{"id":18191,"date":"2014-12-03T12:51:07","date_gmt":"2014-12-03T12:51:07","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=125938"},"modified":"2014-12-03T12:51:07","modified_gmt":"2014-12-03T12:51:07","slug":"o-desmatamento-causa-estragos-em-comunidades-pobres-do-pacifico-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/12\/ultimas-noticias\/o-desmatamento-causa-estragos-em-comunidades-pobres-do-pacifico-sul\/","title":{"rendered":"O desmatamento causa estragos em comunidades pobres do Pac\u00edfico sul"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_125940\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/tala.jpg\"><img class=\"wp-image-125940\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/tala.jpg\" alt=\"tala O desmatamento causa estragos em comunidades pobres do Pac\u00edfico sul\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"O desmatamento causa estragos em comunidades pobres do Pac\u00edfico sul\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Pequenos propriet\u00e1rios de terras nas Ilhas Salom\u00e3o e em Papua Nova Guin\u00e9 sofrem o impacto ambiental e social do desmatamento. Foto: Catherine Wilson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sydney, Austr\u00e1lia, 3\/12\/2014 \u2013 O desmatamento desenfreado em Papua Nova Guin\u00e9 e nas Ilhas Salom\u00e3o, onde a maior parte do territ\u00f3rio est\u00e1 coberta por uma espessa selva tropical, agrava as pen\u00farias, a inseguran\u00e7a e os conflitos nas zonas rurais.<\/p>\n<p>Paul Pavol, dono de um terreno no distrito de Pomio, na prov\u00edncia insular de Nova Bretanha do Leste, no nordeste da ilha principal de Papua Nova Guin\u00e9, disse \u00e0 IPS que o desmatamento causou \u201cum dano ambiental permanente no solo e na floresta, da qual dependem nossas comunidades para obter \u00e1gua, materiais de constru\u00e7\u00e3o, medicamentos e alimentos\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 quatro anos a companhia madeireira multinacional da Mal\u00e1sia conseguiu dois contratos de arrendamento agr\u00edcola especial no distrito, mas os propriet\u00e1rios locais afirmam que eles nunca consentiram e, ap\u00f3s v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es legais, o Tribunal Nacional ordenou em novembro ao promotor cessar toda atividade na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Segundo a organiza\u00e7\u00e3o Global Witness, a companhia desmatou sete mil hectares de selva e exportou toras num valor superior a US$ 50 milh\u00f5es. \u201cNunca demos nosso consentimento, livre e informado para os contratos sobre nossas terras, e, naturalmente, n\u00e3o concordamos em ceder nosso territ\u00f3rio por 99 anos a uma empresa madeireira\u201d, destacou Pavol.<\/p>\n<p>Em 2012, um ter\u00e7o das exporta\u00e7\u00f5es de madeira de Papua Nova Guin\u00e9 procedeu de terras sujeitas a esse tipo de contrato de arrendamento, segundo o Instituto de Assuntos Nacionais, apesar de o prop\u00f3sito declarado desses contratos ser o de facilitar projetos agr\u00edcolas em beneficio da popula\u00e7\u00e3o local. Pavol tamb\u00e9m denunciou viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos mediante \u201cesquadr\u00f5es antidist\u00farbios da pol\u00edcia para proteger a companhia e intimidar e aterrorizar nossas comunidades\u201d.<\/p>\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o realizada no ano passado pela organiza\u00e7\u00e3o Eco-Forestry Forum, junto com \u00f3rg\u00e3os do governo e da pol\u00edcia, concluiu que oficiais contratados pela companhia para frear a oposi\u00e7\u00e3o local realizaram graves ataques contra os moradores locais.<\/p>\n<p>Papua Nova Guin\u00e9 tem a terceira maior selva do mundo, que cobre cerca de 29 milh\u00f5es de hectares, mas tamb\u00e9m \u00e9 o terceiro exportador de madeira tropical. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) prev\u00ea que se perder\u00e1 83% da floresta comercialmente vi\u00e1vel at\u00e9 2021 devido ao corte comercial, \u00e0 minera\u00e7\u00e3o e ao desmatamento para dar lugar a planta\u00e7\u00f5es de palma.<\/p>\n<p>Papua Nova Guin\u00e9 se comprometeu na C\u00fapula de Florestas da \u00c1sia Pac\u00edfico, realizada em Sydney, a criar planos para acabar com o desmatamento em uma d\u00e9cada, mas a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena n\u00e3o ficou convencida. \u201cDentro de dez anos quase toda a selva acess\u00edvel estar\u00e1 cortada e a raiz do problema \u00e9 a sistem\u00e1tica corrup\u00e7\u00e3o end\u00eamica, lamentou o porta-voz da organiza\u00e7\u00e3o Act Now.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o temos penas duras para quem viola a lei e esta n\u00e3o \u00e9 cumprida\u201d, acrescentou Pavol, uma opini\u00e3o compartilhada pela organiza\u00e7\u00e3o Chatham House (Instituto Real de Assuntos Internacionais), com sede em Londres.