{"id":18185,"date":"2014-12-02T14:43:09","date_gmt":"2014-12-02T14:43:09","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=125885"},"modified":"2014-12-02T14:43:09","modified_gmt":"2014-12-02T14:43:09","slug":"a-aids-rouba-os-adolescentes-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/12\/ultimas-noticias\/a-aids-rouba-os-adolescentes-na-africa\/","title":{"rendered":"A aids rouba os adolescentes na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_125887\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/sida_adolescentes.jpg\"><img class=\"wp-image-125887\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/sida_adolescentes.jpg\" alt=\"sida adolescentes A aids rouba os adolescentes na \u00c1frica\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"A aids rouba os adolescentes na \u00c1frica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Na medida em que a aids se torna a principal causa de morte entre adolescentes na \u00c1frica, \u00e9 fundamental empoderar os jovens, especialmente as meninas, para que possam ter op\u00e7\u00f5es que lhes salvem a vida. Foto: Mercedes Sayagues<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lagos, Nig\u00e9ria, 2\/12\/2014 \u2013 Quando Shola tinha 13 anos, h\u00e1 dois, foi colocado para fora de sua casa em Abeokuta, sudoeste da Nig\u00e9ria, depois que sua fam\u00edlia ficou sabendo que seu exame de HIV dera positivo. Ent\u00e3o vivia com seu pai, a mulher dele e seus sete filhos. \u201cA madrasta insistiu que Shola (nome fict\u00edcio) tinha que ir embora porque poderia infectar as outras crian\u00e7as\u201d, contou \u00e0 IPS Tayo Akinpelu, diretor da Iniciativa Salvadores do Futuro para a Juventude.<\/p>\n<p>Akinpelu recorreu \u00e0 m\u00e3e de Shola, que se casara novamente. Mas esta se negou a ajudar, argumentando que o pai deveria se responsabilizar pelo filho. \u201cShola se sentiu um p\u00e1ria\u201d, contou. No final, seus av\u00f3s o receberam. O HIV, v\u00edrus causador da aids, destr\u00f3i as fam\u00edlias na Nig\u00e9ria e, em geral, na \u00c1frica, onde essa doen\u00e7a se tornou a principal causa de morte entre os adolescentes.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 totalmente inaceit\u00e1vel\u201d, lamentou Craig McClure, chefe do programa de HIV do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) em Nova York. \u201cE mais, as mortes vinculadas \u00e0 aids diminuem em todos as faixas et\u00e1rias, menos na adolesc\u00eancia\u201d, advertiu. As mortes relacionadas com a doen\u00e7a ca\u00edram 30% entre 2005 e 2012, mas aumentaram 50% entre os adolescentes, segundo informe do Unicef.<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es da grande quantidade de mortes, segundo Arjan de Wagt, chefe de HIV\/aids do Unicef na cidade nigeriana de Abuja, \u00e9 que poucos adolescentes recebem tratamento com antirretrovirais. Dos 3,1 milh\u00f5es de portadores de HIV na Nig\u00e9ria, metade tem menos de 24 anos, mas apenas dois em cada dez dos maiores de 15 anos e uma em cada dez com menos de 15 anos recebiam medicamentos em 2013, apontou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A exclus\u00e3o da fam\u00edlia e da sociedade, como ocorreu a Shola, ou o medo da rejei\u00e7\u00e3o faz com que esses jovens n\u00e3o recebam a ajuda necess\u00e1ria. \u201cMuitos adolescentes com HIV morrem em sil\u00eancio porque t\u00eam muita vergonha para se apresentar e receber o tratamento\u201d, contou \u00e0 IPS a psic\u00f3loga de adolescentes residente em Lagos, Blessing Uju. \u201cA vergonha \u00e9 ainda maior entre as meninas. Na Nig\u00e9ria, se a mulher \u00e9 portadora do HIV, parece que \u00e9 uma trabalhadora sexual\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Sally (nome fict\u00edcio) n\u00e3o contou aos pais nem irm\u00e3os que o exame de aids tinha dado positivo h\u00e1 quatro anos, quando tinha 19. \u201cH\u00e1 muito estigma em n\u00edvel familiar\u201d, afirmou. E, apesar de consciente dos perigos de n\u00e3o tomar a medica\u00e7\u00e3o regularmente, ela costumava n\u00e3o consumir alguns comprimidos para que em sua casa ningu\u00e9m a visse fazendo isso. \u201cOs jovens precisam de uma pessoa de confian\u00e7a. Se n\u00e3o forem suficientemente fortes, podem acabar tirando a pr\u00f3pria vida\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Os adolescentes precisam de ajuda para continuar tomando os antirretrovirais, destacou Akinpelu. Os av\u00f3s de Shola costumavam preparar a primeira refei\u00e7\u00e3o do dia pela tarde, at\u00e9 que Akinpelu lhes explicou que os comprimidos podem causar n\u00e1useas se consumidos de est\u00f4mago vazio e que o jovem precisaria de comida substancial mais cedo. O cansa\u00e7o com o tratamento afeta mais os adolescentes, explicou Uju. \u201cAlguns dizem que preferem morrer a consumir a medica\u00e7\u00e3o\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Dos 2,1 milh\u00f5es de adolescentes com HIV que havia no mundo em 2012 mais de 80% viviam na \u00c1frica subsaariana, segundo o Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/aids (Onusida). No Malawi, com 93 mil adolescentes portadores de HIV, perdem a vida 6.900 por causas vinculadas \u00e0 aids. A grande mortalidade tem a ver com diagn\u00f3sticos demorados e com o in\u00edcio do tratamento muito tarde, explicou Judith Sherman, do Unicef em Lilongwe.