{"id":18350,"date":"2015-01-09T12:05:14","date_gmt":"2015-01-09T12:05:14","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=127547"},"modified":"2015-01-09T12:05:14","modified_gmt":"2015-01-09T12:05:14","slug":"comocao-na-franca-por-ataque-a-revista-charlie-hebdo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/01\/ultimas-noticias\/comocao-na-franca-por-ataque-a-revista-charlie-hebdo\/","title":{"rendered":"Como\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a por ataque \u00e0 revista Charlie Hebdo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_127549\" style=\"width: 537px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/charlie-527x472.jpeg\"><img class=\"wp-image-127549 size-full\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/charlie-527x472.jpeg\" alt=\" Como\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a por ataque \u00e0 revista Charlie Hebdo\" width=\"527\" height=\"472\" title=\"Como\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a por ataque \u00e0 revista Charlie Hebdo\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Desenho pela paz. Cr\u00e9dito: Plantu<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paris, Fran\u00e7a, 9\/1\/2015 \u2013 \u201cS\u00e3o covardes que reagiram \u00e0 s\u00e1tira empunhando seus Kalashnikovs\u201d. Assim o renomado caricaturista franc\u00eas Plantu qualificou os assassinatos de dez empregados da revista sat\u00edrica Charlie Hebdo e dois policiais nesta capital, no dia 7.<\/p>\n<p>Um dos jornalistas assassinados, o chargista Bernard Verlhac, conhecido como Tignous, era membro da organiza\u00e7\u00e3o Desenhos pela Paz, a organiza\u00e7\u00e3o que Plantu fundou com o ex-secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Kofi Annan, em 2006, devido aos protestos desatados pelas pol\u00eamicas caricaturas do profeta Maom\u00e9 publicadas pelo jornal dinamarqu\u00eas Jyllands-Posten.<\/p>\n<p>Fontes policiais e testemunhas disseram que dois homens armados e encapuzados entraram nos escrit\u00f3rios da revista e abriram fogo, no final da manh\u00e3 do dia 7. Mataram 12 pessoas e deixaram 11 feridas, algumas gravemente, antes de fugirem em um autom\u00f3vel conduzido por um terceiro envolvido.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia identificou os tr\u00eas principais suspeitos do massacre. Hamyd Mourad, de 18 anos, se entregou \u00e0s autoridades, enquanto os irm\u00e3os Said e Ch\u00e9rif Kouachi, de 34 e 32 anos, permanecem foragidos. As imagens de v\u00eddeo dos acontecimentos, tomadas de pr\u00e9dios vizinhos, mostram os atacantes matando um policial ferido no ch\u00e3o. Na noite do dia 7, havia uma forte presen\u00e7a policial na capital francesa em busca dos suspeitos.<\/p>\n<p>Em um discurso, o presidente franc\u00eas, Fran\u00e7ois Hollande, afirmou que os assassinos seriam levados \u00e0 justi\u00e7a e \u201cseveramente punidos\u201d por suas a\u00e7\u00f5es. Apelando para a unidade, disse que o ataque foi uma agress\u00e3o contra os ideais e as liberdades nacionais, inclu\u00edda a liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p>Os franceses recorreram \u00e0s redes sociais para expressar sua solidariedade com o pessoal da revista divulgando imagens com as palavras \u201cJe suis Charlie\u201d (Eu sou Charlie). Milhares de pessoas se reuniram na hist\u00f3rica pra\u00e7a da Rep\u00fablica em Paris e tamb\u00e9m em v\u00e1rias outras cidades francesas.<\/p>\n<p>O seman\u00e1rio era alvo de ataques h\u00e1 anos, desde que publicou caricaturas do profeta Maom\u00e9. Em 2010, atacantes jogaram bombas incendi\u00e1rias em seus escrit\u00f3rios no distrito 11 de Paris, e seus quadrinhos foram considerados ofensivos por diversos grupos nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p>A primeira p\u00e1gina da Charlie Hebdo desta semana mostrava o controvertido escritor Michel Houellebecq, cujo romance mais recente, <em>Submiss\u00e3o<\/em>, retrata uma Fran\u00e7a do futuro pr\u00f3ximo governada por um regime isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>Todo o espectro pol\u00edtico e religioso condenou os assassinatos. O Conselho Franc\u00eas do Culto Mu\u00e7ulmano declarou que \u201ca b\u00e1rbara a\u00e7\u00e3o\u201d tamb\u00e9m foi um atraque \u201ccontra a democracia e a liberdade de imprensa\u201d, enquanto a Federa\u00e7\u00e3o Protestante da Fran\u00e7a expressou sua \u201crepulsa\u201d e afirmou que os atos \u201codiosos\u201d n\u00e3o poderiam ter justificativa em nenhuma religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Irina Bokova, diretora-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), com sede em Paris, disse estar \u201chorrorizada\u201d pelo ataque. \u201cIsto \u00e9 mais do que uma trag\u00e9dia pessoal. \u00c9 um ataque aos meios de comunica\u00e7\u00e3o e \u00e0 liberdade de express\u00e3o. A comunidade mundial n\u00e3o pode permitir que os extremistas silenciem a livre circula\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es e ideias. Devemos trabalhar juntos para levar os respons\u00e1veis perante a justi\u00e7a e nos manter unidos por uma imprensa livre e independente\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>A Anistia Internacional disse que o ataque foi um \u201cdia negro\u201d para a liberdade de express\u00e3o e a liberdade de imprensa, enquanto a Federa\u00e7\u00e3o Europeia de Jornalistas (EFJ) o qualificou de \u201cato de viol\u00eancia b\u00e1rbara contra os jornalistas e a liberdade de imprensa\u201d. O presidente da EFJ, Mogens Blicher Bjerregaard, destacou que os jornalistas hoje em dia enfrentam mais perigos e amea\u00e7as do que antes.