{"id":18228,"date":"2014-12-10T14:28:57","date_gmt":"2014-12-10T14:28:57","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=126474"},"modified":"2014-12-10T14:28:57","modified_gmt":"2014-12-10T14:28:57","slug":"ativismo-reclama-mais-atencao-para-cubanas-vitimas-de-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/12\/ultimas-noticias\/ativismo-reclama-mais-atencao-para-cubanas-vitimas-de-violencia\/","title":{"rendered":"Ativismo reclama mais aten\u00e7\u00e3o para cubanas v\u00edtimas de viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_126476\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cuba-chica-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-126476\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cuba-chica-629x419.jpg\" alt=\"cuba chica 629x419 Ativismo reclama mais aten\u00e7\u00e3o para cubanas v\u00edtimas de viol\u00eancia \" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Ativismo reclama mais aten\u00e7\u00e3o para cubanas v\u00edtimas de viol\u00eancia \" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um grupo de mulheres participa da inaugura\u00e7\u00e3o do escrit\u00f3rio informativo sobre viol\u00eancia de g\u00eanero, na Oficina de Transforma\u00e7\u00e3o Integral, do bairro Atar\u00e9s El Pilar, na capital de Cuba, no dia 25 de novembro deste ano. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Havana, Cuba, 10\/12\/2014 \u2013 \u201cH\u00e1 mais de 25 anos sofri viol\u00eancia psicol\u00f3gica e f\u00edsica, at\u00e9 com risco para minha vida\u201d, confessou a aposentada Mar\u00eda Teresa C\u00f3rdova, que hoje \u00e9 ativista comunit\u00e1ria no bairro de Atar\u00e9s, na periferia da capital de Cuba. \u201cAntes, esses problemas eram tratados como coment\u00e1rios ou piada no bairro. Hoje s\u00e3o mais estudados e vistos de outra maneira e acabam divulgados pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o\u201d, contou \u00e0 IPS essa mulher de 69 anos, que sobreviveu aos abusos continuados de seu ex-companheiro.<\/p>\n<p>\u201cTive que me levantar quase sozinha, com ajuda de amigas e familiares\u201d, recordou C\u00f3rdova, que trabalhou como secret\u00e1ria por mais de 40 anos. \u201cSa\u00ed daquele atoleiro em sil\u00eancio, sofrendo duplamente porque n\u00e3o queria que meu pai e minha filha soubessem da situa\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Antes um tema tabu em Cuba, a aten\u00e7\u00e3o com as mulheres v\u00edtimas de maus-tratos machistas ganhou protagonismo na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da Jornada pela N\u00e3o Viol\u00eancia Contra a Mulher, um programa anual de atividades realizado desde 2007 por organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, estatais e governamentais.<\/p>\n<p>Com a\u00e7\u00f5es em dez das 15 prov\u00edncias cubanas, a iniciativa \u00e9 a maneira local de aderir \u00e0 campanha universal 16 Dias de Ativismo Contra a Agress\u00e3o \u00e0s Mulheres da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), entre 25 de novembro, Dia Internacional da Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia Contra a Mulher, e 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>Assim, o ativismo torna vis\u00edvel o problema mundial, ocasionado pela desigualdade econ\u00f4mica, social e cultural da popula\u00e7\u00e3o feminina. Estima-se que uma em cada tr\u00eas mulheres maiores de 15 anos no planeta sofreu viol\u00eancia por parte de seu companheiro ou ex-companheiro.<\/p>\n<p>O <em>Informe Anual 2013-2014. O Enfrentamento da Viol\u00eancia Contra as Mulheres na Am\u00e9rica Latina e no Caribe<\/em>, do Observat\u00f3rio da Igualdade de G\u00eanero para a regi\u00e3o, apresenta dados sobre o feminic\u00eddio (assassinato por raz\u00f5es de g\u00eanero), o lado mais extremo deste flagelo causado pelo machismo.