{"id":18336,"date":"2015-01-07T12:55:28","date_gmt":"2015-01-07T12:55:28","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=127410"},"modified":"2015-01-07T12:55:28","modified_gmt":"2015-01-07T12:55:28","slug":"queda-no-preco-do-petroleo-afetaria-gasto-militar-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/01\/ultimas-noticias\/queda-no-preco-do-petroleo-afetaria-gasto-militar-mundial\/","title":{"rendered":"Queda no pre\u00e7o do petr\u00f3leo afetaria gasto militar mundial"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_127412\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/pet-629x417.jpg\"><img class=\"wp-image-127412\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/pet-629x417.jpg\" alt=\"pet 629x417 Queda no pre\u00e7o do petr\u00f3leo afetaria gasto militar mundial\" width=\"529\" height=\"351\" title=\"Queda no pre\u00e7o do petr\u00f3leo afetaria gasto militar mundial\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A cont\u00ednua queda dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo reduziu o poder aquisitivo e prejudicou algumas moedas do mundo. Foto: Justin R\/cc by 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 7\/1\/2015 \u2013 Em um artigo sat\u00edrico do <em>Wall Street Journal <\/em>intitulado <em>Um Olhar Pouco S\u00e9rio Sobre o Pr\u00f3ximo Ano<\/em>, Hugo Rifkind prev\u00ea que o pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo cair\u00e1 tanto que as pessoas acabar\u00e3o comprando o barril para usar seu conte\u00fado. Este cen\u00e1rio talvez seja improv\u00e1vel, mas a forte queda nos pre\u00e7os do chamado ouro negro, que esta semana caiu para US$ 50 em Nova York, gerou boas e, em sua maioria, m\u00e1s not\u00edcias.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, a queda dos pre\u00e7os foi considerada um est\u00edmulo inesperado mas bem-vindo para a economia em recess\u00e3o. Para o presidente norte-americano, Barack Obama, \u201co baixo pere\u00e7o do petr\u00f3leo traz esperan\u00e7as\u201d, dizia a manchete de um jornal di\u00e1rio norte-americano. O seman\u00e1rio brit\u00e2nico <em>The Economist <\/em>calculou que uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 40 no pre\u00e7o mudaria cerca de US$ 1,3 trilh\u00e3o das m\u00e3os dos produtores para as dos consumidores.<\/p>\n<p>Mas, no Sul em desenvolvimento, a situa\u00e7\u00e3o atual amea\u00e7a minar as economias dependentes do petr\u00f3leo na \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina, \u00c1sia e Oriente M\u00e9dio. A cont\u00ednua baixa, de aproximadamente US$ 107 por barril em junho de 2014 para os US$ 50 atuais, raspou o poder aquisitivo e prejudicou algumas das moedas do mundo, incluindo\u00a0 o real brasileiro, o rublo russo, a r\u00fapia indon\u00e9sia, o bol\u00edvar venezuelano, a naira nigeriana, o peso chileno, a lira turca e o ringgit malaio.<\/p>\n<p>Mais cedo ou mais tarde, \u00e9 prov\u00e1vel que a queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo tamb\u00e9m reduza o gasto militar e o florescente mercado de armas no Oriente M\u00e9dio, avaliado em milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares. Para os pacifistas, isso poderia ser um sinal positivo na campanha mundial pelo desarmamento, em sua maioria de armas convencionais.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, o aumento da renda procedente do petr\u00f3leo determinou a compra de armas das seis monarquias do Golfo Ar\u00e1bico: Ar\u00e1bia Saudita, Bahrein, Emirados \u00c1rabes Unidos, Kuwait, Catar e Om\u00e3. As exce\u00e7\u00f5es no Oriente M\u00e9dio s\u00e3o Egito e Israel, que dependem em grande parte das subven\u00e7\u00f5es militares dos Estados Unidos, gratuitas e n\u00e3o reembols\u00e1veis.<\/p>\n<p>Pieter Wezeman, pesquisador do Instituto Internacional de Estocolmo para a Investiga\u00e7\u00e3o da Paz (Sipri), disse \u00e0 IPS que a redu\u00e7\u00e3o da renda com petr\u00f3leo influir\u00e1, sem d\u00favida, no gasto militar dos pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, como ocorreu no passado. A importa\u00e7\u00e3o de armas pela Ar\u00e1bia Saudita teve seu \u00e1pice na d\u00e9cada de 1990, mas depois caiu rapidamente, em parte devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da renda fiscal derivada do pre\u00e7o mais baixo do petr\u00f3leo, acrescentou.