{"id":18219,"date":"2014-12-09T17:19:48","date_gmt":"2014-12-09T17:19:48","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=126343"},"modified":"2014-12-09T17:19:48","modified_gmt":"2014-12-09T17:19:48","slug":"o-armamento-nuclear-e-e-sera-o-maior-perigo-enquanto-existir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/12\/ultimas-noticias\/o-armamento-nuclear-e-e-sera-o-maior-perigo-enquanto-existir\/","title":{"rendered":"O armamento nuclear \u00e9 e ser\u00e1 o maior perigo enquanto existir"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Isomaki_Risto_2007_1-314x472.jpg\"><img class=\"alignleft size-full wp-image-126345\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Isomaki_Risto_2007_1-314x472.jpg\" alt=\"Isomaki Risto 2007 1 314x472 O armamento nuclear \u00e9 e ser\u00e1 o maior perigo enquanto existir\" width=\"314\" height=\"472\" title=\"O armamento nuclear \u00e9 e ser\u00e1 o maior perigo enquanto existir\" \/><\/a>Helsinque, Finl\u00e2ndia, dezembro\/2014 \u2013 No momento culminante da Guerra Fria, o arsenal mundial de armas nucleares, medido pelo potencial explosivo, era estimado em tr\u00eas milh\u00f5es de bombas iguais \u00e0 que destruiu Hiroxima em 1945.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, uma grande parte desse arsenal foi desmantelada e o ur\u00e2nio contido em milhares de bombas nucleares foi convertido em combust\u00edvel para usinas de energia nuclear.<\/p>\n<p>Essa tend\u00eancia decrescente induziu muita gente, e inclusive muitos governos, a supor que o desarmamento nuclear perdera import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida que a probabilidade atual de uma guerra nuclear \u00e9 infinitamente menor do que durante a crise dos m\u00edsseis em Cuba (1962) ou em outros epis\u00f3dios arrepiantes da Guerra Fria.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se deve incorrer no grave erro de supor que o perigo desapareceu, e que o g\u00eanio foi novamente aprisionado na garrafa para sempre.<\/p>\n<p>O arsenal remanescente dos Estados Unidos e da R\u00fassia ainda cont\u00e9m o equivalente a 80 mil bombas de Hiroxima, cerca de 35 vezes menos do que durante a Guerra Fria, mas \u00e9 muito mais do que suficiente para destruir o mundo como o conhecemos.<\/p>\n<p>O paiol nuclear agora \u00e9 muito menos numeroso e as bombas atuais s\u00e3o mais precisas e menores do que as anteriores. Isso as torna f\u00e1ceis de serem utilizadas.<\/p>\n<p>Por outro lado, parece que se costuma subestimar a capacidade destrutiva dos diferentes tipos de armamento nuclear.<\/p>\n<p>Tanto em Hiroxima quanto em Nagasaki, as bombas provocaram inc\u00eandios gigantescos que queimaram todos os seres vivos que estavam no vasto per\u00edmetro de fogo.<\/p>\n<p>Os cientistas militares dos Estados Unidos afirmam que os danos que o inc\u00eandio de uma detona\u00e7\u00e3o nuclear causa s\u00e3o t\u00e3o dif\u00edceis de prever que est\u00e3o analisando o tema durante meio s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Em 2002, quando o conflito bilateral fez temer uma guerra nuclear entre \u00cdndia e Paquist\u00e3o, Washington advertiu os dois governos de que seu custo humano poderia chegar a 12 milh\u00f5es de mortes.<\/p>\n<p>Tratou-se de uma estimativa absurdamente baixa, j\u00e1 que s\u00f3 foi levado em conta o impacto da onda expansiva.<\/p>\n<p>Estudos recentes mostram que o inc\u00eandio radioativo causado por uma detona\u00e7\u00e3o nuclear se propaga por uma \u00e1rea entre duas e cinco vezes maior do que a do impacto. Isso significa que a \u00e1rea destru\u00edda pelo fogo \u00e9 entre quatro e 25 vezes mais extensa do que a \u00e1rea atingida pelo impacto.<\/p>\n<p>Os inc\u00eandios originados por bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial \u2013 em Hiroxima, Nagasaki, Hamburgo e Dresde \u2013 provocaram fortes correntes de ar ascendentes e ventos de furac\u00e3o que ati\u00e7avam o fogo.