{"id":18211,"date":"2014-12-08T14:02:53","date_gmt":"2014-12-08T14:02:53","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=126224"},"modified":"2014-12-08T14:02:53","modified_gmt":"2014-12-08T14:02:53","slug":"neutralidade-climatica-a-balsa-de-sobrevivencia-lancada-em-lima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/12\/ultimas-noticias\/neutralidade-climatica-a-balsa-de-sobrevivencia-lancada-em-lima\/","title":{"rendered":"Neutralidade clim\u00e1tica, a balsa de sobreviv\u00eancia lan\u00e7ada em Lima"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_126226\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/CHICA-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-126226\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/CHICA-629x419.jpg\" alt=\"CHICA 629x419 Neutralidade clim\u00e1tica, a balsa de sobreviv\u00eancia lan\u00e7ada em Lima\" width=\"540\" height=\"360\" title=\"Neutralidade clim\u00e1tica, a balsa de sobreviv\u00eancia lan\u00e7ada em Lima\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ativistas exigem dos delegados governamentais na COP 20 a aprova\u00e7\u00e3o de medidas que fomentem o investimento em energias renov\u00e1veis e abandonem seus multimilion\u00e1rios apoios aos combust\u00edveis f\u00f3sseis. Foto: Joshua Wiese\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lima, Peru, 8\/12\/2014 \u2013 Encerrados em sal\u00f5es sufocados pelo sol da capital peruana, delegados de 195 pa\u00edses buscam o caminho que permita ao planeta chegar \u00e0 neutralidade clim\u00e1tica durante a segunda metade deste s\u00e9culo, o \u00fanico mecanismo para evitar mudan\u00e7as irrevers\u00edveis na din\u00e2mica planet\u00e1ria, segundo institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e especialistas.<\/p>\n<p>A neutralidade clim\u00e1tica implica a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es anuais de gases causadores do efeito estufa a um ponto em que se possa capturar ou fixar a totalidade desses gases liberados. Para isso \u00e9 fundamental acelerar a transi\u00e7\u00e3o de uma economia baseada em combust\u00edveis f\u00f3sseis para outra fundamentada em energias renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Quando a 20\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 20) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica chega ao seu equador, aumentam os pa\u00edses do Sul em desenvolvimento que assumem a proposta de fixar a meta at\u00e9 2050 de neutralidade clim\u00e1tica, tamb\u00e9m conhecida como carbono zero.<\/p>\n<p>\u201cOs dados cient\u00edficos s\u00e3o cada vez mais alarmantes\u201d, disse \u00e0 IPS a costarriquenha Giovanna Valverde, presidente <em>pr\u00f3 tempore<\/em> da Associa\u00e7\u00e3o Independente da Am\u00e9rica Latina e do Caribe (Ailac), um grupo de governos regionais de renda m\u00e9dia que negociam como bloco na confer\u00eancia, que come\u00e7ou no dia 1\u00ba e \u00a0termina no dia 12.<\/p>\n<p>\u201cO coordenador do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC) nos mostrou, na sess\u00e3o plen\u00e1ria, os dados que demonstram a urg\u00eancia em que nos encontramos. Se colocamos o prazo de 2050 \u00e9 para que todos possam aderir, mas os n\u00fameros s\u00e3o alarmantes e \u00e9 bom se antecipar\u201d, ressaltou Valverde.<\/p>\n<p>Informes do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), da Ag\u00eancia Internacional da Energia e do IPCC coincidem sobre como alcan\u00e7ar a neutralidade: investir mais em energias limpas, reduzir o consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis, melhorar as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, reflorestar e potencializar a efici\u00eancia energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>A iniciativa de avan\u00e7ar nesse caminho mediante a neutralidade clim\u00e1tica se converteu em um debate-estrela da primeira semana da confer\u00eancia anual da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC), mas falta muito para que se cristalize em um compromisso dos pa\u00edses para garantir a transi\u00e7\u00e3o para uma economia limpa.