{"id":18267,"date":"2014-12-18T12:30:35","date_gmt":"2014-12-18T12:30:35","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=127040"},"modified":"2014-12-18T12:30:35","modified_gmt":"2014-12-18T12:30:35","slug":"pequenas-doacoes-para-grandes-solucoes-no-nordeste-argentino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/12\/ultimas-noticias\/pequenas-doacoes-para-grandes-solucoes-no-nordeste-argentino\/","title":{"rendered":"Pequenas doa\u00e7\u00f5es para grandes solu\u00e7\u00f5es no nordeste argentino"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_127042\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/nordesteargentino.jpg\"><img class=\"wp-image-127042\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/nordesteargentino.jpg\" alt=\"nordesteargentino Pequenas doa\u00e7\u00f5es para grandes solu\u00e7\u00f5es no nordeste argentino\" width=\"529\" height=\"297\" title=\"Pequenas doa\u00e7\u00f5es para grandes solu\u00e7\u00f5es no nordeste argentino\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Soledad Olivera com o filho nos bra\u00e7os, na frente de seu novo banheiro, com vaso sanit\u00e1rio e \u00e1gua corrente, que substituiu uma prec\u00e1ria latrina em sua casa na localidade de Bonpland, na prov\u00edncia de Misiones, no norte da Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bonpland, Argentina, 18\/12\/2014 \u2013 Os ver\u00f5es do nordeste da Argentina s\u00e3o quentes e \u00famidos. Na hora da sesta, os habitantes desse munic\u00edpio rural se refrescam com o terer\u00ea (erva-mate gelada), que at\u00e9 h\u00e1 pouco n\u00e3o podiam preparar por falta de \u00e1gua pot\u00e1vel ou de eletricidade. Mas, \u00e0s vezes, um pequeno financiamento alivia grandes desigualdades.<\/p>\n<p>Andr\u00e9s Ortigoza, morador em uma das vilas de Bonpland, mostra orgulhoso seu novo e simples painel solar que alimenta um chuveiro el\u00e9trico. Durante o inverno, o terer\u00ea \u00e9 substitu\u00eddo pelo mate quente, e tomar banho de \u00e1gua fria nem os curtidos ga\u00fachos (trabalhadores rurais tradicionais do Cone Sul), como ele, aguentam. \u201cAntes tom\u00e1vamos banho com \u00e1gua fria, era duro no inverno, ou esquent\u00e1vamos \u00e1gua com lenha\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Picada Norte, onde vive Ortigoza, s\u00f3 teve acesso \u00e0 rede el\u00e9trica em 2010. Mas o servi\u00e7o ainda tem falhas e seu custo altera a economia familiar. A instala\u00e7\u00e3o de aquecedores solares (aparelhos de \u00e1gua quente com energia solar t\u00e9rmica) \u00e9 um dos projetos financiados em Bonpland pelo Fundo para o Meio Ambiente Mundial, por meio do Programa de Pequenas Doa\u00e7\u00f5es (PPD). Com seus financiamentos n\u00e3o reembols\u00e1veis de at\u00e9 US$ 50 mil, fica evidente como pequenas iniciativas comunit\u00e1rias t\u00eam um impacto positivo em problemas ambientais globais.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da atividade florestal \u2013 principalmente destinada a fornecer mat\u00e9ria-prima para a ind\u00fastria de papel \u2013 e o uso de lenha como recurso energ\u00e9tico contribuem para o desmatamento da selva de Misiones, que abriga metade da biodiversidade argentina. A \u00e1rea integra a ecorregi\u00e3o da selva paranaense, que recebe nomes diferentes em cada pa\u00eds por onde se estende: Brasil, Paraguai e Argentina.<\/p>\n<p>\u201cEm n\u00edvel internacional, falando dos tr\u00eas pa\u00edses, por volta de 1950 existiam 80 milh\u00f5es de hectares, dos quais restam em p\u00e9 apenas quatro milh\u00f5es, e destes 1,5 milh\u00e3o est\u00e1 em Misiones\u201d, explicou \u00e0 IPS o subsecret\u00e1rio de Ecologia da prov\u00edncia. \u201cNosso territ\u00f3rio tem tr\u00eas milh\u00f5es de hectares e praticamente a metade dessa superf\u00edcie \u00e9 selva paranaense\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Ricardo Hunghanns, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Tab\u00e1 Isiriri-Pueblos Del Arroyo, atualmente 45% do territ\u00f3rio produtivo de Misiones est\u00e3o destinados \u00e0 ind\u00fastria florestal, o que mudou, a partir da d\u00e9cada de 1990, a tradicional distribui\u00e7\u00e3o da terra e da economia da prov\u00edncia. \u201cIsso modifica radicalmente a estrutura agr\u00e1ria da prov\u00edncia, onde 80% do produto interno bruto deixa de ser agr\u00edcola e passa a ser papel\u201d, acrescentou \u00e0 IPS o respons\u00e1vel da organiza\u00e7\u00e3o, que conta com dois projetos do PPD.<\/p>\n<p>Por isso, o principal objetivo da Associa\u00e7\u00e3o \u201c\u00e9 o fortalecimento da economia social, com a perspectiva de inclus\u00e3o e de desenvolvimento produtivo de nossas comunidades\u201d, afirmou Hunghanns. Para ele, \u201c\u00e9 fundamental o desenvolvimento de projetos que diversifiquem a atividade agr\u00edcola, e que, sobretudo, permitam que aqueles que foram expulsos de suas pr\u00f3prias terras, por suas unidades econ\u00f4micas serem muito pequenas, possam regressar pela m\u00e3o de experi\u00eancias associativas\u201d.