<\/p>\n<p>Uma detona\u00e7\u00e3o nuclear em uma cidade moderna causar\u00e1 inc\u00eandios ainda mais violentos, j\u00e1 que nelas h\u00e1 abundantes quantidades de hidrocarbonos em forma de asfalto, pl\u00e1stico, petr\u00f3leo, gasolina e g\u00e1s.<\/p>\n<p>Uma pesquisa analisou os poss\u00edveis efeitos da detona\u00e7\u00e3o de uma pequena bomba nuclear (equivalente \u00e0 de Hiroxima) lan\u00e7ada sobre a ilha nova-iorquina de Manhattan. Se produziria um furac\u00e3o de incr\u00edvel viol\u00eancia que sopraria o fogo \u00e0 velocidade de 600 quil\u00f4metros por hora. A maior parte dos arranha-c\u00e9us foi constru\u00edda para resistir a furac\u00f5es de at\u00e9 200 a 250 quil\u00f4metros por hora.<\/p>\n<p>O pior cen\u00e1rio \u00e9 o de uma detona\u00e7\u00e3o nuclear em altitude. A comiss\u00e3o do Congresso norte-americano sobre ataques de pulso eletromagn\u00e9ticos (EMP) estimou que a detona\u00e7\u00e3o de uma bomba nuclear de um megaton a uma altura de 160 quil\u00f4metros sobre o territ\u00f3rio norte-americano causaria a morte de 70% a 90% da popula\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de um ano.<\/p>\n<p>Uma explos\u00e3o nuclear sempre produz um EMP e, lan\u00e7ada da altura de 160 quil\u00f4metros, todo o territ\u00f3rio continental norte-americano estaria sob sua linha de alcance, aniquilando tudo o que funciona com eletricidade, os sistemas de sa\u00fade, o fornecimento de \u00e1gua, os sistemas de depura\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e os laborat\u00f3rios que fabricam medicamentos, vacinas e fertilizantes, entre muitas outras coisas.<\/p>\n<p>A Europa \u00e9 igualmente vulner\u00e1vel, bem como muitos outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o sobre EMP estima que refor\u00e7ar os equipamentos eletr\u00f4nicos para proteg\u00ea-los de um pulso eletromagn\u00e9tico teria custo adicional de 3% a 10%.<\/p>\n<p>Entretanto, at\u00e9 agora nenhum pa\u00eds instalou tais refor\u00e7os.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos colocar em segundo plano o desarmamento nuclear, porque continua sendo a quest\u00e3o mais importante para a seguran\u00e7a do planeta.<\/p>\n<p>Um caminho sensato poderia ser o aproveitamento dos per\u00edodos mais baixos de tens\u00e3o internacional para empreender uma redu\u00e7\u00e3o progressiva dos arsenais e para desenvolver melhores alternativas \u00e0 eletricidade nuclear.<\/p>\n<p>Do contr\u00e1rio, a tens\u00e3o entre pot\u00eancias declinantes e pot\u00eancias emergentes poderia um dia desencadear uma corrida armamentista nuclear, com consequ\u00eancias potencialmente desastrosas.<\/p>\n<p>A prolifera\u00e7\u00e3o dos reatores nucleares para produzir eletricidade aumenta os riscos. Cada pa\u00eds que adquire a capacidade de construir um reator nuclear pode tamb\u00e9m fabricar armas nucleares.<\/p>\n<p>Os reatores foram criados para produzir a mat\u00e9ria-prima para as bombas, e todos os que est\u00e3o em atividade atualmente est\u00e3o produzindo plut\u00f4nio constantemente.<\/p>\n<p>Costuma-se dizer que quando uma tecnologia \u00e9 desenvolvida j\u00e1 n\u00e3o se pode voltar a guard\u00e1-la na caixa de Pandora da qual saiu.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, no caso da tecnologia nuclear \u00e9 necess\u00e1rio fazer todos os esfor\u00e7os poss\u00edveis, j\u00e1 que est\u00e1 em jogo a sobreviv\u00eancia da vida na M\u00e3e Terra. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Risto Isom\u00e4ki<\/strong> \u00e9 escritor e militante ambientalista finland\u00eas.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Helsinque, Finl&acirc;ndia, dezembro\/2014 &ndash; No momento culminante da Guerra Fria, o arsenal mundial de armas nucleares, medido pelo potencial explosivo, era estimado em tr&ecirc;s milh&otilde;es de bombas iguais &agrave; que destruiu Hiroxima em 1945. 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