{"id":1824,"date":"2006-05-31T00:00:00","date_gmt":"2006-05-31T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1824"},"modified":"2006-05-31T00:00:00","modified_gmt":"2006-05-31T00:00:00","slug":"republica-democratica-do-congo-grupo-rebelde-cresce-e-ameaca-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/05\/mundo\/republica-democratica-do-congo-grupo-rebelde-cresce-e-ameaca-eleicoes\/","title":{"rendered":"Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo: Grupo rebelde cresce e amea\u00e7a elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Kinshasa, 31\/05\/2006 &ndash; Centenas de ex-combatentes na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC) teriam se somado nos \u00faltimos dias ao nascente Movimento Revolucion\u00e1rio Congolense (MRC), colocando em risco a seguran\u00e7a das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, previstas para 30 de julho, as primeiras em 40 anos. <!--more--> &quot;A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode continuar assim. N\u00e3o podemos realizar elei\u00e7\u00f5es nestas circunst\u00e2ncias. Alguma coisa deve ser feita&quot;, alertou o porta-voz da Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a RDC (Monuc), Djibril Samassa, instalado em Bunia, a principal cidade do distrito de Ituri.     <\/p>\n<p>Os combatentes s\u00e3o recrutados pelo MRC entre grupos desagregados que participaram de conflitos anteriores, entre eles o travado entre 1996 e 1997 e que acabou com a ditadura de 32 anos de Mobutu Sese Seko. Um segundo conflito surgiu em 1998, entre o governo congolense, apoiado por Angola, Nam\u00edbia e Zimb\u00e1bue, e grupos rebeldes do leste, com apoio de Ruanda e Uganda. O controle dos vastos recursos naturais da RDC era o motivo central da guerra, que terminou em 2002 com a assinatura de um acordo de paz na \u00c1frica do Sul. Cerca de quatro milh\u00f5es de pessoas morreram neste conflito, tanto como conseq\u00fc\u00eancia direta dos enfrentamentos quanto das enfermidades e fome que se seguiram.<\/p>\n<p>O atual presidente, Joseph Kabila, assumiu o poder depois do assassinato de seu pai em 2001. Apesar do acordo de 2002, milhares de combatentes no leste da RDC ainda se negam a entregar as armas, e grande parte da regi\u00e3o continua em situa\u00e7\u00e3o vol\u00e1til. A Monuc, com 17 mil soldados, \u00e9 a maior for\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas e foi enviada \u00e0 RDC para ajudar o ex\u00e9rcito no desarmamento dos grupos rebeldes e para garantir a seguran\u00e7a nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Mas as for\u00e7as do governo s\u00e3o indisciplinadas e mal treinadas, enquanto que, com um apenas um soldado da ONU para cada 250 quil\u00f4metros quadrados, o contingente internacional ainda est\u00e1 longe de se fazer presente nas zonas controladas pelas mil\u00edcias.<\/p>\n<p>O MRC foi criado na prov\u00edncia de Ituri em dezembro, integrando uma dezena de fac\u00e7\u00f5es que n\u00e3o respeitaram o prazo de julho de 2005 para entregar as armas, explicou Samassa. O porta-voz da Monuc estima que cerca de 1.500 homens do MRC rodeiam as montanhas e florestas da prov\u00edncia, e pelo menos 500 deles teriam se integrado ao grupo a partir de fevereiro. Alguns informes dizem que o MRC teria formado uma alian\u00e7a com outra organiza\u00e7\u00e3o armada da regi\u00e3o, a Frente de Resist\u00eancia Patri\u00f3tica de Ituri.<\/p>\n<p>Laurent Nkunda, ex-rebelde que depois foi general do ex\u00e9rcito nacional e posteriormente desertou, permanece na prov\u00edncia de Kivu del Norte. Centenas de soldados do ex\u00e9rcito ainda lhe s\u00e3o leais. Os milicianos que se integram ao ex\u00e9rcito nacional recebem US$ 110 em troca de suas armas e sal\u00e1rio de US$ 25 durante um ano. Por\u00e9m poucos est\u00e3o dispostos a aceitar estas condi\u00e7\u00f5es e preferem seguir com suas armas hostilizando civis. Tamb\u00e9m h\u00e1 ind\u00edcios de que alguns soldados recebem seu sal\u00e1rio, mas, em segredo, passam v\u00e1rios dias como milicianos nas montanhas.