<\/p>\n<p>Um informe do brit\u00e2nico Overseas Development Institute conclui que as pot\u00eancias industrializadas e emergentes do Grupo dos 20 continuam investindo cerca de US$ 88 bilh\u00f5es anuais em subs\u00eddios aos combust\u00edveis f\u00f3sseis, em lugar de usar esse capital para impulsionar energias renov\u00e1veis. Al\u00e9m disso, nos espa\u00e7os da COP 20, o poder e o <em>lobby<\/em> da ind\u00fastria dos hidrocarbonos \u00e9 palp\u00e1vel e n\u00e3o faltam na agenda encontros organizados por corpora\u00e7\u00f5es transnacionais do setor, como o da anglo-holandesa Shell, pautada para hoje.<\/p>\n<div id=\"attachment_126227\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/COP20.jpg\"><img class=\"wp-image-126227\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/COP20.jpg\" alt=\"COP20 Neutralidade clim\u00e1tica, a balsa de sobreviv\u00eancia lan\u00e7ada em Lima\" width=\"540\" height=\"359\" title=\"Neutralidade clim\u00e1tica, a balsa de sobreviv\u00eancia lan\u00e7ada em Lima\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A aspira\u00e7\u00e3o de avan\u00e7ar para um mundo verde se torna realidade, literalmente, em alguns espa\u00e7os das instala\u00e7\u00f5es da COP 20 na capital peruana. Foto: COP 20<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Valverde assegurou que a chave \u00e9 \u201cos pa\u00edses se comprometerem seriamente com a informa\u00e7\u00e3o nas contribui\u00e7\u00f5es para redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, permitindo aos cientistas terem tempo entre 2015 e 2020 para comparar metodologias de pa\u00edses, fazer a somat\u00f3ria matem\u00e1tica e definir quanto falta reduzir\u201d.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o de Pequenos Estados Insulares (Aosis) divulgou um comunicado exortando os pa\u00edses industrializados a tornarem \u201cmais ambiciosas\u201d essas contribui\u00e7\u00f5es, reduzindo a depend\u00eancia das energias sujas. Tamb\u00e9m pediu que o planeta alcance o n\u00edvel de zero emiss\u00f5es em 2100, o que implica uma total elimina\u00e7\u00e3o do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis, tal como recomendou o IPCC em seu \u00faltimo informe, apresentado no dia 2 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>Pa\u00edses como a Pol\u00f4nia, uma pot\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o, anunciaram sua rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 medida. A oposi\u00e7\u00e3o polonesa e de outros pa\u00edses dependentes de combust\u00edveis f\u00f3sseis entorpecem o avan\u00e7o das energias limpas. A Uni\u00e3o Europeia (UE), por exemplo, n\u00e3o concorda com uma meta de longo prazo dentro do bloco e tampouco est\u00e1 segura se apoiar\u00e1 a neutralidade clim\u00e1tica apresentada pela CMNUCC e impulsionada pelos pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cA meta \u00e9 parte das mitiga\u00e7\u00f5es, \u00e9 parte da discuss\u00e3o\u201d, pontuou \u00e0 IPS uma das condutoras das negocia\u00e7\u00f5es pela UE, Elina Bardram, acrescentando que \u201c\u00e9 importante chegarmos a Paris com uma vis\u00e3o compartilhada\u201d, referindo-se \u00e0 COP 21, que acontecer\u00e1 na capital francesa em novembro de 2015. \u201cIsso nos dir\u00e1 qual ser\u00e1 a ambi\u00e7\u00e3o para um futuro baixo em carbono. N\u00e3o temos clara ainda a meta de longo prazo, mas naturalmente que levaremos em conta a vis\u00e3o do IPCC e de outros organismos cient\u00edficos\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>Em Paris dever\u00e1 ser estabelecido um novo tratado clim\u00e1tico, global e vinculante, que a partir de 2020 substitua o Protocolo de Kyoto. Mas antes, em Lima, deve ser definida a forma que ter\u00e1 o que muitos consideram o cora\u00e7\u00e3o do novo acordo: as contribui\u00e7\u00f5es nacionais. Nessas contribui\u00e7\u00f5es est\u00e1 inclu\u00edda a quantidade de redu\u00e7\u00e3o com que cada na\u00e7\u00e3o se compromete, e em quanto tempo. A somat\u00f3ria dessas contribui\u00e7\u00f5es deve ser suficiente para evitar os efeitos irrevers\u00edveis na din\u00e2mica planet\u00e1ria da Terra.<\/p>\n<p>Para conseguir isso, os pa\u00edses em desenvolvimento e a sociedade tanto do Sul quanto do Norte prop\u00f5em uma mescla de redu\u00e7\u00e3o dos incentivos \u00e0s energias f\u00f3sseis, reflorestamento, melhorias agr\u00edcolas e investimento em energias renov\u00e1veis. Embora essas contribui\u00e7\u00f5es devam ser informadas oficialmente entre mar\u00e7o e junho de 2015, alguns pa\u00edses j\u00e1 fizeram an\u00fancios a respeito.