<\/p>\n<p>Segundo a entidade, vinculada \u00e0 Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal), 88 mulheres foram assassinadas por seus companheiros ou ex-companheiros na Col\u00f4mbia, 83 no Peru, 71 na Rep\u00fablica Dominicana, 46 em El Salvador, 40 no Chile, 25 no Uruguai, 20 no Paraguai e 17 na Guatemala. O documento destaca a aus\u00eancia, heterogeneidade e dispers\u00e3o das estat\u00edsticas sobre todas as formas de viol\u00eancia machista nas diversas na\u00e7\u00f5es, que se agravam ao se indagar sobre o impacto entre ind\u00edgenas e afrodescendentes.<\/p>\n<p>Cuba est\u00e1 entre esses casos, porque carece de estudos que forne\u00e7am estat\u00edsticas nacionais sobre maus-tratos contra a popula\u00e7\u00e3o feminina. S\u00f3 se conhece o registro das 174 Casas de Orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 Mulher e \u00e0 Fam\u00edlia, entidades comunit\u00e1rias da n\u00e3o governamental Federa\u00e7\u00e3o de Mulheres Cubanas (FMC), que tem entre seus objetivos o de orientar quem busca ajuda.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos dados fornecidos pela rede revelam que, entre 2006 e 2009, foram mulheres 88,5% das v\u00edtimas que ajudaram, e em 50,7% dos casos os agressores foram seus companheiros, com predom\u00ednio para a viol\u00eancia psicol\u00f3gica. At\u00e9 o momento, \u201cos estudos s\u00e3o majoritariamente descritivos\u201d, afirmou a soci\u00f3loga Magela Romero.<\/p>\n<p>Com base nessas pesquisas, Romero estima que esse tipo de viol\u00eancia ocorre aqui independente de ra\u00e7a, idade, n\u00edvel escolar ou profiss\u00e3o. Ocorre em todo o pa\u00eds, \u00e9 geralmente psicol\u00f3gica e em menor medida f\u00edsica, costuma acontecer nas rela\u00e7\u00f5es de casal e dentro do lar, e s\u00e3o muitas as hist\u00f3rias de viol\u00eancia familiar na inf\u00e2ncia dos agressores.<\/p>\n<p>\u201cConfirmam que existe uma propor\u00e7\u00e3o de quase tr\u00eas mulheres para cada homem assassinado por seu companheiro ou companheira\u201d, revelou Romero, na abertura do Escrit\u00f3rio Informativo sobre a Viol\u00eancia de G\u00eanero, no dia 25 de novembro, no centro comunit\u00e1rio Oficina de Transforma\u00e7\u00e3o Integral do Bairro (TTIB) Atar\u00e9s-El Pilar.<\/p>\n<p>O servi\u00e7o, primeiro desse tipo no pa\u00eds e que pretende complementar o trabalho de institui\u00e7\u00f5es estatais, oferece informa\u00e7\u00e3o impressa e digital sobre o problema, assessoria especializada a mulheres v\u00edtimas, forma\u00e7\u00e3o de grupos femininos de autoajuda e pretende trabalhar com os homens, em especial os agressores.<\/p>\n<p>Em Atar\u00e9s e El Pilar, bairros pobres de Havana, o TTIB identificou e trabalha com 60 casos de viol\u00eancia sexual, associados sobretudo \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o feminina, que resiste \u00e0s duras condena\u00e7\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o local contra o proxenetismo e outros crimes vinculados ao neg\u00f3cio do sexo.<\/p>\n<p>A iniciativa foi acompanhada pelo n\u00e3o governamental Grupo de Reflex\u00e3o e Solidariedade Oscar Arnulfo Romero (OAR), uma organiza\u00e7\u00e3o de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3, que coordena o programa de atividades de sensibiliza\u00e7\u00e3o, interc\u00e2mbio e preven\u00e7\u00e3o de maus-tratos junto \u00e0 FMC.