{"id":18183,"date":"2014-12-02T14:50:00","date_gmt":"2014-12-02T14:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=125894"},"modified":"2014-12-02T14:50:00","modified_gmt":"2014-12-02T14:50:00","slug":"interpol-e-onu-perseguem-criminosos-ambientais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/12\/ultimas-noticias\/interpol-e-onu-perseguem-criminosos-ambientais\/","title":{"rendered":"Interpol e ONU perseguem criminosos ambientais"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_125897\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cuba.jpg\"><img class=\"wp-image-125897\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cuba.jpg\" alt=\"cuba Interpol e ONU perseguem criminosos ambientais\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Interpol e ONU perseguem criminosos ambientais\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um carpinteiro arruma uma carga de mogno, madeira valiosa, apreendida pelas autoridades de Cuba no ecossistema pantanoso da Ci\u00e9naga de Zapata. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">Na\u00e7\u00f5es Unidas, 2\/12\/2014 \u2013 Um grupo de organiza\u00e7\u00f5es internacionais, dirigido pela Organiza\u00e7\u00e3o Internacional de Pol\u00edcia Criminal (Interpol), com apoio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), persegue um tipo novo e crescente de delinquente: os acusado de graves crimes ambientais, que em sua maioria escapou do longo bra\u00e7o da lei. A opera\u00e7\u00e3o de alcance mundial \u00e9 a primeira de seu tipo a perseguir fugitivos procurados por uma ampla gama de delitos relacionados ao ambiente.<\/p>\n<p>Entre esses crimes est\u00e3o desmatamento, ca\u00e7a ilegal e tr\u00e1fico de animais declarados em perigo de extin\u00e7\u00e3o. A ca\u00e7a ilegal, sobretudo no centro da \u00c1frica, causou o desaparecimento de pelo menos 60% dos elefantes da regi\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>No dia 17 de novembro, a Interpol, maior organiza\u00e7\u00e3o policial do mundo, divulgou as fotografias de nove fugitivos denunciados por esses crimes, incluindo Feisal Mohamed Ali, acusado de liderar uma rede de contrabando de marfim no Qu\u00eania, segundo o jornal <em>Daily News<\/em>, da ONU. A alian\u00e7a internacional solicitou ajuda do p\u00fablico para obter informa\u00e7\u00e3o que possa levar aos nove suspeitos, cujos casos foram escolhidos para a fase inicial das investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cIsso envia uma forte mensagem de que os crimes ambientais n\u00e3o t\u00eam a ver simplesmente com um animal contra o qual disparam ilegalmente, ou com uma \u00e1rvore cortada ilegalmente, e que isso tem a ver com o crime organizado e pode ter efeitos devastadores\u201d, afirmou \u00e0 IPS Rob Parry-Jones, diretor de pol\u00edtica internacional do Fundo Mundial da Natureza (WWF).<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o da Interpol \u00e9 algo que o WWF queria h\u00e1 tempos. \u201cE tamb\u00e9m \u00e9 algo que os organismos reguladores desejavam\u201d, destacou Parry-Jones. Para ele, a situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 um avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o h\u00e1 alguns anos, quando o WWF e a Traffic, uma organiza\u00e7\u00e3o que vigia o tr\u00e1fico de animais silvestres, come\u00e7aram sua campanha para elevar o perfil pol\u00edtico desse tipo de crime.<\/p>\n<p>Com o nome de Infra-Terra, a opera\u00e7\u00e3o internacional tem apoio do Cons\u00f3rcio Internacional para Combater os Crimes Contra a Vida Silvestre, que \u00e9 esfor\u00e7o de colabora\u00e7\u00e3o da secretaria da Conven\u00e7\u00e3o sobre o Com\u00e9rcio Internacional de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas de Fauna e Flora Silvestres (Cites), Interpol, Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas Contra a Droga e o Crime, Banco Mundial e Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Aduanas.<\/p>\n<p>\u201cEsta primeira opera\u00e7\u00e3o representa um grande passo contra as redes criminosas que atuam contra a vida silvestre\u201d, afirmou em um comunicado \u00e0 imprensa Ben Janse van Rensburg, da Cites. Cada vez mais os pa\u00edses tratam os crimes contra a vida silvestre como um delito grave, e \u201cvamos fazer todo o poss\u00edvel para localizar e deter esses criminosos, e garantir que comparecer\u00e3o \u00e0 justi\u00e7a\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Nathalie Frey, do Greenpeace Internacional, disse \u00e0 IPS que sua organiza\u00e7\u00e3o apoia firmemente a iniciativa da Interpol para refor\u00e7ar a aplica\u00e7\u00e3o da lei contra os crimes ambientais. Ao dar aos criminosos ambientais um nome e um rosto, \u201cse demonstra que as ag\u00eancias de aplica\u00e7\u00e3o da lei finalmente come\u00e7am a levar crimes como desmatamento ilegal e pesca predat\u00f3ria t\u00e3o a s\u00e9rio como o assassinato ou o roubo\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Abordar com efic\u00e1cia os crimes ambientais atrav\u00e9s das fronteiras internacionais exige contextos legais que possam ser coordenados entre si, disse Parry-Jones. Se os contextos legais dos pa\u00edses reconhecem esses crimes como graves, com pena de pris\u00e3o superior a quatro anos, ent\u00e3o passa a reger a Conven\u00e7\u00e3o da ONU Contra a Criminalidade Organizada Transnacional, o que permite a coopera\u00e7\u00e3o policial e a assist\u00eancia judicial rec\u00edproca, acrescentou.