{"id":18319,"date":"2015-01-05T14:57:44","date_gmt":"2015-01-05T14:57:44","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=127239"},"modified":"2015-01-05T14:57:44","modified_gmt":"2015-01-05T14:57:44","slug":"a-economia-deve-nos-servir-nao-o-contrario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/01\/ultimas-noticias\/a-economia-deve-nos-servir-nao-o-contrario\/","title":{"rendered":"\u201cA economia deve nos servir, n\u00e3o o contr\u00e1rio\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_127241\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/shmitt.jpg\"><img class=\"wp-image-127241\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/shmitt.jpg\" alt=\"shmitt \u201cA economia deve nos servir, n\u00e3o o contr\u00e1rio\u201d\" width=\"380\" height=\"475\" title=\"\u201cA economia deve nos servir, n\u00e3o o contr\u00e1rio\u201d\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">John Schmitt. Foto: Cortesia do entrevistado<\/p><\/div>\n<p>Seattle, Estados Unidos, 5\/1\/2015 \u2013 Desde a \u00e9poca da universidade, John Schmitt esteve \u201cmuito interessado nas quest\u00f5es de justi\u00e7a econ\u00f4mica e desigualdade econ\u00f4mica\u201d. Teve um per\u00edodo de aprendizado dentro do movimento sindical dos Estados Unidos, onde investigou as campanhas de organiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios sindicatos. Agora \u00e9 um autor influente sobre empregos mal remunerados, que reorientou a forma como os pol\u00edticos e economistas compreendem o tema.<\/p>\n<p>Schmitt \u00e9 economista do Centro para a Pesquisa Econ\u00f4mica e Pol\u00edtica em Washington. Tamb\u00e9m \u00e9 professor visitante na Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona, e foi bolsista Fulbright na Universidade Centro-Americana Jos\u00e9 Sime\u00f3n Ca\u00f1as, de El Salvador. Tem diplomas da Universidade de Princeton e da London School of Economics.<\/p>\n<p>O correspondente Peter Costantini da IPS entrevistou John Schmitt por telefone e e-mail, entre agosto e dezembro de 2014.<\/p>\n<p><strong>IPS: Entre as receitas pol\u00edticas para reduzir a desigualdade de renda e levantar o piso do mercado de trabalho, onde se encaixa o sal\u00e1rio m\u00ednimo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JOHN SCHMITYT: <\/strong>Creio que o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 muito importante. Concretamente eleva os sal\u00e1rios de muitos trabalhadores de renda baixa e m\u00e9dia, e tamb\u00e9m estabelece o princ\u00edpio de que n\u00f3s, como sociedade, podemos exigir que a economia seja sens\u00edvel \u00e0s necessidades sociais. \u00c9 uma declara\u00e7\u00e3o legal, quase palp\u00e1vel, de que temos o direito de exigir que a economia nos sirva e n\u00e3o que seja servida por n\u00f3s. N\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o em si mesmo, mas \u00e9 um primeiro passo importante. Nos Estados Unidos, dois dos tr\u00eas \u00faltimos aumentos do sal\u00e1rio m\u00ednimo foram assinados por presidentes republicanos, com um importante apoio dos democratas no Congresso. Assim, trata-se de uma institui\u00e7\u00e3o muito norte-americana, que tem uma longa hist\u00f3ria de apoio bipartid\u00e1rio. E \u00e9 um primeiro passo f\u00e1cil. \u00c9 algo que temos neste pa\u00eds desde a d\u00e9cada de 1930, e tem amplo apoio pol\u00edtico. Habitualmente, nas pesquisas recebe um apoio muito acima dos 50%, mesmo entre os republicanos. E na popula\u00e7\u00e3o em geral tem apoio de 65% a 75% dos eleitores. E \u00e9 eficaz em fazer o que se sup\u00f5e que deve fazer, que \u00e9 aumentar o sal\u00e1rio dos trabalhadores na base inferior. Recompensa os que trabalham. Quase todo o mundo concorda que, se algu\u00e9m trabalha muito, deve receber uma quantidade digna de dinheiro em troca. Tamb\u00e9m n\u00e3o implica nenhuma burocracia governamental al\u00e9m de um mecanismo de aplica\u00e7\u00e3o relativamente menor. Porque todo o mundo sabe o que \u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Existe uma norma social e a esperan\u00e7a de que os que trabalham devem receber pelo menos o sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p><strong>IPS: Nos anos 1990 come\u00e7ou-se a questionar o velho