<\/p>\n<p>O maior gasto militar do mundo corresponde aos Estados Unidos, com US$ 640 bilh\u00f5es, seguido por China com US$ 188 bilh\u00f5es, e R\u00fassia, com US$ 88 bilh\u00f5es, segundo os dados divulgados em 2013 pelo Sipri. Mas Wezeman alerta que \u00e9 muito cedo para ter certezas a respeito, j\u00e1 que os Estados em quest\u00e3o tendem a ser muito reservados e pouco democr\u00e1ticos sobre os assuntos militares e seus planos de aquisi\u00e7\u00e3o de armas. \u201cPodem decidir reduzir o gasto em outros setores, se os baixos pre\u00e7os do petr\u00f3leo os obrigarem a reduzir o gasto total do governo\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo estimativas do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, a Ar\u00e1bia Saudita possui US$ 750 bilh\u00f5es em reservas de divisas.<\/p>\n<p>Nicole Auger, analista da Forecast International, empresa de informa\u00e7\u00e3o sobre o mercado da defesa, afirmou \u00e0 IPS que o gasto projetado para o quinqu\u00eanio 2015-2019 na defesa do Oriente M\u00e9dio mostra um taxa anual de crescimento de 3,48%. Este n\u00famero \u00e9 inferior ao do quinqu\u00eanio anterior, quando chegou a 8,45%. \u201cParte dessa redu\u00e7\u00e3o \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 queda esperada nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Para Ar\u00e1bia Saudita, Emirados \u00c1rabes Unidos, Kuwait e Catar, essa tend\u00eancia ser\u00e1 apenas um problema que poder\u00e3o suportar comodamente durante v\u00e1rios anos, \u201cpor isso n\u00e3o espero nenhuma mudan\u00e7a significativa em suas tend\u00eancias com o gasto de defesa\u201d, acrescentou a especialista. Segundo Auger, a Ar\u00e1bia Saudita continuar\u00e1 dominando o mercado de armas do Oriente M\u00e9dio, j\u00e1 que seu or\u00e7amento de defesa \u00e9 quase quatro vezes maior do que o do pa\u00eds que a segue nesse gasto na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vejo uma mudan\u00e7a importante nas tend\u00eancias do gasto em defesa de Ir\u00e3 e Iraque, porque seguramente ser\u00e3o os mais prejudicados\u201d pela queda dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, apontou Auger. Devido a outras fraturas regionais e internas, os dois vizinhos ter\u00e3o que manter seus n\u00edveis de defesa como medida de precau\u00e7\u00e3o, acrescentou. O Ir\u00e3 sofre san\u00e7\u00f5es internacionais por seu programa nuclear e se sente amea\u00e7ado, e reduzir seu gasto em defesa s\u00f3 o deixaria mais vulner\u00e1vel desde seu ponto de vista, pontuou.<\/p>\n<p>Para Wezeman, a import\u00e2ncia que tem o mercado do Oriente M\u00e9dio para as empresas fica claro na venda de armas para a Ar\u00e1bia Saudita, que por si s\u00f3 representou, em 2013, 20% das vendas da BAE Systems, a terceira produtora de armas do mundo. E a segunda maior produtora de armas, Boeing, sofrer\u00e1 a redu\u00e7\u00e3o das vendas de avi\u00f5es de combate para seu principal cliente, os Estados Unidos, e depende cada vez mais das exporta\u00e7\u00f5es, acrescentou o pesquisador do Sipri.<\/p>\n<p>Se as vendas para o Oriente M\u00e9dio paralisarem ou diminu\u00edrem, as empresas ter\u00e3o que competir para conseguir contratos em outras partes do mundo onde o gasto militar esteja em crescimento e dependendo menos do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, como ocorre na \u00c1sia, opinou Wezeman. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 7\/1\/2015 &ndash; Em um artigo sat&iacute;rico do Wall Street Journal intitulado Um Olhar Pouco S&eacute;rio Sobre o Pr&oacute;ximo Ano, Hugo Rifkind prev&ecirc; que o pre&ccedil;o do barril de petr&oacute;leo cair&aacute; tanto que as pessoas acabar&atilde;o comprando o barril para usar seu conte&uacute;do. 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