{"id":18269,"date":"2014-12-19T14:20:34","date_gmt":"2014-12-19T14:20:34","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=127144"},"modified":"2014-12-19T14:20:34","modified_gmt":"2014-12-19T14:20:34","slug":"a-economia-do-quenia-cresce-mas-os-pobres-nao-percebem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/12\/ultimas-noticias\/a-economia-do-quenia-cresce-mas-os-pobres-nao-percebem\/","title":{"rendered":"A economia do Qu\u00eania cresce, mas os pobres n\u00e3o percebem"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_127146\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/kenia.jpg\"><img class=\"wp-image-127146\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/kenia.jpg\" alt=\"kenia A economia do Qu\u00eania cresce, mas os pobres n\u00e3o percebem\" width=\"529\" height=\"341\" title=\"A economia do Qu\u00eania cresce, mas os pobres n\u00e3o percebem\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">David Kamau em sua fazenda no condado de Nyeri, na antiga prov\u00edncia Central do Qu\u00eania. Foto: Miriam Gathigah\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, 19\/12\/2014 \u2013 David Kamau \u00e9 um pequeno agricultor de milho em Nyeri, na prov\u00edncia Central do Qu\u00eania, a 153 quil\u00f4metros da capital, Nair\u00f3bi. Recentemente diversificou seu cultivo e incorporou a cenoura, mas ainda n\u00e3o teve lucro. Kamau explicou que os insumos custam muito e que, continuando essa tend\u00eancia, dever\u00e1 dividir e vender seus cinco hectares.<\/p>\n<p>Isto acontece com muitos dos pequenos agricultores neste pa\u00eds da \u00c1frica oriental, onde a agricultura representa cerca de 25% do produto interno bruto (PIB). Embora respondam por aproximadamente 75% do total da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, apenas recuperam seus custos. \u201cUma saca de 150 quilos de cenoura vale US$ 17, quando antes era US$ 22. Mas, na medida em que os pre\u00e7os sobem, tamb\u00e9m sobe o custo dos insumos\u201d, disse Kamau.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Agricultura calcula que cinco milh\u00f5es dos oito milh\u00f5es de fam\u00edlias do pa\u00eds dependem diretamente da agricultura para sua subsist\u00eancia. Por\u00e9m, os agricultores n\u00e3o t\u00eam uma rentabilidade adequada porque o setor est\u00e1 subfinanciado, disse Jason Braganza, analista econ\u00f4mico residente em Nair\u00f3bi.<\/p>\n<p>Este ano, o Estado destinou 2,4% de seu or\u00e7amento ao setor agr\u00edcola, 0,6% menos do que o destinado no bi\u00eanio anterior. A quantia \u00e9 muito inferior \u00e0 estipulada pela Uni\u00e3o Africana em 2003, em sua Declara\u00e7\u00e3o de Maputo sobre Agricultura e Seguran\u00e7a Alimentar, que a fixou em um m\u00ednimo de 10%.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que \u201cos agricultores abandonam gradualmente as propriedades e tentam outras iniciativas econ\u00f4micas. Qu\u00eania Central costumava ser um celeiro, mas os complexos residenciais e comerciais est\u00e3o substituindo as terras de cultivo\u201d, queixou-se Kamau.<\/p>\n<p>A agricultura n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico setor com problemas econ\u00f4micos neste pa\u00eds. As pequenas empresas carecem de servi\u00e7os essenciais de apoio empresarial. Dois ter\u00e7os dos 45 milh\u00f5es de quenianos n\u00e3o t\u00eam acesso a servi\u00e7os financeiros b\u00e1sicos, com \u00e9 o caso das contas banc\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u201cO crescimento de bairros pobres, urbanos e rurais, \u00e9 ind\u00edcio de que h\u00e1 mais gente passando dificuldades\u201d, apontou Dina Mukami, do movimento social Bunge la Mwananchi (Parlamento do Povo). Esta organiza\u00e7\u00e3o estuda processar o governo pelos n\u00fameros divulgados na publica\u00e7\u00e3o oficial Atlas Socioecon\u00f4mico do Qu\u00eania, divulgada em novembro, que exp\u00f5e a profunda disparidade nos n\u00edveis de renda em todo o pa\u00eds. \u201cO Atlas \u00e9 uma ferramenta poderosa, mas falta saber se o governo usar\u00e1 a informa\u00e7\u00e3o para melhorar o n\u00edvel de vida\u201d da popula\u00e7\u00e3o, acrescentou.