caranguejos e instalamos aparelhos para sua engorda em nossas casas, no fundo das \u00e1guas do mangue. Isso nos ajuda a ter um ganho sustent\u00e1vel\u201d, explicou \u00e0 IPS Nagamuthu, um irula de 33 anos cujos pais, oriundos das florestas de Pichavaram, sobreviveram ao tsunami de 2004. \u201cSe n\u00e3o estiv\u00e9ssemos inclu\u00eddos na Lista de Tribos Reconhecidas, continuar\u00edamos sendo ca\u00e7adores-coletores, comendo ratos e ca\u00e7ando cobras\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os membros da comunidade tamb\u00e9m aprenderam a cavar canais em forma de espinha de peixe, o que ajuda a trazer as \u00e1guas dos riachos diretamente para suas portas, onde podem capturar pescado fresco para o desjejum. Esse sistema de canais, agora recomendado pelo governo da \u00cdndia, tamb\u00e9m ajuda a reduzir a salinidade do solo, previne a degrada\u00e7\u00e3o dos mangues e melhora o rendimento pesqueiro que, por sua vez, melhora a seguran\u00e7a em mat\u00e9ria de sustento.<\/p>\n<p>Os habitantes de v\u00e1rias aldeias, entre elas Pichavaram, criaram agora um fundo comunit\u00e1rio que arrecada 30% da renda mensal de cada fam\u00edlia. Esse dinheiro foi usado para construir um templo, uma escola e instala\u00e7\u00f5es para fornecer \u00e1gua pot\u00e1vel a 900 fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Pichakanna, que agora \u00e9 o mais idoso da aldeia do novo munic\u00edpio de MGR Nagar, disse \u00e0 IPS com orgulho que o fundo comunit\u00e1rio tamb\u00e9m ajudou a criar uma \u201clinha telef\u00f4nica de alerta\u201d, e, por meio dela, mensagens de texto e voz informam os pescadores sobre a altura das ondas e a dire\u00e7\u00e3o do vento, al\u00e9m de fornecer previs\u00f5es meteorol\u00f3gicas a cada seis horas e avisar quando se aproxima um ciclone.<\/p>\n<p>Enquanto chefes de Estado e especialistas viajam pelo mundo debatendo a agenda de desenvolvimento sustentado p\u00f3s-2015, uma tribo esquecida em Pichavaram j\u00e1 pratica um novo modo de vida e mostra como avan\u00e7ar para um futuro verdadeiramente sustent\u00e1vel. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Pichavaram, &Iacute;ndia, 1\/12\/2014 &ndash; Quando o tsunami asi&aacute;tico arrasou v&aacute;rios pa&iacute;ses da costa do Oceano &Iacute;ndico, no dia 26 de dezembro de 2004, semeou destrui&ccedil;&atilde;o por todo lado e deixou 230 mil mortos. Milh&otilde;es ficaram sem trabalho e seguran&ccedil;a alimentar. 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