<\/p>\n<p>\u201cTodo nosso trabalho comunit\u00e1rio nos colocou diante da v\u00edtima e perguntamos qual poderia ser nossa contribui\u00e7\u00e3o\u201d, apontou \u00e0 IPS a coordenadora do programa de G\u00eanero e Viol\u00eancia do OAR, Zulema Hidalgo. O projeto capacita o pessoal de institui\u00e7\u00f5es, como casas comunit\u00e1rias, policl\u00ednicas, escolas, governos locais, entre outras.<\/p>\n<p>O OAR apoia a prepara\u00e7\u00e3o de grupos de mulheres nas comunidades para dar ajuda, os quais considera \u201cimprescind\u00edveis no processo de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 v\u00edtima\u201d. Hidalgo, acrescentou que \u201cprecisam de espa\u00e7os para conten\u00e7\u00f5es emocionais e redes de apoio, al\u00e9m de projetos para integr\u00e1-las ao trabalho, eliminando a depend\u00eancia econ\u00f4mica do agressor\u201d.<\/p>\n<p>Mas a principal aposta do OAR \u00e9 gerar \u201cpain\u00e9is de articula\u00e7\u00e3o de atores em n\u00edvel comunit\u00e1rio, provincial e, este ano, territorial\u201d. Hidalgo ressaltou que \u201cisso n\u00e3o pode ser um problema exclusivo da comunidade. Tem que transcender o local e outras institui\u00e7\u00f5es at\u00e9 o \u00e2mbito nacional\u201d.<\/p>\n<p>O renascer do tema no debate p\u00fablico est\u00e1 liderado por organiza\u00e7\u00f5es civis como a FMC, o OAR, os ecum\u00eanicos Centro de Reflex\u00e3o e Di\u00e1logo-Cuba, Centro Memorial Dr. Martin Luther King Jr. e Centro Crist\u00e3o de Servi\u00e7o e Capacita\u00e7\u00e3o B. G. Labastida, a Uni\u00e3o Nacional de Juristas de Cuba e o estatal Centro Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Sexual.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participam as universidades, com estudos de casos e o funcionamento de c\u00e1tedras sobre mulher, g\u00eanero e fam\u00edlia, e reivindicam a viol\u00eancia de g\u00eanero entre os t\u00f3picos da pesquisa cient\u00edfica. Ativistas e especialistas pedem maior participa\u00e7\u00e3o estatal e governamental para transformar o sistema de aten\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a \u00e0s v\u00edtimas, que consideram \u201cdeficit\u00e1rio\u201d, \u201cdesarticulado\u201d, \u201cincompleto\u201d e \u201cdesatualizado\u201d.<\/p>\n<p>As \u00faltimas recomenda\u00e7\u00f5es a Cuba do Comit\u00ea sobre a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o Contra a Mulher (Cedaw), feitas em julho de 2013, pedem a amplia\u00e7\u00e3o da ajuda \u00e0s v\u00edtimas, entre outros aspectos. O Cedaw exortou esse pa\u00eds a \u201celaborar e aprovar uma lei integral sobre a viol\u00eancia contra a mulher, assegurar um acesso efetivo \u00e0 justi\u00e7a, desenvolver um plano de a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gico nacional para a preven\u00e7\u00e3o, e estabelecer centros de acolhida, especialmente nas zonas rurais\u201d.<\/p>\n<p>A conven\u00e7\u00e3o internacional, assinada por Cuba em 1979 e ratificada em1980, reconhece os avan\u00e7os em igualdade de g\u00eanero porque as cubanas t\u00eam acesso em condi\u00e7\u00f5es seguras ao aborto, ganham sal\u00e1rios iguais aos dos homens, s\u00e3o maioria entre os diplomados universit\u00e1rios e na for\u00e7a t\u00e9cnica e profissional. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Havana, Cuba, 10\/12\/2014 &ndash; &ldquo;H&aacute; mais de 25 anos sofri viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica e f&iacute;sica, at&eacute; com risco para minha vida&rdquo;, confessou a aposentada Mar&iacute;a Teresa C&oacute;rdova, que hoje &eacute; ativista comunit&aacute;ria no bairro de Atar&eacute;s, na periferia da capital de Cuba. &ldquo;Antes, esses problemas eram tratados como coment&aacute;rios ou piada no bairro. 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