<\/p>\n<p>A devasta\u00e7\u00e3o ambiental e a viol\u00eancia relacionada com o desmatamento aumentam as dificuldades em Pomio, um dos distritos de menor desenvolvimento da Nova Bretanha do Leste, onde n\u00e3o h\u00e1 servi\u00e7os de sa\u00fade, saneamento, \u00e1gua e nem estradas decentes. A esperan\u00e7a de vida local \u00e9 de 45 a 50 anos, e a mortalidade infantil chega a 61 falecimentos para cada mil nascidos vivos, bem maior do que a m\u00e9dia nacional de 47 para mil.<\/p>\n<p>Na vizinha Ilhas Salom\u00e3o, onde 2,2 milh\u00f5es de hectares de florestas cobrem mais de 80% do territ\u00f3rio, a extra\u00e7\u00e3o de madeira foi quase quatro vezes maior do que a taxa sustent\u00e1vel de 250 mil metros c\u00fabicos por ano. A madeira representou 60% da renda nacional com exporta\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 pouco prov\u00e1vel que continue devido \u00e0 previs\u00e3o do Projeto de Gest\u00e3o de Florestas das Ilhas Salom\u00e3o, de que a selva acess\u00edvel se esgotar\u00e1 no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>A grande demanda por mat\u00e9ria-prima das crescentes economias asi\u00e1ticas \u00e9 o grande motor do desmatamento nos dois pa\u00edses. O setor \u00e9 dominado por empresas da Mal\u00e1sia, e a China \u00e9 seu principal destino.<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas inescrupulosas, como conseguir autoriza\u00e7\u00e3o para extrair madeira mediante subornos e descumprir as tarefas de corte determinadas, est\u00e3o generalizadas. Mais de 80% do com\u00e9rcio de madeira desses dois pa\u00edses s\u00e3o produto de desmatamento, e a exporta\u00e7\u00e3o ilegal chegou a US$ 800 milh\u00f5es em 2010, segundo um informe do Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas Contra a Droga e o Crime (UNODC).<\/p>\n<p>Desde 2003 as companhias internacionais mais envolvidas com a extra\u00e7\u00e3o de madeira tiveram acesso a 5,5 milh\u00f5es de hectares de florestas em Papua Nova Guin\u00e9, al\u00e9m dos 8,5 milh\u00f5es j\u00e1 destinados a essa atividade mediante aquisi\u00e7\u00f5es de contratos de corte fraudulentos, segundo a Comiss\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o e um estudo do Instituto Oakland, com sede na Calif\u00f3rnia, Estados Unidos.<\/p>\n<p>O UNODC ressalta a conviv\u00eancia entre as redes transnacionais de crime organizado, as companhias madeireiras, funcion\u00e1rios p\u00fablicos e dirigentes pol\u00edticos. Funcion\u00e1rios dos \u00f3rg\u00e3os florestais nos pa\u00edses em desenvolvimento carecem de recursos humanos e t\u00e9cnicos para supervisionar de forma adequada as opera\u00e7\u00f5es de extra\u00e7\u00e3o de madeira e est\u00e3o mal equipados para lidar com as redes criminosas.<\/p>\n<p>A lavagem de dinheiro que est\u00e1 associada \u00e0 atividade tamb\u00e9m \u00e9 um problema, a pol\u00edcia federal australiana estima que s\u00e3o lavados US$ 170 milh\u00f5es ao ano procedentes de atividades criminosas em Papua Nova Guin\u00e9, por meio de bancos e investimentos imobili\u00e1rios na Austr\u00e1lia. Este pa\u00eds aprovou a Lei de Proibi\u00e7\u00e3o de Corte Ilegal, mas n\u00e3o existe algo semelhante no principal mercado: a China.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o Transpar\u00eancia Ilhas Salom\u00e3o pontuou que \u00e9 preciso fortalecer a capacidade do governo para prestar contas e educar as comunidades locais sobre seus direitos, a legisla\u00e7\u00e3o e medidas que possam ser tomadas em n\u00edvel local. A desigualdade e o pouco desenvolvimento humano entre as popula\u00e7\u00f5es rurais pobres se arraigam pela incapacidade dos dois pa\u00edses em canalizar fundos para construir infraestrutura, servi\u00e7os b\u00e1sicos e oportunidades econ\u00f4micas mais equitativas.<\/p>\n<p>Em Papua Nova Guin\u00e9, um dos pa\u00edses mais desiguais, com \u00cdndice Gini de 50,9%, a pobreza aumentou de 37,5% em 1996, para 39,9% em 2009, segundo o Banco Mundial. Nas Ilhas Salom\u00e3o a extra\u00e7\u00e3o de madeira \u00e9 uma das principais fontes de renda h\u00e1 20 anos, com participa\u00e7\u00e3o no produto interno bruto que chegou a 10% em 2011.<\/p>\n<p>Mas o F\u00f3rum das Ilhas do Pac\u00edfico diz que \u201co crescimento que depende dos recursos n\u00e3o chega aos mais favorecidos\u201d, pois o pa\u00eds est\u00e1 em 157\u00ba lugar, entre 187 pa\u00edses listados, por seu desenvolvimento humano. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Sydney, Austr&aacute;lia, 3\/12\/2014 &ndash; O desmatamento desenfreado em Papua Nova Guin&eacute; e nas Ilhas Salom&atilde;o, onde a maior parte do territ&oacute;rio est&aacute; coberta por uma espessa selva tropical, agrava as pen&uacute;rias, a inseguran&ccedil;a e os conflitos nas zonas rurais. 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