{"id":18252,"date":"2014-12-16T15:37:57","date_gmt":"2014-12-16T15:37:57","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=126867"},"modified":"2014-12-16T15:37:57","modified_gmt":"2014-12-16T15:37:57","slug":"a-metade-esquecida-na-luta-contra-a-aids-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/12\/ultimas-noticias\/a-metade-esquecida-na-luta-contra-a-aids-na-africa\/","title":{"rendered":"A metade esquecida na luta contra a aids na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_126869\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Africa.jpg\"><img class=\"wp-image-126869\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Africa.jpg\" alt=\"Africa A metade esquecida na luta contra a aids na \u00c1frica\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"A metade esquecida na luta contra a aids na \u00c1frica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os homens lidam com dificuldade diante de um conceito de masculinidade que os leva a ignorar suas pr\u00f3prias necessidades de sa\u00fade em rela\u00e7\u00e3o ao HIV. Foto: Mercedes Sayagu\u00e9s\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, 16\/12\/2014 \u2013 Quando se fala de desigualdade de g\u00eanero em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aids, a primeira coisa que vem \u00e0 mente \u00e9 que mais mulheres do que homens vivem com HIV. Mas outra diferen\u00e7a de g\u00eanero, poucas vezes mencionada, \u00e9 t\u00e3o letal para os homens soropositivos na \u00c1frica.<\/p>\n<p>As pesquisas mostram que em toda a \u00c1frica os homens t\u00eam taxas menores do que as mulheres de realiza\u00e7\u00e3o do teste do v\u00edrus HIV (causador da aids), inscri\u00e7\u00e3o e ades\u00e3o ao tratamento antirretroviral, supress\u00e3o da carga viral e sobreviv\u00eancia. \u201cOs homens est\u00e3o ficando atrasados no acesso \u00e0 aten\u00e7\u00e3o e ao tratamento do HIV\u201d, afirmou Safari Mbewe, diretor da Rede de Malawi de Pessoas que Vivem com HIV e Aids.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2012, os homens representavam apenas 36% da popula\u00e7\u00e3o que recebia tratamento com antirretroviral (TAR) na \u00c1frica, segundo o Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/aids (Onusida). No Qu\u00eania, a \u00faltima Pesquisa de Indicadores da Aids mostra que oito em cada dez mulheres fizeram o teste de HIV, contra seis em cada dez homens. Essa tend\u00eancia se repete em todo o continente.<\/p>\n<p>Em geral, se insiste mais nos riscos que sofrem os homens em rela\u00e7\u00e3o ao HIV, como numerosas parceiras sexuais, sexo inseguro, abuso de \u00e1lcool e viol\u00eancia, que deixam as mulheres mais vulner\u00e1veis ao v\u00edrus e menos na pr\u00f3pria vulnerabilidade dos homens quanto ao p\u00e9ssimo cuidado com a sa\u00fade. As diferen\u00e7as de g\u00eanero afetam negativamente a conduta dos homens com rela\u00e7\u00e3o aos TAR, ressaltou a pesquisadora Morna Cornell, da Universidade da Cidade do Cabo, na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Entre as pessoas com TAR, a mortalidade \u00e9 31% maior nos homens do que nas mulheres, segundo um estudo de Cornell. Sua conclus\u00e3o \u00e9 que a maioria das pol\u00edticas relativas ao HIV\/aids na \u00c1frica n\u00e3o levam em conta os homens e lhes falta \u201cum compromisso verdadeiro com o acesso equitativo\u201d ao tratamento.<\/p>\n<div id=\"attachment_126870\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/policeman.jpg\"><img class=\"wp-image-126870\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/policeman.jpg\" alt=\"policeman A metade esquecida na luta contra a aids na \u00c1frica\" width=\"540\" height=\"395\" title=\"A metade esquecida na luta contra a aids na \u00c1frica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O inspetor de pol\u00edcia Ali Mlalanaro est\u00e1 vencendo a luta contra a aids gra\u00e7as \u00e0 sua transpar\u00eancia. Foto: Amunga Eshuchi.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No n\u00facleo da disparidade est\u00e3o ideias socialmente constru\u00eddas da masculinidade, explicou Pierre Brouard, diretor do Centro para o Estudo da Aids na Universidade de Pret\u00f3ria, na \u00c1frica do Sul. \u201cO g\u00eanero influi na sa\u00fade. A maneira como os homens veem a si mesmos e se posicionam em rela\u00e7\u00e3o aos servi\u00e7os de sa\u00fade afeta como encaram os testes e o tratamento do HIV\u201d, apontou Brouard \u00e0 IPS. Ser homem significa ser forte, ignorar a dor e os sintomas, adiar suas pr\u00f3prias necessidades de sa\u00fade, acrescentou.