argumento de que o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo reduz o emprego entre os trabalhadores com baixa remunera\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>JS: <\/strong>Foi chamado de Nova Investiga\u00e7\u00e3o do Sal\u00e1rio M\u00ednimo. Muitos economistas da \u00e9poca investigaram a experi\u00eancia dos Estados que haviam elevado o sal\u00e1rio m\u00ednimo e descobriram que os aumentos estatais pareciam ter pouco ou nenhum efeito sobre o emprego. Isto causou uma grande controv\u00e9rsia, que ainda est\u00e1 em curso. O modelo dos textos de estudos sobre como funciona o mercado de trabalho \u00e9 uma simplifica\u00e7\u00e3o excessiva. Pode ser \u00fatil em alguns contextos, mas n\u00e3o para entender uma coisa bastante complicada: o que acontece quando o sal\u00e1rio m\u00ednimo sobe. Uma ideia fundamental \u00e9 que nem os empres\u00e1rios e nem os empregados operam em um mercado de trabalho competitivo. Existe a possibilidade de os empres\u00e1rios realizarem ajustes em outras dimens\u00f5es, al\u00e9m de demitir os trabalhadores: elevam os pre\u00e7os um pouco ou reduzem as horas de trabalho. E, do ponto de vista de um trabalhador, se elevam seu sal\u00e1rio em 20% e reduzem suas horas em 5% ou 10%, ainda est\u00e1 melhor, n\u00e3o? Porque se paga mais dinheiro por menos tempo de trabalho. Assim, h\u00e1 muitas maneiras para as empresas se adaptarem \u00e0 alta do sal\u00e1rio m\u00ednimo, al\u00e9m das demiss\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>IPS: Do ponto de vista do trabalhador, este ainda sai beneficiado. O emprego de baixa renda \u00e9 muito inst\u00e1vel por si s\u00f3.<\/strong><\/p>\n<p><strong>JS: <\/strong>Um ingrediente importante aqui \u00e9 a rotatividade de pessoal. Uma nova pesquisa analisa muito bem o que acontece com as taxas de rota\u00e7\u00e3o trabalhista antes e depois do aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, e encontra uma redu\u00e7\u00e3o substancial das mesmas para diferentes tipos de trabalhadores. Uma an\u00e1lise diferente se refere a uma lei de sal\u00e1rio digno aprovada pelo aeroporto de S\u00e3o Francisco h\u00e1 alguns anos. Encontraram uma redu\u00e7\u00e3o de 80% na rotatividade do pessoal encarregado da equipagem ap\u00f3s a alta. A mudan\u00e7a \u00e9 muito cara, inclusive se forem trabalhadores com sal\u00e1rios baixos. Ocupar uma vaga pode custar entre 15% e 20% do custo anual desse trabalho. As pessoas que t\u00eam de faz\u00ea-lo s\u00e3o gerentes, que t\u00eam tempo mais caro. E, enquanto isso, voc\u00ea est\u00e1 perdendo clientes. Assim, se o sal\u00e1rio m\u00ednimo reduz a rotatividade trabalhista, do que h\u00e1 cada vez mais evid\u00eancia, ent\u00e3o pode explicar em grande parte porque vemos t\u00e3o pouco impacto do aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo no emprego.<\/p>\n<p><strong>IPS: O que acontece quando as cidades aumentam o sal\u00e1rio m\u00ednimo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JS: <\/strong>Tenho muita f\u00e9 no processo democr\u00e1tico. Quando uma cidade decide fixar o sal\u00e1rio, muita gente participa: empres\u00e1rios, trabalhadores, sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es da comunidade, os trabalhadores de baixa renda, acad\u00eamicos locais. Acredito que este seja um motivo pelo qual n\u00e3o vemos grandes consequ\u00eancias no n\u00edvel do emprego: o processo, em geral, conduz a um sal\u00e1rio que \u00e9 uma grande melhoria diante do que havia e dentro do alcance que a economia local pode se permitir. Creio que, provavelmente, nos equivoquemos pelo lado da precau\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pelo lado de ir muito longe. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seattle, Estados Unidos, 5\/1\/2015 &ndash; Desde a &eacute;poca da universidade, John Schmitt esteve &ldquo;muito interessado nas quest&otilde;es de justi&ccedil;a econ&ocirc;mica e desigualdade econ&ocirc;mica&rdquo;. Teve um per&iacute;odo de aprendizado dentro do movimento sindical dos Estados Unidos, onde investigou as campanhas de organiza&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios sindicatos. 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