<\/p>\n<p>A natureza dos crimes ilustra os v\u00ednculos com outras formas de delinqu\u00eancia transnacional, inclu\u00eddo o tr\u00e1fico de pessoas e o contrabando de armas, e refor\u00e7a o argumento sustentado pelo WWF e pela Traffic, de que o crime ambiental \u00e9 um tema transversal e algo grave, afirmou o representante do WWF.<\/p>\n<p>Por sua vez, Frey afirmou \u00e0 IPS que o crime ambiental \u00e9 \u201cum grande neg\u00f3cio\u201d, com lucros calculados entre US$ 70 bilh\u00f5es e US$ 213 bilh\u00f5es por ano, quase ao lado de outras atividades criminosas, como o tr\u00e1fico de drogas e o de armas. Nesse c\u00e1lculo est\u00e3o inclu\u00eddos o desmatamento, a ca\u00e7\u00e3o ilegal e o tr\u00e1fico de uma grande variedade de animais, a pesca e a minera\u00e7\u00e3o ilegais e o despejo de res\u00edduos t\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s dos respons\u00e1veis imediatos, h\u00e1 grandes redes de atividades criminosas, e a corrup\u00e7\u00e3o costuma permear toda a cadeia de fornecimento de produtos valiosos como madeira ou pescado, pontuou Frey. Por exemplo, o desmatamento ilegal \u00e9 moeda corrente em muitos pa\u00edses produtores de madeira, e \u00e9 um dos principais respons\u00e1veis pelo desaparecimento de grandes extens\u00f5es de florestas que abrigam esp\u00e9cies em perigo de extin\u00e7\u00e3o. \u201cOs mercados de consumo seguem repletos de madeira ilegal, apesar das disposi\u00e7\u00f5es que pro\u00edbem esse com\u00e9rcio\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Frey ressaltou que, de acordo com a Interpol, o desmatamento representa entre 50% e 90% das florestas nos principais pa\u00edses produtores tropicais. \u201cRecebemos com grande satisfa\u00e7\u00e3o a iniciativa da Interpol para encontrar os criminosos e acabar com a corrup\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 muito importante que a Cites tome mais medidas para incentivar as partes a refor\u00e7arem a aplica\u00e7\u00e3o da lei e os controles\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Frey destacou o exemplo da afrormosia, uma valiosa madeira dura tropical que \u00e9 encontrada na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC). Essa esp\u00e9cie est\u00e1 amea\u00e7ada e se examina requerer uma regulamenta\u00e7\u00e3o comercial especial da Cites, mas muitas vezes se faz vista grossa nos casos de seu com\u00e9rcio ilegal. Os madeireiros industriais t\u00eam passe livre para cortar a afrormosia no pa\u00eds, embora se calcule que o corte ilegal chegue a 90%, acrescentou.<\/p>\n<p>A Cites deve verificar a legalidade do com\u00e9rcio, mas centenas de permiss\u00f5es concedidas pela Conven\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam explica\u00e7\u00e3o, segundo Frey. Al\u00e9m disso, o rastreamento n\u00e3o existe na RDC, apontou. Para essa ativista, ao permitir que continue o com\u00e9rcio de esp\u00e9cies que foram capturadas ou colhidas de forma ilegal, a Cites n\u00e3o protege as esp\u00e9cies em perigo de extin\u00e7\u00e3o, e a falta de controles e suas fraquezas servem apenas para incentivar os crimes ambientais.<\/p>\n<p>Segundo o jornal <em>Daily News<\/em>, os crimes contra a vida silvestre s\u00e3o uma s\u00e9ria amea\u00e7a para a seguran\u00e7a, a estabilidade pol\u00edtica, a economia, os recursos naturais e o patrim\u00f4nio cultural de muitos pa\u00edses. A resposta necess\u00e1ria para abordar com efic\u00e1cia essa amea\u00e7a costuma transcender a compet\u00eancia das ag\u00eancias ambientais ou dedicadas a proteger a vida silvestre, ou mesmo de um s\u00f3 pa\u00eds ou regi\u00e3o, garantiu Frey. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 2\/12\/2014 &ndash; Um grupo de organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, dirigido pela Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional de Pol&iacute;cia Criminal (Interpol), com apoio da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), persegue um tipo novo e crescente de delinquente: os acusado de graves crimes ambientais, que em sua maioria escapou do longo bra&ccedil;o da lei. 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