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica do Malawi \u00e9 que se deve oferecer o exame de HIV a todas as crian\u00e7as atendidas em centros de sa\u00fade. \u201cMas, infelizmente, n\u00e3o acontece de forma rotineira\u201d, lamentou Sherman. A ades\u00e3o dos adolescentes aos antirretrovirais \u00e9 mais baixa do que a dos adultos, acrescentou, dizendo que isso ocorre \u201cpor v\u00e1rias raz\u00f5es, como fadiga pelo tratamento, depress\u00e3o, medo do estigma, nega\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00f5es familiares inst\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Os 165 mil adolescentes estimados como portadores de HIV na Tanz\u00e2nia sofrem dificuldades semelhantes \u00e0s de seus pares na Nig\u00e9ria e em Malawi. Allison Jenkins, diretora de HIV\/aids do Unicef na Tanz\u00e2nia, disse que os clubes s\u00e3o uma das formas efetivas de ajudar os adolescentes. \u201cOs clubes de jovens melhoram a ades\u00e3o ao tratamento, especialmente entre os que frequentam assiduamente\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u00c9 alarmante o perfil de g\u00eanero que a preval\u00eancia do HIV tem, pois a taxa de infec\u00e7\u00e3o entre as adolescentes \u00e9 considerada pela Onusida como \u201cinaceitavelmente alta\u201d. A preval\u00eancia da doen\u00e7a nas jovens de 15 a 19 anos em Mo\u00e7ambique \u00e9 de 7%, mais que o dobro dos homens da mesma idade. Botsuana apresenta um cen\u00e1rio semelhante.<\/p>\n<p>Lucy Attah, da organiza\u00e7\u00e3o Mulheres e Crian\u00e7as que Vivem com HIV e Aids, com sede em Lagos, atribui a situa\u00e7\u00e3o \u00e0 pobreza. \u201cAs meninas se veem obrigadas a trocar sexo por dinheiro para se manterem. A press\u00e3o para conseguir fundos \u00e9 maior nas cidades, onde as jovens competem pelos melhores telefones celulares ou roupas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As adolescentes se iniciam na atividade sexual, nas drogas e no \u00e1lcool, sentem-se invulner\u00e1veis E experimentam a press\u00e3o social e econ\u00f4mica para se tornarem adultas. O HIV e a falta de servi\u00e7os de sa\u00fade especiais para jovens s\u00e3o as chaves do problema, diz o informe do Unicef. \u201cTemos que fazer mais e bem, nos concentrarmos na \u00c1frica subsaariana e nas adolescentes, que \u00e9 onde est\u00e1 a maior carga\u201d da enfermidade, destacou McClure.<\/p>\n<p><strong>Curtas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Adolescentes com HIV na Tanz\u00e2nia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 alarmante que a preval\u00eancia do HIV entre os adolescentes de 15 a 19 anos da Tanz\u00e2nia n\u00e3o tenha diminu\u00eddo entre 2007 e 2012.<\/p>\n<p>Cerca de 165 mil adolescentes s\u00e3o portadores do v\u00edrus da aids, entre eles 97 mil meninas e 68 mil meninos. Alguns nasceram com o HIV e outros o contra\u00edram quando crian\u00e7as ou na adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Para compreender melhor suas necessidades, a Comiss\u00e3o da Tanz\u00e2nia para a aids realizou um estudo entre adolescentes de 15 a 19 anos em sete regi\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Algumas conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Quatro em cada dez eram sexualmente ativos, a maioria com parceiro(a) regular.<\/p>\n<p>&#8211; Pouco mais da metade declarou ter utilizado camisinha em sua \u00faltima rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>&#8211; Um ter\u00e7o afirmou ter sofrido viol\u00eancia sexual. Poucos disseram ter falado do assunto com amigos ou familiares ou, inclusive, denunciado o fato.<\/p>\n<p>&#8211; Pouco mais de um ter\u00e7o conhecia os servi\u00e7os de planejamento familiar ou de prote\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n<p>O estudo pediu urg\u00eancia na divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o sobre os servi\u00e7os de sa\u00fade reprodutiva e sexual e de prote\u00e7\u00e3o infantil entre as adolescentes com HIV, para que possam tomar decis\u00f5es seguras para suas vidas e ter acesso a aten\u00e7\u00e3o e apoio. A preval\u00eancia nacional do HIV \u00e9 5%, segundo a Onusida.<\/p>\n<p><strong>Dados b\u00e1sicos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mortalidade adolescente devido \u00e0 aids em 2013<\/strong><\/p>\n<p>\u00c1frica do Sul: 11 mil<\/p>\n<p>Tanz\u00e2nia: 10 mil<\/p>\n<p>Eti\u00f3pia: 7.900<\/p>\n<p>Qu\u00eania: 7.800<\/p>\n<p>Zimb\u00e1bue: 6.500<\/p>\n<p>Uganda: 6.300<\/p>\n<p>Malawi: 5.600<\/p>\n<p>Z\u00e2mbia: 4.400<\/p>\n<p>Mo\u00e7ambique: 3.900<\/p>\n<p>Ruanda: 1.200<\/p>\n<p>Lesoto: 1.200<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Lagos, Nig&eacute;ria, 2\/12\/2014 &ndash; Quando Shola tinha 13 anos, h&aacute; dois, foi colocado para fora de sua casa em Abeokuta, sudoeste da Nig&eacute;ria, depois que sua fam&iacute;lia ficou sabendo que seu exame de HIV dera positivo. 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