<\/p>\n<p>&quot;S\u00e3o espertos, porque fazem dinheiro com o governo e com as mil\u00edcias&quot;, disse Pierre Amos, de 25 anos, ex-combatente das For\u00e7as Integracionistas e Nacionalistas em Ituri, apoiadas por Uganda. Amos agora carrega tijolo sob o sol abrasador de Bunia. &quot;Logo, talvez, todos n\u00f3s voltemos \u00e0s montanhas. Durante a rebeli\u00e3o est\u00e1vamos bem, agora s\u00f3 sofremos&quot;, afirmou. Fontes da ONU disseram que as ofensivas do ex\u00e9rcito apoiadas pela Monuc permitiram ao governo recuperar territ\u00f3rios que antes estavam sob controle do MRC, mas esse avan\u00e7o se deteve nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>Uma opera\u00e7\u00e3o feita em fevereiro perto da aldeia de Tcheyi em Ituri, acabou em cat\u00e1strofe, quando 30 soldados do ex\u00e9rcito abriram fogo contra efetivos da ONU que os apoiavam. O incidente demonstrou a falta de controle que existe nas for\u00e7as de seguran\u00e7a da RDC. Funcion\u00e1rios das Na\u00e7\u00f5es Unidas consideram pouco prov\u00e1vel que a situa\u00e7\u00e3o melhore no curto prazo. &quot;Talvez em 10 anos o ex\u00e9rcito do Congo esteja pronto para defender suas fronteiras efetivamente e sem ajuda externa&quot;, disse \u00e0 IPS o general G. V. Satya, respons\u00e1vel pelas for\u00e7as da ONU na prov\u00edncia de Kivu do Norte. &quot;Mas mesmo isso depender\u00e1 de uma consistente e adequada ajuda externa para treinar e equipar o ex\u00e9rcito nesse per\u00edodo&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Nisto coincidem especialistas do independente Grupo Internacional de Crise, com sede em Bruxelas. &quot;Deve-se fazer muito mais para criar um ex\u00e9rcito efetivo e unificado com uma \u00fanica cadeia de comando, e n\u00e3o apenas combater as mil\u00edcias com ex-combatentes contratados&quot;, disse o grupo em seu informe de fevereiro. Tamb\u00e9m causam preocupa\u00e7\u00e3o as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos cometidas pelo ex\u00e9rcito congolense. Um informe da ONU divulgado este m\u00eas revela um aumento no n\u00famero de viola\u00e7\u00f5es e assassinatos cometidos pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a<\/p>\n<p>Cerca de 1.200 das 1.866 viola\u00e7\u00f5es investigadas pela ONU entre abril e dezembro de 2005 teriam sido cometidas por soldados do ex\u00e9rcito nacional, contra 800 cometidas no mesmo per\u00edodo de 2004. &quot;O uso da viol\u00eancia f\u00edsica como rotina contra civis por parte de integrantes das for\u00e7as de seguran\u00e7a se observa em todos os lugares para onde s\u00e3o enviados soldados e policiais. Muitas vezes, est\u00e1 motivada pelo desejo de obter dinheiro, bens ou minerais dos civis&quot;, diz o informe. Sonia Bakar, funcion\u00e1ria da ONU na RDC, afirmou que &quot;o ex\u00e9rcito congolense continua violando os direitos humanos, mas seus crimes permanecem impunes&quot;.<\/p>\n<p>Raramente os soldados recebem seus sal\u00e1rios, ra\u00e7\u00f5es de comida e muni\u00e7\u00f5es a tempo, mesmo durante as opera\u00e7\u00f5es. Sem recursos para transporte pr\u00f3prio, em geral contam com ajuda dos civis para chegar \u00e1s opera\u00e7\u00f5es militares e transportar suas armas. Entretanto, o porta-voz do Minist\u00e9rio da Defesa da RDC, Delion Kimbu, tem uma vis\u00e3o bastante positiva da situa\u00e7\u00e3o. &quot;Todos os ex\u00e9rcitos t\u00eam seus problemas. Inclusive a ONU foi acusada de abusar dos civis. Nosso ex\u00e9rcito n\u00e3o \u00e9 diferente. Estamos fazendo o melhor que podemos&quot;, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kinshasa, 31\/05\/2006 &ndash; Centenas de ex-combatentes na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC) teriam se somado nos \u00faltimos dias ao nascente Movimento Revolucion\u00e1rio Congolense (MRC), colocando em risco a seguran\u00e7a das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, previstas para 30 de julho, as primeiras em 40 anos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/05\/mundo\/republica-democratica-do-congo-grupo-rebelde-cresce-e-ameaca-eleicoes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1583,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[],"class_list":["post-1824","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1824","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1583"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1824"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1824\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1824"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1824"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1824"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}