<\/p>\n<p>Em Bonpland, a Associa\u00e7\u00e3o busca esse objetivo com projetos financiados pelo PPD. Mas antes tem de resolver quest\u00f5es b\u00e1sicas de sobreviv\u00eancia. Sara Keller sofreu durante 45 anos com a falta de \u00e1gua. De sua aldeia ao riacho mais pr\u00f3ximo, a um quil\u00f4metro de dist\u00e2ncia, carregava diariamente baldes de \u00e1gua de 20 litros, \u00e0s vezes gr\u00e1vida e tamb\u00e9m carregando algum de seus filhos. O trajeto que percorreu supera os 20 mil quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Agora, essa mulher casada, de 52 anos, com seis filhos e cinco netos, que vive na vila de Campi\u00f1as, tem \u00e1gua em sua casa, gra\u00e7as a uma simples tubula\u00e7\u00e3o de cinco quil\u00f4metros de extens\u00e3o, financiada por outra iniciativa do PPD. \u201c\u00c9 algo impressionante o que sofri sem \u00e1gua, indo buscar longe em \u00e9pocas de seca\u201d, contou \u00e0 IPS. Keller agora tem tempo livre para cuidar da horta, costurar e descansar.<\/p>\n<p>Todos os projetos do PPD buscam incluir o componente de g\u00eanero. Muitas vezes as mulheres n\u00e3o querem participar das reuni\u00f5es porque, por quest\u00f5es culturais, n\u00e3o gostam de opinar diante de seus maridos. Mas, definitivamente, s\u00e3o elas que estabelecem a prioridade dos projetos, ressaltou Hunghanns.<\/p>\n<p>Assim aconteceu com a transforma\u00e7\u00e3o de latrinas em banheiros. Soledad Olivera, casada com um campon\u00eas dedicado \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de resina, que aos 18 anos j\u00e1 tem um filho de dois e est\u00e1 novamente gr\u00e1vida, desfruta do novo banheiro em sua casa em Picada Norte, que substituiu a latrina \u201csuja e com mau cheiro\u201d. \u201c\u00c9 t\u00e3o lindo\u201d, afirma enquanto olha, com um grande sorriso, para seu novo banheiro com vaso sanit\u00e1rio, chuveiro el\u00e9trico e, principalmente \u00e1gua.<\/p>\n<p>O PPD \u00e9 implementado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e financia 20 projetos em Misiones, que tamb\u00e9m incluem cuidado de vertentes naturais, desenvolvimento agropecu\u00e1rio sustent\u00e1vel, atividades ecotur\u00edsticas com comunidades ind\u00edgenas guaranis, manejo de res\u00edduos e produ\u00e7\u00e3o de ervas medicinais.<\/p>\n<p>\u201cO nome de pequenas doa\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 o melhor. Porque se trata de um compromisso entre partes. N\u00f3s colocamos algo e a comunidade e as organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias tamb\u00e9m\u201d, disse aos benefici\u00e1rios Ren\u00e9 Mauricio Vald\u00e9s, representante do Pnud na Argentina.<\/p>\n<p>A contraparte da doa\u00e7\u00e3o pode ser em dinheiro ou esp\u00e9cie, com m\u00e3o de obra, por exemplo, ou entrega de m\u00e1quinas de trabalho por parte dos munic\u00edpios. Em todo o pa\u00eds, o PPD aplica US$ 1,8 milh\u00e3o em 51 projetos nas prov\u00edncias de Misiones, Corrientes, Entre R\u00edos, Formosa, Santa F\u00e9 e Chaco.<\/p>\n<p>Diana Vega, representante da Secretaria de Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Argentina, afirmou \u00e0 IPS que o PPD n\u00e3o foi afetado pela queda em n\u00edvel mundial da coopera\u00e7\u00e3o internacional. \u201cApostamos no programa porque s\u00e3o geradas mudan\u00e7as fundamentais que levam a mudan\u00e7as em n\u00edvel local\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Vega explicou que \u201cnos demos conta de que, muitas vezes, pol\u00edticas nacionais n\u00e3o chegam aos lugares de base que s\u00e3o as comunidades, mas, ao contr\u00e1rio, aquelas iniciativas aplicadas em n\u00edvel mais local e mais pr\u00f3ximo da comunidade s\u00e3o as que podem ser replicadas da noite para o dia em n\u00edveis provincial e nacional\u201d.<\/p>\n<p>\u201cUma das coisas que mais gosto no PPD \u00e9 que est\u00e1 estruturado de tal maneira que todo o dinheiro chega ao campo. N\u00e3o se perde em gastos de escrit\u00f3rio, administra\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Silvia Chalukian, presidente do Comit\u00ea Diretor Nacional do PPD.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de serem financiamentos pequenos, \u201cfacilita-se muito em termos de burocracia, tr\u00e2mites, de comunica\u00e7\u00f5es para quem o maneja\u201d e, por outro lado, \u201cn\u00e3o se perde no ar, tem mais possibilidade de ser aplicado aos poucos, as pessoas v\u00e3o aprendendo a manej\u00e1-lo durante o transcurso do projeto\u201d, com dura\u00e7\u00e3o de at\u00e9 dois anos, acrescentou Chalukian. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Bonpland, Argentina, 18\/12\/2014 &ndash; Os ver&otilde;es do nordeste da Argentina s&atilde;o quentes e &uacute;midos. 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