<\/p>\n<p>No ano passado, 118 jornalistas e trabalhadores de meios de comunica\u00e7\u00e3o morreram por fazerem seu trabalho, segundo a EFJ e outras organiza\u00e7\u00f5es. Na \u00faltima d\u00e9cada, houve mais de 700 mortes por este motivo. Em 2 de novembro, a ONU celebrou o primeiro Dia Mundial Contra a Impunidade dos Crimes Contra Jornalistas. A maioria dessas mortes foi de \u201cassassinatos deliberados cometidos por causa da den\u00fancia jornal\u00edstica do crime e da corrup\u00e7\u00e3o\u201d, segundo a EFJ.<\/p>\n<p>As caricaturas recentes da Charlie Hebdo se referiam ao l\u00edder do grupo extremista Estado Isl\u00e2mico e inclusive pareciam prever um ataque, ao anunciarem aos radicais que tinham at\u00e9 o final de janeiro para \u201capresentarem seus desejos\u201d, em uma refer\u00eancia \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o francesa dos ministros do governo que apresentam seus \u201cdesejos\u201d \u00e0 imprensa a cada in\u00edcio de ano.<\/p>\n<p>Mandat\u00e1rios e chanceleres de todo o mundo transmitiram \u00e0 Fran\u00e7a sua condena\u00e7\u00e3o pelos atos de viol\u00eancia e suas condol\u00eancias \u00e0s fam\u00edlias das v\u00edtimas. Mas talvez as mensagens mais profundas tenham partido dos colegas dos mortos no mundo da imprensa, os chargistas.<\/p>\n<p>Plantu, pseud\u00f4nimo de Jean Plantureux, contou que a Desenhos pela Paz, onde os empregados trabalharam at\u00e9 altas horas da noite do dia 7, havia recebido milhares de mensagens e desenhos. \u201cEstamos com raiva. Os desenhistas, crist\u00e3os, mu\u00e7ulmanos, judeus, est\u00e3o escandalizados e com raiva. E para nos expressar, pegamos um l\u00e1pis e desenhamos\u201d, disse na televis\u00e3o francesa.<\/p>\n<p>A Desenhos pela Paz foi criada com o \u00fanico prop\u00f3sito de estender pontes entre pessoas, religi\u00f5es e regi\u00f5es, afirmou Plantu. O trabalho dos caricaturistas \u00e9 \u201cmais forte do que os atos de barb\u00e1rie\u201d cometidos pelos \u201ccovardes\u201d no dia 7, acrescentou.<\/p>\n<p>Em uma entrevista de 2014, na cidade francesa de Montpellier, Plantu afirmou \u00e0 IPS que o trabalho da organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos foi importante na promo\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo, da compreens\u00e3o e do respeito m\u00fatuo mediante o uso do desenho como uma linguagem universal.<\/p>\n<p>Nessa confer\u00eancia, um dos participantes de destaque foi Tignous, que demonstrou ser divertido tanto ao falar quanto ao desenhar. Ele e outro jornalista se perderam tentando chegar ao centro de confer\u00eancias, e ele brincou dizendo que tinha pernas muito curtas para saltar barreiras, mas, ao final, foi quem encontrou o caminho certo. Mais tarde, nessa confer\u00eancia, suas caricaturas provocaram risos do p\u00fablico. Para ele e outros desenhistas, o trabalho tinha a ver com a liberdade para brincar com os extremistas e a hipocrisia dos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Os fundadores da Desenhos pela Paz disseram que a organiza\u00e7\u00e3o pretende ressaltar a ideia de que os caricaturistas t\u00eam a \u201cresponsabilidade de fomentar o debate em lugar de acender paix\u00f5es, de educar em lugar de dividir\u201d.<\/p>\n<p>Segundo v\u00e1rios comentaristas, \u00e9 poss\u00edvel que a Charlie Hebdo tenha acendido as paix\u00f5es com sua s\u00e1tira, mas os assassinatos pareceram uma tentativa de acabar com todo debate e fomentar a divis\u00e3o na Fran\u00e7a, onde cresce a popularidade do partido ultradireitista Frente Nacional.<\/p>\n<p>Os assassinatos tiveram a finalidade de \u201cestabelecer o terror e amorda\u00e7ar os jornalistas, os caricaturistas, mas tamb\u00e9m todos os cidad\u00e3os\u201d, afirmou a Desenhos pela Paz em um comunicado, destacando que os atacantes n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra, porque \u201ca arte e a liberdade ser\u00e3o mais fortes do que toda intoler\u00e2ncia\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Paris, Fran&ccedil;a, 9\/1\/2015 &ndash; &ldquo;S&atilde;o covardes que reagiram &agrave; s&aacute;tira empunhando seus Kalashnikovs&rdquo;. Assim o renomado caricaturista franc&ecirc;s Plantu qualificou os assassinatos de dez empregados da revista sat&iacute;rica Charlie Hebdo e dois policiais nesta capital, no dia 7. 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