<\/p>\n<p>No dia 12 de novembro, em um an\u00fancio conjunto em Pequim, os Estados Unidos prometeram reduzir, at\u00e9 2025, entre 26% e 28% de suas emiss\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de 2005, enquanto a China se comprometeu a colocar um teto \u00e0s suas emiss\u00f5es em 2030 e depois reduzi-las. Por\u00e9m, os estudos cient\u00edficos alertam que s\u00e3o necess\u00e1rios passos mais ambiciosos e mais r\u00e1pidos.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es devem ser tomadas antes de 2020, segundo o <em>Informe Sobre a Disparidade nas Emiss\u00f5es 2014<\/em>, publicado em 19 de novembro pelo Pnuma, que analisa anualmente a diferen\u00e7a entre as a\u00e7\u00f5es atuais dos pa\u00edses e as necess\u00e1rias para n\u00e3o haver graves consequ\u00eancias nas din\u00e2micas planet\u00e1rias. \u201cEsse documento deixa claro que, em certo ponto da segunda metade do s\u00e9culo 21, teremos que ter alcan\u00e7ado a neutralidade clim\u00e1tica, ou, como alguns chamam, zero total, em termos de emiss\u00f5es globais\u201d, explicou a secret\u00e1ria-executiva da CMNUCC, Christiana Figueres.<\/p>\n<p>Segundo esse estudo, o pico das emiss\u00f5es mundiais dever\u00e1 ocorrer nos pr\u00f3ximos dez anos, seguido por a\u00e7\u00f5es para implementar mais energias limpas e reduzir o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Isso \u00e9 conhecido como a \u201cagenda de redu\u00e7\u00e3o pr\u00e9via a 2020\u201d e a entrada em vigor do novo tratado. At\u00e9 agora, em Lima, os delegados adiam a revis\u00e3o dessas redu\u00e7\u00f5es pr\u00e9-2020, envolvidos em lutas de procedimentos.<\/p>\n<p>Agora, os pa\u00edses correm o risco de n\u00e3o acordarem as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para reduzir as emiss\u00f5es de forma que a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura n\u00e3o ultrapasse os dois graus cent\u00edgrados, e inclusive h\u00e1 vozes alertando que o aumento m\u00e1ximo deve ser menor, antes que ocorram efeitos irrevers\u00edveis no planeta.<\/p>\n<p>\u201cNossa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 que o aumento da temperatura n\u00e3o pode ser maior do que 1,5 grau cent\u00edgrado, porque mais do que isso ser\u00e1 extremamente nocivo\u201d, destacou \u00e0 IPS o nepal\u00eas Ram Prasad, coordenador do grupo de Pa\u00edses Mais Vulner\u00e1veis (LCD). A a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica \u00e9 urgente, pois cada ano que passa complica mais a situa\u00e7\u00e3o para os pa\u00edses mais vulner\u00e1veis, que usualmente s\u00e3o as na\u00e7\u00f5es mais pobres do planeta, tornando a mudan\u00e7a clim\u00e1tica um problema profundo de desigualdade, enfatizou.<\/p>\n<p>O informe do Pnuma conclui que para adaptar-se ao clima vari\u00e1vel o mundo necessitar\u00e1 de aproximadamente tr\u00eas vezes mais do que os entre US$ 70 milh\u00f5es e US$ 100 bilh\u00f5es anuais estimados at\u00e9 agora. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Lima, Peru, 8\/12\/2014 &ndash; Encerrados em sal&otilde;es sufocados pelo sol da capital peruana, delegados de 195 pa&iacute;ses buscam o caminho que permita ao planeta chegar &agrave; neutralidade clim&aacute;tica durante a segunda metade deste s&eacute;culo, o &uacute;nico mecanismo para evitar mudan&ccedil;as irrevers&iacute;veis na din&acirc;mica planet&aacute;ria, segundo institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas e especialistas. A neutralidade clim&aacute;tica implica a [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/12\/ultimas-noticias\/neutralidade-climatica-a-balsa-de-sobrevivencia-lancada-em-lima\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2342,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2545,2609,2623,989,3178,2597,2624],"class_list":["post-18211","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-cop-20","tag-cop20lima","tag-energias-renovaveis","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips","tag-lima","tag-neutralidade-climatica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18211","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2342"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18211"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18211\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18212,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18211\/revisions\/18212"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}