<\/p>\n<p>Felix Omondi, oriundo de Kibera, uma divis\u00e3o de Nair\u00f3bi considerada o maior bairro pobre da \u00c1frica e integrante da organiza\u00e7\u00e3o social Revolu\u00e7\u00e3o Unga, acredita que o Atlas gerou coisas boas. O ativista disse \u00e0 IPS que o Estado est\u00e1 aplicando um programa para melhorar os bairros pobres. \u201c\u00c9 uma das formas que o governo utiliza o Atlas para melhorar a vida das pessoas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tr\u00eas meses, o governo trabalhou com moradores dos bairros pobres para estabelecer projetos de gera\u00e7\u00e3o de renda e prestar servi\u00e7os b\u00e1sicos, como banheiros, ilumina\u00e7\u00e3o e drenagem. Pelo menos tr\u00eas mil jovens de Kibera se beneficiar\u00e3o com esses projetos. Omondi, um dos benefici\u00e1rios, contou que est\u00e1 encarregado de um dos moinhos de \u201cposho\u201d (farinha de milho) que o governo instalou para gerar renda.<\/p>\n<p>Mas no outono boreal soube-se que ap\u00f3s uma revis\u00e3o estat\u00edstica a economia do Qu\u00eania havia crescido 25%, por essa raz\u00e3o agora \u00e9 oficialmente um \u201cpa\u00eds de renda m\u00e9dia\u201d. A expans\u00e3o da classe m\u00e9dia \u00e9 um motor importante desse crescimento, mas quais as caracter\u00edsticas que tem esse setor da popula\u00e7\u00e3o? A renda nacional bruta por habitante \u00e9 de US$ 1.160 por habitante, enquanto o umbral de \u201crendas m\u00e9dias\u201d do Banco Mundial \u00e9 de US$ 1.036.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos indicadores de distribui\u00e7\u00e3o da renda no Qu\u00eania, de 2005, revelam que 45,9% da popula\u00e7\u00e3o estava na linha de pobreza nacional, e que a renda em poder dos 10% mais altos correspondia a 38%. Mas essa informa\u00e7\u00e3o oficial sem atualizar exclui a economia informal, pontuou \u00c1frica Ari\u00f1o, professora de gest\u00e3o estrat\u00e9gica na Iese Business School, da Universidade de Navarra, na Espanha.<\/p>\n<p>\u201cUm taxista ganha 15 mil KES por m\u00eas (US$ 178) e paga 3.500 KES (cerca de 25% de sua renda) para alugar um quarto onde vive com a mulher e seus dois filhos\u201d, disse Ari\u00f1o. \u201cN\u00e3o tem cozinha nem banheiro; s\u00e3o instala\u00e7\u00f5es compartilhadas com outros no mesmo pr\u00e9dio. Sua renda \u00e9, mais ou menos, o sal\u00e1rio m\u00e9dio de um motorista, segundo a Pesquisa Econ\u00f4mica do Qu\u00eania de 2014. \u201cEle pertence \u00e0 classe m\u00e9dia?\u201d, questionou a especialista.<\/p>\n<p>Segundo Braganza, um dos principais obst\u00e1culos no Qu\u00eania \u00e9 que, embora o crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds seja real e sustent\u00e1vel, a estrutura da economia segue inalterada. Os recursos n\u00e3o se deslocaram para os setores mais produtivos da economia, o que aumentaria a produtividade e o emprego remunerado.<\/p>\n<p>Para que as pessoas percebam o efeito de \u201cgotejamento\u201d do crescimento econ\u00f4mico, tamb\u00e9m deve haver uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural, ressaltou Braganza. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio maior investimento nos setores mais produtivos, bem como investimento em setores emergentes. Isso contribuir\u00e1 com a redu\u00e7\u00e3o do desemprego e da pobreza\u201d, enfatizou o analista. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 19\/12\/2014 &ndash; David Kamau &eacute; um pequeno agricultor de milho em Nyeri, na prov&iacute;ncia Central do Qu&ecirc;nia, a 153 quil&ocirc;metros da capital, Nair&oacute;bi. Recentemente diversificou seu cultivo e incorporou a cenoura, mas ainda n&atilde;o teve lucro. 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