<\/p>\n<p>Landry Tsague, especialista em HIV do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) em Lusaka, capital de Z\u00e2mbia, concorda com Brouard. \u201cPara muitos homens, os hospitais s\u00e3o apenas para as mulheres e crian\u00e7as,. Assim, os homens fazem o teste do HIV e come\u00e7am o TAR tardiamente, \u00e0s vezes muito tarde para vencer o v\u00edrus\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Brouard pontuou que os homens sul-africanos s\u00e3o mais reticentes do que as mulheres em fazer o teste de HIV e, portanto, t\u00eam menos probabilidade de iniciar o TAR. Em 2012, cerca de 651 mil homens recebiam TAR contra 1,3 milh\u00e3o de mulheres, segundo um estudo de 2012 realizado pelo Conselho de Pesquisa das Ci\u00eancias Humanas da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Dismas Nkunda, membro em Uganda da Rede de Defesa da Sa\u00fade Reprodutiva para a \u00c1frica, explicou que as mulheres fazem exame pr\u00e9-natal, quando \u00e9 realizado o teste de HIV, e s\u00e3o mais propensas a acompanhar familiares ao hospital. \u201cOs homens interagem menos com o sistema de sa\u00fade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A nega\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem a ver. \u201cOs homens podem se convencer facilmente de que n\u00e3o t\u00eam o HIV, at\u00e9 a doen\u00e7a avan\u00e7ar para o \u00faltimo est\u00e1gio\u201d, destacou Diana Mswafari, ativista na Tanz\u00e2nia. Um estudo que os Centros para o Controle e a Preven\u00e7\u00e3o de Enfermidades, dos Estados Unidos, realizado em Mo\u00e7ambique, Suazil\u00e2ndia, Tanz\u00e2nia, Uganda e Z\u00e2mbia investigou um grupo de pessoas durante quatro anos e meio de seu TAR.<\/p>\n<p>O trabalho revelou que os homens come\u00e7aram o TAR mais tarde e mais doentes, e t\u00eam maiores probabilidades de suspend\u00ea-lo por mais de 30 dias e de deixar o tratamento. \u201cA ades\u00e3o e a reten\u00e7\u00e3o dos homens ao tratamento \u00e9 ruim em compara\u00e7\u00e3o com as mulheres, e isso est\u00e1 vinculado \u00e0s normas sociais\u201d, afirmou Tsague. Os homens tamb\u00e9m s\u00e3o menos propensos a participar de grupos de apoio que os ajudariam a manter-se no TAR, acrescentou.<\/p>\n<p>Cornell afirma que a \u00eanfase dada pelos servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablica africanos \u00e0 sa\u00fade materna e infantil, junto com o \u00eaxito das campanhas sobre a vulnerabilidade das mulheres em rela\u00e7\u00e3o ao HIV, se desviaram das \u00a0necessidades dos homens. S\u00e3o \u201cos 50% esquecidos, cujas necessidades nem sempre s\u00e3o secund\u00e1rias frente \u00e0s das mulheres e crian\u00e7as\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Os especialistas recomendam a cria\u00e7\u00e3o de cl\u00ednicas que atendam as necessidades dos homens, com hor\u00e1rios e dias adequados para eles em raz\u00e3o do emprego formal ou informal. \u201cOs homens se sentem deslocados ao fazerem fila junto com m\u00e3es e beb\u00eas que choram. Precisam de seu pr\u00f3prio espa\u00e7o\u201d, segundo Msafari.<\/p>\n<p>Para enfrentar o estigma, que \u00e9 muito alto no Malawi e em outras partes da \u00c1frica, Mbewe sugere o recrutamento de \u201calguns homens que falem abertamente sobre ser soropositivo e recebam tratamento antirretroviral para formarem grupos de apoio\u201d.<\/p>\n<p><strong>Alguns dados r\u00e1pidos<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Em Z\u00e2mbia, 63% dos adultos que come\u00e7aram o TAR s\u00e3o mulheres.<\/li>\n<li>Em Uganda e na Tanz\u00e2nia, as mulheres abandonam o atendimento para HIV cerca de 12% menos do que os homens.<\/li>\n<li>No Qu\u00eania, 65% das mulheres com TAR conseguiram a supress\u00e3o viral, contra 47% dos homens.<\/li>\n<li>No Qu\u00eania, 47% das mulheres e 33% dos homens aceitam as pessoas que vivem com HIV.<\/li>\n<\/ul>\n<p><em>Fonte: Centros para o Controle e a Preven\u00e7\u00e3o de Enfermidades, Estados Unidos<\/em><\/p>\n<p><strong>O inspetor da pol\u00edcia que se atreveu a falar<\/strong><\/p>\n<p>Ali Mlalanaro, de 51 anos \u00e9 inspetor de pol\u00edcia no condado de Mombasa, a 441 quil\u00f4metros de Nair\u00f3bi, no Qu\u00eania. Suspeitava que poderia ter HIV desde 1994, mas s\u00f3 fez o teste em 1998, que deu positivo. O inspetor esteve relativamente bem at\u00e9 2007, quando adoeceu gravemente e come\u00e7ou o TAR.<\/p>\n<p>Mlalanaro opinou que as for\u00e7as externas que afastam os homens das cl\u00ednicas s\u00e3o t\u00e3o poderosas quanto as internas. \u201cAlgo nos homens se nega a reconhecer uma doen\u00e7a at\u00e9 que esta come\u00e7a a interferir com sua vida di\u00e1ria, e isso \u00e9 especialmente certo para o HIV\u201d, afirmou. \u201cComo os homens n\u00e3o aceitam que exista algo mais forte do que eles mesmos que poderia mat\u00e1-los, se perdem no \u00e1lcool\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mlalanaro se integrou ao Soldados da Esperan\u00e7a, um grupo de apoio de HIV, que \u201cme deu o valor de compartilhar o que acontecia comigo. Tornar p\u00fablica minha situa\u00e7\u00e3o foi dif\u00edcil, mas, ao faz\u00ea-lo, \u00e9 como se tivesse ganho metade da batalha\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 16\/12\/2014 &ndash; Quando se fala de desigualdade de g&ecirc;nero em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; aids, a primeira coisa que vem &agrave; mente &eacute; que mais mulheres do que homens vivem com HIV. Mas outra diferen&ccedil;a de g&ecirc;nero, poucas vezes mencionada, &eacute; t&atilde;o letal para os homens soropositivos na &Aacute;frica. 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